Clubes de Caça e Tiro - agentes catalisadores da vida social
 
Como refere a incansável historiadora Sueli Petry: “de fato, a Schützenverein Blumenau, bem como as outras que foram surgindo em diversos locais da Colônia, serviu de centro e agente catalisador da vida social, recreativa e cultural da época. No seu interior não se falava apenas do tiro; os problemas comunitários também mereciam destaque, havendo um intercâmbio de idéias, informações e experiências que muitas vezes se tornavam úteis e decisivas, para o benefício social, recreativo e cultural da Colônia”.

Schutzenfest - Schutzenverein-Blumenau
 
 
E não é preciso fazer muito esforço mental para admitir a presença, em algum canto, de uma “mesa reservada”, um grupo de amigos, uma ou outra cerveja, numa razoável freqüência, na sede destas sociedades. É uma questão de conclusão lógica baseada na maneira ser de qualquer grupamento humano, ainda mais do sexo masculino.
 

É com ênfase neste aspecto que a historiadora vai mais além ao afirmar: “não resta dúvida de que os stammtische aqui começaram a se desenvolver no século XIX, e muito provavelmente no interior destes Clubes”. Como que para testemunhar esta tese, mostra uma foto existente na Casa Dr. Blumenau que registra a presença dos fundadores da 1a. Sociedade de Atiradores de Blumenau (a Schützenverein Blumenau) nas suas reuniões de bate papo, em torno de uma mesa e degustando, por hábito e lógica, cerveja.
 
A movimentação social que se via nas Schützenvereine sustentava um caráter étnico, visto que um dos seus objetivos era preservar hábitos e costumes trazidos pelos colonizadores. Essa atividade associativa intensa procurava reafirmar valores julgados peculiares ao povo alemão, valorizada como meio de evocar a lembrança da pátria mãe.
 
Entretanto, o desenvolvimento da Colônia e a sua expansão, que dificultavam o acesso a “stadtplatz” para muitos, o aumento das taxas de mensalidade cabida a cada associado e as já famigeradas “chamadas de capital” necessárias à manutenção e investimentos da Schützenverein Blumenau, foram fatores que contribuíram para o aparecimento de outras destas associações em locais mais distantes da sede.

 
Em 1880, a Colônia Blumenau foi elevada à condição de Município e, neste ano, contabilizavam-se cinco Schützenvereine, todas com os mesmos objetivos da primeira e constituindo-se como um centro aglutinador de seus associados. Mas há um outro registro que merece destaque, ainda mais porque diz respeito à produção de cervejas na época da Colônia, não fosse pela importância econômica que tinham, mas porque, além de reproduzir um hábito alemão, era ela que embalava as reuniões de qualquer agrupamento de amigos, tivessem eles ainda, ou não, o “alcunha” de stammtisch.
 

Blumenau Colônia - proximidades Schützenverein Blumenau (Tabajara)

Schützenfest na Schützenverein Blumenau

Fontes:
1-BAUMGARTEN, Christina, A geografia da Esperança, Hb Editora, 2002, Blumenau.
2-SILVA, José Ferreira da, História de Blumenau, Fundação Casa Dr. Blumenau, 2a. ed., 1988, Blumenau.
3-FLORES, Maria Bernadete Ramos, Oktoberfest-Turismo, Festa e cultura na Estação do Chopp, Letras Contemporâneas, 1997 Florianópolis.
4-PETRY, Suely Maria Vanzuita, Os Clubes de Caça e Tiro na Região de Blumenau, Fundação Casa Dr. Blumenau, 1982, Blumenau.
5-http://www.brasilalemanha.com.br/festas_pop.htm
6-http://www.blumenauonline.com.br/conhecablumenau/cultura_cct.aspx
7-Arquivo Programa Stammtisch
8-Arquivo Luiz Eduardo Caminha

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