29.11.2007 - Dia
de Solidariedade ao Povo Palestino / 60 anos de
Escravidão.
(Publicado originalmente em 2007, após fala na Câmara
Municipal de Blumenau, nos 60 anos de ocupação da
Palestina.)
Sobre o Comitê pró-Palestina de Blumenau, conto que o
mesmo é composto por um pequeno grupo de pessoas que se
interessam pela causa palestina, e que o mesmo é
conectado com outros comitês semelhantes, notadamente o
de Florianópolis. Convidamos a outras pessoas que tenham
interesse dele participar, que nos procure e nos dê seu
endereço eletrônico, para que possamos manter contato.
Entre outras coisas, o comitê tem um grupo de
distribuição de notícias sobre a Palestina.
Estou aqui falando em nome do comitê e tento
representar, nesta cidade, os milhões de palestinos que
estão dispersos pelo mundo, e também aqueles que ainda
resistem, quase no limite das suas forças, no que resta
do seu país.
A história nos conta que o povo palestino habita as
terras de onde tem sido expulso metodicamente desde a
década de 1940 já há 6.000 anos – vamos encontra-los na
Bíblia sob o nome de filisteus. Em algum momento próximo
desse tempo, para a mesma terra, ainda sob a ótica
bíblica, segue para a Palestina Abrão, pai de Isaac e de
Ismael. Isaac vai ser “pai” do povo judeu enquanto que
Ismael vai ser “pai” do povo palestino – portanto, ambos
os povos têm a mesma e única origem – podemos chamá-los
de primos.
Enquanto os palestinos permaneceram na sua terra por
todos esses 6.000 anos, o povo judeu teve diversas
“saídas”: para o Egito, para a Mesopotâmia, e há que
lembrarmos a diáspora sofrida no começo da era cristã,
durante o Império Romano. Por diversos motivos, os
“primos” judeus saíram diversas vezes da mesma terra
onde os palestinos sempre permaneceram.
No século XX, devido a perseguições variadas acontecidas
na Europa, o povo judeu decide voltar a ter um lar na
Palestina, e fazendo uma clara leitura de política
internacional, vão ter com o Primeiro Ministro inglês
Lorde Balfour, que é quem administrava nessa época as
terras palestinas, tidas como protetorado da Inglaterra,
e passam a ter apoio quanto à sua volta aquelas terras
ancestrais. Depois do Holocausto da Segunda Guerra
Mundial, a ONU acaba por votar uma decisão, em 1947, que
permite a volta dos judeus para a Palestina, na condição
de que a mesma seja dividida entre dois países, o Estado
Palestino e o Estado de Israel. Sessenta anos depois,
apenas o Estado de Israel está existindo, sendo que os
territórios que em 1947 ficaram pertencendo à Palestina,
só restam dois pequenos enclaves: a Faixa de Gaza e a
Cisjordânia, cada vez mais diminuídos e ocupados pelo
Estado de Israel.
Nos seus pequenos enclaves, o povo palestino que lá
ainda resiste, passa por um extermínio étnico, e vamos
citar somente uns poucos pontos de como tal se dá:
- corte de água – as populações vivem com pouquíssima
água, chegando aos limites da sede.
- cortes de eletricidade por períodos enormes e
indeterminados, sendo que a nossa própria imprensa
mostrou, faz pouco tempo, o bombardeio com que o Estado
de Israel destruiu uma das principais usina de produção
de eletricidade do povo palestino;
- pontos de controle do Estado de Israel impedem a livre
circulação do povo palestino no seu território, o que
significa, entre outras coisas, o impedimento de as
crianças irem para a escola e os doentes e feridos
chegarem aos hospitais, que às vezes estão a poucos
minutos das suas casas. È bastante grande o número de
vítimas que vêm a falecer por hemorragia ou outras
faltas de atendimento, devido a tais pontos de controle,
que impedem a livre passagem.
- Milhares de palestinos estão nas prisões israelenses,
inclusive crianças, sem nenhum processo ou acusação –
muitas crianças lá estão apenas porque atiraram uma
pedra em possante tanque israelense que sequer se
arranhou com aquela pequena agressão.
- Está quase em final de construção extenso muro
(centenas de quilômetros) que está a separar do Estado
Israelense de que resta de território palestino .
- destruição sistemática de casas, plantações e
milenares oliveiras das quais vive o povo palestino.
- impedimento dos palestinos trabalharem, separando os
palestinos das suas terras e impedindo-os de chegar aos
empregos.
- Colônias formadas por fanáticos religiosos judeus
instalam-se nas pouquíssimas boas terras que restam ao
povo palestino, tornando ainda pior a sua vida.
- etc., etc., etc.
PODEMOS DIZER QUE UM GENOCÍDIO ÉTNICO ESTÁ
ACONTECENDO NA PALESTINA, sob as vistas de todo o
mundo, e com o apoio técnico e militar dos Estados
Unidos, que financia o Estado de Israel com verbas a
fundo perdido, já que os EUA muito precisam de um aliado
fiel naquela parte do mundo, ponta de lança existente
entre o mar de petróleo dos países circunvizinhos.
Em Blumenau, como em tantos outros lugares do mundo,
temos hoje o dia de Solidariedade ao Povo Palestino –
estamos aqui lembrando, para que tal não seja esquecido,
e para que não continuemos indiferentes ao que se passa
com essa gente que está sendo morta, expulsa,
aprisionada e injustiçada na sua terra, e que, como
todos nós, faz parte da única raça que existe: a raça
humana.
Venho aqui conclamar para que haja solidariedade dentro
de cada um de nós para com os nossos irmãos que tanto
sofrem.
Blumenau, 29 de Novembro de 2007.
Urda Alice Klueger
Escritora e historiadora
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