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Strassenfest mit Stammtischtreffen
Luiz Eduardo Caminha*


Muito se tem falado, nas páginas do Jornal de Santa Catarina, sobre Stammtisch e o Encontro da Rua XV. Entretanto. O ressurgimento da cultura dos stammtische acabou por gerar uma distorção no uso deste vernáculo de origem germânica.
Está coberta de razão a Sra. Elisabeth Germer quando, em carta publicada na edição de 22/04/2004, protesta sobre o uso inadequado do termo stammtisch para o Encontro.
A hora nos parece oportuna para uma elucidação pelo uso desta palavra que dá nome a esta festa que já faz parte do Calendário Turístico Municipal e Estadual. Como membro da Comissão Organizadora, desde a 1a. edição, sinto-me na obrigação de fazê-lo. Se por um lado a condição de manézinho possa me desqualificar, é como blumenauense que o faço.
A 1a. edição do Encontro ocorreu como uma das atrações do evento maior, a Strassenfest comemorativa dos 150 anos de Blumenau, sob os auspícios do Instituto Blumenau 150 anos.
Desde a 3a. edição, em Março de 2001, vinhamos insistindo, por sugestão do Baldur Hass, em chamá-lo de Stammtischtreffen (Encontro de Stammtische, em alemão). Mas foi a partir da 4a. edição, por sugestão de Frau Alda Niemeyer ao Norberto Mette - também membro da Comissão Organizadora desde a 1a. edição, que se resolveu chamar a festa de Strassenfest mit Stammtischtreffen (Strassenfest com Encontro de Stammtische). Na verdade, tinhamos certeza de estar fazendo uma Strassenfest que possuia, como particularidade, um Encontro de Confrarias denominadas Stammtische, ou seja, uma reedição do 1° evento.
O que aparecia como novo, e que de fato o é, pois nem na Alemanha existe, era a reunião dos stammtische em plena rua central de uma cidade. Vale dizer, o que inventamos foi o Stammtischtreffen.
Os stammtische mantinham, e continuam mantendo, com a frequência e características de cada um, as suas “reuniões fechadas”, nos seus ambientes, ao redor de suas mesas reservadas, tal qual acontece na Alemanha ou em outros países de ascendência tedesca.
Entretanto, a cultura, um processo em evolução contínua, às vezes nos prega algumas peças, fruto do desconhecimento, da miscigenação das raças, suas tradições e costumes ou mesmo de adaptações loco-regionais.
Exemplo disto é o Forró, uma corruptela dos bailes públicos que os ingleses, sediados no nordeste, chamavam de “for all” (para todos). A palavra Forró traduz um fenômeno linguístico denominado anglicismo.
Em Blumenau, aonde a tradição dos stammtische estava no esquecimento, não foi diferente. A população, e a própria mídia, cunhou o nome stammtisch para o encontro.
Neste caso, nem uma corruptela abrasileirada do nome pode ser usada como desculpa. Afinal, usamos errado, sim, o nome stammtisch para uma festa que a organização concebeu como uma strassenfest.
Que se use, portanto, definitivamente, o termo “Stammtischtreffen”, se correto queremos ser e porque, este, é o verdadeiro nome desta invenção cultural, nascida aqui em Blumenau e que acontece durante uma strassenfest, sob pena de atentarmos contra a língua germânica.
No mais, é agradecer a Dona Elisabeth e a tantos outros descendentes germânicos que ainda se esforçam para manter aqui, intacta, a memória cultural de nossos primeiros imigrantes.


O autor é médico e um dos organizadores dos Encontros de Stammtische.
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