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Meu filho tem TDAH
Venho
por meio desta esclarecer, que
Sim,
ando furiosa. Saber hoje que meu filho é TDAH ( transtorno
de déficit de atenção e hiperatividade ), e saber que, por
isso :
"Um
grande n.º de outras dificuldades a longo prazo tem sido
associadas com relações negativas com seus pares na
Infância, incluindo um maior risco de desenvolvimento de uma
condição comórbida ( ex. : depressão, ansiedade ), abuso de
substâncias, comportamento delinqüente ou criminoso, e
instabilidade no trabalho. Resumindo, as crianças com TDAH
que também apresentam desadaptação social, quando comparadas
com outras crianças com TDAH que não são rejeitadas pelos
seus pares, carregam um fardo psicológico maior, que as
predispõe a dificuldades em várias áreas através da idade
adulta ( e durante toda a vida )”.
A
partir disso, começa a correria!! Psicóloga, neurologista,
exames, dificuldade em lidar com os efeitos colaterais da
medicação, aulas de reforço escolar, ufa!!
E
ouvir, do colégio onde seu filho estuda que você "tem que
dar um jeito nele", e "não queremos mães mal educadas neste
colégio", etc. , me leva a seguinte pergunta: uma mãe pode
ficar furiosa por se sentir abandonada e saber que seu
filho, muito amado, inteligente, só que "meio atrapalhado",
tem que ficar trocando de colégio para ver quem o aguenta ?
Por
que todas as mães de crianças TDAH passam por isso?
Por
que, quando eu ainda não contestava o colégio, nunca fui
"convidada" a levar meu filho pra outra instituição, mesmo
ele não se adaptando ao colégio ? E agora, após o
diagnóstico de TDAH, no primeiro problema, fazem de tudo
para que eu tire o meu filho do colégio, inclusive com
ataques pessoais ?
Sobre
o parágrafo acima, gostaria de entender: por que, quando eu
ia ao colégio, todos os funcionários sabiam quem era meu
filho, não pelo ruivo do seu cabelo, mas sim, por ser
desastrado, etc, e ficavam comentando nas minhas costas? Por
que viviam os professores reclamando e nenhuma boa alma me
apareceu para dizer que seria boa a ajuda de um psicólogo ?
Por que, das várias vezes que conversei com a coordenadora
Margareth sobre levar o Felipe ao psicólogo ou se ela não
achava que ele tinha algum problema, simplesmente me dizia:
ora mãe, não é para tanto! Basta ser mais firme! _ E eu
dizia: Mais??? Como???
Passei 12 anos tentando descobrir o problema e muitos
profissionais ( de escolas ) diziam que “quando ele crescer
vai amadurecer”...
Ok,
eu já sei, que muitos profissionais estão despreparados,
etc, mas... Não haverá aí também uma acomodação desses
profissionais em fórmulas antigas, ultrapassadas, etc?
Mas
aí apareceram as crianças com problemas... Os arcaicos,
podem dizer: Maldita inclusão!!!! ( E eu digo: Bendita
seja!!! ) Antigamente a população era menor, as pessoas
tinham pouco acesso à informação e a vida era mais fácil ...
assim dizem...
Já
sei que, segundo todos os que conhecem bem esse transtorno,
o problema sempre é da criança e dos pais. Todos estes
profissionais lamentam o fato de nós, pais e os portadores
de TDAH, passarmos por isso. Não estou me fazendo de vítima,
ao contrário. O que eu gostaria de saber é: e
quando alguém é vítima de um TDAH, o que dizer à vítima?
Sim,
sou uma mãe furiosa. Além de mãe furiosa, agora sou também,
a secretária que cuida da agenda do meu filho: aulas de
judô, aulas particulares de inglês, aulas de reforço de
matemática, química, física e português. Minha grande
alegria deste ano foi conseguir uma professora de português
que se comprometeu em não só dar aulas de reforço para a
matéria deste ano, mas também, ajudá-lo a “sair do atraso”
de vários anos nesta matéria.
Quem
for MÃE que me atire a primeira pedra. Mas somente aquelas
que forem mães. Às demais, fica somente a minha fúria.
Deus me deu o privilégio
da maternidade. Tenho 3 filhos, somente um TDAH. Segundo o
Dr.
Jobair Ubiratan Aurélio da Silva,
neurologista do meu filho, Deus escolhe bem as mães de
filhos TDAH. Me sinto uma privilegiada em ter um filho
assim. Depois dele, comecei a aprender sobre a hipocrisia, o
descaso, o “tudo de ruim”, mas também, o melhor dos seres
humanos.
Às que são mães, mas de filhos “que não dão
nenhum problema”, digo-vos: tenho duas filhas que são deste
tipo, e é como brincar de boneca...
Uma
alegria só!! Elogios....muitos!!! Professores as adoram, tem
muitos amigos, aprendem tudo rapidinho...hummmmmmm, uma
delícia!!
Mas... e quando o filho apresenta um problema? Claro, a
culpa é da mãe!! Mimam demais, não dão disciplina, etc,
etc... Um inferno!!
Mas... e quando não mimam e dão disciplina?? Claro, não
estão fazendo seu trabalho direito!!
E
quando a criança é TDAH ? .... hum...perguntinha difícil, já
que hoje em dia já não se pode dizer que isso é uma invenção
dos pais pra não educarem seus filhos... (CID 10: F90.0 ).
TDAH
, apesar de nos cobrar doses enormes de paciência, não é um
“bicho de 7 cabeças”. Mas, se pensarmos que parecemos
“bichos de 7 cabeças” para essas crianças, a coisa muda.
Segundo todos os especialistas que lidam com portadores
deste transtorno, SIM, eu tenho todo o direito de estar
furiosa!!! EXIJO que os profissionais da educação se enterem
do que é TDAH, para saber como lidar com ele, para que
assim, deixemos de ser “bichos de 7 cabeças”.
Agora
que todos já sabem quem eu sou, pelo meu “comportamento” na
escola, digo que era essa mesma a minha intenção: SER
COMENTADA.
Além
de mãe furiosa, não sou conhecida por ser super protetora,
muito pelo contrário: sou uma mãe, tia, prima, irmã, filha,
sobrinha, neta, bisneta, cunhada e vizinha que não gosta de
bate- boca. Isso mesmo! Me chamam de obstinada (nem sempre
sendo como um elogio), aquela que resolve as situações
quando os demais envolvidos também anseiam por ela.
A
família do meu marido é bastante numerosa (são 10 irmãos).
Não havia muito diálogo entre eles, mas sim, muitas
reclamações. Hoje, o Natal, e muitas datas comemorativas,
acontecem na minha casa. Detalhe: é uma família japonesa.
Por incrível que pareça, não há intrigas, disputas, mas há
sim, muito carinho entre os cunhados/cunhadas e aproveitamos
nosso tempo juntos, para brindar à vida, pelo prazer que nos
dá em nos reunirmos, fazermos parte da vida uns dos outros,
fazendo aquilo que Jesus nos ensinou: Amarmos uns aos
outros. Sabe quem tem o mérito por isso? TODOS nós.
TRABALHO DE EQUIPE. SENSO DO DEVER . A consciência de sermos
o exemplo maior dos nossos filhos.
Toda
linda história de amor nem sempre tem um lindo começo.
Depende dos corações que batem dentro de nós. Eu tento
sempre sentir “onde aperta o sapato “ no outro. Quando não
consigo, através de uma simples tentativa, tento entrar
dentro do ser que me pede ajuda, para entendê-lo.
Acredito piamente que essa é a única estrada a seguir.
Entender o outro não quer dizer fazer o que o outro quer,
mas sim, buscar um consenso.
Espero que entendam “onde o sapato me aperta” com esse
“desabafo”. Já que me está proibido pela diretora falar
com quem quer que seja deste colégio (ela disse que é dona
desta instituição e eu só posso resolver (...) com ela ...
). Sem comentários.
NÃO
estou furiosa por meu filho ter ficado de recuperação _ que
fique bem claro. Eu mesma já discuti com uma professora de
geografia, 2 anos antes, por NÂO o ter deixado de
recuperação. A minha preocupação é com o ser humano que
estou preparando “pro mundo”. Que o repitam, o coloquem de
recuperação, pouco me importa. Me preocupa sim, e muito, em
torná-lo em um “Homem de Bem” (pareço minha avó, desse
jeito..rs). Com a ajuda de Deus, conseguirei, sabendo que :
“Uma andorinha só não faz verão”.
E
quem for MÃE, que me atire a primeira pedra!
Luciani Cordeiro
Mãe de Felipe Quevedo.
Colégio Mary Ward _ Tatuapé
“As mudanças todas pelas
quais a humanidade passa indicam que não podemos ficar
parados porque senão, passaremos também e em coro diremos
“em nosso tempo não era assim”. O homem e a mulher nunca
estiveram tão afinados na luta pelos seus direitos, como
também nunca estiveram tão desafinados no cumprimento dos
seus deveres. A produção acelerada de coisas produz também,
um ser humano acelerado que não tem tempo para nada. Termina
um feriado prolongado e estão todos exaustos de “nada”. E
assim camiggghhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhha” (trecho do blog do
Professor Galiani).(I(
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