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FESTA DO CAVALO
Quando nossos antepassados aqui aportaram, vieram com a cara e a coragem, em
busca de um lugar para viver e construir um futuro para os seus descendentes.
Sabiam que para eles, caberia a morte (der tot). Para os seus filhos, as
dificuldades (die not), mas para os netos haveria de haver pão (der brot).
Abriram clareiras a facão. Construíram as primeiras moradias de toras de palmito
e dormiram em camas de estrado trançado de cipó. Mais tarde usaram como veículo
de tração, bois e cavalos que os auxiliaram na retirada de toras que utilizaram
para construir melhores moradias. Também na aração, gradeação e capina das
lavouras de milho, batata, etc. Dispensavam aos animais, tratamento especial e
ao final do dia, os cavalos eram banhados nos riachos e escovados antes de
levados à estrebaria onde, eram premiados com rações diferenciadas que
continham, especialmente, cana de açúcar que lhes dava mais energia para a
labuta diária. O cavalo também era meio de transporte como montaria ou
conduzindo a carroça nas idas para a igreja aos domingos e durante a semana, com
produtos a serem vendidos no comércio. Mas, o mundo evoluiu! O homem criou as
máquinas e começou a utilizá-las em substituição aos bois e cavalos, como tração
necessária à produção. Também para o seu transporte. E o animal voltou às suas
origens. Livre e solto como nasceu nos prados, campos e pastos do mundo. O homem
nunca haverá de esquecer a contribuição dos animais para o seu conforto, a sua
saúde e o seu lazer. Foram seus companheiros nos momentos mais difíceis da
construção de nossa sociedade. Cavalgar em passeios domingueiros pela região,
reunindo grupos saudosos dos tempos antigos é manter o elo de ligação entre o
cavalo e o homem, que permitiu construir a sociedade atual. Como os gaúchos que
reúnem amigos, cavalos e seus cães ao redor de fogueiras de fogo de chão, com
rodados de chimarrão, muita música e declamando as mais belas poesias do homem
dos pampas. Nossa gente poderia realizar a sua festa do cavalo, exibindo seus
exemplares com orgulho, nos nossos Clubes de Caça e Tiro, desfilando em dia
dedicado aos mesmos quando os melhores, mais bonitos e mais garbosos seriam
premiados e haveria um premio especial ao cavalo do ano, baseado em ato ou fato
ocorrido na comunidade. A evolução trouxe as máquinas que substituíram os
animais nos trabalhos pesados. A festa pode e deve ser também dos cavalos. Se
quisermos homenageá-los por tudo que fizeram no passado devemos dedicar-lhes um
tratamento especial, mostrando-lhes a nossa gratidão e a nossa própria evolução
e compreensão de que vivemos em outros tempos.
RUBENS BACHMANN
Jornalista RG 01650 – DRT-Mtb/SC
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