CRIANÇA DO BRASIL
Augusto de Abreu
Muito se diz
Que a criança
É a esperança
O futuro do Brasil.
No entanto,
Me pergunto:
Como podem ser o futuro
Se nem ao menos têm futuro?
Como podem ser o futuro
Se nem ao menos lhes dão
Comida, saúde, educação?
Continua em minha
Inquietude e indignação
Perguntando como podem
Ter esperança
Se o que lhes oferecem
São apenas crenças e mentiras?
Infância
Lorreine Beatrice
Pés de tangerina
foram meus dragões
e eu, herói,
a enfrentá-los
pelos vastos
sóis de domingo
alegoria da infância
plantada na raiz do tempo
era verde correr
ao encontro dos braços
abertos do vento
e perder-se em
sonhos de luz,
enquanto colibris
procuravam
margaridas sem-fim.
CRIANÇAS
Autora: ILKA BOSSE
Que cantem as crianças
De semblante pálido
Ignorando que exista
Um mundo melhor
Que cantem as crianças
De olhares tristes
Tentando entender o que é um lar.
Que cantem as crianças
Que anseiam por carinho
Ao verem alguém se aproximar.
Que cantem as crianças
Sem esperanças
Sofrendo a dor da saudade dos pais
Que jamais irão retornar.
Que cantem as crianças
De olhar perdido no horizonte
Em busca de alguém
Que as possa amparar.
Que cantem as crianças
Que acreditam em seu Deus
Sonhando que algum dia ele virá
E que por mais pequerruchas
Que seja, ou escondidinhas
Ele as encontrará
Que cantem também as crianças
Nutridas e saudáveis...
Deliciando-se...
Com a vida a passar
Permitindo que este privilégio
Possa às necessitadas contagiar.
Que cantem os governantes
Que brincam com o poder
Despertando para o que é real
Lembrando que existe
A “pequenada”, os “Baixinhos”
Bem abaixo do seu olhar!
E que não serão para sempre
CRIANÇAS!
O MENINO E O TREM
Maria de Lourdes Scottini Heiden
O menino armou seu trenzinho
Na calçada da rua quieta.
Em seu olhar
Maquinista se fez.
Fiui, fiui, fiui, fiui...
Sobe serra, desce serra...
O trem a sacolejar
E no sonho do menino
Mil destinos se escreviam
Com a fumaça que subia
Enquanto o trem corria.
De repente
O trem pára... encalha...
É o grito da mãe
Chamando o menino
Porque a noite, essa tirana,
Impôs o seu reinado.
E o trenzinho...
Pobrezinho!
Na caixa foi guardado.
O MENINO POETA
Maria de Lourdes Scottini Heiden
O menino poeta
Atirou uma seta...
Acertou a palavra
Na lata!
Brincou com a lua
Na rua tão quieta!
Acendeu uma estrela
Na noite serena.
Com rimas suaves
E versos alegres,
Compôs seu poema.
Serestas ligeiras
Encantaram o ar.
O menino poeta
Achou seu lugar.
AH, COMO SOPRA O VENTO!
Maria de Lourdes Scottini Heiden
Ah, como sopra o vento!
Este vento tão sofrido,
Este vento tão fingido
Que maltrata meio mundo!
Ah, como sopra o vento!
Não tem pena da mocinha
Sua saia ele levanta
Não perdoa a velhinha,
Sua sombrinha ele arranca
E o garoto...
Que alegria! Solta pipa
Bem disposto!
Ah, como sopra o vento!
Tira roupa do varal,
Poeira joga no olhar
E na calçada da cidade
Homens passam depressa,
Pois o vento, este danado,
Atira treco para todo o lado.
E o menino... que festa!
Fita a pipa e tudo
Esquece.
Ah, como sopra o vento!
As folhas bailam,
As flores sofrem,
As mulheres fogem...
Só o menino alegre
Brincando de pipa
Na infância
Tão breve.
A passear
Izabel Pavesi
Saímos assim...
Mãozinha grudada em mim
Eu e meu filho a passear.
Esbarrando em folhas secas
Amarelo-marronzinhas
Retorcidas pelo chão.
Eu e meu filhote
Ora desviando
Ora chutando
Ora as erguendo
Ora as pisando...
Pelas calçadas vamos
Desviando das cacas
Dos cachorros e dos gatinhos
Pulando valinhos
E buracos pela estrada,
Bem alegres...
Os sonhos desenhando
Nas cabeças e nas nuvens,
O risinho se espalhando no ar
e meu filhinho
...a saltitar.
Dobramos uma esquina,
Pegamos um atalho...
Na casa antiga ao lado
Esquecida e envelhecida,
Vidros quebrados e poeirentos
Os ferros retorcidos,
Só a caixinha de cartas
Permanece intacta e imóvel
Por entre as teias de aranha.
E nós dois bem faceiros
...a vislumbrar.
Seus dedinhos tão pequenos
Um despertar tão alegre,
Desfolhando malmequeres
De passinho em passinho
Cantarolando baixinho,
Cruzamos a estreita via
Juntos de cá e de lá,
Esquecendo-se da vida
EIN PROSIT
Isnelda Weise
Um brinde à saúde deste povo
Flutuando na leveza de sua dança
Um brinde a esta festa, à esperança
De outubro, que inicia tudo de novo.
A você, visitante, a folia
Guiando os seus passos pela noite
Que mate sua sede qual açoite
E preencha sua estada com alegria.
Um brinde àquele que fez da semente
A branca e clara espuma benfazeja
Enchendo de ousadia a nossa gente.
Um brinde para todo que deseja
Fartar-se deste copo e, contente,
Morrer nos braços alvos da cerveja!
OUTUBRO FLORIDO
SANDRA TAIS AMORIM
TANTAS FESTAS E ALEGRIA NO AR
TANTAS CRIANÇAS ALEGRES A CORRER
BRINCADEIRAS DIVERTIDAS A ACONTECER
FESTAS E DOCES EM TODO LUGAR VAMOS ENCONTRAR
POEMAS A NOS ADOCICAR
NESTA CORRIDA DO DIA A DIA
COM A ESPERANÇA DE UMA MUDANÇA
SEJAMOS TODOS CRIANÇAS
VIVAMOS COM PLENITUDE
VIVAMOS COM ALEGRIA
PENSAR NUM NOVO DIA
COM AMOR E ESPERANÇA
PENSAR NA VIDA E NA PAZ
COM OLHAR DE UMA CRIANÇA
QUEREMOS TODOS VIVER ASSIM
SEM COBRANÇAS E DÚVIDAS
VIVER FELIZ E SATISFEITO
APROVEITAR AS FESTAS
E CADA UMA FAZER SER A MELHOR
VIVER... VIVER