Mulheres de Rubens

Vê as três graças de Rubens
Tu, ó mulher, imperfeita
Que assim se julga e não aceita
O corpo belo que tens.
Cheia de graças e bens
A tua alma se enfeita
Não da matéria que é feita
De imperfeições, teus reféns.
Fez-lhe um Deus, o artista
Que jogou longe da vista
O que é ser a mulher.
Rubens de Deus com certeza
Aprendeu ver a pureza
Da fêmea além do que é.
Erigutemberg Meneses
Blumenau (SC), 08.04.2006
O que quero
Ana Paula Kuczmynda da Silveira
Não quero o pranto, nem tampouco a rosa,
Não quero o amor exposto, à descoberto
Nem a poesia expressa em prosa,
Desejo apenas o futuro incerto.
Quero o ardor das paixões desconhecidas
E a vibração de emoções adormecidas.
Quero o ritmo, mas não quero a métrica,
Quero a vida nua, intensa, frenética.
Quero sorrisos e esperanças novas,
Quero o hoje, o amanhã infinito,
Canções, ideais, versos e trovas.
Mais que um sonho, eu quero a face tua.
Quero o espasmo, o prazer, o grito,
A tua paz, o teu amor, a lua.
Terna Aurora Materna
Isnelda Weise.
O sono demora, já é madrugada
Seus olhos cansados, os pés doloridos
Vagam pela noite quando os sentidos
Ficam aguçados e ela está calada.
Na palidez da insônia antevê a aurora
A tingir seu tempo ontem aquecido
É seu o lamento quase destemido
Conforto pro filho que perdeu-se fora.
Pela manhã mãe, à noite só espera
Amanhece mulher depois vira destino
Do mundo que espelha sua solidão.
Mãe em tempo seco e na primavera
Bússola de vida à espera do menino
Fé é o seu lema e estrela o coração!
Tchello d'Barros
uma
mulher
madura
me nina
...
meu cisma
:
essa miss
ama a si mesma
meu sismo
:
essa miss
amo-a assim mesmo
...
Moça Miss e Musa
Uma miss omissa
Assume-se musa
Mês-à-mês usa-me
Mas amo essa moça
Mesmo se isso
Cesse esse cisma
Meça meus sismos
Amacie meu siso
Assim me sacio
Ouço num sino
Um som macio
Cicia o seu sim
Na soma à esmo
Sou aço e ouso
Em suma assino
A sina acima
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no espelho, a mulher
não vê a mulher que vejo
vazio desejo
( Terezinha Manczak)
Maria de Lourdes Scotinni Heiden
Trovas
I
Quero uma rosa amarela
Da cor mais viva que há
Para pôr em minha janela
E espantar a tristeza de lá.
II
As crianças lá de casa
Não dão sossego pra nada.
Uma grita, outra fala
E nenhuma delas cala.
III
Eu tenho muita esperança
De encontrar o meu amado.
Se preciso vou à França
Mas arrumo um namorado.
IV
Não tenho medo de nada...
Mentira! Que tenho sim.
Medo de estar errada
Ao querer você pra mim.
V
Um dia você vai ver
Vou dar aquele ultimato.
Não quero mais viver
Com você no meu sapato.
VI
O brilho pálido da lua
Toca o meu coração.
Um dia hei de ser tua...
É a mais doce ilusão.
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Minha mãe
Izabel Pavesi
Minha humilde mãezinha,
nunca foi bailarina.
Veio do sítio, da terra
da lida da roça espinhosa.
Minha mãe só radio tinha,
Pra alegrar seu dia-a-dia,
E uma vaquinha generosa,
Pro leite das criancinhas.
Em dias de geada mamãe cerzia,
vestia de belezura seus pupilos.
Depois paciente, semeava plantinhas,
E um roseiral com cerquinha.
Nunca soube o que é debutante,
Aprendeu poucas letrinhas,
No tanque modelou sua barriga,
E no fogão aqueceu o coração.
Sempre reza minha mãezinha
Pelos anjos e santos,
Miguel Arcanjo que nos proteja,
Assim se foi uma vida.