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Mural Virtual Das Letras maio


 

 

Em maio, a poesia se mostra revestida de uma feminilidade poética que expressa a delicadeza das intenções.

Um buquê de rosas, do branco ao vermelho intenso. Um perfume, um beijo, uma homenagem...

 


Erigutemberg Meneses,

Ana Paula K. da Silveira, Isneda Weise, Tchello d'Barros, Terezinha Manczak ,
Izabel Pavesi, Maria de Lourdes Scotinni Heiden

 

 

 

 


 

Mulheres de Rubens

 

 

 
Vê as três graças de Rubens
Tu, ó mulher, imperfeita
Que assim se julga e não aceita
O corpo belo que tens.
 
Cheia de graças e bens
A tua alma se enfeita
Não da matéria que é feita
De imperfeições, teus reféns.
 
Fez-lhe um Deus, o artista
Que jogou longe da vista
O que é ser a mulher.
 
Rubens de Deus com certeza
Aprendeu ver a pureza
Da fêmea além do que é.
 
Erigutemberg Meneses
Blumenau (SC), 08.04.2006
 

 

 

 

 


 
O que quero
Ana Paula Kuczmynda da Silveira
 
Não quero o pranto, nem tampouco a rosa,
Não quero o amor exposto, à descoberto
Nem a poesia expressa em prosa,
Desejo apenas o futuro incerto.
 
Quero o ardor das paixões desconhecidas
E a vibração de emoções adormecidas.
Quero o ritmo, mas não quero a métrica,
Quero a vida nua, intensa, frenética.
 
Quero sorrisos e esperanças novas,
Quero o hoje, o amanhã infinito,
Canções, ideais, versos e trovas.
 
Mais que um sonho, eu quero a face tua.
Quero o espasmo, o prazer, o grito,
A tua paz, o teu amor, a lua.
 
 

 

 


 
Terna Aurora Materna
                 Isnelda Weise.   
 
O sono demora, já é madrugada
Seus olhos cansados, os pés doloridos
Vagam pela noite quando os sentidos
Ficam aguçados e ela  está calada.
 
Na palidez da insônia antevê a aurora
A tingir seu tempo ontem aquecido   
É seu o lamento quase destemido  
Conforto pro filho que perdeu-se fora.
 
Pela manhã mãe,  à noite só espera
Amanhece mulher depois vira destino
Do mundo que espelha sua solidão. 
 
Mãe em tempo seco e na primavera
Bússola de vida  à espera do menino
Fé é o seu lema e estrela o coração!     
 
  
 
 

 

 



Tchello d'Barros
 
 
uma
 
mulher
 
madura
 
me nina
  
 ...
 
 meu cisma
:
essa miss
ama a si mesma
 
meu sismo
:
essa miss
amo-a assim mesmo
 
...
 
Moça Miss e Musa
 
Uma miss omissa
Assume-se musa
Mês-à-mês usa-me
Mas amo essa moça
 
Mesmo se isso
Cesse esse cisma
Meça meus sismos
Amacie meu siso
 
Assim me sacio
Ouço num sino
Um som macio
Cicia o seu sim
 
Na soma à esmo
Sou aço e ouso
Em suma assino 
A sina acima

 

 


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no espelho, a mulher
não vê a mulher que vejo
vazio desejo
 
 
( Terezinha Manczak)


 

 

 

 

 


 
Maria de Lourdes Scotinni Heiden
 
Trovas
 
I
Quero uma rosa amarela
Da cor mais viva que há
Para pôr em minha janela
E  espantar a tristeza de lá.
 
 II
As crianças lá de casa
Não dão sossego pra nada.
Uma grita, outra  fala
E nenhuma delas  cala.
 
 III
 Eu tenho muita esperança
De encontrar o meu amado.
Se preciso vou à França
Mas  arrumo um namorado.
 
 IV
Não tenho medo de nada...
Mentira! Que tenho sim.
Medo de estar errada
Ao querer você pra mim.
 
V
 Um dia você vai ver
Vou dar aquele ultimato.
Não quero mais viver
Com você no meu sapato.
 
VI 
O brilho pálido da lua
Toca o meu coração.
Um dia hei de ser tua...
É a mais doce ilusão.
 
 
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     Minha mãe
                      Izabel Pavesi
 
Minha humilde mãezinha,
nunca foi bailarina.
Veio do sítio, da terra
da lida da roça espinhosa.
 
Minha mãe só radio tinha,
Pra alegrar seu dia-a-dia,
E uma vaquinha generosa,
Pro leite das criancinhas.
 
Em dias de geada mamãe cerzia,
vestia de belezura seus pupilos.
Depois paciente, semeava plantinhas,
E um roseiral com cerquinha.
 
Nunca soube o que é debutante,
Aprendeu poucas letrinhas,
No tanque modelou sua barriga,
E no fogão aqueceu o coração.
 
Sempre reza minha mãezinha
Pelos anjos e santos,
Miguel Arcanjo que nos proteja,
Assim se foi uma vida.

 

 

Organização:

 Terezinha Manczak  

mural@stmt.com.br

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