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Mural Virtual Das Letras agosto . setembro


 

 

Homenagem aos participantes da Antologia

 "UM RIO DE LETRAS III",

que a SOCIEDADE ESCRITORES DE BLUMENAU lançou dia 10 de agosto na Fundação Cultural de Blumenau







Mais de sessenta autores de diferentes idades, estilos, gostos, locais e origens, desfilam um conjunto vivo; uma vitrine do que a SEB tem se permitido ser.Um grupo de talentos que se confirmam, iniciantes que percorrem ainda um verde princípio, outros que surpreendem, pela qualidade literária observada num crescente visível. Corajosos em expor seus sonhos e angústias, aventuram -se junto àqueles que, fazendo uso da palavra, interagem no universo da sensibilidade e dos sentimentos.

 



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Peço!

Sandra Puff

 

 

Ontem, pedi tudo...

O céu e a terra

O ar e o mar

Não tive vergonha

da minha condição!

Apenas pedi...

Com um coração frágil

Com os olhos secos

As mãos, então... trêmulas...

Sabe, simplesmente pedi

Algo simples...

Sem valor material

Algo que não se compra

Não se vende

Não se come ou bebe.

Parecia tão fácil ser atendido!

Mas não, eu queria tudo!

O céu e a terra

O ar e o mar

E o que sobraria hein?

Valeria a pena esperar?

Depois de muito refletir...

Ah! Vale sim, continuo a pedir!!!

 

 

 

 

Sigo em frente

Izabel Pavesi

 

 

Como uma flor de lótus

A cada fase renasci e floresci,

Bela, lúcida e magnética.

 

A cada queda brutal

Juntei meus destroços,

Me recompus, me ergui.

 

Obstinada sigo em frente,

Construo novos projetos,

Exploro novos caminhos.

 

Imersa em perspectivas,

Encho-me de inspiração criativa,

E me sento na requintada mesa dos vivos.

 

Aguço a mente, o olhar,

Fico antenada, a auscultar,

Driblo adversários, feras em potencial.

 

Precocemente aprendi a rir de mim mesma,

a me erguer com bom-humor,

a atirar-me com audácia nas batalhas.

 

Formo novos laços, fortes,

Curto afetos com graça afetuosa,

Travo novas relações.

 

E logo estarei com novas dúvidas,

Indagações, inquietações.

Pois são minha essência, eu mesma.

 

 

 

 

MEU CAIS, MINHA MORADA

Fátima Venutti

 

 

 

Naufrago em meu cais,

Apunhalo versos-trapos mornos

Que esta solidão me faz recitar,

Cá estou.

A definhar  minhas poucas vestes

Do abandono nefasto da paixão

E ainda sublinho, exausto,

Meu último respiro poético a resvalar.

Findo, prostrado e tolo a me afogar.

 

Oh nau narcísea de glórias

Em que me abrigo e me afago...

Revida, no gesto ancorado desta fome

E contempla minh` alma deste legado insano.

E dai-me um último e súbito poema

E que nele adormeça,

Ao cair inválido nesta única morada,

Este mais que verdadeiro lastro.

 

 

 

CHORO OURO POR TI

Ilka Bosse

 

Derramo...

Gotas douradas

Será pranto disfarçado?

Misturando-se ao sereno

Segue pelo leito

Do meu olhar...

Que chora ouro por ti

 

Nesta madrugada

És fonte direcionada

Mesclando este brilho

Numa só gota...

Gota presa

Ondulando no olho

Cintilando o cilho

Lágrima espessa

Indefesa...

Chora ouro por ti

 

Esparramo...

Pela madrugada

Meu cheiro

Meu andar ligeiro

Meu vagar esguio

Sem desvio

Sentindo nos passos

O vazio

 

Porém...

Com olhar felino

Perscruto meu destino

Em cavas

Em covas

Em grutas

Em grotas

Em pedras brutas

No meu riso... Viso

Em gargalhadas sinceras

Quimeras

Meras utopias

Loucas...

Loucas fantasias

Em delírio...

CHORO OURO POR TI

 

Autora: Ilka Bosse

(Bailarina das Letras)

 

 


 

UM POEMA PARA POETAS

Rosane Magaly Martins

 

É URGENTE:

 

Parar este tempo

para ouvir nossa alma.

 

Ousar no tempo

para libertar nosso sonho.

 

Criar um tempo

e estar próximo do vento.

 

Amanhecer na ternura

de uma solidão compartilhada

de um poema descoberto entre os lençóis.

 

Porque é urgente

Salvar almas

Escrever poemas

E libertar o homem

 

Na lavra intensa

da lava quente

de nossa emoção.

 

 

 

 

 

Vem

Tânia Maria da Silva

 

  

Vem e pinta de esperança

esta  noite de amor que  se faz eterna.

Vem e apaga este silêncio,

que   mata   meu coração.

Vem  e  arranca esta tristeza

Que  dilacera  meu peito.

Vem  e acende meu sorriso novamente.

 

Vem !  Quero ser feliz !

Sei que o amor existe

Então vem e mostra um  caminho para nós dois

Deixe que eu te  ame  por inteiro

Para que volte a encontrar

A alegria  que perdi.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

cor

de

mel

o

tom

de

tua

tez

e

me

faz

bem

te

ver

mais

uma

vez

 

Tchello d'Barros

 

 

 

 

 

BLUMENAU
Ricardo Brandes


Em setembro nasceu uma jovem
Que cresceu sob o leito de um Rio
Linda menina do sul, cidade jardim do Brasil
 
Fez-se um ser de alma sem igual
Que com a beleza do Itajaí Açu
Alimentou muitas paixões
 
Tornou-se uma criatura magistral
Que com o perfume do vale europeu
Enobreceu muitos corações
 
És hoje cidade dourada
Que brilha sem querer parar
Fulgindo nos dias de sol e nas noites de luar
 
Ser de luz irradiante
Que nos toca a alma
E faz sonhar
 
O calor do teu sol poente, a beleza da estrela cadente
Refletem nas ruas e na gente
A beleza de ser Blumenau
 
DEUS,
Como pudeste pôr no mundo
Uma cidade tão singularmente especial?

 

 

 

Manifesto

Lorreine Beatrice

 

Se sentires

o primeiro perfume

das rosas silvestres,

aquele que nem o vento

foi capaz de sentir,

é porque sentiste poesia,

versos da terra clamando por paz.

Poesia é sempre o primeiro manifesto.

E qualquer palavra muda

ecoa por todos os campos,

qualquer silêncio

é o mais forte clamor.

Se ouvires

o último cantar do rouxinol

é porque poesia também é fim.

Princípio e fim.

E suas mãos sustentam os homens

afagam o mundo

retêm a vida.

 

 

 

 

SONETO DE OUTONO

Isnelda Weise

 

Tempo de colheita e mudança de cor

A bordar o horizonte de amarelo-dourado

Na queda das folhas aos pés do alambrado

A calmaria da planta em era de amor.

 

Doces e geléias a guarnecer a mesa

O aroma do licor com sabor agridoce

No tilintar das taças é como se fosse

Tempo de compotas, de maçã e certeza.

 

Tempo de vindima e cheiros antigos

De sementes caindo na terra e assim

Sufocar a saudade de velhos amigos.  

 

A colheita no campo, o gosto de abandono

Uma cesta de frutas maduras, enfim

A manhã sumarenta de um dia de outono.

 

 

 

 

 

PERGUNTAS QUE O VENTO FAZ

 Arlinda Lamêgo

 

  

O vento a mim pergunta

Qual face de tantas faces,

Das falhas qual a verdade,

Do corpo, o que é listado,

Da alma, qual o destaque,

A lágrima que bloqueou,

Que modelo peregrino

Conduz a minha idéia?

Qual sábio faz o milagre,

Que malicia a sabedoria

Deixa pegadas no tempo?

Dos pés qual o caminho

Faz referência e reverência.

Das escolhas que abortou,

Que exorta todo esse tempo

E de todas qual a pintura

Que a boca abocanhou?

Qual conduta que satisfaz,

Tendência que o mundo faz

Na vida, os mestres, os pais.

Que razão traz o caráter,

A lençóis que o mundo jaz.

Que dons, que anjos satisfaz?

Mundo afora, que esperança,

Da beleza, Satanás,

Maldade nunca é demais.

O vento a mim pergunta

Que filhos, que fãs,

Na feiúra dos muitos ídolos,

De falsos donos do mundo,

Demônios que falam de amor,

Na moral de muita dor.

Que trabalho reinventa

Dos vazios de cada braço,

De tentativas e acertos,

Com margem pra tanto erro.

Aromas e desacertos

Que surgem pra todo lado,

Que traem todo talento

E atrai todas as mães

E trai trazendo espinhos,

Pro coração, o espaço,

Mesmo com tanto filho,

Com fé com muitas mãos.

 

 

 

 

 

 

 

MÃE JUCI

José Paulo Castro de Souza

 

 Você faz Jus ao ser uma mãe,

Com certeza nUnca pensou onde isso chegaria,

Mas com outra Certeza,

A sua Inteligência,

A colocou Longe.

A Estrada não foi fácil...

A sua Idéia fixa.

Dado a tantas dificuldades:

Você simplesmente:

Existe

 

 

 

 

Amar é

 Raquel Gastaldi

 

Quando teus imponentes

E fortes olhos,

Tocarem o cristal

Azul do meu olhar,

A vida sorrirá,

Como numa linda manhã,

Onde o despertar,

Fluirá a complementação

De luzes eternas,

Transcendendo assim

No Mais

Puro e verdadeiro amor. . .

 

 

 

 

BREVE POESIA

Jairo Martins

 

Breve é o poema,

Longa sua espera.

Quando entra em cena,

Não vitupera.

 

Breve é a vida,

Longa sua noite.

O dia é ferida

E acinte e açoite.

 

Breve é a idéia

Longa gestação.

Pensamento meneia

Gota de razão.

 

Breve poesia

De si mesma repleta.

Única alegria

N’alma de um poeta.

 

 

 

 

 

 

 

ECOLOGIA

Anair Weirich - Chapecó SC

 

 

Queria plantar uma flor

na floresta do teu peito.

Para provar que o amor

e a ecologia tem jeito!

 

 

 

 

 

  

Triste, a manhã chora.

Chuva fina faz brotar ,

A terra  que  canta.

 

                 Luiz Eduardo Caminha

 

 

 

FERIADO NACIONAL

Ivo Hadlich

 

 Hoje é feriado nacional

    Quem decreta é a passarela

Preconiza um alvoroço, num

    Canto exibindo cores...

Mais parecem Bandeiras desfraldadas,

Pra passarela sempre  é

Feriado nacional,

Cada ave com seu hino,

Como verdadeira banda marcial,

    No mamoeiro o Sábia

A saíra e o gaturamo, no

pessegueiro o tié, vestido

 de gala, anuncia

a parada vai começar, sempre

    felicidade geral...

Cantos...Cantos...Cantos...

Veio o homem...Silêncio

Ouço o canto dos prédio em

    Construção, o som mudou

Serrotes, martelos, barulho

Hoje é 2ª feira dia de trabalho...  

 

 

 

 

 

 ALGEMAS
Leandro Jonatas Galdino




As palavras

são algemas

Me prendem

e marcam

Elas dolorosamente

acusam

Que te amo.


 

 

Organização:

 Terezinha Manczak  

mural@stmt.com.br

 

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