Peço!
Sandra Puff
Ontem, pedi tudo...
O céu e a terra
O ar e o mar
Não tive vergonha
da minha condição!
Apenas pedi...
Com um coração frágil
Com os olhos secos
As mãos, então... trêmulas...
Sabe, simplesmente pedi
Algo simples...
Sem valor material
Algo que não se compra
Não se vende
Não se come ou bebe.
Parecia tão fácil ser atendido!
Mas não, eu queria tudo!
O céu e a terra
O ar e o mar
E o que sobraria hein?
Valeria a pena esperar?
Depois de muito refletir...
Ah! Vale sim, continuo a pedir!!!
Sigo em
frente
Izabel
Pavesi
Como uma flor de lótus
A cada fase renasci e floresci,
Bela, lúcida e magnética.
A cada queda brutal
Juntei meus destroços,
Me recompus, me ergui.
Obstinada sigo em frente,
Construo novos projetos,
Exploro novos caminhos.
Imersa em perspectivas,
Encho-me de inspiração
criativa,
E me sento na requintada mesa
dos vivos.
Aguço a mente, o olhar,
Fico antenada, a auscultar,
Driblo adversários, feras em
potencial.
Precocemente aprendi a rir de
mim mesma,
a me erguer com bom-humor,
a atirar-me com audácia nas
batalhas.
Formo novos laços, fortes,
Curto afetos com graça
afetuosa,
Travo novas relações.
E logo estarei com novas
dúvidas,
Indagações, inquietações.
Pois são minha essência, eu
mesma.
MEU CAIS, MINHA MORADA
Fátima Venutti
Naufrago em meu cais,
Apunhalo
versos-trapos mornos
Que
esta solidão me faz recitar,
Cá
estou.
A
definhar minhas poucas vestes
Do
abandono nefasto da paixão
E
ainda sublinho, exausto,
Meu
último respiro poético a resvalar.
Findo, prostrado e tolo a me afogar.
Oh
nau narcísea de glórias
Em
que me abrigo e me afago...
Revida, no gesto ancorado desta fome
E
contempla minh` alma deste legado insano.
E
dai-me um último e súbito poema
E que
nele adormeça,
Ao
cair inválido nesta única morada,
Este
mais que verdadeiro lastro.
CHORO OURO
POR TI
Ilka Bosse
Derramo...
Gotas douradas
Será pranto disfarçado?
Misturando-se ao sereno
Segue pelo leito
Do meu olhar...
Que chora ouro por ti
Nesta madrugada
És fonte direcionada
Mesclando este brilho
Numa só gota...
Gota presa
Ondulando no olho
Cintilando o cilho
Lágrima espessa
Indefesa...
Chora ouro por ti
Esparramo...
Pela madrugada
Meu cheiro
Meu andar ligeiro
Meu vagar esguio
Sem desvio
Sentindo nos passos
O vazio
Porém...
Com olhar felino
Perscruto meu destino
Em cavas
Em covas
Em grutas
Em grotas
Em pedras brutas
No meu riso... Viso
Em gargalhadas sinceras
Quimeras
Meras utopias
Loucas...
Loucas fantasias
Em delírio...
CHORO OURO POR TI
Autora: Ilka Bosse
(Bailarina das Letras)
UM POEMA PARA POETAS
Rosane Magaly Martins
É URGENTE:
Parar este
tempo
para ouvir nossa alma.
Ousar no tempo
para libertar nosso sonho.
Criar um tempo
e estar próximo do vento.
Amanhecer na ternura
de uma solidão compartilhada
de um poema descoberto entre os
lençóis.
Porque é urgente
Salvar almas
Escrever
poemas
E libertar o homem
Na lavra intensa
da lava quente
de nossa emoção.
Vem
Tânia Maria da Silva
Vem e pinta de esperança
esta noite de amor que se faz
eterna.
Vem e apaga este silêncio,
que mata meu coração.
Vem e arranca esta tristeza
Que dilacera meu peito.
Vem e acende meu sorriso novamente.
Vem ! Quero ser feliz !
Sei que o amor existe
Então vem e mostra um caminho para
nós dois
Deixe que eu te ame por inteiro
Para que volte a encontrar
A alegria que perdi.
cor
de
mel
o
tom
de
tua
tez
e
só
me
faz
bem
te
ver
mais
uma
vez
Tchello
d'Barros
BLUMENAU
Ricardo Brandes
Em setembro nasceu uma jovem
Que cresceu sob o leito de um Rio
Linda menina do sul, cidade jardim do Brasil
Fez-se um ser de alma sem igual
Que com a beleza do Itajaí Açu
Alimentou muitas paixões
Tornou-se uma criatura magistral
Que com o perfume do vale europeu
Enobreceu muitos corações
És hoje cidade dourada
Que brilha sem querer parar
Fulgindo nos dias de sol e nas noites de luar
Ser de luz irradiante
Que nos toca a alma
E faz sonhar
O calor do teu sol poente, a beleza da estrela cadente
Refletem nas ruas e na gente
A beleza de ser Blumenau
DEUS,
Como pudeste pôr no mundo
Uma cidade tão singularmente especial?
Manifesto
Lorreine Beatrice
Se sentires
o primeiro perfume
das rosas silvestres,
aquele que nem o vento
foi capaz de sentir,
é porque sentiste poesia,
versos da terra clamando por
paz.
Poesia é sempre o primeiro
manifesto.
E qualquer palavra muda
ecoa por todos os campos,
qualquer silêncio
é o mais forte clamor.
Se ouvires
o último cantar do rouxinol
é porque poesia também é fim.
Princípio e fim.
E suas mãos sustentam os homens
afagam o mundo
retêm a vida.
SONETO DE OUTONO
Isnelda Weise
Tempo
de colheita e mudança de cor
A
bordar o horizonte de amarelo-dourado
Na
queda das folhas aos pés do alambrado
A
calmaria da planta em era de amor.
Doces
e geléias a guarnecer a mesa
O
aroma do licor com sabor agridoce
No
tilintar das taças é como se fosse
Tempo
de compotas, de maçã e certeza.
Tempo
de vindima e cheiros antigos
De
sementes caindo na terra e assim
Sufocar a saudade de velhos amigos.
A
colheita no campo, o gosto de abandono
Uma
cesta de frutas maduras, enfim
A
manhã sumarenta de um dia de outono.
PERGUNTAS
QUE O VENTO FAZ
Arlinda
Lamêgo
O vento a mim pergunta
Qual face de tantas faces,
Das falhas qual a verdade,
Do corpo, o que é listado,
Da alma, qual o destaque,
A lágrima que bloqueou,
Que modelo peregrino
Conduz a minha idéia?
Qual sábio faz o milagre,
Que malicia a sabedoria
Deixa pegadas no tempo?
Dos pés qual o caminho
Faz referência e
reverência.
Das escolhas que abortou,
Que exorta todo esse tempo
E de todas qual a pintura
Que a boca abocanhou?
Qual conduta que satisfaz,
Tendência que o mundo faz
Na vida, os mestres, os
pais.
Que razão traz o caráter,
A lençóis que o mundo jaz.
Que dons, que anjos
satisfaz?
Mundo afora, que esperança,
Da beleza, Satanás,
Maldade nunca é demais.
O vento a mim pergunta
Que filhos, que fãs,
Na feiúra dos muitos
ídolos,
De falsos donos do mundo,
Demônios que falam de amor,
Na moral de muita dor.
Que trabalho reinventa
Dos vazios de cada braço,
De tentativas e acertos,
Com margem pra tanto erro.
Aromas e desacertos
Que surgem pra todo lado,
Que traem todo talento
E atrai todas as mães
E trai trazendo espinhos,
Pro coração, o espaço,
Mesmo com tanto filho,
Com fé com muitas mãos.
MÃE JUCI
José Paulo Castro de Souza
Você
faz
Jus
ao ser uma mãe,
Com certeza nUnca
pensou onde isso chegaria,
Mas com outra
Certeza,
A sua
Inteligência,
A colocou
Longe.
A
Estrada
não foi fácil...
A sua
Idéia
fixa.
Dado
a tantas dificuldades:
Você simplesmente:
Existe
Amar é
Raquel
Gastaldi
Quando teus imponentes
E fortes olhos,
Tocarem o cristal
Azul do meu olhar,
A vida sorrirá,
Como numa linda manhã,
Onde o despertar,
Fluirá a complementação
De luzes eternas,
Transcendendo assim
No Mais
Puro e verdadeiro amor. . .
BREVE POESIA
Jairo Martins
Breve é o poema,
Longa sua espera.
Quando entra em cena,
Não vitupera.
Breve é a vida,
Longa sua noite.
O dia é ferida
E acinte e açoite.
Breve é a idéia
Longa gestação.
Pensamento meneia
Gota de razão.
Breve poesia
De si mesma repleta.
Única alegria
N’alma de um poeta.
ECOLOGIA
Anair Weirich -
Chapecó SC
na floresta do teu
peito.
Triste, a manhã
chora.
Chuva fina faz brotar ,
A terra que canta.
FERIADO NACIONAL
Ivo Hadlich
Hoje é
feriado nacional
Quem
decreta é a passarela
Preconiza
um alvoroço, num
Canto
exibindo cores...
Mais
parecem Bandeiras desfraldadas,
Pra
passarela sempre é
Feriado
nacional,
Cada ave
com seu hino,
Como
verdadeira banda marcial,
No
mamoeiro o Sábia
A saíra e
o gaturamo, no
pessegueiro o tié, vestido
de gala,
anuncia
a parada
vai começar, sempre
felicidade geral...
Cantos...Cantos...Cantos...
Veio o
homem...Silêncio
Ouço o
canto dos prédio em
Construção, o som mudou
Serrotes,
martelos, barulho
Hoje é 2ª
feira dia de trabalho...
ALGEMAS
Leandro Jonatas Galdino
As palavras
são algemas
Me prendem
e marcam
Elas dolorosamente
acusam
Que te amo.