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Mural Virtual Das Letras hai-kais


 

Abril traz o encanto dos hai-kais no Mural das Letras.
Terezinha Manczak apresenta uma seleção de poetas já conhecidos no gênero, ao lado de novos, que pela primeira vez publicam essa forma delicada e precisa de poesia,

o Hai- Kai.

 

...

 

 

Segundo Rubens da Cunha, na crônica " Animais são poemas de Deus "

o hai - kai

pode ser comparado à borboleta.
É mínimo e preciso. Não há espaço vago, subterfúgio ou atalho no corpo de uma borboleta. Feito o poema oriental, ela é a realidade vestida de surpresa e encantamento.

 

 

O hai-kai

 
Quem primeiro introduziu o hai-kai no Brasil foi Guilherme de Almeida,
que definia essa forma como"uma anotação poética e sincera de um momento de elite".
Transpondo-o para o português, em 1936 e, posteriormente, em 1947
em Poesia Varia, acrescentou-lhe a rima.

Em época mais recente, Paulo Leminski traz novamente o hai-kai,
porém adaptando-o, ou seguindo uma tendência já em voga no
Brasil (Olga Savary, Armando Catta Preta e outros) à
estrutura do poema moderno, ou seja, sem a rima.
 
Como fazer hai-kai, de acordo com Paulo Leminski
- Você tem a fórmula do conteúdo, que é o que os poetas contemporâneos obedecem, ao invés da contagem de sílabas;
-Escolha temas simples: natureza, primavera, verão, outono, inverno;
- O primeiro verso expressa algo permanente, eterno
- O segundo, introduz uma novidade, um fenômeno;
- O terceiro e último, é a síntese;

O hai-kai é anti-retórico, liso e simples;
Isso deriva das categorias estéticas japonesas:
*Kirei: o límpido, o lindo
*Wabi: a penúria, a miséria(tão simples que decepciona)
*Yugen : a profundidade, o mistério
 
O hai-kai é uma imagem, tem economia verbal, humor e objetividade,
características centrais da poesia moderna
(Octávio Paz)
 
para saber mais, pesquise:
 
Alexandre Brito - Alice Ruiz  - Ana Suzuki
Eunice Arruda - Francisco Handa -Fred Maia
Guilherme Almeida - Helena Kolody -João Angelo
Mário Pirata - Millôr Fernandes - Olga Savary
Paulo Leminski - Tchello d'Barros -Martinho Brüning
 

 

 

 

 

 

A velha canoa
descansa redes e sonhos
marulhando o céu turquesa

    (Lorreine Beatrice)



O doce jardim
espreita o sabor da aurora
degustando néctar.

    (Lorreine Beatrice )

 


É quase nada
a cara da libélula
somente olhos.
(Chisoku )

 


Depois da chuva
um tapete,
de camélias no meu chão.
Kate Weiss®



Quietude --
O barulho do pássaro
  Pisando em folhas secas.
    - Ryushi
 


Já é primavera:
  Uma colina sem nome
  Sob a névoa da manhã.
    - Matsuo Basho
 


Passo a passo
sobre a montanha no verão -
  de repente o mar.

    Issa (1763-1827)



 Paulo Leminsky, de Curitiba


a noite pinga uma
estrela no meu olho
e passa

****
a noite - enorme
tudo dorme
menos teu nome

***
...sobressalto........
..........esse desenho abstrato
.............minha sombra nos asfalto

Recanto das Letras http://www.recantodasletras.com.br
 

..............................................


HAI KAIS em setembro
por Ana Marina Godoy


I
Pétalas caem
Escrevinhadas em vão
Florescem então

II
Cotidianas
Sementes de papoulas
Palpitam gramas

III
Miosótis mil
Traços libertam cores
De azul gentil

IV
Cereja parte
Estação primaveril
Coração arte

V
Copo-de-leite
Alimenta a alma
Puro enfeite
...........................

hoje, lua cheia
eu, cheia de expectativas
espero o (a)manhã

Belisa dos Santos


................................

 

Luiz Eduardo Caminha
I

O Sol doirado

Se acorda n’horizonte

A aldeia vive

II
Embaixo do Ipê

Passada a chuvarada ,

Tudo reluz ouro

III

No plácido mar

A brisa sopra o velame

A mente navega.



IV

O Colibri voa

num rápido beijo rouba

o doce da flor

 

**********************************
Terezinha Manczak
            I
áridas campinas
aguardam bois e sementes
ruminando fome


           II
à porta de casa
pêras, uvas e figos
pomar maternal
           
              III
ribeirão da infância
arado em terra batida
vento nos trigais
            
            IV 
água de riacho
saciando minha sede,
mansa e cristalina
                V
balido de ovelhas
avô de bota e cachimbo
nem uma vez mais


************************************


Maria de Lourdes Scottini Heiden



Um raio de sol
Desenhava um sorriso
Arco-íris no céu.

Duas mãos erguidas
Uma pedra no lago lançada.
Paz ameaçada.

Um vento suave
Tocou meu rosto sofrido
Beijo de Deus!

Um doce chuvisco.
Regou meu sonho vespertino
Ai! Quanta  preguiça!

A música   do mar
Toca um coração sonhador
A poesia renasce.

Uma pipa no céu
Dança  ao sabor do vento
Sonhos livres no ar.


Pétala  caída
A corrente leva sem dó
Triste  fim da vida!.

********************
 


dia luminoso,

mais que uma estátua na pedra,
vê-se a própria pedra.
 ( Martinho Brüning)
 
 
 

Despido de nuvens,

um sol brilha no céu.
Outro ali no rio.
( Tchello d'Barros )
 

 

Luz do sol na teia;
Pequenina tecelã,
tece fios de ouro.
( Tchello d'Barros )
 

 

Cinza e chumbo
não fosse o poeta
seria o mundo.
( Nassau de Souza)
 

 

 

Organização:

 Terezinha Manczak  

mural@stmt.com.br

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