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Mural Virtual Das Letras

setembro/outubro 2007


 

 

Em outubro, o Mural das Letras apresenta uma seleção de haicais de Isnelda Weise, poetisa blumenauense, que encanta-se com a forma breve do poema, " cuja doutrina prega que se diga o máximo com o mínimo de palavras. Três versos, que informam sem sugerir, sem julgar, e sem mostrar tudo. Um poema sugestivo, cuja natureza leve, deve deixar que o leitor o complete através de suas próprias experiências poéticas, e por que não? Através de suas próprias vivências"
Diz, também, que desta forma, para muitos pode parecer que o haicai é simples e de fácil execução e, realmente, sua proposta é a simplicidade e humildade através do retrato do cotidiano, da natureza que nos cerca, através da linguagem clara e direta.
 

Terezinha

 


"Quando comecei a adentrar o mundo do haicai, passei a perceber um pouco da sua essência, e ao começar a olhá-lo e praticá-lo com seriedade, percebi a ordem que envolve sua aparente simplicidade. E soube também que a simplicidade e a objetividade do haicai estão sujeitos a regras, para que poeta e poema não se percam no lugar comum."


Isnelda

 

 

 

 

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HAICAIS

 

por Isnelda

 

 

 

 


na humilde casa
afugenta a frente fria
um fogão a lenha.
 

 

 

 

 

no bosque imóvel
somente a queda de folha
quebra o silêncio.
 

 

 

 

 

depois da ressaca
ornando a praia de inverno:
estrelas e conchas.
 

 

 

 

 

macaxeira e frango:
no almoço de domingo
papai faz a festa.
 

 

 

 

 

sobre o calçadão
hora de verão estende
mesas e cadeiras.

 

 




peru de Natal
no casebre sem talher
restos sobre a mesa.
 

 

 

 

 

no rio a imagem:
ponte de ferro reflete
calmaria da tarde.
 

 

 

 

 

entre tantos prédios
doura o centro da cidade
outra vez, o ipê.

 

 





o ancião contempla:
cerejeiras-de-okinawa
florindo, outra vez.


 

 




ao anoitecer
tece o luar prateado
um véu sobre o lago.



 

 

 



fecunda semente
reúne as flores do mundo
num mesmo jardim.


 

 


 

 



maria-sem-vergonha
escolta o caminho e alegra
quem por ele passa.


 

 






no vale da morte
preenche o local com vida
nascente de água.





 

 



calmaria e saber
silenciosa sobre a pedra
a mulher e um livro.


 

 

 




na tarde outonal-
montanhas cingem o lago
que pousa aos seus pés.




 

 

 


em noite de insônia
mutuca a zumbir no ouvido:
fanfarra infernal.



 

 




frutinhas vermelhas
ao invés das flores de ontem:
primavera fenece.



 

 



borboleta pousa
sobre flores de um vaso
e faz seu jardim.


 

 

 



no banco um casal
amor- perfeito emoldura
imperfeito amor.


 

 

 



descendo a ladeira
alastra feixes de cor
maria-sem-vergonha.





 

com arte, artesã
sobre mantas coloridas
acolchoa estrelas.



 

 


atrevido o gato
curte a brisa no alpendre
namorando a noite.

 



as onze, onze - horas
eclodem pétalas fúcsia
com hora marcada.


 

 

 


paira sobre o branco
das azaléias floridas
a paz de um olhar.






em tardes de outono
sobre a calçada um tapete
só folhas caídas.



 

 

 

Organização:

 Terezinha Manczak  

mural@stmt.com.br

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