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HAICAIS

por Isnelda
na humilde casa
afugenta a frente fria
um fogão a lenha.
no bosque imóvel
somente a queda de folha
quebra o silêncio.
depois da ressaca
ornando a praia de inverno:
estrelas e conchas.
macaxeira e frango:
no almoço de domingo
papai faz a festa.
sobre o calçadão
hora de verão estende
mesas e cadeiras.
peru de Natal
no casebre sem talher
restos sobre a mesa.
no rio a imagem:
ponte de ferro reflete
calmaria da tarde.
entre tantos prédios
doura o centro da cidade
outra vez, o ipê.
o ancião contempla:
cerejeiras-de-okinawa
florindo, outra vez.
ao anoitecer
tece o luar prateado
um véu sobre o lago.
fecunda semente
reúne as flores do mundo
num mesmo jardim.
maria-sem-vergonha
escolta o caminho e alegra
quem por ele passa.
no vale da morte
preenche o local com vida
nascente de água.
calmaria e saber
silenciosa sobre a pedra
a mulher e um livro.
na tarde outonal-
montanhas cingem o lago
que pousa aos seus pés.
em noite de insônia
mutuca a zumbir no ouvido:
fanfarra infernal.
frutinhas vermelhas
ao invés das flores de ontem:
primavera fenece.
borboleta pousa
sobre flores de um vaso
e faz seu jardim.
no banco um casal
amor- perfeito emoldura
imperfeito amor.
descendo a ladeira
alastra feixes de cor
maria-sem-vergonha.
com arte, artesã
sobre mantas coloridas
acolchoa estrelas.
atrevido o gato
curte a brisa no alpendre
namorando a noite.
as onze, onze - horas
eclodem pétalas fúcsia
com hora marcada.
paira sobre o branco
das azaléias floridas
a paz de um olhar.
em tardes de outono
sobre a calçada um tapete
só folhas caídas.