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O termo  stammtisch é  formado  da  junção das palavras stamm, que significa tronco e tisch, que significa mesa. Ou seja, numa tradução fiel "mesa de tronco".
  
O  dicionário  Michaelis (alemão/ português),  acrescenta  dois  outros  aspectos  que procuram  explicar  o  significado  do  termo:  "Stammtisch,  mesa  cativa  de  grupo de frequentadores".  Desta  forma,  define  um  local  pré-determinado (mesa  cativa) e incorpora, a este local, a presença de um grupo de frequentadores habituais. 
   Entretanto, além dos aspectos pré-determinantes que envolvem o sentido do termo, para entendê-lo é preciso trazer à luz o espírito reinante neste ambiente. Não é outra a  intenção demonstrada  numa  jocosa  definição   contida  em   uma   placa pirografada  afixada  num  espaço existente para a reunião destes grupos na Cervejaria Hofbräuhaus, em Munique. 
   A este respeito, por ocasião da comemoração dos 400 anos desta cervejaria, em 1989, o apresentador do programa especial rodado pela TV alemã ZDF assim traduziu a salada de letras contida nesta placa:
"Stammtisch é: Um determinado  local,  uma determinada  mesa, num  determinado  canto, onde  em  determinados  dias,  umas determinadas  pessoas, num determinado horário, tomam assento em determinadas cadeiras. Ali, com uma determinada quantidade de uma determinada bebida, falam sobre alguns determinados temas, e então numa determinada hora, com um  determinado  porre, determinam ir para casa onde uma  determinada   pessoa  espera, com certeza, com um determinado  protesto".
   E conclui o apresentador da ZDF:
"Isto está determinadamente certo".
   Uma versão mais romântica do  que  significa
stammtisch, passada geração após geração pela tradição oral, conta  que o  termo começou a ser usado na Idade Média. Os lenhadores bávaros,  ao  cortar a primeira árvore de uma nova área de extração de madeiras, faziam-no à altura de uma mesa e,  de seus galhos  mais grossos, cortavam toletes  que  lhes  serviriam de  bancos.  Era  ao redor  desta  mesa  improvisada  que  faziam  suas refeições e,  ao final do trabalho diário,  ali  se  reuniam  para  bater  papo, planejar  o  dia seguinte  e  bebericar  do  vinho  que  traziam  em  seus  alforjes. O  seu  tronco  comum  (stamm), era  a  sua própria profissão ou atividade (lenhadores) e o espírito reinante ao final de cada jornada de trabalho, ao redor  daquela improvisada mesa  (tisch), forjada  no tronco da árvore, não era outro que relaxar, jogar conversas ao léu, cultivar a amizade, celebrar a vida.
   Segundo  esta  versão,  o  hábito  daqueles lenhadores ganhou  as  tabernas, nas cidades, e nestes ambientes, teria  se  perpetuado  o  nome
stammtisch para  todos  aqueles  que, habitualmente, as freqüentavam e costumavam, na  companhia  de  amigos,  sentar-se numa mesma  mesa  previamente  reservada  ou  que  lhes  era  cativa. Mais tarde, o nome acabou identificando aqueles que, além da amizade, detinham  outros   aspectos comuns,  o mesmo local de trabalho, uma determinada atividade cultural, social ou política, etecetera  (mesmo tronco,  mesmas  raízes),  que  justificasse  o  fato  de  se  encontrarem,  ao redor  de uma mesma mesa, uma mesa cativa.
  
Foi  ali, no  ambiente  das  tabernas que os grupos se deixaram envolver por outra bebida além  do  vinho,  a  cerveja,  na  maioria  dos  casos,  como  ainda  hoje,  era produzida nestes próprios estabelecimentos ou na cidade aonde se localizavam.
   Certa, errada  ou  meramente  especulativa, esta  versão  é  a  que, sem sombra de dúvida, mais se encaixa com
o jeito de ser dos stammtische  espalhados pela Alemanha, Áustria, Suíça, Dinamarca e em outros países sob influência tedesca, bem como aqui no Brasil, nas cidades colonizadas por descendentes destes países.                                                                                                                                         Luiz Eduardo Caminha