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NUN ADE DU MEIN
LIEB’HEIMATLAND
(Então, Adeus Minha Pátria Amada) -Uma canção de despedida -
August Disselhoff (1829-1903) – 1851 in Arnsberg
Lembranças de minha infância e adolescência merecem espaços especiais na minha
memória e me recordam tempos distantes, em que, na loira Blumenau, ainda se
falava alemão, a maioria se orgulhava da origem germânica e muitos lamentavam o
período da nacionalização festejando a reabertura de 1947. Contavam-se histórias
de “Quinta Colunas”, de torturas, de prisões e muito mais. Foi então que minha
mãe contando a história de meus antepassados, referiu-se à canção que eles
cantaram no convés das precárias embarcações que deixavam o porto de Hamburgo
(1864 e 1876) rumando através do Atlântico em busca da colônia do Dr. Hermann
aqui no Vale do Itajai. Minha imaginação conseguia ver meus avós junto aos
filhos com os olhares fixos no porto da pátria amada que deixavam e viam pela
última vez. Até hoje, a imagem está na minha memória e, quando quero, ouço a
canção cantada por minha gente acompanhada do marulhar das ondas do mar do
norte. Recordo também, a apresentação de peça teatral no salão Paulo Fischer, lá
no bairro da Velha, sob o comando do maestro Baungarten e com meu irmão mais
velho (Siegfried) caracterizado como um silvícola. O grupo ligado na época à
Sociedade Lyra, iniciava a peça com a despedida na Alte Heimat e, cantando NUN
ADE DU MEIN LIEB’HEIMATLAND. O bom povo do bairro da Velha aplaudiu e pediu bis.
Bons tempos! Então ainda havia reuniões em família que comentavam a letra da
canção, a gente imaginava o céu azul daquela despedida, o campo, o rio amado -
triste por ver partir quem se banhou nas suas águas - e as florestas. Pela
última vez os pioneiros saudavam a pátria que ficaria distante mas sempre na
lembrança em todos os seus dias na nova terra do outro lado do oceano. Na
inauguração do portal norte de Pomerode (cópia do existente no porto de Stettin
nas margens do Rio Oder) também assisti à representação teatral da saída dos
pomeranos para o Atlântico e para a nossa região. Com o saudoso Von Der Heyde,
naquele dia, mais uma vez, vi (na representação teatral) os bravos pioneiros
acenando seus lenços aos parentes e amigos que ficavam, cantando a linda canção
naquela distante despedida. Dentre tantos valores que herdamos de nossos
antepassados, com certeza, um dos mais importantes, é o amor à pátria.
Disselhoff nos versos de NUM ADE DU MEIN LIEB’HEIMATLAND conseguiu colocar toda
a emoção da nossa gente, cujos filhos e netos, hoje vivem num novo porto, num
novo vale e às margens de novos rios. Longe das ondas do mar do Norte ou da
calmaria do Báltico e próximos, do Atlântico Sul.
Aqui vivem, sem despedidas, nas terras conquistadas por seus antepassados.
Brasileiros de olhos azuis, mas grandes brasileiros!
Rubens Bachmann
Jornalista – RG 01650 – JP – DRT/SC
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