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2010

Poesia


 

 

 

 

 

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 volta

 

Agosto, dizem alguns, é mês de desgosto. Para nós do Mural das Letras é bem o contrário. Mês de Agosto é mês de dois gostos, em verso e em prosa. Deliciem-se com nossos poetas e escritores. Tem pra todo gosto. A gosto, ora se não!!!

Deus os abençoe,

Luiz Eduardo Caminha

 

 

 

CONTRADIÇÕES


Caio Martins



(img: "mulher, imagens e poemas" cvm-leca98)


Num dia me diz te amo
no outro
me diz te mato!

É tanto beijo e sobressalto
que ninguém sabe mais
o que é amor
o que é guerra
o que é carícia
ou desacato,
o que é beijo
o que é mordida,
o que é paixão
o que é, de fato...

De noite me diz te amo
de dia
me diz te mato!

 


 

 

AGOSTO À CONTRAGOSTO

 

O tempo nos tece uma veste

E muito nos custa esse imposto.

Pois lento nos dá outro susto:

Gastou-se mais um agosto

 

Posto que vasto é o tempo

E visto que nos é imposto:

Viver só um tempo sucinto,

Numa sina a contragosto.

 

A teia insana das horas,

Aos poucos causa um desgosto:

No vasto espaço do espelho,

O tempo esculpe o teu rosto.

  

Tchello d'Barros

 


 

Lua Negra

© Márcia Sanchez Luz

Amo demais que até ferida brota
na cálida, escondida lua negra
dos meus delírios (dor que desintegra
calma desnuda em chuva de gaivota).

Os olhos choram mares, geram grotas,
fabricam densa nuvem que se integra
ao corpo equivocado pela entrega
sofrida num adeus desfeito em gotas.

Amo demais, eu sei, mas o que faço
se de outro jeito não conheço o amor?
A minha sina é nunca combater

o que me atrai e gera descompasso.
Se por um lado existe o dissabor,
tenho da vida a flor que vi nascer.

 


 

 

TE CONFESSO... - ME DELATO!

Por *Elizabeth Misciasci

Aqui posso ser o abstrato...
Teu avesso, ou teu retrato!
Pedaços de sentimentos estilhaçados...

Fragmentos de vidas, 
Entre sonhos mutilados!

Aqui posso ter as mãos libertas,
Tentando explanar descobertas,
Tendo ou não os pés acorrentados...
Que me expõe sob sorrisos,
Que sobrepõe...

Meus lamentos silenciados.

Aqui posso querer entender
O que se diferencia só em ver,
Nas mensagens e versos
 
Que "fazem valer!"
Na efusão que ampara 
E me faz renascer.

Aqui posso estar muito além,
Sentindo o ardor 
De um toque aquém...
Não visualizando uma tela fria,
Mas me encantando com tanta magia.

Aqui posso viver dia á dia,
Devanear em meio à fantasia
Sob os acordes de um artista bailar!
Viajar numa pintura, 
Deslumbrar-me com uma escultura!

Aqui posso levitar
Se o poeta declama...
Emocionar-me com um peito em chama,
Arriscar rabiscar ou ousar um poema

E mesmo sem maestria... 
Tentar compor em poesia!

Aqui posso descobrir a ternura...

Feliz, 
Deleitar-me com tamanha doçura.
Mesmo do anônimo amigo que sem imaginar
Torna-me vertente 
Ao ler suas pérolas, 
Que me fazem chorar...

Aqui posso, ter, 
Querer estar,
Viver, levitar...
Sendo só o amor a transbordar! 

E do abstrato...
Ser teu avesso ou teu retrato.

No entanto, 
- Te confesso... 
- Me delato!
Coração que eu reparto.
Curvando-me,
Enalteço-te e te contemplo!
És gigante 
Deste tempo, desta era!
Que em cada gesto ou cada ato 
Sem perceber "escancara"
Pois és referencial...
Preciosa Jóia Rara!
É exemplo!
- Ser humano...
Que não se compara.


 

*Autora Elizabeth Misciasci
Registro 146.240 Livro 528 Folha 238

 

 


 

Blumenau do Brasil

 

És Loira, morena,

Negra, japonesa

 

E de toda certeza

Não és pequena

 

Cidade jardim

Festiva, dançante

 

És feita assim

De amor bastante

 

Cidade cantante

Do Rio que te banha

 

E que não se acanha

A quem tanto ama

 

Teu nome e teu brio,

Blumenau do Brasil!

 

Ricardo Brandes

www.blogdaoktober.blogspot.com

 


 

A PRAÇA É NOSSA (Ode à Praça Hercílio Luz)

Luiz Eduardo Caminha

Quantos poemas tem a praça?
Tantos quantos foram,
Os beijos furtivos,
De jovens enamorados,
Enquanto todos distraídos,
Olhavam a chegada do Vapor!!!

Quantos versos tem a praça?
Tantas quantas foram,
As carícias trocadas,
Entre amantes apaixonados,
Enquanto as águas complacentes,
Desciam na curva do rio!!!

Quanta prosa tem a praça?
Tantas quantos foram os pés,
Que trilharam suas veredas,
Cabeças utópicas, poetas com sonhos,
De ver neste chão, erguida uma pátria,
Um lugar prá trabalhar!!!

Quantos donos tem a praça?
Tantos quantos foram,
Aqueles que partiram,
Estes que aqui estão,
Todos que por esta terra,
Têm amor, tem paixão!!!

Quantos donos tem a praça?
Um bando enorme de gente,
Ricos pobres, indigentes,
Artistas, poetas, emergentes,
Um povo que atende por um nome:
Nós!!! Blumenauenses!
 


 

Alma calma

Ciça Almeida

 

Nada é acaso

Alma calma

Dia sombrio

Bilha sua luz

Calma alma

Tudo genérico

Nada pessoal

Filtro leveza

Sonho reacende

Cala a alma

No imaginado

E já esmaecido

Ah! Alma

Cala e dorme

Fica calma

C.A. 07/03/2008 - para uma paixão

 


 

Meus sonhos

(Fátima Venutti)

 

Em meus sonhos

há sempre duas luas

iluminando o cenário.

Sempre é noite

e eu, paralelo ao sol.

 

Em meus sonhos

percorro o urbano

de uma cidade em pó

onde homens de plástico e centauros

aguardam o amarelo da sinaleira

pra cruzarem esquinas.

 

Em meus sonhos

ruas e becos

são traçados pelo vento.

Mendigos estendem braços

de fome e miséria que dilatam.

 

Em meus sonhos

há sempre um poeta

em fotossíntese com o vazio.

Escadas em espiral

descem ao centro da terra,

vultos sobem na contramão.

 

Em meus sonhos

o silêncio é norte.

A fala é inexistente

para os olhares-metáfora.

O corpo pesa

num tempo em que

os girassóis adormecem

na calçada do despertar.

 


 

Velho espelho

 

Cravadas horas,

No tempo diagnóstico

Na pele cicatrizes

 

Trajetos percorridos

Malas desfeitas aos pés do destino

 

Em algum momento tudo chora

Não importa o caminho

Em algum momento a alma estará de joelhos

 

E como pássaros fora do ninho

Haverá apenas a sombra fria

Refletida num velho espelho

 

, Sozinho!

 

 (Cassiane Schmidt)

 


 

 

A  CAATINGA

Ernane N.A.Gusmão

 

ATO 1-A SÊCA

 Parda Caatinga,silencia triste /esturricada sob o céu de agosto.

O facheiro,erguendo-se em riste,/qual sertanejo que escancara o rosto,

Denuncia a heróica resistência/ das plantas”machas” lá do meu sertão

Que secam,e morrem só na aparência/ pois na verdade nunca morrem não.

 

Já não se ouve o cantar alegre,/ do canário,das pombas,do azulão.

O longo estio,sem poder que o regre,/já vai rachando o ressequido chão./

É tudo cinza,rara folha verde/dos angicos,juremas e o teimar

Da faveleira,que jamais se perde/nem se mistura no cinzento mar.

 

O vento sopra,cisma o caatingueiro.../lá vem a chuva,não vai mais tardar.

Imagina brotarem no imbuzeiro/os verdes frutos que aprendeu chupar.

Enquanto ela não vem,faz romaria,/faz reza,procissão,promessas faz.

Crente,sonhando,pensa o que faria/se o céu e a terra celebrassem a paz.

 

ATO 2- A CHUVA

 E no ribombo do trovão,bem longe,/ouve a mensagem que esperança traz.

Qual santa prece que acompanha o monge,/vem o estrondo,cai a chuva atrás

Vertendo em  cópia,farto,quente e doce,/Sacro dilúvio de maná e mel

Como se Deus,onipotente fosse /vasando o piso do seu vasto céu.

 

A água embebe ressecadas malhas,/penetra as fendas,cobre tudo em véu.

Em breve,a secura dessas palhas /vai transformar-se em folgaz vergel.

Despertam secas ramas hibernadas,/raízes múmias se espreguiçam enfim,

Como se fossem formas encantadas /e ao brado VIDA!...respondessem SIM!...

  

ATO 3-O MILAGRE

O verde cobre a amplidão finita/com bordados de ouro e de carmim.

O passaredo,álacre,recita /uma algazarra que não tem mais fim.

Maracujás emitem mil gavinhas,/frutos dourados,o garapiá,

As alvas bagas dessas nossas pinhas,/o que mais doce  neste mundo há.

 

Ressurge tudo,qual milagre a vida /dos jericós rebrota.Como está/

turgente a Caatinga colorida, /da quixabeira,cardos,sabiá!.

Velames,macambiras,vão brotando,/as imburanas soltam seu verniz.

Caatinga em festa,exala,perfumando/e os bichos,ébrios,vão pedindo-BIS!...

 

Os gravatás relevam sobre os troncos / escamas de esmeraldas e rubis/

Enquanto os xique-xiques densos, broncos ,/ reentrelaçam o espinheiro em xis.

E o caatingueiro, firme, tão sofrido, / louvando a terra que deixar não quis,

Confirma-patriota empedernido -/- É na Caatinga que eu sou feliz!...

 

 

 


 

 

Impossibilidades

 

Rozelia Scheifler Rasia

Cruz Alta - RS

 

Dividir contigo o mesmo espaço,

sentar ao teu lado e falar sobre a rotina,

tocar tua mão,

pedir tua opinião,

dividir contigo o café quente,

falar sobre o hoje,

programar o amanhã,

comentar as notícias do jornal,

contar-te meus medos,

festejar minhas pequenas conquistas,

dividir meus sonhos contigo,

abrir a porta para entrares,

dizer-te bom dia;

são impossibilidades que fazem crescer

a ilusão de amar-te.

 

 

Receber de ti uma flor,

ouvir tua voz,

afagar teu cabelo,

ler um bilhete, uma carta tua,

pendurar teu casaco,

servir a mesa para nós dois,

fazer cálculos de tudo e de nada,

beijar teus lábios,

entregar a ti o meu amor,

ser tua e adormecer em teus braços,

acordar a teu lado,

abrir a porta para saíres,

dizer-te até logo;

são impossibilidades que fazem crescer

a ilusão de amar-te.

 

Poesia publicada na Coletânea Desafios – ALPAS XXI - 2003

 


 

NA SOLIDÃO DO CAMARIM
Luiz Poeta

Na solidão do camarim, ela retira
A maquiagem...quando a face se desbota, 
Ela percebe que o espelho onde se mira 
Revela um rosto que ela vê...mas ninguém nota.

 

Ela se despe, troca a roupa da atriz
Pela mulher que a personagem escondeu,
Mas a verdade deixa tanta cicatriz,
Que ela nem sabe se aquele rosto é seu.

 

Ela decora tantos textos, seu papel
Nem sempre é de personagem principal;
Se erra a fala, a platéia é cruel,
Pois quer ouvir o texto mais original.

 

Ela atravessa a escuridão do auditório
E enquanto pisa a solidão do corredor,
Nota que a vida deixa em cada repertório
A sensação de ter vivido um novo amor.

 

Ela, então, ganhando as ruas da cidade,
Mirando as luzes coloridas de neon,
Sente na boca a sensual ansiedade
De retocar mais uma vez o seu batom

 

E se transforma em uma nova personagem
Com sua boca enfeitada de carmim,
Mas quando volta...já desfeita a maquiagem, 
Ela retorna à solidão... do camarim.

 


 

 

Poema Escolar 

 

Vista A Minha Pele

 Para Júlio Hendrix Silva Rodrigues

 

Vista a minha pele

Você conseguiria?

Seja negro só por um dia

Seja preto pelo menos por mim

Somando todas as minhas cores assim

 

Vista a minha pele

Assuma a minha cor

Seja você quem for

Capture radicalmente a minha dor

Bem lá dentro de mim

E procure me compreender melhor assim

 

Vista a minha pele

Eu sou igualzinho a você

Ser Humano, porque

Corpo, Mente, Banzo, Coração

Então questione racismo e discriminação

 

Vista a minha pele

Sou vermelho por dentro

E negro sempre cem por cento

Afrobrasilis, Afrodescendente

Muito além de para sempre

Inteiramente ser humano e sobretudo gente

 

Vista a minha pele

Vista-se epidermicamente de mim

E procure me entender como seu igual assim

Seu irmão da humana cósmica raça

E sinta tudo o que dentro de mim se passa

 

 

Assim você muito bem confere

Assim você vai realmente se sentir

Lá dentro da minha própria pele

Como eu quero ser árvore de leite e florir

Como eu quero ser janela de pão e me abrir

Como eu quero ser estrada de açúcar e prosseguir

Como eu quero o fim de diáporas e sorrir

Sem nenhum branco para me ferir

E você vai captar essencialmente então

A verdadeira pureza do que é primordial

E o que eu quero é total libertação

E todos iguais na aquarela da coloração

Numa brasileiríssima democracia racial

 

Vista a minha pele

Seja um pouco eu mesmo um negrão aí

Dentro de você - Para você sentir

Sou preto brasileirinho

Sou negrão e sou negrinho

Sou Negro e Ser Humano de igual valor

E tenho a África nas moendas e engenhos no meu interior

 

Depois de me vestir e depois de se sair de si

Deixando de ser eu negro aí

Venha me estender a sua mão

E, de coração para coração

Abrace-me como um seu completo irmão

A pele espiritual sendo uma só então

Numa sagrada e sideral celebração.

-0-

Silas Corrêa Leite – Estância Boêmia de Itararé, São Paulo, Brasil

 

E-mail: poesilas@terra.com.br - Site pessoal:

www.itarare.com.br/silas.htm

Romance Virtual ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS no site

www.itarare.com.br

Poema da Série: Somos Todos da Raça Humana

 


 

Minha lira

Benedita Azevedo



Minha lira interior vibrando ao te encontrar,

Levando-me de volta a dias tão distantes,

Naquele nosso encontro, e a mim sempre garantes

Que foi somente o acaso ali sob o luar...



Que nos levou também ao céu naquele abraço,

ao contar as estrelas em todo esplendor

de uma noite suave e cheia de sabor...

Nós dois ali sentados na mesa do terraço.



Mamãe a nos olhar vai chegando à janela,

convida-me a entrar, é hora de dormir

cordialmente vais sem nem se despedir.




Canta meu coração, tal qual naqueles dias,

Ao entrar em meu quarto, enquanto tu partias...

Mas, hoje, meu amor, só eu vou decidir.



Praia do Anil, 03 / 08 / 2010

 


 

RAÍZES

Ilda Maria Costa Brasil

 

Bases e fatores que nos dizem quem somos

e quais são as nossas origens.

As minhas são muitas e delas me orgulho.

Do espanhol, trago traços faciais e a sensibilidade;

do italiano, o falar com as mãos e a espontaneidade;

do português, o curtir cores vivas e a alegria;

do indígena, a cor da pele e o companheirismo.

Cresci ouvindo que caráter e dignidade

são as maiores riquezas morais e sociais

os quais são os principais substratos de vida

e devem ser repassadas de geração para geração.

Meus avós demonstraram-me espírito de luta,

falavam e sabiam ouvir como paciência,

tendo uma palavra amiga e acolhedora a todos.

Constantemente, busco trazer o passado

para o presente, visando maiores realizações pessoais,

já que desejo, intensamente, conhecer e resgatar

as minhas origens; logo, a própria essência.

Minhas raízes foram importantíssimas

na minha formação, pois me ensinaram

que deveria ter afetos sólidos por soluções lógicas

e ser dotada de fraternidade e equilíbrio.

Sem dúvida, quando eu estava próxima eles,

ouvia-os com encanto e atenção;

no entanto, nem sempre os compreendi,

principalmente, quando algo de errado fazia

e uma postura correta me era cobrada.

Certamente, minhas raízes embasam minha luta

pela veracidade e solidariedade;

lembro-os com respeito e admiração.

Família - percepção, busca e conhecimento -

elo entre o passado, o presente e o futuro.

 


 

Oração Para Meu Pai.

Malu Mourão

 

Papai!

No meu silêncio do anoitecer,

Oro por você.

Das tristezas?

Já esqueci.

Das alegrias? Que beleza!

Transformei-as em lembranças,

De quando eu era criança

E você me fazia sorrir.

 

A vida nos separou,

Porém, guardo-lhe com amor,

Bem dentro do coração.

E na minha recordação,

Peço ao nosso Bom Deus,

Que hoje, nos dias seus,

Tenha uma linda e eterna vida

Na sua santa paz merecida.

Hoje é o Dia dos Pais,

Este é o meu presente,

Sei que vai ficar contente,

Parabéns e durma em paz!

 


 

Gatoso

 

Tenho um gato

De olhos verdes

Que me acorda

Toda manhã

Com sede de leite

E de leito.

Me lambe e ronrona,

Eu me sinto sua dona

E é  com ele

Que me deito!

 

Anair Weiricch 

 Visite o meu blog:

http://anairweirich.blogspot.com/

 

 


 

 

FALANDO DE ESTAÇÕES

                                                (Ilka Bosse)

 

Entre árvores os raios

Infiltram-se com energia

Com magia...

Eis o sol que brilha e rebrilha

Dá o VERÃO o seu Bom Dia!

 

Tocando morno e suave as faces

O nascer deste astro rei

Como se fosse um beijo

Com a leveza de uma pluma

Que transcende a fronteira

Em busca do OUTONO

Estação ligeira...

 

Deleita-se entre folhas secas

Que o vento leva...

Arrastando-as com sutileza

Em gramados amassados, pisados...

Onde a brisa está à espera

Para deslizar sobre o verde terno

Da relva fria que anuncia:

É INVERNO!

 

Com suas alvas manhãs

Gela a mansinha chuva

Regando sementes ocultas

Aguardando a chance

Do brotar da PRIMAVERA

 

Enfeita esta estação o universo

Alegrando corações

Com fragrâncias ímpares

Entre o bailar dos jardins em cores

Dançam árvores, galhos e flores

São estações!

É vida!

São emoções!

De estação a estação...

Sem se importar... Se...

Outono, inverno, primavera ou verão

 

Ilka Bosse (Bailarina das Letras)

Blumenau - SC - Brasil

Do Livro: O BAILAR ENTRE LETRAS

> Ilka.bosse@terra.com.br <

 


 

Estrela Maior

              Ana Maria Nascimento

 

Minha mãe está distante,

Seguindo a divina luz,

No caminho fascinante

De nosso Mestre Jesus.

 

Vive em plena melodia,

Mas o grande amor materno

É o que mais irradia

Aquele sorriso terno.

 

Ao seguir caminho avante,

Sabe que seu coração

Não deixou de ser constante

Na louvável proteção.

 

Embora esteja no além

O seu carinho fraterno

Não se esqueceu de ninguém

Quando se tornou eterno.

 


 

ETERNIZANDO O EFÉMERO

Carmo Vasconcelos

Num poema se entrelaçam as palavras,

Palavras evoladas de momentos;

Momentos de incrustados sentimentos,

Sentimentos cavados como em lavras!

 

Num poema se misturam terra e flor,

Flor que há-de perpetuar a natureza;

Natureza sublime na beleza,

Beleza divinal do Criador!

 

Num poema se ironizam gozo e riso,

Riso duma comédia transitória;

Transitória impostura duma história,

História de inventado paraíso!

 

Num poema se congela o triste pranto,

Pranto que petrifica álgida dor;

Dor que se fez tatuagem dum amor,

Amor que se despiu de roto encanto!

 

Num poema, a chaga fecha-se a cinzel,

Cinzel que dilapida atritos de alma;

Alma que dos eivados breus se acalma,

Se acalma na paz nívea do papel!

 

Num poema se desvenda a cruz secreta,

Secreta ria do ser que o imo enfatiza;

Enfatiza o ora efémero e eterniza,

Eterniza no verso a aura do Poeta!

 

***

Lisboa/Portugal

17/Setº/2008

Carmo Vasconcelos

Directora Cultural da Revista eisFluências

Directora de Eventos Literários da AVSPE

http://carmovasconcelos.spaces.live.com

http://carmovasconcelosf.spaces.live.com

http://muraldosescritores.ning.com/profile/CarmoVasconcelos

 


 

Ao Tempo.

Isnelda Weise

 

Qual a era da tua hora eterno tempo

Qual o instante clandestino que escondes

Se em  relógio arrastado,  num  minuto

Fazes  eco  em que  te abrigas,  resoluto ?

 

Ao seguir-te, se me segues, não respondes

Às imagens que dos séculos desenhas

Vida  e morte  em meu ventre tu  abrigas

E de suas  fragilidades, sei,   desdenhas .

 

Tempo eterno, árduo  enigma  em  movimento

Como emergi do segundo  em que afundei

No  período de um ponteiro em desalento?

 

Abatida sem destino,  ao relento

Na estação de denso ocaso anoiteci

Para, então,  avistar a tez do firmamento.

 


 

POR QUE OS POETAS SOFREM TANTO?

Mônica Silveira

 

Por que os poetas sofrem tanto?

Vivem com o peito sangrando

E os olhos inundados de pranto?

 

Por que os poetas sofrem tanto?

Passam dia após dia chorando

À espera do ser amado e santo?

 

Por que os poetas sofrem tanto?

Pela natureza cheia de belezas

Que vai embora em desencanto?

 

Por que os poetas sofrem tanto?

Pela humanidade perdida

A se degladiar por todo canto?

 

Por que os poetas sofrem tanto?

Se de nada adianta sofrer?

 


 

Lairton Trovão de Andrade

 

Ainda que um ser social eu seja,

Que adore, dos semelhantes, o convívio,

Que, em contato com pessoas, tenha vivido profissionalmente,

Ainda assim, muitas vezes, eu gosto de estar só,

Eu preciso ficar só:

Só – em companhia de mim somente.

 

Quando estou só, não me sinto em solidão:

Dou asas ao pensamento,

Tenho sonhos  em preto e branco,

Sonhos coloridos, lindos,

Construo castelos,

Encontro a princesa mais bela,

Faço poemas,

Escrevo trovas,

Componho melodias silenciosas,

Desenvolvo um pensamento filosófico...

 

Ah, como sou feliz quando estou só:

Eu medito,

Eu discuto,

Eu canto,

Eu grito...

Sou barulhento

Nas profundezas do meu silêncio.

 

Quem não é capaz de ficar só

É vazio em seu interior,

Não tem razões para pensar,

Nem para sonhar,

Nem de gostar de si.

Então, quando só,

Vive em solidão,

Na  solidão  que o aprisiona,

Que o esmaga brutalmente

com ruídos ensurdecedores.

 

Mas eu preciso, às vezes, estar só,

Para sentir o interior da minha alma,

Para renovar minha esperança,

Para fortalecer minha fé,

Para me encontrar com o Onipotente

E, em oração contrita, dizer:

“Obrigado, meu Deus,

Porque não fico só

nem quando estou só”!..


 

Inverno no Coração

Ligi@Tomarchio®

 

Hibernar de idéias

sob neve azulada

revoada de pensamentos

calados desejos

carência de luz

amortecendo momentos

de lenta sofreguidão.

 

Viver exausto

amanhecer calado

crepúsculo opaco

negra noite congelada

de entrega ao desalento

dos ventos...

 

Continente branco

transparência incômoda

a alma vê a morte doce

dos verdes campos do paraíso.

 

Revoada de anjos devotados

pássaros do céu

proteção dos deuses.

 

Pretensão do poeta

em despertar as idéias

adormecidas no tempo

qual ungüento

para cicatrizes

marcas do viver...

 

Insanos desejos, cortejos fúnebres

altares floridos e flamejantes

luzes oscilando ao vento...

 


 

Calmaria

 Heralda Víctor

 

   É... Parece que o inverno terminou.

   O frio passou. A tempestade acalmou.

   O vento soprou todas as tristezas.

   Agora uma brisa leve embala os dias.

   O sol voltou a brilhar.

   Tímido, mas iluminando a terra.

   Os pássaros voltaram a gorjear.

   Das árvores, brotam novas folhas.

   As flores abrindo lentamente,

   As nuvens espalhando-se...

   No céu azul, bonito, claro

   Tudo vai tomando cor.

    Cor de rosas, cor de vida, 

    Cor  de paz, de amor, de harmonia.

    A primavera chegou

    Florescendo tudo...

    Outra vez...

    É calmaria!
                                        

 


 

 

LIMITES

Maria de Lourdes S. Heiden

 

Apararam as barbas do céu...

Todos aqueles rabichos dependurados

 Nos penhascos desapareceram.

A  penugem macia e os cedros

Que  cobriam as montanhas

Submergiram.

A  chuva fresca

Que regava os campos

Tornou-se acética

E ligeira se alastrou

Enroscando o verde

Estrangulando a vida.

  uma grave

E eterna nostalgia

Nesse céu imberbe que me fita

 Nessas montanhas peladas

Nesses rios turvos

 Nesse  mar carregado de coisas mil.

O homem fincou sua bandeira na lua

E na terra sua lança.

Os  ares empesteados nos rodeiam

E sufocam.

 E se não bastasse tudo isso.

Ainda criou teorias para explicar teorias

De como educar  as crianças

Deseducando-as.

Criou conceitos de como resolver problemas

Instituindo outros insolúveis.

Decidiu que tudo carece de leis

E as leis entulham gavetas

As gavetas entulham os congressos

E os congressos não resolvem nada.

Estamos quase que perdidos

Na bestialidade  de tentar

Soluções que não vigoram.

Do  alto de seus carteis

Outros já se levantaram

Dizendo terem a receita

Capaz de resolver os problemas da nação

Mais uma danação!

 


 

haicai

Noites de agosto - 
rasgos de luz nas vidraças,
vento nos trigais.
 

                

Terezinha Manczak

 


 

POMERANO POMERODENSE

                                                            Rubens Bachmann

Sou descendente

de um povo

uma nação,

que após a guerra

perdeu a pátria.

e fez da Terra,

a pátria de todos

que a perderam

na guerra.

desde então

e dos tempos já idos

do Império Alemão,

onde fui soldado,

lavrador,funileiro,

sempre tive profissão.

nunca fui

Invasor,

nem desertor

ou sem terra.

bandoleiro

arruaceiro ou

saqueador.

na paz

na guerra,

deixei Stettin.

no Oder

do Báltico distante

fui para o mar do Norte.

e de Hamburgo

num veleiro

ao Atlântico.

fui marujo

viajante

no porão.

Cruzei os mares

o equador

do norte ao sul.

aportei na terra

Santa Catarina

do Brasil.

Subi o Itajaí

e o Testo

onde acampei.

Fiz meu roçado

meu rancho

me instalei.

fiz a casa

o clube,a igreja e

a escola.

tirei do baú

a velha concertina.

toquei

dancei, cantei

chorei.

a música

a dança, o canto

a saudade.

para mim

a morte

pros filhos

a dificuldade

pros netos

o pão.

De Pomern

No Oder

nasceu

POMERODE!

Sou

BRASILEIRO

POMERANO

POMERODENSE

meu irmão!

 

 


 

 

FORÇA ESTRANHA

Cibele Carvalho

 

Coisa estranha, esta, que me invade

o peito, neste momento

em que o amor, pra mim, era saudade,

um sentimento que ficou no esquecimento.

Os meus dias, agora, são repletos

de carinho por ti, e de afetos

que eu julgava, em mim, adormecidos.

Você chegou e, logo, despertou

no meu corpo, todos os sentidos.

Meu pensamento segue, sempre, o rumo

que conduz em sua direção.

Por mais que eu tente distrair-me,

você, para mim, tornou-se compulsão,

uma doença que me invade a alma

e que leva, de vez, a minha calma.

Não tem cura, estou subjugada,

completa e totalmente, apaixonada.

 

RJ,06/08/10

 


 

ETERNIZANDO O EFÉMERO

Carmo Vasconcelos

 

Num poema se entrelaçam as palavras,

Palavras evoladas de momentos;

Momentos de incrustados sentimentos,

Sentimentos cavados como em lavras!

 

Num poema se misturam terra e flor,

Flor que há-de perpetuar a natureza;

Natureza sublime na beleza,

Beleza divinal do Criador!

 

Num poema se ironizam gozo e riso,

Riso duma comédia transitória;

Transitória impostura duma história,

História de inventado paraíso!

 

Num poema se congela o triste pranto,

Pranto que petrifica álgida dor;

Dor que se fez tatuagem dum amor,

Amor que se despiu de roto encanto!

 

Num poema, a chaga fecha-se a cinzel,

Cinzel que dilapida atritos de alma;

Alma que dos eivados breus se acalma,

Se acalma na paz nívea do papel!

 

Num poema se desvenda a cruz secreta,

Secreta ria do ser que o imo enfatiza;

Enfatiza o ora efémero e eterniza,

Eterniza no verso a aura do Poeta!

 

***

Lisboa/Portugal

17/Setº/2008

Carmo Vasconcelos

Directora Cultural da Revista eisFluências

Directora de Eventos Literários da AVSPE

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http://carmovasconcelosf.spaces.live.com

http://muraldosescritores.ning.com/profile/CarmoVasconcelos

 

 


 

Detalhe significante.

Felipe Gruetzmacher

 

Minha poesia é sobre algo apaixonante.

Sua simpatia,

muito contagia.

É coisa pequenina,

e me faz te amar, menina.

Quero o romantismo.

Contemplo o abismo,

vislumbro seu riso,

seduzido pelo sorriso.

 


 

Organização:

Luiz Eduardo Caminha

dasletras@stmt.com.br