Agosto, dizem alguns, é mês de desgosto. Para nós do
Mural das Letras é bem o contrário. Mês de Agosto é mês
de dois gostos, em verso e em prosa. Deliciem-se com
nossos poetas e escritores. Tem pra todo gosto. A gosto,
ora se não!!!
Deus os abençoe,
Luiz Eduardo Caminha
CONTRADIÇÕES
Caio Martins

(img: "mulher, imagens e poemas" cvm-leca98)
Num dia me diz te amo
no outro
me diz te mato!
É tanto beijo e sobressalto
que ninguém sabe mais
o que é amor
o que é guerra
o que é carícia
ou desacato,
o que é beijo
o que é mordida,
o que é paixão
o que é, de fato...
De noite me diz te amo
de dia
me diz te mato!
AGOSTO À CONTRAGOSTO
O tempo nos tece uma veste
E muito nos custa esse imposto.
Pois lento nos dá outro susto:
Gastou-se mais um agosto
Posto que vasto é o tempo
E visto que nos é imposto:
Viver só um tempo sucinto,
Numa sina a contragosto.
A teia insana das horas,
Aos poucos causa um desgosto:
No vasto espaço do espelho,
O tempo esculpe o teu rosto.
Tchello d'Barros
Lua Negra
© Márcia Sanchez Luz
Amo demais que até
ferida brota
na cálida, escondida lua
negra
dos meus delírios (dor
que desintegra
calma desnuda em chuva de
gaivota).
Os olhos choram mares,
geram grotas,
fabricam densa nuvem que
se integra
ao corpo equivocado pela
entrega
sofrida num adeus
desfeito em gotas.
Amo demais, eu sei, mas o
que faço
se de outro jeito não
conheço o amor?
A minha sina é nunca
combater
o que me atrai e gera
descompasso.
Se por um lado existe o
dissabor,
tenho da vida a flor que
vi nascer.
TE
CONFESSO... - ME DELATO!
Por *Elizabeth Misciasci
Aqui posso ser o abstrato...
Teu avesso, ou teu
retrato!
Pedaços de sentimentos
estilhaçados...
Fragmentos de vidas,
Entre sonhos mutilados!
Aqui posso ter as mãos
libertas,
Tentando explanar
descobertas,
Tendo ou não os pés
acorrentados...
Que me expõe sob
sorrisos,
Que sobrepõe...
Meus lamentos
silenciados.
Aqui posso querer
entender
O que se diferencia só em
ver,
Nas mensagens e versos
Que "fazem valer!"
Na efusão que ampara
E me faz renascer.
Aqui posso estar muito
além,
Sentindo o ardor
De um toque aquém...
Não visualizando uma tela
fria,
Mas me encantando com
tanta magia.
Aqui posso viver dia á
dia,
Devanear em meio à
fantasia
Sob os acordes de um
artista bailar!
Viajar numa pintura,
Deslumbrar-me com uma
escultura!
Aqui posso levitar
Se o poeta declama...
Emocionar-me com um peito
em chama,
Arriscar rabiscar ou ousar um poema
E mesmo sem maestria...
Tentar compor em poesia!
Aqui posso descobrir a ternura...
Feliz,
Deleitar-me com tamanha
doçura.
Mesmo do anônimo amigo
que sem imaginar
Torna-me vertente
Ao ler suas pérolas,
Que me fazem chorar...
Aqui posso, ter,
Querer estar,
Viver, levitar...
Sendo só o amor a
transbordar!
E do abstrato...
Ser teu avesso ou teu
retrato.
No entanto,
- Te confesso...
- Me delato!
Coração que eu reparto.
Curvando-me,
Enalteço-te e te
contemplo!
És gigante
Deste tempo, desta era!
Que em cada gesto ou cada
ato
Sem perceber "escancara"
Pois és referencial...
Preciosa Jóia Rara!
É exemplo!
- Ser humano...
Que não se compara.
*Autora Elizabeth
Misciasci
Registro 146.240 Livro
528 Folha 238
Blumenau do Brasil
És Loira, morena,
Negra, japonesa
E de toda certeza
Não és pequena
Cidade jardim
Festiva, dançante
És feita assim
De amor bastante
Cidade cantante
Do Rio que te banha
E que não se acanha
A quem tanto ama
Teu nome e teu brio,
Blumenau do Brasil!
Ricardo Brandes
www.blogdaoktober.blogspot.com
A PRAÇA
É NOSSA (Ode à Praça Hercílio Luz)
Luiz Eduardo Caminha
Quantos poemas tem a praça?
Tantos quantos foram,
Os beijos furtivos,
De jovens enamorados,
Enquanto todos distraídos,
Olhavam a chegada do Vapor!!!
Quantos versos tem a praça?
Tantas quantas foram,
As carícias trocadas,
Entre amantes apaixonados,
Enquanto as águas complacentes,
Desciam na curva do rio!!!
Quanta prosa tem a praça?
Tantas quantos foram os pés,
Que trilharam suas veredas,
Cabeças utópicas, poetas com sonhos,
De ver neste chão, erguida uma pátria,
Um lugar prá trabalhar!!!
Quantos donos tem a praça?
Tantos quantos foram,
Aqueles que partiram,
Estes que aqui estão,
Todos que por esta terra,
Têm amor, tem paixão!!!
Quantos donos tem a praça?
Um bando enorme de gente,
Ricos pobres, indigentes,
Artistas, poetas, emergentes,
Um povo que atende por um nome:
Nós!!! Blumenauenses!
Alma calma
Ciça Almeida
Nada é acaso
Alma calma
Dia sombrio
Bilha sua luz
Calma alma
Tudo genérico
Nada pessoal
Filtro leveza
Sonho reacende
Cala a alma
No imaginado
E já esmaecido
Ah! Alma
Cala e dorme
Fica calma
C.A. 07/03/2008 - para uma paixão
Meus sonhos
(Fátima Venutti)
Em meus sonhos
há sempre duas luas
iluminando o cenário.
Sempre é noite
e eu, paralelo ao sol.
Em meus sonhos
percorro o urbano
de uma cidade em pó
onde homens de plástico e centauros
aguardam o amarelo da sinaleira
pra cruzarem esquinas.
Em meus sonhos
ruas e becos
são traçados pelo vento.
Mendigos estendem braços
de fome e miséria que dilatam.
Em meus sonhos
há sempre um poeta
em fotossíntese com o vazio.
Escadas em espiral
descem ao centro da terra,
vultos sobem na contramão.
Em meus sonhos
o silêncio é norte.
A fala é inexistente
para os olhares-metáfora.
O corpo pesa
num tempo em que
os girassóis adormecem
na calçada do despertar.
Velho espelho
Cravadas horas,
No tempo diagnóstico
Na pele cicatrizes
Trajetos percorridos
Malas desfeitas aos pés do destino
Em algum momento tudo chora
Não importa o caminho
Em algum momento a alma estará de joelhos
E como pássaros fora do ninho
Haverá apenas a sombra fria
Refletida num velho espelho
, Sozinho!
(Cassiane Schmidt)
A CAATINGA
Ernane N.A.Gusmão
ATO 1-A SÊCA
Parda Caatinga,silencia triste /esturricada sob o céu
de agosto.
O facheiro,erguendo-se em riste,/qual sertanejo que
escancara o rosto,
Denuncia a heróica resistência/ das plantas”machas” lá
do meu sertão
Que secam,e morrem só na aparência/ pois na verdade
nunca morrem não.
Já não se ouve o cantar alegre,/ do canário,das
pombas,do azulão.
O longo estio,sem poder que o regre,/já vai rachando o
ressequido chão./
É tudo cinza,rara folha verde/dos angicos,juremas e o
teimar
Da faveleira,que jamais se perde/nem se mistura no
cinzento mar.
O vento sopra,cisma o caatingueiro.../lá vem a chuva,não
vai mais tardar.
Imagina brotarem no imbuzeiro/os verdes frutos que
aprendeu chupar.
Enquanto ela não vem,faz romaria,/faz
reza,procissão,promessas faz.
Crente,sonhando,pensa o que faria/se o céu e a terra
celebrassem a paz.
ATO 2- A CHUVA
E no ribombo do trovão,bem longe,/ouve a mensagem que
esperança traz.
Qual santa prece que acompanha o monge,/vem o
estrondo,cai a chuva atrás
Vertendo em cópia,farto,quente e doce,/Sacro dilúvio de
maná e mel
Como se Deus,onipotente fosse /vasando o piso do seu
vasto céu.
A água embebe ressecadas malhas,/penetra as fendas,cobre
tudo em véu.
Em breve,a secura dessas palhas /vai transformar-se em
folgaz vergel.
Despertam secas ramas hibernadas,/raízes múmias se
espreguiçam enfim,
Como se fossem formas encantadas /e ao brado
VIDA!...respondessem SIM!...
ATO 3-O MILAGRE
O verde cobre a amplidão finita/com bordados de ouro e
de carmim.
O passaredo,álacre,recita /uma algazarra que não tem
mais fim.
Maracujás emitem mil gavinhas,/frutos dourados,o
garapiá,
As alvas bagas dessas nossas pinhas,/o que mais doce
neste mundo há.
Ressurge tudo,qual milagre a vida /dos jericós
rebrota.Como está/
turgente a Caatinga colorida, /da
quixabeira,cardos,sabiá!.
Velames,macambiras,vão brotando,/as imburanas soltam seu
verniz.
Caatinga em festa,exala,perfumando/e os
bichos,ébrios,vão pedindo-BIS!...
Os gravatás relevam sobre os troncos / escamas de
esmeraldas e rubis/
Enquanto os xique-xiques densos, broncos ,/ reentrelaçam o
espinheiro em xis.
E o caatingueiro, firme, tão sofrido, / louvando a terra
que deixar não quis,
Confirma-patriota empedernido -/- É na Caatinga que eu sou
feliz!...
Impossibilidades
Rozelia Scheifler Rasia
Cruz Alta - RS
Dividir contigo o mesmo espaço,
sentar ao teu lado e falar sobre a rotina,
tocar tua mão,
pedir tua opinião,
dividir contigo o café quente,
falar sobre o hoje,
programar o amanhã,
comentar as notícias do jornal,
contar-te meus medos,
festejar minhas pequenas conquistas,
dividir meus sonhos contigo,
abrir a porta para entrares,
dizer-te bom dia;
são impossibilidades que fazem crescer
a ilusão de amar-te.
Receber de ti uma flor,
ouvir tua voz,
afagar teu cabelo,
ler um bilhete, uma carta tua,
pendurar teu casaco,
servir a mesa para nós dois,
fazer cálculos de tudo e de nada,
beijar teus lábios,
entregar a ti o meu amor,
ser tua e adormecer em teus braços,
acordar a teu lado,
abrir a porta para saíres,
dizer-te até logo;
são impossibilidades que fazem crescer
a ilusão de amar-te.
Poesia publicada na Coletânea Desafios – ALPAS XXI - 2003
NA SOLIDÃO DO CAMARIM
Luiz Poeta
Na
solidão do camarim, ela retira
A maquiagem...quando a face se desbota,
Ela percebe que o espelho onde se mira
Revela um rosto que ela vê...mas ninguém nota.
Ela se despe, troca a roupa da atriz
Pela mulher que a personagem escondeu,
Mas a verdade deixa tanta cicatriz,
Que ela nem sabe se aquele rosto é seu.
Ela decora tantos textos, seu papel
Nem sempre é de personagem principal;
Se erra a fala, a platéia é cruel,
Pois quer ouvir o texto mais original.
Ela atravessa a escuridão do auditório
E enquanto pisa a solidão do corredor,
Nota que a vida deixa em cada repertório
A sensação de ter vivido um novo amor.
Ela, então, ganhando as ruas da cidade,
Mirando as luzes coloridas de neon,
Sente na boca a sensual ansiedade
De retocar mais uma vez o seu batom
E se transforma em uma nova personagem
Com sua boca enfeitada de carmim,
Mas quando volta...já desfeita a maquiagem,
Ela retorna à solidão... do camarim.
Poema Escolar
Vista A Minha
Pele
Para
Júlio Hendrix Silva Rodrigues
Vista a minha pele
Você conseguiria?
Seja negro só por um dia
Seja preto pelo menos por mim
Somando todas as minhas cores assim
Vista a minha pele
Assuma a minha cor
Seja você quem for
Capture radicalmente a minha dor
Bem lá dentro de mim
E procure me compreender melhor assim
Vista a minha pele
Eu sou igualzinho a você
Ser Humano, porque
Corpo, Mente, Banzo, Coração
Então questione racismo e discriminação
Vista a minha pele
Sou vermelho por dentro
E negro sempre cem por cento
Afrobrasilis, Afrodescendente
Muito além de para sempre
Inteiramente ser humano e sobretudo gente
Vista a minha pele
Vista-se epidermicamente de mim
E procure me entender como seu igual assim
Seu irmão da humana cósmica
raça
E sinta tudo o que dentro de mim se passa
Assim você muito bem confere
Assim você vai realmente se sentir
Lá dentro da minha própria pele
Como eu quero ser árvore de leite e florir
Como eu quero ser janela de pão e me abrir
Como eu quero ser estrada de açúcar e prosseguir
Como eu quero o fim de diáporas e sorrir
Sem nenhum branco para me ferir
E você vai captar essencialmente então
A verdadeira pureza do que é primordial
E o que eu quero é total libertação
E todos iguais na aquarela da coloração
Numa brasileiríssima democracia racial
Vista a minha pele
Seja um pouco eu mesmo um negrão aí
Dentro de você - Para você sentir
Sou preto brasileirinho
Sou negrão e sou negrinho
Sou Negro e Ser Humano de igual valor
E tenho a África nas moendas e engenhos no meu interior
Depois de me vestir e depois de se sair de si
Deixando de ser eu negro aí
Venha me estender a sua mão
E, de coração para coração
Abrace-me como um seu completo irmão
A pele espiritual sendo uma só então
Numa sagrada e sideral celebração.
-0-
Silas Corrêa Leite – Estância Boêmia de Itararé, São
Paulo, Brasil
E-mail: poesilas@terra.com.br -
Site pessoal:
www.itarare.com.br/silas.htm
Romance Virtual ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS no site
www.itarare.com.br
Poema da Série: Somos Todos da Raça Humana
Minha lira
Benedita Azevedo
Minha lira interior vibrando ao te encontrar,
Levando-me de volta a dias tão distantes,
Naquele nosso encontro, e a mim sempre garantes
Que foi somente o acaso ali sob o luar...
Que nos levou também ao céu naquele abraço,
ao contar as estrelas em todo esplendor
de uma noite suave e cheia de sabor...
Nós dois ali sentados na mesa do terraço.
Mamãe a nos olhar vai chegando à janela,
convida-me a entrar, é hora de dormir
cordialmente vais sem nem se despedir.
Canta meu coração, tal qual naqueles dias,
Ao entrar em meu quarto, enquanto tu partias...
Mas, hoje, meu amor, só eu vou decidir.
Praia do Anil, 03 / 08 / 2010
RAÍZES
Ilda Maria
Costa
Brasil
Bases e fatores que nos dizem quem somos
e quais são as nossas origens.
As minhas são muitas e delas me orgulho.
Do espanhol, trago traços faciais e a sensibilidade;
do italiano, o falar com as mãos e a espontaneidade;
do português, o curtir cores vivas e a alegria;
do indígena, a cor da pele e o companheirismo.
Cresci ouvindo que caráter e dignidade
são as maiores riquezas morais e sociais
os quais são os principais substratos de vida
e devem ser repassadas de geração para geração.
Meus avós demonstraram-me espírito de luta,
falavam e sabiam ouvir como paciência,
tendo uma palavra amiga e acolhedora a todos.
Constantemente, busco trazer o passado
para o presente, visando maiores realizações pessoais,
já que desejo, intensamente, conhecer e resgatar
as minhas origens; logo, a própria essência.
Minhas raízes foram importantíssimas
na minha formação, pois me ensinaram
que deveria ter afetos sólidos por soluções lógicas
e ser dotada de fraternidade e equilíbrio.
Sem dúvida, quando eu estava próxima eles,
ouvia-os com encanto e atenção;
no entanto, nem sempre os compreendi,
principalmente, quando algo de errado fazia
e uma postura correta me era cobrada.
Certamente, minhas raízes embasam minha luta
pela veracidade e solidariedade;
lembro-os com respeito e admiração.
Família - percepção, busca e conhecimento -
elo entre o passado, o presente e o futuro.
Oração Para
Meu Pai.
Malu Mourão
Papai!
No meu silêncio do anoitecer,
Oro por você.
Das tristezas?
Já esqueci.
Das alegrias? Que beleza!
Transformei-as em lembranças,
De quando eu era criança
E você me fazia sorrir.
A vida nos separou,
Porém, guardo-lhe com
amor,
Bem dentro do coração.
E na minha recordação,
Peço ao nosso Bom Deus,
Que hoje, nos dias seus,
Tenha uma linda e eterna
vida
Na sua santa paz merecida.
Hoje é o Dia dos Pais,
Este é o meu presente,
Sei que vai ficar
contente,
Parabéns e durma em paz!
Gatoso
Tenho um gato
De olhos verdes
Que me acorda
Toda manhã
Com sede de leite
E de leito.
Me lambe e ronrona,
Eu me sinto sua dona
E é com ele
Que me deito!
Anair Weiricch 
Visite
o meu blog:
http://anairweirich.blogspot.com/
FALANDO DE ESTAÇÕES
(Ilka
Bosse)
Entre árvores os raios
Infiltram-se com energia
Com magia...
Eis o sol que brilha e rebrilha
Dá o VERÃO o
seu Bom Dia!
Tocando morno e suave as faces
O nascer deste astro rei
Como se fosse um beijo
Com a leveza de uma pluma
Que transcende a fronteira
Em busca do OUTONO
Estação ligeira...
Deleita-se entre folhas secas
Que o vento leva...
Arrastando-as com sutileza
Em gramados amassados, pisados...
Onde a brisa está à espera
Para deslizar sobre o verde terno
Da relva fria que anuncia:
É INVERNO!
Com suas alvas manhãs
Gela a mansinha chuva
Regando sementes ocultas
Aguardando a chance
Do brotar da PRIMAVERA
Enfeita esta estação o universo
Alegrando corações
Com fragrâncias ímpares
Entre o bailar dos jardins em cores
Dançam árvores, galhos e flores
São estações!
É vida!
São emoções!
De estação a estação...
Sem se importar... Se...
Outono, inverno, primavera ou verão
Ilka Bosse (Bailarina das Letras)
Blumenau - SC - Brasil
Do Livro: O BAILAR ENTRE LETRAS
> Ilka.bosse@terra.com.br <
Estrela Maior
Ana Maria Nascimento
Minha mãe está distante,
Seguindo a divina luz,
No caminho fascinante
De nosso Mestre Jesus.
Vive em plena melodia,
Mas o grande amor materno
É o que mais irradia
Aquele sorriso terno.
Ao seguir caminho avante,
Sabe que seu coração
Não deixou de ser constante
Na louvável proteção.
Embora esteja no além
O seu carinho fraterno
Não se esqueceu de ninguém
Quando se tornou eterno.
ETERNIZANDO O EFÉMERO
Carmo Vasconcelos
Num poema se entrelaçam as palavras,
Palavras evoladas de momentos;
Momentos de incrustados sentimentos,
Sentimentos cavados como em lavras!
Num poema se misturam terra e flor,
Flor que há-de perpetuar a natureza;
Natureza sublime na beleza,
Beleza divinal do Criador!
Num poema se ironizam gozo e riso,
Riso duma comédia transitória;
Transitória impostura duma história,
História de inventado paraíso!
Num poema se congela o triste pranto,
Pranto que petrifica álgida dor;
Dor que se fez tatuagem dum amor,
Amor que se despiu de roto encanto!
Num poema, a chaga fecha-se a cinzel,
Cinzel que dilapida atritos de alma;
Alma que dos eivados breus se acalma,
Se acalma na paz nívea do papel!
Num poema se desvenda a cruz secreta,
Secreta ria do ser que o imo enfatiza;
Enfatiza o ora efémero e eterniza,
Eterniza no verso a aura do Poeta!
***
Lisboa/Portugal
17/Setº/2008
Carmo Vasconcelos
Directora Cultural da Revista eisFluências
Directora de Eventos Literários da AVSPE
http://carmovasconcelos.spaces.live.com
http://carmovasconcelosf.spaces.live.com
http://muraldosescritores.ning.com/profile/CarmoVasconcelos
Ao Tempo.
Isnelda Weise
Qual a era da tua hora eterno tempo
Qual o instante clandestino que escondes
Se em relógio
arrastado, num minuto
Fazes eco em
que te
abrigas, resoluto
?
Ao seguir-te, se me segues, não respondes
Às imagens que dos séculos desenhas
Vida e morte em
meu ventre tu abrigas
E de suas fragilidades,
sei, desdenhas
.
Tempo eterno, árduo enigma em movimento
Como emergi do segundo em
que afundei
No período
de um ponteiro em desalento?
Abatida sem destino, ao
relento
Na estação de denso ocaso anoiteci
Para, então, avistar
a tez do firmamento.
POR QUE OS POETAS SOFREM TANTO?
Mônica Silveira
Por que os poetas sofrem tanto?
Vivem com o peito sangrando
E os olhos inundados de pranto?
Por que os poetas sofrem tanto?
Passam dia após dia chorando
À espera do ser amado e santo?
Por que os poetas sofrem tanto?
Pela natureza cheia de belezas
Que vai embora em desencanto?
Por que os poetas sofrem tanto?
Pela humanidade perdida
A se degladiar por todo canto?
Por que os poetas sofrem tanto?
Se de nada adianta sofrer?
SÓ
Lairton Trovão de Andrade
Ainda que um ser social eu seja,
Que adore, dos semelhantes, o convívio,
Que, em contato com pessoas, tenha vivido
profissionalmente,
Ainda assim, muitas vezes, eu gosto de estar só,
Eu preciso ficar só:
Só – em companhia de mim somente.
Quando estou só, não me sinto em solidão:
Dou asas ao pensamento,
Tenho sonhos em
preto e branco,
Sonhos coloridos, lindos,
Construo castelos,
Encontro a princesa mais bela,
Faço poemas,
Escrevo trovas,
Componho melodias silenciosas,
Desenvolvo um pensamento filosófico...
Ah, como sou feliz quando estou só:
Eu medito,
Eu discuto,
Eu canto,
Eu grito...
Sou barulhento
Nas profundezas do meu silêncio.
Quem não é capaz de ficar só
É vazio em seu interior,
Não tem razões para pensar,
Nem para sonhar,
Nem de gostar de si.
Então, quando só,
Vive em solidão,
Na solidão que
o aprisiona,
Que o esmaga brutalmente
com ruídos ensurdecedores.
Mas eu preciso, às vezes, estar só,
Para sentir o interior da minha alma,
Para renovar minha esperança,
Para fortalecer minha fé,
Para me encontrar com o Onipotente
E, em oração contrita, dizer:
“Obrigado, meu Deus,
Porque não fico só
nem quando estou só”!..
Inverno no Coração
Ligi@Tomarchio®
Hibernar de idéias
sob neve azulada
revoada de pensamentos
calados desejos
carência de luz
amortecendo momentos
de lenta sofreguidão.
Viver exausto
amanhecer calado
crepúsculo opaco
negra noite congelada
de entrega ao desalento
dos ventos...
Continente branco
transparência incômoda
a alma vê a morte doce
dos verdes campos do paraíso.
Revoada de anjos devotados
pássaros do céu
proteção dos deuses.
Pretensão do poeta
em despertar as idéias
adormecidas no tempo
qual ungüento
para cicatrizes
marcas do viver...
Insanos desejos, cortejos fúnebres
altares floridos e flamejantes
luzes oscilando ao vento...
Calmaria
Heralda Víctor
É...
Parece que o inverno terminou.
O frio
passou. A tempestade
acalmou.
O vento
soprou todas as tristezas.
Agora uma
brisa leve embala os dias.
O sol voltou a brilhar.
Tímido, mas iluminando a terra.
Os
pássaros voltaram a gorjear.
Das
árvores, brotam novas folhas.
As flores
abrindo lentamente,
As nuvens espalhando-se...
No céu
azul, bonito, claro
Tudo vai tomando cor.
Cor de rosas, cor de vida,
Cor de paz, de amor, de harmonia.
A primavera chegou
Florescendo tudo...
Outra vez...
É calmaria!
LIMITES
Maria de Lourdes S. Heiden
Apararam as barbas do céu...
Todos aqueles rabichos dependurados
Nos penhascos desapareceram.
A penugem macia e os cedros
Que cobriam as montanhas
Submergiram.
A chuva fresca
Que regava os campos
Tornou-se acética
E ligeira se alastrou
Enroscando o verde
Estrangulando a vida.
Há uma grave
E eterna nostalgia
Nesse céu imberbe que me fita
Nessas montanhas peladas
Nesses rios turvos
Nesse mar
carregado de coisas mil.
O homem fincou sua bandeira na lua
E na terra sua lança.
Os ares empesteados nos rodeiam
E sufocam.
E se não bastasse tudo isso.
Ainda criou teorias para explicar teorias
De como educar as
crianças
Deseducando-as.
Criou conceitos de como resolver problemas
Instituindo outros insolúveis.
Decidiu que tudo carece de leis
E as leis entulham gavetas
As gavetas entulham os congressos
E os congressos não resolvem nada.
Estamos quase que perdidos
Na bestialidade de
tentar
Soluções que não vigoram.
Do alto de seus carteis
Outros já se levantaram
Dizendo terem a receita
Capaz de resolver os problemas da nação
Mais uma danação!
haicai
Noites de agosto -
rasgos de luz nas
vidraças,
vento nos trigais.
Terezinha Manczak
POMERANO POMERODENSE
Rubens
Bachmann
Sou descendente
de um povo
uma nação,
que após a guerra
perdeu a pátria.
e fez da Terra,
a pátria de todos
que a perderam
na guerra.
desde então
e dos tempos já idos
do Império Alemão,
onde fui soldado,
lavrador,funileiro,
sempre tive profissão.
nunca fui
Invasor,
nem desertor
ou sem terra.
bandoleiro
arruaceiro ou
saqueador.
na paz
na guerra,
deixei Stettin.
no Oder
do Báltico distante
fui para o mar do Norte.
e de Hamburgo
num veleiro
ao Atlântico.
fui marujo
viajante
no porão.
Cruzei os mares
o equador
do norte ao sul.
aportei na terra
Santa Catarina
do Brasil.
Subi o Itajaí
e o Testo
onde acampei.
Fiz meu roçado
meu rancho
me instalei.
fiz a casa
o clube,a igreja e
a escola.
tirei do baú
a velha concertina.
toquei
dancei, cantei
chorei.
a música
a dança, o canto
a saudade.
para mim
a morte
pros filhos
a dificuldade
pros netos
o pão.
De Pomern
No Oder
nasceu
POMERODE!
Sou
BRASILEIRO
POMERANO
POMERODENSE
meu irmão!
FORÇA ESTRANHA
Cibele Carvalho
Coisa estranha, esta, que me invade
o peito, neste momento
em que o amor, pra mim, era saudade,
um sentimento que ficou no esquecimento.
Os meus dias, agora, são repletos
de carinho por ti, e de afetos
que eu julgava, em mim, adormecidos.
Você chegou e, logo, despertou
no meu corpo, todos os sentidos.
Meu pensamento segue, sempre, o rumo
que conduz em sua direção.
Por mais que eu tente distrair-me,
você, para mim, tornou-se compulsão,
uma doença que me invade a alma
e que leva, de vez, a minha calma.
Não tem cura, estou subjugada,
completa e totalmente, apaixonada.
RJ,06/08/10
ETERNIZANDO O EFÉMERO
Carmo Vasconcelos
Num poema se entrelaçam as palavras,
Palavras evoladas de momentos;
Momentos de incrustados sentimentos,
Sentimentos cavados como em lavras!
Num poema se misturam terra e flor,
Flor que há-de perpetuar a natureza;
Natureza sublime na beleza,
Beleza divinal do Criador!
Num poema se ironizam gozo e riso,
Riso duma comédia transitória;
Transitória impostura duma história,
História de inventado paraíso!
Num poema se congela o triste pranto,
Pranto que petrifica álgida dor;
Dor que se fez tatuagem dum amor,
Amor que se despiu de roto encanto!
Num poema, a chaga fecha-se a cinzel,
Cinzel que dilapida atritos de alma;
Alma que dos eivados breus se acalma,
Se acalma na paz nívea do papel!
Num poema se desvenda a cruz secreta,
Secreta ria do ser que o imo enfatiza;
Enfatiza o ora efémero e eterniza,
Eterniza no verso a aura do Poeta!
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Lisboa/Portugal
17/Setº/2008
Carmo Vasconcelos
Directora Cultural da Revista eisFluências
Directora de Eventos Literários da AVSPE
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