Gostou
desta página? deixe seu recado no nosso livro de visitas.
Ernane Gusmão, o médico, o
poeta...
Médico, professor aposentado, criador de cavalos, poeta e astrônomo
amador. Especializado em Nefrologia, Ernane foi o
pioneiro na Bahia e no Nordeste na realização de hemodiálise,
procedimento feito em 1968 no Hospital Universitário Professor
Edgard Santos, e que fez parte da equipe que implantou, em 1977, o
Serviço de Hemodiálise do Hospital Português.
Com 67 anos, comemorados no dia 1º de junho, casado com Elzeni, pai
de 4 filhos e avô de 4 netos, as suas poesias foram alguns dos
destaques do I Festival de Cultura e Arte (24 de novembro a 1º de
dezembro de 2003) e emocionaram colaboradores e clientes nas suas
diversas apresentações durante o evento.
A sua verdadeira paixão é a Medicina. Formado em 1964, no auge do
Golpe Militar, foi o caçula da turma - tinha 23 anos na época - e
eleito orador oficial da cerimônia de formatura. Devido ao período,
foi conduzido ao Quartel General da VI Região antes da Solenidade
como medida preventiva para que as suas palavras durante o discurso
não fossem de encontro aos ideais políticos do governo militar. O
texto original foi mantido.
A Literatura está presente em sua vida desde a adolescência. "Gosto
de escrever tanto poesia quanto prosa e já tenho sete livros
publicados, sendo três de autoria própria e quatro de participação e
co-autoria", conta o médico. Dos seus livros, o que em breve será
lançado é o seu preferido. "Ursa Maior Ensaios é o que acho que mais
se parece comigo, é o mais "eu" no momento atual, vem de uma fase
mais amadurecida", explica.
Além da Literatura, Dr. Ernane tem mais dois hobbies - a criação de
cavalos da raça Mangalarga Marchador e a Astronomia. Há 30 anos ele
cria cavalos e é um dos fundadores do Equus Clube do Cavalo.
Apreciador e estudioso dos astros, atualmente preside a Associação
de Astrônomos Amadores da Bahia.
O seu grande sonho, o de ser professor, também se concretizou. Ele
dava aulas das disciplinas Clínica Médica e Nefrologia na Faculdade
de Medicina da Universidade Federal da Bahia. "É muito bom ter a
satisfação de saber que participei da formação da grande maioria dos
nefrologistas da Bahia, inclusive de muitos médicos que hoje
trabalham em nosso Serviço", comemora Dr. Ernane.
"Considero a arte de um modo
geral um dos mais importante meios de humanização da Medicina. É
muito gratificante, através dela, aprimorar o relacionamento
médico-paciente". (Dr. Ernane Gusmão)
Fontes:
© Real Sociedade Portuguesa de Beneficência Dezesseis de Setembro
Itapuã
(poema
premiado em primeiro lugar no Concurso Literário do Jubileu de Ouro
da Associação Bahiana de Medicina)
Minha mulher não
sabe , mas
...às vezes,vou sòzinho a Itapuã
Às vezes de dia,
quando o sol
faísca
sobre a espuma
Aqueles cardumes
cintilantes,
falsos peixinhos
prateados,
feitos de luz
Outras vezes, de
noite.
Digo que vou ao
plantão
E lá vou eu prá
Itapuã
A Lua verte
sobre as águas,
as comportas do
seu clarão - e,
mansa, passeia à
tona,
seu manto
dourado e morno,
tecido de
serenidade e paz
A brisa vôa,
diáfana gaivota,
vem beijar-me
sem decoro
E as pedras
bramem ,
entre as ondas,
como búzios
e conchas
ressonantes
Um canto
provocante de sereias.
Ouço a magia das
fadas,
vejo o vento
sussurrar
Vem,poeta,
vem
comigo,sentir
o enlevo do mar
A sereia de
pedra,
da praia de
Itapuã
A todo mundo
graficamente
saúda:
bem-vindo,
wellcome,
bienvenuto,
soyez
bienvenu
Mas a mim,
faceiramente me
disse:
eu não sou de
pedra,
isso é pura
fantasia
E,garanto,me
cantou!
Desde então eu
volto lá –
sinto um gozo de
adultério,
ouço a magia das
fadas,
vejo o vento
sussurrar
Vem poeta,
vem comigo,
ter as sereias
do mar.
Desde então eu
volto lá.
Minha mulher não
sabe...
Mas,às vezes,
vou sòzinho a
Itapuã.
•
Este
poema foi escrito há muitos anos,quando eu ainda não morava em
Itapuã.Hoje tenho este privilégio e não mais preciso de
subterfúgios.Estou a 100 metros da praia de Itapuã,muito feliz com
minha mulher,casadinho há mais de 40 anos,com 04 filhos e 06
netinhos.
•
Esta
versão de Itapuã é dedicada a duas figuras imortais deste paraíso –
•
Dorival
Caymi e Vinicius de Morais,os poetas que a imortalizaram pela
presença e pela difusão de seus encantos e belezas,de toda a poesia
e eternidade que ela encerra.
•
Ernane
N.A.Gusmão 30.08 08-Itapuã-SSA-BA
•
(crédito
fotos Google Earth)
Licor de
anis
Licor de anis,azul,embriagante,
A
cada gole meus desejos trais.
O
vulto da singela e doce amante,
Fluidos perfumes, densas espirais.
Eu
sorvo a tona desse anil bacante
E me
inebrio em delírios tais...
Ouço
o murmúrio dela, soluçante,
Em
sintonia com meus mudos ais.
A
timidez me prende, relutante
O
coração reclama-segue avante,
Por
que não quebras o temor e vais?
E
quêdo embora, bafejou-me a graça,
Licor de anis sumiu da minha taça,
Mas
ela... dos meus olhos... nunca mais!
Amores de
Poeta
A
namorada do poeta cisma
e sofre longa noite no pensar...
se os versos que ele escreve sao mensagens
a outras tantas que deseja amar.
E como a noiva do poeta pena,
quantas lamurias penitente diz...
pressente em cada estrofe, sorrateiras
as outras noivas que o poeta quis.
A esposa do poeta tem pressagios,
tantos ciumes nao lhe ficam bem.
Descobre num soneto as mil pegadas
das aventuras que o poeta tem.
Mas a noiva, esposa, ou namorada,
melhor faria se o deixasse em paz
lá no reino dos sonhos e quimeras
das fantasias que o poeta faz.
E sentiria melhor a alegoria,
flagrante, bela, facil de se ver...
se existe nela própria a poesia
para a eleita de um poeta ser!...
O
Sumiço de Bule-Bule
I
Abro o jornal e me espanto
numa nota ali no canto
tomo um susto de lascar:
−;;;; Bule-Bule está sumido
e é preciso por sentido
para o poeta encontrar.
II
Diz a nota: −;;;; Foi em junho,
−;;;; invocando o testemunho
da companheira fiel −;;;;
que a caminho de brumado
destino mudou o fado
do famoso menestrel.
III
Refeito o susto me ponho
ante o relato medonho
a mim mesmo inquirir:
−;;;; Quando foi que vi o amigo
ou quando esteve comigo
antes da tela sumir?
IV
Mês de junho, tão distante,
festa, licor, tão bacante,
mês de fogueira e São João
...será que Bule-Bule se deu
a beber com Zebedeu
e queimou com um tição?
V
Ou será que foi bem longe
...converteu-se ...hoje é monge,
e talvez não volte mais?
Tem a barba de eremita
ar de profeta, recita
salmos, cantos e jograis.
VI
Será que Bule foi pêgo
por algum malvado nêgo
numa madrugada qualquer?
Depois da festa o dinheiro
exala do bolso um cheiro
que todo malandro quer.
VII
Ou será que simplesmente
Bule-Bule tão somente
cansou-se de tudo aqui
...arranjou uma loura chique,
tomou um chá de se pique
e mudou pro Havaí?
VIII
Mas... não! ...não! não é possível...
fora tudo isso crível
se me fugisse a memória
lembro porém, com presteza,
agora tenho certeza,
e a verdade é outra estória.
IX
Na Semana do Cavalo
Bule-Bule fez um calo
de tanto e tanto tocar.
Tenho o som cá na cachola
das coras da sua viola
para o mistério aclarar.
X
Isto foi no mês de agosto
fica portanto suposto
que o sumiço foi de um mês.
Outros dois, curtiu na cana
e em Feira de Santana
apareceu de uma vez.
XI
Apareceu de repente
mas só não disse pra gente,
como foi que ele sumiu
a companheira "deu parte"
mas a manha dessa arte
só ela mesma não viu.
XII
Todo poeta é boêmio
repentista é sempre gêmeo
do vento que o faz refém.
do vento que tomba e apára,
corre mundo, açoita, pára,
vai e volta, some e vem.
O B a r
O
Bar, é o Bar ! ...
Não, o Bar não é somente Bar!
É profusão de sons,
e de cores
e de cheiros
e de gostos!
O Bar é um encontro dos anônimos,
dos sinônimos
e dos antônimos!
O Bar é a sinfônica do acaso,
um caso único de sintonia de luzes,
fumaças, goles, vozes,
tristezas, delírios, aplausos!
O Bar é um caleidoscópio
de vida urbana!
Pedaços de idéias,
pedaços de doutrinas,
pedaços de filosofia
pedaços de consciência.
Imanência, transcendência!
O Bar é um fragmento
e ao mesmo tempo um todo!
O silêncio dos deprimidos,
o alarido dos eufóricos.
A louçania da vida,
a introjeção do sofrer!
Um saco! Um balão!
O Bar é solo, espaço,
subterrâneo, atmosfera,
sufoco e respiração.
Agonia, exaltação!
entranhas e erupção.
É magma, é lava!
É quente, é frio.
É poeira das estrelas,
é profundeza da Terra.
Há tanta gente no Bar ...
Há tanto Bar na gente ! ...
... tenho ido pouco ao Bar.
Cada vez mais, o Bar vem
menos a mim