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Apresentação.
Natal deveria nos lembrar paz,
Mas... não lembra!
Natal deveria nos lembrar luz,
Mas... não lembra!
Natal deveria nos lembrar alegria
Mas... não lembra!
Natal deveria nos lembrar concórdia,
Mas... não lembra!
Natal deveria nos lembrar fraternidade,
Mas... não lembra!
Natal deveria nos lembrar Amor,
Mas, não lembra!
Natal deveria nos lembrar Jesus,
Mas... lembra Papai Noel!
(Pelo menos é o que parece se olharmos em nosso redor!)
Daí, talvez, se explique:
Guerras, ao invés de paz,
Trevas, ao invés de luz
Tristeza, ao invés de alegria
Brigas, ao invés de concórdia.
Fome, miséria, racismo, assassinatos,
Ao invés de fraternidade.
Ódio, ao invés de Amor.
Consumo, cobiça, inveja, ter, Papais noéis,
Ao invés do Menino Deus.
Está na hora de rever nossos conceitos.
Está na hora de mais Jesus,
E menos Papai Noel
Na hora de mais verdade,
E menos hipocrisia,
Na hora de salvação,
E menos perdição.
Na hora de ouvirmos o canto dos anjos e vivenciarmos:
Glória a Deus nas alturas
E paz na terra aos homens de boa vontade!
Ou não?
Que assim seja.
É nesta intenção que apresentamos este Mural Especial
de Natal.
Que Deus abençoe a todos e o Menino Deus, o Jesus
Menino, renasça no coração de cada um e vos propicie um Novo
Ano apenas e... tão somente... diferente. Com mais amor no
coração, nos atos e nas palavras.
Amor, Paz e Bem, que não custa nada a ninguém!!!
Luiz Eduardo Caminha
UMA LUZ
Hoje é teu dia, meu Jesus, hoje é teu dia!
Salve o Rei! Dono dos dias que foram e virão.
Hoje é teu dia, minha Luz, hoje é teu dia!
Salve o Rei! Dono de toda Iluminação!
Hoje é teu dia, meu Senhor, hoje é teu dia!
Salve o Rei! Dono do meu coração!
Eis aí porque cantam os pássaros,
florescem as plantas e descem as águas.
Eis aí porque a mais profunda das sabedorias
torna-se vã sem a imaginação.
Eis aí o moto, o princípio, o destino
e também o porquê da brevidade das coisas.
Eis aí o que nada na seiva das árvores,
circula em nosso sangue e corre nos rios.
Eis a perene chuva de venturas
que jamais estanca!
Eis aí a Vida, a Verdade e a Luz!
Eis a simplicidade do milagre,
a morte do relógio e o fim das distâncias.
Eis JESUS!
Jairo Martins
NOITE DE NATAL
Lairton Trovão
de Andrade
Diz o profeta
Isaias:
Um Menino
nascerá!
Sob o cetro do
Messias,
dos céus o
reino virá.
Noite de graça
infinita,
de santa
harmonia e luz,
na manjedoura
bendita,
repousa o manso
Jesus.
O Verbo da
profecia,
de todo mal
ilibado,
nasce da Virgem
Maria
– Divino Deus
Encarnado!
Triste foi o
fim de Adão
que o mal nos
deu por herança,
mas Deus, de
imenso perdão,
conosco fez
nova aliança.
Noite de grande
ventura
a do Natal de
Jesus:
Um Deus envolto
em ternura
à salvação nos
conduz.
Glórias a Deus
nas alturas
cantam anjos na
amplidão;
e as almas
simples e puras
sentem paz no
coração!
Natal Mendigo
Luiz Eduardo Caminha
Natal lembra um novo rebento,
Esperança que o mendigo sente
Triste alegria que se faz semente
Fé convertida, novo advento.
Natal estrela que lhe alumia
Por mais que lhe sofra a dor parida
Molhe o rosto a lágrima furtiva.
É menino, caminho que nos guia.
Natal é partilha do pão dormido
Que aplaca a fome do desvalido.
É felicidade quase certa.
Até que soe o sino da manhã,
Que volva mendaz a esperança vã.
Sonho vai. O mendigo desperta.
P.S.: Que no Natal possamos fazer menos mendigo o Menino
Jesus!!!
Floripa, Ratones, 12.12.2009
Natal -
tempo de renascer
Mais uma chance
refazer o caminho
renascer fortaleza
vencer intempéries
ser bravo-ser doce
ternura derramada
palavra ofertada
pele acarinhada
abraço apertado
esquecer fardos pesados
perdoar a ausência
(já quase imperdoável)
beijar com carinho
(como se pela primeira vez!)
Natal,
tempo de sonhar
como será bela a incerteza
do que nem se tem certeza
se ainda virá...
Natal!
Abre as portas de tua alma!
Preserva Jesus
no aconhego do teu coração!
Lígia Antunes Leivas
Pelotas, RS
NATAL COM AMOR!
Malu Mourão
Os sinos dobram festivos em Belém!
A anunciar de Deus Menino, a chegada.
Daqui de meu rincão, escuto também,
O nascer sagrado de uma nova alvorada.
É Natal! Que se espalhe alegria
Em forma de doce e fraterna canção!
E de Cristo Menino, a Luz da harmonia,
Se faça presente em cada coração.
Que uma doce paz reine em cada lar!
Que um sorriso de amor brilhe em cada ser!
E quando o sino ao longe badalar,
Felizes e amados, todos possam ser.
E com o Menino Deus, em louvor a festejar,
Nesta data de esperança no amor Universal,
Os votos natalinos num coro a entoar,
Vá de coração pra coração - NUM FELIZ NATAL!
É NATAL
Neida Rocha
É Natal.
As pessoas
estão mais sensíveis.
Paira no ar
um cheiro
de fraternidade.
As pessoas
estão mais gentis
umas com as outras.
A emoção
está à flor da pele.
Lágrimas brotam
nos olhos
com muita
naturalidade.
O Natal deveria
ser mais vezes
por ano.
Na tal
Na tal da noite divina,
na tal da árvore armada,
reina o natal que ensina
o nascimento da paz celebrada!
Anair Weiricch
O NATALINO
Para segurar-se,
vale apegar-se-Lhe às canelas.
Para o saber,
analisar Seus conselhos,
quedar-se de joelhos pela razão deles.
Viver é levantar-se e segui-LO.
Jairo Martins
COMPROMISSO DE NATAL
Sueli do Espírito Santo
Jesus
veio ao nosso mundo
com um exemplo profundo
espalhou amor por todo lado
quis projetar um mundo novo
para todo e qualquer povo
ainda assim foi crucificado
Neste Natal, lembremos disso
vamos assumir o compromisso
de homenagear seu aniversário
tentando imitar as suas atitudes
pois que são sagradas virtudes
do Ser perfeito e extraordinário
ADVENTO
Nessa
luz de comunhão
Ame com todo carinho
Tenha paz no coração
Abra a alma, se sozinho
Logo em breve, ele virá...
Ricardo Brandes
www.blogdaoktober.blogspot.com
É tempo de...
Todas as luzes
Todos os sons
Todas as cores
Todos os versos
Todos os verbos
Todas as formas
Todos os dogmas
Todos os gêneros
Todas as espécies
E um tanto mais
De sentimentos:
Dar-se em semeia constante
Entregar-se sem rédeas
Ao cenário divino da vida
E manter sempre em cartaz
O fantástico espetáculo
Do Natal.
Fátima Venutti
ALEGRIA NATALINA
Ilka Bosse
A
Alegria Natalina sorri...
Luzes (... milhares) dançam
exibindo o colorido "pisca-pisca"
É o Natal batendo à porta...
Novamente, fim de ano!
No longínquo horizonte
aponta o Novo Ano!
E, neste Novo Ano/2010
tudo vai ser diferente!
Os abraços mais fortes
O sorriso mais freqüente
Abraço?
Ah! O abraço!
Que em momentos
revelará saudade,
em outros, ele quer afagar
... levar felicidade
ou tentar a dor afastar
Transmitir Paz...
O meu abraço, querer
envolver-Te com calma,
acariciar Tua "AlmAmiga"
e dizer que És especial...
Ah! Mas, acima de tudo
quero semear a alegria
e que isso aconteça
em qualquer dia
(todo dia)
ou num dia qualquer
Seja o que Deus quiser!
Mas, que seja o que eu almejo
e também o que Tu almejas
Aquele Abraço diferente!
Envolvente...
Sincero!
Amigo!
Especial!
Peculiar...
Só Nosso!
... e mesmo assim, universal!
Saturado, todo dia, de...
ALEGRIA NATALINA
Ilka Bosse (Bailarina das Letras)
Blumenau - SC - Brasil
Natal/2009 - Ano Novo/2010
Isnelda Weise
apesar do mundo
há
uma Paz permanente.
no
Natal e sempre.
(reinventada por nós).
http://agualento-isneldaweise.blogspot.com/
Estrela da paz!
É Natal!
Misteriosamente os gestos vão mudando...
Anjos, sinos ornamentando praças e vidraças,
Num encantamento tudo amorizando...
É Natal!
Aqui, ali, uma voz entoa uma cantiga
Num coro que enternece e toca o coração da gente.
De repente, todos querem se fazer presente,
Dar um abraço, lembrar uma pessoa amiga.
É um estado de graça, por menos que se diga.
Ah! Que a voz da humanidade seja um hino
Para embalar e acalentar o choro de um menino
Que nasce e renasce a cada ano no amor.
Descortinem-se as janelas
Ao repicar dos sinos.
Ascendam-se as velas dos altares.
Preparem a casa, a árvore, a mesa
Mas, por favor, homens tenham fé.
Olhem para o céu preparem o coração
Dobrem os joelhos façam uma oração
Cruzem suas mãos louvem o Salvador
Cantem uma canção vejam que esplendor!
Tenham esperança sigam aquela luz,
Que numa manjedoura, sob a estrela da paz
Para acordar os homens uma criança chora.
Nos braços de Nossa Senhora
Com a missão de salvar a humanidade,
Nasce um menino chamado Jesus!
Heralda Víctor[ In " Nos Degraus do
Silêncio, p-34]
Enquanto
meu pai não vem...
Fátima
Venutti
Mais uma vez ele conferiu as horas em seu
relógio: eram nove e meia da noite. Olhou para a fila e
recontou, pela quarta vez, quantas crianças estavam à sua
frente: sete. Mais uma vez ele prometeu a si mesmo: este
será o último Natal que peço este presente.
Enquanto esperava, sua mente recapitulava a
primeira vez, há cinco anos, quando resolvera entrar numa
fila para ver o bom velhinho de perto e descobriu que tinha
direito a fazer um pedido (caso tivesse sido um “bom
menino”). E como aquele momento era tão especial e, anual,
sabia que não poderia desperdiçar com qualquer coisa ou
bobagem. Foi então que resolvera pedir algo especial e que
pudesse realmente transformar sua vida.
Em cinco anos seguidos este sempre fora o momento
mais aguardado do ano. Já no final de novembro, começava a
sua excitação. Percorria todos os shoppings e lojas do
bairro a fim de conferir se o bom velhinho colocaria sua
enorme cadeira e tapetes vermelhos para receber
incansavelmente as crianças, ouvir e registrar seus pedidos
de Natal. E qual Papai Noel não conhecia, ao longo destes
cinco anos, aquele menino que quase diariamente passava
longas horas da tarde a enfrentar filas para ver e conversar
com o “barbudo”?
A persistência para com o seu desejo o mantinha
ali, atento, como um cobrador de seus direitos, afinal, se
havia sido um bom menino, estudioso e educado (como lhe fora
imposto em sua primeira vez), nada mais justo que ter seu
pedido atendido. E há muito tempo ele cobrava. Alguns,
conseqüentemente, o reconheciam a esperar na fila. Já sabiam
o que aquele menino minguado, de canelas finas e olhar
curioso iria pedir. Outros, ao vê-lo, torciam para que o
pedido fosse outro, quem sabe já havia sido atendido no ano
anterior... E outros mais “bons velhinhos” de primeira
viagem, surpreendiam-se com seus motivos para estar ali.
Eram 9h 40min e ainda estavam três crianças à sua
frente. Ele mantinha sua esperança acesa. Para o dia
seguinte, depois da aula, já tinha seu roteiro traçado em
sua mente. Quais lojas iria percorrer e, quem sabe, aquela
enorme recém inaugurada de departamentos... Quem sabe, se
não for esse bom velhinho, a poucos passos de si, talvez
possa ser o que vai encontrar amanhã, ou depois de amanhã.
Não importava mais, pois já havia decidido que aquele era o
último Natal em que iria fazer essa peregrinação..
Agora, poucos metros o separavam daquele Papai
Noel. Sabia, que por ser a última criança a ser atendida,
como brinde poderia conversar um pouco mais e quem sabe,
convencê-lo então... Aquele “friozinho” na barriga o
acompanhava desde sua primeira fila. Sempre ao se aproximar,
a esperança de ser atendido vinha em forma de rodopios e
calafrios pelo corpo. E agora, era a sua vez.
Como de costume, aquele velhinho deu seu mais
cansado “Ho Ho Ho Ho” e fez sua pergunta fatídica: - E
então, o meu garoto foi bonzinho este ano?. Pausa para um
balançar positivamente a cabeça. E em seguida, veio a grande
pergunta: - O que você gostaria de ganhar de Papai Noel
então? Ah! Quantas vezes ele respondera essa pergunta só
neste ano? E quantas no ano passado, no anterior e no
anterior, e desde o primeiro? Mas sua resposta, sempre,
também causava espanto ao olhar amiúde de todos os “bons
velhinhos”, não diferente deste, em cujo colo ele sentou e
respondeu firmemente:
- Quero conhecer o meu pai!
Algumas luzes, de algumas lojas do shopping foram
se apagando e Paulo se manteve sem resposta, sem ação diante
daquele pedido. Ele olhou para o grande relógio central da
Praça e os ponteiros informavam: 9h e 50min. Ele poderia
ficar um pouco mais com aquele menino, afinal, era seu
primeiro ano como Papai Noel e desde o primeiro dia, só o
que ouvia eram pedidos de bicicletas, videogames, bonecas
maiores que suas futuras donas, carrinhos de
controle-remoto, mas o paradeiro de um pai, isso ele ainda
não tinha ouvido.
Então, ele se recostou confortavelmente naquela
enorme poltrona vermelha, acomodou em suas pernas aquele
menino, acarinhou sua face e perguntou:
- Como é seu nome?.
E o garoto respondeu:
- Gabriel.
- E quantos anos você tem?
– Vou fazer doze o mês que vem.
- Então, Gabriel, me diga o porquê de você querer
conhecer o seu pai.
Mais uma vez, calmamente Gabriel relatou: minha
mãe morava com meus avós num sítio, numa cidade do interior
de São Paulo. Meus avós não eram os proprietários, só
cuidavam. Uma vez, os filhos dos donos vieram passar um
final de semana e minha mãe organizava a casa pra eles.
Havia um moço muito bonito, jovem, de cabelos grossos e
escuros. Minha mãe se apaixonou por ele, namoraram
escondidos naqueles dias e tempos depois eu nasci. Minha mãe
sempre me disse que decidiu não contar a meu pai que estava
grávida para não prejudicar meus avós. Eles tinham muito
receio de serem mandados embora do sítio. Depois de algum
tempo, minha mãe resolveu vir trabalhar em São Paulo. Dizia
que queria ter uma vida melhor que a que tínhamos no sítio.
Mas o que eu mais desejo, e isso Papai Noel deve saber bem,
afinal quantas e quantas vezes já ouviu este meu pedido,
não? Meu único desejo é conhecer meu pai.
Paulo não conseguiu conter sua emoção. As lágrimas
começaram a driblar sua face e como esconder seus
sentimentos por baixo daquela maquiagem, daquela barba
branca e postiça...
Enquanto ouvia Gabriel, sua mente viajou com ele
para aquele sítio. Lembrou de sua adolescência e dos amigos
da vizinhança com quem costumava farrear. Percorria a face
daquele menino a procura de um sinal, pois já havia vivido
uma história parecida. Olhou novamente o grande relógio da
praça: 22 horas. Era hora de desarmar o circo. De voltar à
sua realidade, de vestir a sua fantasia de homem cansado,
com fome, carente...
Foi então que Gabriel o trouxe à realidade:
- E então Papai Noel, vai realizar o meu pedido?
Paulo olhou novamente para aquele cenário, fitou
os olhos de Gabriel e perguntou:
- Está com fome?
E o menino respondeu:
-Claro, hoje estive em três lojas e nem tive tempo
de comer.
Paulo respirou fundo, levantou Gabriel de seu colo
e o colocou no chão. Levantou-se, estendeu sua mão enorme e
quente pelas luvas brancas e disse:
- Então vamos comer, vamos conversar e você me
conta melhor a sua história. Depois, você poderá ir para sua
casa, descansar.
O menino viu uma luz que jamais havia visto nos
olhos daquele homem. Novamente o burburinho da emoção
rodopiou seu corpo e repetiu na mente a sua promessa: este
vai ser o último ano que faço este pedido...
Histórias
de Natal – contos&crônicas –Blumenau: Ed. Nova Letra, 2006;
Conto selecionado no
Prêmio Literário Cidade de Porto Seguro/Contos Curtos –
edição 2009)
PAPAI NOEL X
MENINO JESUS
Atualmente, o
mercado capitalista vê na figura do Papai Noel, uma grande
oportunidade de faturamento. Época em que as lojas aumentam seus
estoques as propagandas são criativas e os apelos pelo consumo
saltam aos olhos. Não acho que isso seja totalmente errado, já
que todos precisam sobreviver e os compromissos ligados ao
dinheiro são necessários e eles aparecem, acontecem e a máquina
precisa se movimentar. Eu gosto muito de uma palavra chamada
“TRIPÉ”... Três valores que caminham juntos e os três se
complementam. Oração, estudo e ação... Os valores de Deus, as
coisas do mundo e o nosso trabalho. Cada ser humano deve
aprender em sua vida, saber equilibrar esses valores, para poder
viver em harmonia consigo mesmo, com as coisas do mundo e
principalmente com o criador, Deus. O Papai Noel, pode ter o seu
valor, dentro do contexto e com os seus pacotes, porém, não pode
jamais ficar separado do “Menino Jesus”. Pois Natal é a festa do
nascimento de Jesus e ele precisa nascer novamente no coração de
cada pessoa, para que todos possam completar o tripé. Neste
tripé, o menino Jesus precisa estar em primeiro lugar. O Papai
Noel vem para nós uma vez por ano, enquanto que o Menino Jesus
nos protege todos os dias do ano. O menino Jesus protege nossa
família, ilumina nossa mente, mesmo quando estamos em
dificuldades em nossas vaidades humanas. O pacote que o Papai
Noel entrega, estraga e quebra... Mas o Menino Jesus é atual,
não estraga, não quebra e nos renova sempre, basta abrir o
coração, basta procurá-lo.
Sabemos que
Natal é tempo de luz, tempo de Paz, tempo de praticar o
verdadeiro Amor. Pena que esquecemos de praticar esses valores
neste tempo tão rico e assim corremos o risco de entrar em um
novo ano com as mesmas falhas sem novos valores e continuarmos
olhando para o Papai Noel, como o único salvador da Pátria. E o
Menino Jesus, continuará esperando humildemente no presépio para
ver se alguém acorda e dê atenção ao seu chamado.
João
Prim
Conselheiro do
MCC – GER Sul IV.
09/12/09.
Jaraguá do Sul – SC.
O LEGADO E O PRESENTE
Tchello d’Barros
Estavam algumas deidades de terceiro
escalão reunidas em um quadrante próximo à Alfa Centauro, em um
recente 24 de dezembro, como fazem todo ano, desta vez tramando
sobre o destino de uma certa cidade provinciana do sul do
Brasil, quando o assunto se encaminhava para a constatação de
que o projeto foi inviável, que foram mais de 150 anos perdidos
e não valeria a pena continuar com aquele nome no mapa.
Claro que isso gerou muito calor na
discussão, pois as divindades andavam sobre a Terra e tinham lá
suas convicções, algumas bem disparatadas, é verdade, pois tudo
se tratava de distribuir bençãos ou castigos aos que tinham
feito boas ações o ano todo. E aquela cidade estava na corda
bamba.
Os mais otimistas argumentavam que
não, que deveriam deixar a cidade como está pra ver como é que
fica, pois é um povo trabalhador, muito trabalhador, trabalham
24 horas por dia, são um exemplo para o país. Mas aí um deusinho
meio comunista levantou a mão e disse que isso não quer dizer
nada, que são como formigas, que trabalham demais e a vida não é
feita só de trabalho. Então, um terceiro entrou na parada,
lembrando que não era verdade, que lá o povo gosta de festa
também, promovem grandes festanças esvaziando tantos barris de
chope quanto possível. Logo, entraram na discussão mais alguns,
lembrando que além de tudo, é a terra que mais tem mulheres
bonitas no país, que lá se fazem cristais maravilhosos, que se
faz roupa bonita como ninguém, que as bandinhas são as mais
animadas, e assim debatiam, cada vez botando mais lenha na
fogueira da discussão.
Nisso a ala pessimista entrou na
briga, lembrando que apesar de tudo, era um povo meio frio,
desconfiado com visitantes, que não se abraçavam com freqüência,
que muitos nem queriam saber de falar português, que no time de
futebol da cidade só tinha pernas-de-pau, que no inverno não
caía neve, que o rio fazia uma curva, que o chucrute estava
azedo e assim por diante. Foi o que bastou para que quase
caíssem na porrada, cada um reverberando suas certezas e
proposições.
Foi nesse momento que entrou na cena
um grupo de uns deuses esquisitos, com cada de mau, que pediram
a palavra, imediatamente concedida, e contaram que a tarefa não
era tão simples quanto se pensava, e que eles mesmos já tinham
feito tentativas individuais nesse sentido, mas sem grandes
resultados, que era preciso entrar em consenso e somente com uma
ação coletiva poderiam efetivar seu intento, pois destruir uma
cidade inteira como aquela não é tarefa fácil, ainda mais com
aquelas casas em estilo enxaimel, resistentes a tudo. A turma
toda ficou surpresa com esse depoimento e pediram mais
explicações.
Um deles contou que tentou riscar a
cidade do mapa, com algumas inundações, que isso incomodou de
fato o povo, mas sempre deram um jeito de tirar tudo de letra.
Isso causou certo pavor em alguns participantes da reunião, mas
outro apartou logo e contou que tinha tentado pelo fogo, mas o
máximo que conseguiu foi queimar o tampo de um morro das
redondezas. Outro disse então que por muitas vezes espalhou pela
cidade políticos corruptos, gente consumista, empresários
fominhas, poetas ruins e toda uma laia de gente maledicente,
invejosa e mesquinha. Lamuriou então que não adiantou de nada,
esses apenas trataram de se miscigenar com os habitantes e o
resultado está aí. Outros ainda quiseram enumerar suas
tentativas, pra contar das favelas, capivaras, academias,
argentinos, pagodeiros e outras presepadas, mas o conselho
superior interrompeu.
Estavam para
concluir e tomar uma decisão que resultasse numa ação conjunta,
pois estava visto que somente um esforço coletivo poderia levar
a cabo tão importante tarefa, quando de repente, um deusinho que
até estava meio escondido, lendo absorto qualquer coisa num
livro, pediu a palavra, ou melhor, interrompeu o conselho e foi
logo dizendo que sabia de algo na cidade que justificaria sua
continuidade, sua permanência. Todos ficaram espantados e
queriam saber do que se tratava, sendo que um já foi logo
dizendo que era o apfelstrudel, que faziam num bairro da
periferia. Outro perguntou se por acaso se tratava dos
ipês-amarelos que na primavera enfeitavam de ouro a cidade. E já
estavam todos animadinhos para darem seus pitacos quando ele
mostrou à todos o livro que tinha descoberto e trouxe da
biblioteca pública da cidade: um livro de poemas haicais. Todos
ficaram estupefatos a princípio, mas em seguida ele lhes contou
que naquela cidade viveu um grande poeta e que este escreveu
inúmeros poemas nesse estilo e até publicou vários livros e que
esses livros hoje estão à disposição do povo na biblioteca.
Já era quase meia
noite, quase 25 de dezembro, e então os deuses ouviram a leitura
dos poemas, causando comoção a todos. E foi assim que decidiram
naquela noite que a cidade deveria permanecer no mapa. Todos
deram sua benção antes de dormir.