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2009

MURAL ESPECIAL DE NATAL


 

 

 

 

 

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Apresentação.

 

Natal deveria nos lembrar paz,

Mas... não lembra!

Natal deveria nos lembrar luz,

Mas... não lembra!

Natal deveria nos lembrar alegria

Mas... não lembra!

Natal deveria nos lembrar concórdia,

Mas... não lembra!

Natal deveria nos lembrar fraternidade,

Mas... não lembra!

Natal deveria nos lembrar Amor,

Mas, não lembra!

Natal deveria nos lembrar Jesus,

Mas... lembra Papai Noel!

(Pelo menos é o que parece se olharmos em nosso redor!)

 Daí, talvez, se explique:

Guerras, ao invés de paz,

Trevas, ao invés de luz

Tristeza, ao invés de alegria

Brigas, ao invés de concórdia.

Fome, miséria, racismo, assassinatos,

Ao invés de fraternidade.

Ódio, ao invés de Amor.

Consumo, cobiça, inveja, ter,  Papais noéis,

Ao invés do Menino Deus.

 

Está na hora de rever nossos conceitos.

Está na hora de mais Jesus,

E menos Papai Noel

 

Na hora de mais verdade,

E menos hipocrisia,

 

Na hora de salvação,

E menos perdição.

 

Na hora de ouvirmos o canto dos anjos e vivenciarmos:

 

Glória a Deus nas alturas

E paz na terra aos homens de boa vontade!

 

Ou não?

 

Que assim seja.

 

É nesta intenção que apresentamos este Mural Especial de Natal.

Que Deus abençoe a todos e o Menino Deus, o Jesus Menino, renasça no coração de cada um e vos propicie um Novo Ano apenas e... tão somente... diferente. Com mais amor no coração, nos atos e nas palavras.

 

Amor, Paz e Bem, que não custa nada a ninguém!!!

 

Luiz Eduardo Caminha

 

UMA LUZ

Hoje é teu dia, meu Jesus, hoje é teu dia!
Salve o Rei! Dono dos dias que foram e virão.

Hoje é teu dia, minha Luz, hoje é teu dia!
Salve o Rei! Dono de toda Iluminação!

Hoje é teu dia, meu Senhor, hoje é teu dia!
Salve o Rei! Dono do meu coração!

Eis aí porque cantam os pássaros,
florescem as plantas e descem as águas.
Eis aí porque a mais profunda das sabedorias
torna-se vã sem a imaginação.
Eis aí o moto, o princípio, o destino
e também o porquê da brevidade das coisas.
Eis aí o que nada na seiva das árvores,
circula em nosso sangue e corre nos rios.
Eis a perene chuva de venturas
que jamais estanca!
Eis aí a Vida, a Verdade e a Luz!
Eis a simplicidade do milagre,
a morte do relógio e o fim das distâncias.

Eis JESUS!

Jairo Martins

 

NOITE DE NATAL

Lairton Trovão de Andrade

Diz o profeta Isaias:

Um Menino nascerá!

Sob o cetro do Messias,

dos céus o reino virá.

 

Noite de graça infinita,

de santa harmonia e luz,

na manjedoura bendita,

repousa o manso Jesus.

 

O Verbo da profecia,

de todo mal ilibado,

nasce da Virgem Maria

– Divino Deus Encarnado!

 

Triste foi o fim de Adão

que o mal nos deu por herança,

mas Deus, de imenso perdão,

conosco fez nova aliança.

 

Noite de grande ventura

a do Natal de Jesus:

Um Deus envolto em ternura

à salvação nos conduz.

 

Glórias a Deus nas alturas

cantam anjos na amplidão;

e as almas simples e puras

sentem paz no coração!

 



Natal Mendigo

Luiz Eduardo Caminha

Natal lembra um novo rebento,
Esperança que o mendigo sente
Triste alegria que se faz semente
Fé convertida, novo advento.

Natal estrela que lhe alumia
Por mais que lhe sofra a dor parida
Molhe o rosto a lágrima furtiva.
É menino, caminho que nos guia.

Natal é partilha do pão dormido
Que aplaca a fome do desvalido.
É felicidade quase certa.

Até que soe o sino da manhã,
Que volva mendaz a esperança vã.
Sonho vai. O mendigo desperta.


P.S.: Que no Natal possamos fazer menos mendigo o Menino Jesus!!!

Floripa, Ratones, 12.12.2009


 

 

Natal -
tempo de renascer



Mais uma chance
refazer o caminho
renascer fortaleza
vencer intempéries
ser bravo-ser doce
ternura derramada
palavra ofertada
pele acarinhada
abraço apertado
esquecer fardos pesados
perdoar a ausência
(já quase imperdoável)
beijar com carinho
(como se pela primeira vez!)

Natal,
tempo de sonhar
como será bela a incerteza
do que nem se tem certeza
se ainda virá...

Natal!
Abre as portas de tua alma!
Preserva Jesus
no aconhego do teu coração!


Lígia Antunes Leivas
Pelotas, RS
 

 

 

NATAL COM AMOR!

 

Malu Mourão

 

Os sinos dobram festivos em Belém!

A anunciar de Deus Menino, a chegada.

Daqui de meu rincão, escuto também,

O nascer sagrado de uma nova alvorada.

 

 

É Natal! Que se espalhe alegria

Em forma de doce e fraterna canção!

E de Cristo Menino, a Luz da harmonia,

Se faça presente em cada coração.

 

 

Que uma doce paz reine em cada lar!

Que um sorriso de amor brilhe em cada ser!

E quando o sino ao longe badalar,

Felizes e amados, todos possam ser.

 

 

E com o Menino Deus, em louvor a festejar,

Nesta data de esperança no amor Universal,

Os votos natalinos num coro a entoar,

Vá de coração pra coração - NUM FELIZ NATAL!

 

 

 

É NATAL

Neida Rocha

É Natal.

As pessoas

estão mais sensíveis.

Paira no ar

um cheiro

de fraternidade.

As pessoas

estão mais gentis

umas com as outras.

A emoção

está à flor da pele.

Lágrimas brotam

nos olhos

com muita

naturalidade.

O Natal deveria

ser mais vezes

por ano.

 

 

 

Na tal

Na tal da noite divina,
na tal da árvore armada,
reina o natal que ensina
o nascimento da paz celebrada!

Anair Weiricch
 

 

O NATALINO

 Para segurar-se,

vale apegar-se-Lhe às canelas.

Para o saber,

analisar Seus conselhos,

quedar-se de joelhos pela razão deles.

Viver é levantar-se e segui-LO.

 Jairo Martins

 

 


COMPROMISSO DE NATAL

Sueli do Espírito Santo

Jesus veio ao nosso mundo

com um exemplo profundo

espalhou amor por todo lado

quis projetar um mundo novo

para todo e qualquer povo

ainda assim foi crucificado

 

Neste Natal, lembremos disso

vamos assumir o compromisso

de homenagear seu aniversário

tentando imitar as suas atitudes

pois que são sagradas virtudes

do Ser perfeito e extraordinário

 

 

 

ADVENTO

 Nessa luz de comunhão 

Ame com todo carinho

Tenha paz no coração
Abra a alma, se sozinho 

Logo em breve, ele virá...

 

Ricardo Brandes

www.blogdaoktober.blogspot.com

 

 

É tempo de...



Todas as luzes

Todos os sons

Todas as cores

Todos os versos

Todos os verbos

Todas as formas

Todos os dogmas

Todos os gêneros

Todas as espécies

E um tanto mais

De sentimentos:

Dar-se em semeia constante

Entregar-se sem rédeas

Ao cenário divino da vida

E manter sempre em cartaz

O fantástico espetáculo

Do Natal.


Fátima Venutti
 

 

 

ALEGRIA NATALINA

Ilka Bosse

 A Alegria Natalina sorri...

Luzes (... milhares) dançam

exibindo o colorido "pisca-pisca"

É o Natal batendo à porta...

Novamente, fim de ano!

No longínquo horizonte

aponta o Novo Ano!

E, neste Novo Ano/2010

tudo vai ser diferente!

Os abraços mais fortes

O sorriso mais freqüente

Abraço?

Ah! O abraço!

Que em momentos

revelará saudade,

em outros, ele quer afagar

... levar felicidade

ou tentar a dor afastar

Transmitir Paz...

O meu abraço, querer

envolver-Te com calma,

acariciar Tua "AlmAmiga"

e dizer que És especial...

Ah! Mas, acima de tudo

quero semear a alegria

e que isso aconteça

em qualquer dia

(todo dia)

ou num dia qualquer

Seja o que Deus quiser!

Mas, que seja o que eu almejo

e também o que Tu almejas

Aquele Abraço diferente!

Envolvente...

Sincero!

Amigo!

Especial!

Peculiar...

Só Nosso!

... e mesmo assim, universal!

Saturado, todo dia, de...

ALEGRIA NATALINA

 

Ilka Bosse (Bailarina das Letras)

Blumenau - SC  - Brasil

Natal/2009 - Ano Novo/2010

 

 

Isnelda Weise

 apesar do mundo 

 há uma Paz permanente.

no Natal e sempre.

(reinventada por nós).

 http://agualento-isneldaweise.blogspot.com/

 

 

Estrela da paz!

É Natal!
Misteriosamente os gestos vão mudando...
Anjos, sinos ornamentando praças e vidraças,
Num encantamento tudo amorizando...

É Natal!
Aqui, ali, uma voz entoa uma cantiga
Num coro que enternece e toca o coração da gente.
De repente, todos querem se fazer presente,
Dar um abraço, lembrar uma pessoa amiga.
É um estado de graça, por menos que se diga.

Ah! Que a voz da humanidade seja um hino
Para embalar e acalentar o choro de um menino
Que nasce e renasce a cada ano no amor.

Descortinem-se as janelas
Ao repicar dos sinos.
Ascendam-se as velas dos altares.
Preparem a casa, a árvore, a mesa
Mas, por favor, homens tenham fé.

Olhem para o céu preparem o coração
Dobrem os joelhos façam uma oração
Cruzem suas mãos louvem o Salvador
Cantem uma canção vejam que esplendor!

Tenham esperança sigam aquela luz,
Que numa manjedoura, sob a estrela da paz
Para acordar os homens uma criança chora.
Nos braços de Nossa Senhora
Com a missão de salvar a humanidade,
Nasce um menino chamado Jesus!

Heralda Víctor[ In " Nos Degraus do Silêncio, p-34]

 

 

 

Enquanto meu pai não vem...

 Fátima Venutti

           Mais uma vez ele conferiu as horas em seu relógio: eram nove e meia da noite. Olhou para a fila e recontou, pela quarta vez, quantas crianças estavam à sua frente: sete. Mais uma vez ele prometeu a si mesmo: este será o último Natal que peço este presente.

          Enquanto esperava, sua mente recapitulava a primeira vez, há cinco anos, quando resolvera entrar numa fila para ver o bom velhinho de perto e descobriu que tinha direito a fazer um pedido (caso tivesse sido um “bom menino”). E como aquele momento era tão especial e, anual, sabia que não poderia desperdiçar com qualquer coisa ou bobagem. Foi então que resolvera pedir algo especial e que pudesse realmente transformar sua vida.

          Em cinco anos seguidos este sempre fora o momento mais aguardado do ano. Já no final de novembro, começava a sua excitação. Percorria todos os shoppings e lojas do bairro a fim de conferir se o bom velhinho colocaria sua enorme cadeira e tapetes vermelhos para receber incansavelmente as crianças, ouvir e registrar seus pedidos de Natal. E qual Papai Noel não conhecia, ao longo destes cinco anos, aquele menino que quase diariamente passava longas horas da tarde a enfrentar filas para ver e conversar com o “barbudo”?

          A persistência para com o seu desejo o mantinha ali, atento, como um cobrador de seus direitos, afinal, se havia sido um bom menino, estudioso e educado (como lhe fora imposto em sua primeira vez), nada mais justo que ter seu pedido atendido. E há muito tempo ele cobrava. Alguns, conseqüentemente, o reconheciam a esperar na fila. Já sabiam o que aquele menino minguado, de canelas finas e olhar curioso iria pedir. Outros, ao vê-lo, torciam para que o pedido fosse outro, quem sabe já havia sido atendido no ano anterior... E outros mais “bons velhinhos” de primeira viagem, surpreendiam-se com seus motivos para estar ali.

          Eram 9h 40min e ainda estavam  três crianças à sua frente. Ele mantinha sua esperança acesa. Para o dia seguinte, depois da aula, já tinha seu roteiro traçado em sua mente. Quais lojas iria percorrer e, quem sabe, aquela enorme recém inaugurada de departamentos... Quem sabe, se não for esse bom velhinho, a poucos passos de si, talvez possa ser o que vai encontrar amanhã, ou depois de amanhã. Não importava mais, pois já havia decidido que aquele era o último Natal em que iria fazer essa peregrinação..

          Agora, poucos metros o separavam daquele Papai Noel. Sabia, que por ser a última criança a ser atendida, como brinde poderia conversar um pouco mais e quem sabe, convencê-lo então... Aquele “friozinho” na barriga o acompanhava desde sua primeira fila. Sempre ao se aproximar, a esperança de ser atendido vinha em forma de rodopios e calafrios pelo corpo. E agora, era a sua vez.

          Como de costume, aquele velhinho deu seu mais cansado “Ho Ho Ho Ho” e fez sua pergunta fatídica: - E então, o meu garoto foi bonzinho este ano?. Pausa para um balançar positivamente a cabeça. E em seguida, veio a grande pergunta: - O que você gostaria de ganhar de Papai Noel então?  Ah! Quantas vezes ele respondera essa pergunta só neste ano? E quantas no ano passado, no anterior e no anterior, e desde o primeiro? Mas sua resposta, sempre, também causava espanto ao olhar amiúde de todos os “bons velhinhos”, não diferente deste, em cujo colo ele sentou e respondeu firmemente:

           - Quero conhecer o meu pai!

          Algumas luzes, de algumas lojas do shopping foram se apagando e Paulo se manteve sem resposta, sem ação diante daquele pedido. Ele olhou para o grande relógio central da Praça e os ponteiros informavam: 9h e 50min. Ele poderia ficar um pouco mais com aquele menino, afinal, era seu primeiro ano como Papai Noel e desde o primeiro dia, só o que ouvia eram pedidos de bicicletas, videogames, bonecas maiores que suas futuras donas, carrinhos de controle-remoto, mas o paradeiro de um pai, isso ele ainda não tinha ouvido.

          Então, ele se recostou confortavelmente naquela enorme poltrona vermelha, acomodou em suas pernas aquele menino, acarinhou sua face e perguntou:

           - Como é seu nome?.

          E o garoto respondeu:

          - Gabriel.

          - E quantos anos você tem?

          – Vou fazer doze o mês que vem.

          - Então, Gabriel, me diga o porquê de você querer conhecer o seu pai.

          Mais uma vez, calmamente Gabriel relatou: minha mãe morava com meus avós num sítio, numa cidade do interior de São Paulo. Meus avós não eram os proprietários, só cuidavam. Uma vez, os filhos dos donos vieram passar um final de semana e minha mãe organizava a casa pra eles. Havia um moço muito bonito, jovem, de cabelos grossos e escuros. Minha mãe se apaixonou por ele, namoraram escondidos naqueles dias e tempos depois eu nasci. Minha mãe sempre me disse que decidiu não contar a meu pai que estava grávida para não prejudicar meus avós. Eles tinham muito receio de serem mandados embora do sítio. Depois de algum tempo, minha mãe resolveu vir trabalhar em São Paulo. Dizia que queria ter uma vida melhor que a que tínhamos no sítio. Mas o que eu mais desejo, e isso Papai Noel deve saber bem, afinal quantas e quantas vezes já ouviu este meu pedido, não? Meu único desejo é conhecer meu pai.

          Paulo não conseguiu conter sua emoção. As lágrimas começaram a driblar sua face e como esconder seus sentimentos por baixo daquela maquiagem, daquela barba branca e postiça...

          Enquanto ouvia Gabriel, sua mente viajou com ele para aquele sítio. Lembrou de sua adolescência e dos amigos da vizinhança com quem costumava farrear. Percorria a face daquele menino a procura de um sinal, pois já havia vivido uma história parecida. Olhou novamente o grande relógio da praça: 22 horas. Era hora de desarmar o circo. De voltar à sua realidade, de vestir a sua fantasia de homem cansado, com fome, carente...

          Foi então que Gabriel o trouxe à realidade:

          - E então Papai Noel, vai realizar o meu pedido?

          Paulo olhou novamente para aquele cenário, fitou os olhos de Gabriel e perguntou:

           - Está com fome?

          E o menino respondeu:

          -Claro, hoje estive em três lojas e nem tive tempo de comer.

          Paulo respirou fundo, levantou Gabriel de seu colo e o colocou no chão. Levantou-se, estendeu sua mão enorme e quente pelas luvas brancas e disse:

          - Então vamos comer, vamos conversar e  você me conta melhor a sua história. Depois, você poderá ir para sua casa, descansar.

          O menino viu uma luz que jamais havia visto nos olhos daquele homem. Novamente o burburinho da emoção rodopiou seu corpo e repetiu na mente a sua promessa: este vai ser o último ano que faço este pedido...

 Histórias de Natal – contos&crônicas –Blumenau:  Ed. Nova Letra, 2006;

Conto selecionado no  Prêmio Literário Cidade de Porto Seguro/Contos Curtos – edição 2009)

 

 

 

 

PAPAI NOEL X MENINO JESUS

Atualmente, o mercado capitalista vê na figura do Papai Noel, uma grande oportunidade de faturamento. Época em que as lojas aumentam seus estoques as propagandas são criativas e os apelos pelo consumo saltam aos olhos. Não acho que isso seja totalmente errado, já que todos precisam sobreviver e os compromissos ligados ao dinheiro são necessários e eles aparecem, acontecem e a máquina precisa se movimentar. Eu gosto muito de uma palavra chamada “TRIPÉ”... Três valores que caminham juntos e os três se complementam. Oração, estudo e ação... Os valores de Deus, as coisas do mundo e o nosso trabalho. Cada ser humano deve aprender em sua vida, saber equilibrar esses valores, para poder viver em harmonia consigo mesmo, com as coisas do mundo e principalmente com o criador, Deus. O Papai Noel, pode ter o seu valor, dentro do contexto e com os seus pacotes, porém, não pode jamais ficar separado do “Menino Jesus”. Pois Natal é a festa do nascimento de Jesus e ele precisa nascer novamente no coração de cada pessoa, para que todos possam completar o tripé. Neste tripé, o menino Jesus precisa estar em primeiro lugar. O Papai Noel vem para nós uma vez por ano, enquanto que o Menino Jesus nos protege todos os dias do ano. O menino Jesus protege nossa família, ilumina nossa mente, mesmo quando estamos em dificuldades em nossas vaidades humanas. O pacote que o Papai Noel entrega, estraga e quebra... Mas o Menino Jesus é atual, não estraga, não quebra e nos renova sempre, basta abrir o coração, basta procurá-lo.

Sabemos que Natal é tempo de luz, tempo de Paz, tempo de praticar o verdadeiro Amor. Pena que esquecemos de praticar esses valores neste tempo tão rico e assim corremos o risco de entrar em um novo ano com as mesmas falhas sem novos valores e continuarmos olhando para o Papai Noel, como o único salvador da Pátria. E o Menino Jesus, continuará esperando humildemente no presépio para ver se alguém acorda e dê atenção ao seu chamado.

 João Prim

Conselheiro do MCC – GER Sul IV.

09/12/09. Jaraguá do Sul – SC.

 

 

 

O LEGADO E O PRESENTE

Tchello d’Barros

 Estavam algumas deidades de terceiro escalão reunidas em um quadrante próximo à Alfa Centauro, em um recente 24 de dezembro, como fazem todo ano, desta vez tramando sobre o destino de uma certa cidade provinciana do sul do Brasil, quando o assunto se encaminhava para a constatação de que o projeto foi inviável, que foram mais de 150 anos perdidos e não valeria a pena continuar com aquele nome no mapa.

Claro que isso gerou muito calor na discussão, pois as divindades andavam sobre a Terra e tinham lá suas convicções, algumas bem disparatadas, é verdade, pois tudo se tratava de distribuir bençãos ou castigos aos que tinham feito boas ações o ano todo. E aquela cidade estava na corda bamba.

Os mais otimistas argumentavam que não, que deveriam deixar a cidade como está pra ver como é que fica, pois é um povo trabalhador, muito trabalhador, trabalham 24 horas por dia, são um exemplo para o país. Mas aí um deusinho meio comunista levantou a mão e disse que isso não quer dizer nada, que são como formigas, que trabalham demais e a vida não é feita só de trabalho. Então, um terceiro entrou na parada, lembrando que não era verdade, que lá o povo gosta de festa também, promovem grandes festanças esvaziando tantos barris de chope quanto possível. Logo, entraram na discussão mais alguns, lembrando que além de tudo, é a terra que mais tem mulheres bonitas no país, que lá se fazem cristais maravilhosos, que se faz roupa bonita como ninguém, que as bandinhas são as mais animadas, e assim debatiam, cada vez botando mais lenha na fogueira da discussão.

Nisso a ala pessimista entrou na briga, lembrando que apesar de tudo, era um povo meio frio, desconfiado com visitantes, que não se abraçavam com freqüência, que muitos nem queriam saber de falar português, que no time de futebol da cidade só tinha pernas-de-pau, que no inverno não caía neve, que o rio fazia uma curva, que o chucrute estava azedo e assim por diante. Foi o que bastou para que quase caíssem na porrada, cada um reverberando suas certezas e proposições.

Foi nesse momento que entrou na cena um grupo de uns deuses esquisitos, com cada de mau, que pediram a palavra, imediatamente concedida, e contaram que a tarefa não era tão simples quanto se pensava, e que eles mesmos já tinham feito tentativas individuais nesse sentido, mas sem grandes resultados, que era preciso entrar em consenso e somente com uma ação coletiva poderiam efetivar seu intento, pois destruir uma cidade inteira como aquela não é tarefa fácil, ainda mais com aquelas casas em estilo enxaimel, resistentes a tudo. A turma toda ficou surpresa com esse depoimento e pediram mais explicações.

Um deles contou que tentou riscar a cidade do mapa, com algumas inundações, que isso incomodou de fato o povo, mas sempre deram um jeito de tirar tudo de letra. Isso causou certo pavor em alguns participantes da reunião, mas outro apartou logo e contou que tinha tentado pelo fogo, mas o máximo que conseguiu foi queimar o tampo de um morro das redondezas. Outro disse então que por muitas vezes espalhou pela cidade políticos corruptos, gente consumista, empresários fominhas, poetas ruins e toda uma laia de gente maledicente, invejosa  e mesquinha. Lamuriou então que não adiantou de nada, esses apenas trataram de se miscigenar com os habitantes e o resultado está aí. Outros ainda quiseram enumerar suas tentativas, pra contar das favelas, capivaras, academias, argentinos, pagodeiros e outras presepadas, mas o conselho superior interrompeu.

Estavam para concluir e tomar uma decisão que resultasse numa ação conjunta, pois estava visto que somente um esforço coletivo poderia levar a cabo tão importante tarefa, quando de repente, um deusinho que até estava meio escondido, lendo absorto qualquer coisa num livro, pediu  a palavra, ou melhor, interrompeu o conselho e foi logo dizendo que sabia de algo na cidade que justificaria sua continuidade, sua permanência. Todos ficaram espantados e queriam saber do que se tratava, sendo que um já foi logo dizendo que era o apfelstrudel, que faziam num bairro da periferia. Outro perguntou se por acaso se tratava dos ipês-amarelos que na primavera enfeitavam de ouro a cidade. E já estavam todos animadinhos para darem seus pitacos quando ele mostrou à todos o livro que tinha descoberto e trouxe da biblioteca pública da cidade: um livro de poemas haicais. Todos ficaram estupefatos a princípio, mas em seguida ele lhes contou que naquela cidade viveu um grande poeta e que este escreveu inúmeros poemas nesse estilo e até publicou vários livros e que esses livros hoje estão à disposição do povo na biblioteca.

Já era quase meia noite, quase 25 de dezembro, e então os deuses ouviram a leitura dos poemas, causando comoção a todos. E foi assim que decidiram naquela noite que a cidade deveria permanecer no mapa. Todos deram sua benção antes de dormir.


 

Organização:

Luiz Eduardo Caminha

dasletras@stmt.com.br

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