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2009

 


 

 

 

 

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MADAME

 

Tchello d'Barros

 

a danada

da amada

 

uma dona

que me dana

 

uma dama

que me doma

 

nada muda

essa madame

 

me dá medo

se me ama

 

 

   

 

 

VESTIDO AZUL

Fátima Venutti (12/03/ 08)



O corpo que chama
Declama na áurea a alma...
Sussurros de bel-prazer.

As vestes que vestem
Revestem os desejos,
Investem em despidos delírios
Insanos de mútuos desejos.

Na malha que baila,
Ao vento desfila o azul que instiga,
Confundem-se as vozes
Que clamam um último beijo,
O enlace do abraço infinito.

Partida.
Investe, e implora, sôfrega,
Um único respiro de bocas.
O olhar permuta com as palavras
E os perfumes enroscam-se
Nas tranças e tramas de um passado.

A mulher,
Foi-se com os respingos da chuva.
Na madrugada que adentra,
Pela estrada do regresso,
O vestido azul ainda baila
na mente devassa do amante.

 




PRA ONDE EU VOU?

Fátima Venutti


Pelas tardes ensolaradas,
Correr descalça na estrada de terra batida;
Sentir a poeira da estrada abraçando o corpo,
Avermelhando roupas e cabelos.
Subir em mangueiras, goiabeiras e avistar
Jabuticabeiras silvestres do outro lado do rio.
Saltar, de roupa e tudo, dentro desse rio...
E ao som do tchbum
Reter-me confessa no ventre do meu passado.

Acordar ao som do megafone do comerciante de rua;
Recolher a leiteira cheia de leite fresco e nata amarela;
Sentir o cheiro de café passado em saco de algodão;
Lambuzar o pão caseiro de mel e recolher-me à infância
Numa rede esticada entre as seringueiras do quintal.

Rever a velha estação de trem,
Sentar à beira dos trilhos e buscar o som do apito...
Rever casas de infância, cheiros e quintais,
Jardins e flores, sonoros vendavais.

Respirar raízes, formas e os jasmins
De uma cidade e de um tempo
Que somente na minha memória ainda vive adormecido.

 


SOBRE ONDAS

 Ilka.bosse@terra.com.br

Sobre ondas...
Segue o vôo das gaivotas
Aos ouvidos...
O murmurar das águas
Aos olhos...
Abre-se a guerra da natureza
Às vezes, indefesa

Encantamento confunde-se
E sai em busca do medo
Que nasce entre rochas e o mar
Erguem-se trêmulas mãos em aceno
Debatendo-se na tentativa de voltar

Um misto de deslumbre
Acalma desesperadas vozes
Que dançam entre dentes...
Calam-se gritos estridentes
Que voam velozes

Asas incansáveis
Cautelosas no pousar
Na alva areia, instáveis
Aterrissando devagar

Tímidos pés sustentam-se
Sob castelos edificados
Em instantes, serão levados
Lavados...
Pelas ondas
Esvaem-se os castelos
Sem rastros deixar
Entre rochas e o mar





TRAPOS e FARRAPOS

 Ilka.bosse@terra.com.br


A ramagem do silêncio, no frio
Disfarça os sons, até o assobio.
Grade enferrujada enramalhada
Na varanda esquecida, sombria, sem nada.

Na boca das ruelas bocejam sonhos em trapos,
Que já foram sonhos no subúrbio, agora são farrapos.
Brincam crianças no estúpido abandono,
Paupérima “realeza”, braços estendidos, sem dono.

Lágrima escapa ardente pela face triste
Clamando... Amor!
Na incerteza que este alimento existe.
Ronda sombra, foge lânguida memória.
Cavalga vazia...
A esperança de ter apenas um dia de glória.

Dorme-se desacordado ou acordado.
Dorme-se de qualquer jeito, desanimado.
Com o estômago em piruetas, embolando.
Durará esta dor da fome, até quando?

Ergue-se o tecer de alertas a todos os instantes,
Igual lona de circo, nas mãos dos governantes.
Quando desarmada não abriga, nem traz alento.
Realidade desmiolada...
Edificando um cárcere ambíguo,
Sem futuro, sem educação, sem sustendo.
Continuam os sonhos,
A fome, os trapos e farrapos.

 

 

EVA
FACES DE EVA
FASES DE EVA
FÁCEIS DE EVA
FOSSAS DE EVA
FODAS DE EVA

Eva deu-se e Evadiu-se.
Eva deusa é vadia.
Eva nasceu e Evanesceu.
Eva pariu e Evaporou.
Eva angélica Evangélica
É vazia e Evasiva.
Eva deu de maçã, de tarde e de noite.
Três vezes, EVA? TREVAS!
Evas dão.
Ah... Dão!
Adão? Ah! Não!
Anão?
A não ser filho de Eva...

Jairo Martins
 



IDADE DA PEDRA

Jairo Martins

Todas as flechas
arqueiam perante o arco-íris.
Todas as metas
se confundem no espaço sideral.
Todos os poetas
já disseram o que dizes
e todos os anjos
já foram de Neanderthal.
Resta uma fresta fronte à testa
pronta para a festa.
Mas esta divisão
requer um pouco de visão.
Mesmo que contes àlguem
que te conto isto,
nem soma na conta disto,
pois quebrar crânios é fácil,
difícil encontrar sementes...


 

JUSTIÇA

Paulo Bornhoffen



 

Dedicado a José Endoença Martins

PALAVRA DA NOITE

Jairo Martins

O dia odiava a noite, porque silenciosa e escura.
A noite observava muda, nada dizia.
Um belo dia quando se escondeu,
Veio a noite mais escura que breu e lhe disse:
sou eu qu’estou sempre no mesmo lugar.
Tu apenas interrompes um espaço de mim.
Sou eu que perduro e no meu escuro
por vezes apareces como se fosse príncipe.
Tua capa, alternadamente surge na Terra,
mas enquanto por ali te levantas,
meus véus se estendem por todos os céus.
E por aí, meu querido dia,
o que pensas ser noite
é apenas sombra de ti em outro lugar.
Depois, dia após dia,
entenderás na claridade a vastidão da noite.
Depois disto, e somente depois te direi: BOM DIA!
... ou BOA NOITE, quem sabe.





SABIÁ I

Jairo Martins


Canta sabiá do bom agouro
Que teu canto é logradouro
Pra expiar as minhas mágoas.

Canta sabiá que é vindouro
No teu canto um rio de ouro
Em teu trinado ricas águas.

Canta sabiá o trilo agreste
Enquanto a mata se reveste
Em tom alegre musical.

Canta sabiá que já me deste
O doce gosto tão silvestre
Vem cantar no meu quintal.

Canta sabiá preta plumagem
Que a vida é uma viagem
Toda feita de beleza.

Canta sabiá nessa paisagem
O teu canto é de passagem
E guardarei sua riqueza.

Canta sabiá uma vez mais
Que aqui serei capaz
De aprender a cantoria.

Canta sabiá manhãs florais
Que teu canto é de paz
E eu só quero harmonia.

Canta sabiá na minha eira
Melodia tão fagueira
Que eu só quero escutar

Canta sabiá na mata inteira
O teu canto é de primeira
E eu até quero voar



TRINTITULADO

Jairo Martins

MANTENÇA DA VIDA
MÃO TENSA NA VIDA
NÃO PENSA NA VIDA


A gota de mar bóia em sonho de si,
Sem saber que navega oceano.
Pinga e escorre aqui e ali,
Conta seu tempo ano após ano.

Não imagina que lhe são dadas
Crença e busca duma tal felicidade,
Quando na verdade, as gotas estão encerradas
Na condição do assim ser desta brevidade.

Eis que passa o tempo varrendo as quimeras,
Tornando efêmeras suas ambições.
E todas as gotas evaporam deveras
No rescaldo das próprias ações.

Para o corpo, este ar que se respira.
Para o ser, a inexplicável esperança.
Se um dos dois de nós se retira,
Não há depois, rompe-se a trança.

 



TRÊS CACHORROS

Jairo Martins


Lá tem três cachorros.
Um vira a lata quando late
Outro late ao vira-lata
E o vira-lata late aos dois.
Latem três cachorros.

Ui! Vão três cachorros
por um pedaço de osso,
Do mais velho ao mais moço
Uivam três cachorros!

Lá é um chinês que adora cachorros.





POERMO

Jairo Martins

Embebedo-me simplesmente.
Talvez seja dos mais ricos do mundo,
mas sinto-me mais pobre ou podre, sei lá.
O que posso e não faço,
o que quero e não tenho,
o que está a meu alcance e não pego,
o que tenho e não quero...
Enfim, o que faço de mim,
talvez maldizendo-me com nãos,
meus sins espalhar
por calçadas trilhadas a pés nus
como se carniça fossem alimento aos urubus.
Mas na rua, verte sangue de carne crua
e pergunto:
quem se cria ou se cura dessa vida de poesia?
Outro tanto e te farto.
Estou farto de pranto!
No entanto,
insisto em dizer do parto,
derramar alma na rua,
enxugar lágrimas em lençol de lua...
Essas coisas que o sol não vê,
mas seca quando está.
Essas coisas ficam à sombra dum canto de meio-fio,
limo ou ostra medrando no limbo de pés passantes,
esses instantes pelos quais ninguém dá nada e,
quem sabe, nem dêem nada a ninguém.
O ralo do bueiro grita poesia também!
O rato ama o açougueiro
tanto quanto o boi ama o capim.
E a faca da vida retalha esse "poermo" em mim.

 

 

CANTADOR

(Música & letra de Luiz Alberto Machado)

A vida passa em cada passo do caminho
Vou passarinho professando a minha fé
Vou bem cedinho pela estrada que se espalma
O Nordeste em minha alma
Nos catombos do trupé
Vou Severino percorrer légua tirana
Com toda aventura humana
No solado do meu pé.

Sou cantador
E carrego no canto
Minha vida no manto
Que reveste o valor
Pra onde eu for
Eu me valha do encanto
Pra chegar em qualquer canto
Com a verdade do amor.

Vou com meu canto em cada canto lado a lado
Vou com cuidado afinando o meu gogó
Sem ter espanto, todo só de luz armado
Tino aceso e aprumado
Evitando um quiprocó.
Vou confiante, entre o céu e a terra, a ponte
No destino do horizonte
Vou bater até no sol.

Sou cantador
E carrego no canto
Minha vida no manto
Que reveste o valor
Pra onde eu for
Eu me valha do encanto
Pra chegar em qualquer canto
Com a verdade do amor.

Digo bem alto e minha crença toma abrigo
Sem ter asilo na redoma do mundão
Sigo o sermão no rumo a rota do estradeiro
Assuntando o paradeiro
Na melhor entonação.
Passo nos peitos a ficar comendo orvalho
Se cantar é o meu trabalho
Deus me dê toda canção.

Sou cantador
E carrego no canto
Minha vida no manto
Que reveste o valor
Pra onde eu for
Eu me valha do encanto
Pra chegar em qualquer canto
Com a verdade do amor.



CRENÇA

Letra & Música de Luiz Alberto Machado

É preciso respeitar melhor a vida
no amor que traz a paz que é tão bem-vinda.
Amar para se ter além do passional
e o coração valer o ser humano universal.

É preciso respeitar as diferenças
e não se equiparar ao que é hostil nas desavenças.
Lutar contra a mantença desigual
que forja o algoz na força do poder irracional.

Se entregar agora, todo dia e a noite inteira,
testemunhar assim as coisas verdadeiras.
Colher a lágrima do olhar mais desolado
para irrigar a sede do carinho devastado.

É preciso ter no olhar a flor da vida,
trazer a luz do sol nas mãos amanhecidas.
E perceber o amor no menor gesto natural
para valer o sonho mais presente mais real.

E afinal poder sorrir
como quem vai feliz viver,
a manter a crença e o seu proceder na paz.
Semear a vida no ideal de colher
o que virá depois
pra ser alegria imensa para um, mais dois, mais!
Viver a vida pelo que foi e será, é e será!

 


 

HÁ PAZ NO FIM DO TÚNEL

Lucy Nazaro

Corações divididos esvaídos choram e oram
Traídos na bestialidade deszoomorfizada do homem
Perdido, enredado, acuado, escondido
No sem sentido do ser que vaga sozinho de si mesmo

Enquanto isso o cósmico conspira com ele
Recolhendo lágrimas reticentes escoando da terra
Manchando o eterno éden premeditada primavera
Que era uma idéia, se fez verbo e depois morte.

Mas já brilha azul o horizonte do medo
Lábios coloridos mostram sorrisos de paz
Há esperança enraizada em coração enredo
Do homem-menino que no amor se faz

Abraços, enlevos macios, sonhos e futuro alento
Riscam os ares da vivência vermelha que reclama
Apontando olhos de criança sorrindo no verde vento
Que trará luz, enfim, para a alma humana

E, fazemos versos regaços em laços de abraços com as mãos pedintes do amor da Paz


 

 

PEQUENOS GESTOS...GRANDES SENTIMENTOS

Mercêdes Pordeus
Recife/Brasil

Um desejo de bom dia
Rompe o silêncio absoluto
Dá ao semelhante a garantia
De desarmar o interno luto.

Um abraço... Reedita uma história
Transforma uma vida simplória
Dela varre a parte vivida inglória
Para que na solidariedade alcance vitória.

Um toque... Rompe as barreiras
Abre entre os povos as fronteiras
Deixa a paz reinar na vida inteira
Transformando-a em boa sementeira.

Um gesto de carinho... Um afago
Tira do semelhante o gosto amargo
Que a vida possa ter-lhe imposto
Ao seu longo através do desgosto.

Um gesto de bondade... E ternura
Apaga de uma vida um triste cenário
Acorda o irmão com brandura
E torna o mundo mais igualitário.

Pequenos gestos que nos aproximam
Minimizam da vida o sofrimento
Afastam atitudes que nos aniquilam
E desabrocham grandes sentimentos
 

 

VERBO
 

Raquel Gastaldi

Ensaio palavras,
Imagino você.
Meu coração se
Alegra,
Só ao pensar
Em te ver.
As lágrimas tombam
Na emoção
Do teu olhar,
Precisando do
Teu corpo
Para bailar
Num incessante
Verbo amar.

 

 

VOLTA

Raquel Gastaldi

Porque te vás,
Assim tão veloz
E irredutível?
Não vês,
Que tua ausência entristece
Minha alma?
Por um acaso,
Não vês a dor que agora
Devora-me?
Deixe de lado os grilhões argolados
Que nos aprisionam,
Sinta o frescor
Do amanhã que nos embriaga,
O sol que nos mantém nesse calor
Transpirante de amor e paixão,
Não te vás,
Deixando-me em confusão,
Não te vás de um sempre,
Por favor.
Volta,
Para alegrar
Este coração.


 

 

A MULHER QUE ME HABITA
 

Raquel Gastaldi

Nasceu no frio de junho,
Final dos idos de cinqüenta.

A mulher que me habita,
Passou a infância
No bairro da velha.

A mulher que me habita,
Brincou de boneca,
Comidinha, bolinha de gude,
Bola e adorava bicicleta.

A mulher que me habita,
Viajou na adolescência,
Pelo infinito dos céus,
Brincando com a lua
E contando estrelas.

A mulher que me habita,
Procurou explicações,
Para as palavras que
Fervilhavam em
Sua mente juvenil.

A mulher que me habita,
Escrevia em velhas cadernetas
Suas fantasias.
.

A mulher que me habita,
Largou a boneca,
Cortou
As longas madeixas e se pos
A trabalhar.

A mulher que me habita,
Apaixonou-se perdidamente
Pelo seu primeiro
E grande amor.

A mulher que me habita,
Chorou a incompreensão
Do amor,
Na realidade nua e
Crua da carne.

A mulher que me habita,
Casou, se fez mãe.
Estava completa pensou.

A mulher que me habita,
Amou seus três rebentos,
Mas o casamento acabou.

A mulher que me habita,
Chorou novamente a desunião,
Tendo que conviver agora
A quatro a sua situação.

A mulher que me habita,
Lutou e contou com a ajuda
De anjos protetores,
Para seus filhos, não
Passarem fome.

A mulher que me habita,
Foi ao fundo do poço,
Mas voltou, cresceu,
Amadureceu.

Cruzou novos caminhos,
De dia e de noite,
Onde encontrou a paz
Em uma nova estrada.


A mulher que me habita,
Associou-se a poesia da cidade,
Divulgando assim seus
Textos engavetados.

A mulher que me habita,
Tem hoje consciência
Dos erros e acertos
Que a vida lhe ensinou.

Ah, essa mulher que me habita,
Ela sabe esperar,
Falar e agir,
Também sabe explodir,
Mas antes de tudo,
Sabe que a vida
Tem seu fim.

A mulher que me habita,
Tem consciência que
Sua vida será eterna,
Enquanto sua
Descendência existir.


 

 

Fantasmas de Uma Noite Fria.


(Sávio Assad)


Olhos gelados me espreitam e através
de minha alma, transpassa o silêncio.

Sinto o frio invadir meus sentimentos e corro
desesperado a procura de seus braços.

Os olhos a lagrimejar, nesta tempestade
do vazio, que se implantou no meu ser.

Sou presa fácil e queres apoderar do meu
corpo, já cansado pelo tempo, sem fôlego.

Sou o reflexo dos meus pensamentos, com
medo de estar sozinho, com medo da solidão.

Niterói - RJ - 28/6/2009

 

 

Amigo, Filho, Irmão...
Ao meu filho Alexandre.

Luiz Eduardo Caminha


Amigo,
Filho,
Irmão,
Quão comigo pareces?

Coração de ouro,
Ternura sem fim,
Um pouco rude,
Às vezes.

Emoção na boca,
Coração na mão,
Sempre pronto a amparar.

Teu ombro,
Uma tábua de consolo.
Tua coragem,
Um estímulo à decisão.

Frutos de uma mesma árvore,
Uma que já deu frutos,
Outra, tu, vicejante,
Preparada para frutificar.

Filho,
Amigo,
Irmão,
Obrigado por existir.

Que tua vida siga,
Avante, triunfante,
Corrigindo erros,
(lamentavelmente)
Que te fiz herdar.

Erros cheios de boas intenções,
Cheios de esperança,
Em te ver triunfar!

 


IMPLACÁVEL TEMPO

Luiz Eduardo Caminha

Às vezes o tempo,
Ah!, este implacável tempo,
Toma meu tempo
Como se meu tempo tivera.

Me põe a correr, mecanicamente,
Ao redor de mim mesmo,
Como os ponteiros de um relógio.

E ele, o tempo, que por certo asas tem,
Voa errante e leva junto,
Meio que aos trambolhões,
O meu ser, o meu querer.

Até mesmo meus afazeres,
O atrevido, não contente,
Leva também, para marcar,
Como se meu senhor o fosse,
O compasso dos meus passos.

Um estalo, feito um raio,
De repente, num bilhete,
Estranha meu silêncio,
Me refaz, me reconduz!

Os meus trilhos re-ocupo,
Minhas trilhas eu refaço,
Feliz, respiro novos ares,
Grande abraço, voltei!!!
 

 

TENTE OUTRA VEZ...

Ilda Maria Costa Brasil - Porto Alegre - RS

Frente ao primeiro não,
pensei em desistir,
mas uma voz interior disse-me:
– Tente outra vez!”
Com lágrimas nos olhos
e muita dor, recomecei.
Processo esse lento e sofrido.
Parei... pensei e a ideia de desistir
voltou a me atormentar, mas,
de repente, uma fadinha chegou
e docilmente falou:
“– Seja forte e tente outra vez!”

 


ESPLENDOR QUE EMBRIAGA

Ilda Maria Costa Brasil - Porto Alegre - RS

Um sorriso, seja de criança
ou de adulto,
é um esplendor que embriaga.
Num sorriso, podemos obter
inúmeras informações
quanto ao caráter
e a personalidade de alguém.
Alguns irradiam luzes
e são portadores de afeto,
de amor e de carisma;
outros nos causam calafrios
por serem providos de ironia,
dissimulação e hipocrisia.
Um sorriso, quando natural
e espontâneo, é esplendor
que embriaga e nos enche
de paz, harmonia e satisfação.

 


POR QUE DESISTIR?

Ilda Maria Costa Brasil - Porto Alegre - RS

Desistir somente depois de ser feito
tudo o que é possível.
Desistir, com certeza, sem sentir-se
uma derrotada e, sim, fortalecida,
para traçar nova história de vida.
Desistir sempre quando, após,
não medir esforços
para tudo ser realizado com sucesso
e nada de novo acontecer.
Desistir exige reflexão e maturidade!

 


A VIDA SE ABRE!


Ilda Maria Costa Brasil - Porto Alegre - RS

Em inúmeros momentos,
a vida se abre.
São muitas as portas:
da fecundação;
do nascimento;
da adolescência;
da maturidade
e da velhice.
Em cada fase, há muito
que aprender e ensinar.
Ora somos contemplados
com grandes feitos
e superações;
ora com obstáculos
e dificuldades,
fatores que mantém as portas
da vida sempre abertas.

 

Organização:

Luiz Eduardo Caminha

dasletras@stmt.com.br

 

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