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HAI CAIS
Benedita Azevedo
1º
quadro
Do alto da montanha
olhando a neve ao redor -
Filhote de urso.
2ª quadro
Em meio ao azul
relaxo de olhos fechados -
domingo de sol.
3º quadro
Deitado na neve
com as pernas a embalar -
Ai, que manhã fria!
4º quadro
Misturam-se à neve
os pelos brancos do ursinho -
Montanha polar.
5º
quadro
Montanha de neve -
Olha o mundo das alturas
o urso polar.
6º quadro
Quentinho abraço -
dois ursinhos sobre a neve
trocam carícias.
7º quadro
ternura e aconchego -
dorme nos braços da mãe
filhote de urso.
TRILHOS DA VIDA
Alba Albarello
Nos trilhos da história
Há muitas estações,
Momentos que marchamos,
Para não perder o trem.
Na vida,
Temos quatro momentos:
Da primeira,
A quarta marcha.
A escolha,
È a chave...
A consciência,
É o saber.
Na primeira marcha
Os caminhos,
Guardam linhas,
Da infância.
Na segunda marcha
A trilha,
Da responsabilidade,
E do conhecer.
Na terceira marcha
Amor, aos entes queridos,
Para que não exista
A trilha espinhosa.
Na quarta marcha
Das conquistas, das vitórias,
Das esperanças, o poder da fé,
Colorindo a vida, de flores e perfumes..
É na marcharé,.
Como uma fonte, eterna e viva,
Momento de não ficar
Na contramão da direção
Como a sombra que passa
Para bem viver cada estação.
Como um farol, iluminando a tua estrada,
Não existem mapas, para quem marcha sozinho.
Não estacionar,
Com receio de ir em frente,
Perdendo o expresso no querer,
Apagando a probabilida de crescer.
FIM DE SEMANA
Efigência
Coutinho
Tem chuva na calçada
e vem você na parada
ao sopro do vento;
eu vou neste embalo.
A chuva umedeceu
o chão e as árvores
e o meu coração;
eu canto esta canção.
A chuva molhou
com lágrimas frias
a saudade que pousou,
sem sol, em certos dias.
Com chuva , invento
passar pela vida
um alguém pensante
sobre aqueles instantes!
Balneário Camboriú
27.06.2008
Blumenau meu amor
Terezinha Manczak
Cheiro de flor na madrugada
Balé e orquestra vales e pontes
Luz e sombras sobre os montes
Curvas sinuosas do rio
Detalhes, entalhes, matizes
Colonial, artista, operária
Malha tecida fio a fio
Manhãs que fazem dos dias
Entretecida lida diária
Vem Que Te Quero
Elizabeth Assad
Vem chega perto,
sente meu cheiro,
sente meu desejo
que arde por ti.
Toca minha pele,
cola seu corpo ao meu
faça meu prazer fluir.
Vem que te quero meu
e dentro de mim.
SONETO MULHER
Ernane Gusmão
Os meigos olhos e as maçãs do rosto,
Completam um quarteto sem rival.
Mas as covinhas do sorriso posto
Juntam nos lábios uma estrofe igual.
Dois feixes negros de cabelo ao gosto
Despertam trismos de prazer sensual.
Nos lisos ombros,divinal recosto,
Encontra outro quarteto seu final.
Os seios eriçados,gordos pomos,
São versos de um terceto,soltos gomos,
Prelúdios para o cavo umbilical.
E as coxas incitantes,turgescentes,
Escondem nas raízes pubescentes,
A chave de um soneto original.
Se faltam ainda as pernas bronzeadas,
As panturrilhas cheias,torneadas,
E os pezinhos de fada,ou cinderela...
É que mulher formosa qual a minha
Não coube num soneto que só tinha
Quatorze versos...a falarem dela!...
SALIVA, SEMENTES E BONECAS
Fátima Venutti
Saliva um tempo de goiabeira.
Memória escandalosa de uma infância.
Sob os dentes maduros
Brincam sementes guardando doces tesouros.
Hortênsias azuis florescem no jardim.
Regresso o pincelar das imagens
Num canto rubro qualquer
De minha avançada idade
E revolto os sonhos a balançarem
Os galhos calejados dessa saudade.
A terra batida amanheceu coberta de pixe.
Um vento infantil
Esboça o bocejo da menina.
Nele os olhos brincam, esbaforidos,
Pelas margens bucólicas de suas bonecas.
Vestidos floridos são rendidos pelas calças jeans.
Contraio meu tempo
E alargo um abraço desmedido e solitário.
A saliva seca. As sementes se quebram.
As contas de meu terço se perdem
E meu único relicário se esconde
Num beco qualquer de minha farta infância.
Meus sonhos são mais velozes que o vento.
Junho/2008
SORTILÉGIO
Francinete de Azevedo
Uma magia, simplesmente,
Manifesta-se ante os reflexos
De uma modesta amizade.
E tomou forma, abrindo caminhos,
Intensificando a esperança
Nos percalços da saudade,
Para, finalmente,
Concretizar o AMOR,.
Na magnitude do encantamento,
Surgiu VOCÊ!
Poema para não morrer
Terezinha Manczak
Flui das
mandrágoras o efeito desmedido
De ternura e canto em meu peito afoito
Antevendo o destino das metáforas
Rumo ao núcleo do desconhecido
Aquarelas de manhãs inesperadas
Fragmentos de romances não escritos
Alma do mundo em corpo de espanto
Papéis de parede esmaecidos
Auroras rompem a casca das manhãs
Frutos e quimera de lavouras vãs
Na textura da dor, a pele arde
Rubro desejo e primavera
Espera: cedo ou tarde, o amor
Segredos do
Coração.
Sávio Assad
Meus lábios selaram um segredo antigo
que guardo na memória, como um livro,
fechado a sete chaves e com muita dor.
Meus olhos esqueceram aquele sorriso,
malicioso e trigueiro, sempre a me esperar
e o silêncio nos separou, para sempre.
Meu pensamento se quebrou na barra do
vento, com tornados de fúrias e injúrias,
pois, não poderia mais te descrever.
E assim, sepultado, entre farrapos ficou,
amarrado ao tempo, sem tempo de despertar
partindo numa nave de triste resignação.
AS MINHAS FLORES
Heralda Victor
Deus deu-me três flores:
Uma perfumada, macia, viçosa,
Outra alva, faceira, formosa
E a terceira que só distribui amores!
No jardim da vida cultivei as três.
E a elas dividi tudo que tinha,
Amor, cuidados, conselhos, repreensão
Ofereci meus dias ocupados com dedicação.
Regava cada dia minhas três florzinhas,
Vivia para elas e as protegia,
Com igual medida para não feri-las,
Multiplicando às vezes, até o que não tinha.
Mas a vida ingrata tornou-se traiçoeira,
Entrou no meu jardim, pisou nas minhas flores.
Levou a mais viçosa deixando só o perfume,
Feriu a mais faceira que ficou tão triste,
E a que só dava amores, fez conhecer as dores!
Hoje, eu ainda cultivo no jardim da vida,
Este buquê de flores que Deus me ofereceu.
E com toda ternura do meu coração,
Beijo as flores que estão comigo
E à minha flor ausente faço uma oração!
DESALENTO
Iara Melo
Por onde anda
Aquele amor
indomado,
ardente,
insaciado...
Por onde andam
Os meus olhos
não cansados
na busca do encontro
desatinado...
Por onde andam
Os meus passos
firmes
passivos
em busca do meu
sentimento
profundo, amado...
Por onde andas quimera
angústia desalentada
te fostes
partistes no adeus
ao desalmado...
ALÉM-VIDA
© Jairo Martins
Ser poeta é quase uma
fé,
Dessa forma atrela-se o pé
A alvores d’estrada além-vida,
Antes mesmo de ser conhecida.
Hoje morto, declaro, e sempre:
Quando tudo, antes nada valer.
Os caminhos vêm ao conhecer,
Quem puder e quiser que os enfrente.
Fácil fazer poesia? Talvez seja.
Desse tempo, se o passo a limpo,
Um pouco mais no paço sobeja
E transpondo o suposto limbo
Da poesia ainda mais se deseja:
Aparece, é assim que ocorre,
O céu ou o inferno que seja,
Amadurece e depois escorre.
Não possui vedados acessos
Nem no inferno, no limbo ou no céu,
Pois caminha através dos processos
Ao mesmo tempo juiz e réu.
Condenação, dever e direito
Num só verbo sem poder decidir
Deixa justo, preso e aceito:
Poesia só faz CONSTRUIR!
POEMA-CRÍTICA
© Jairo Martins
Seja poesia água benta em noss’alma,
Sejamos balaios dessa calma escorrendo pela vida,
Ateando luz, apagando fogo de ferida.
E a palavra, mesmo que adaga seja,
cinja-nos de verdades que nos façam sonhar
com poemas de acordar.
Felicidade escape à utopia, venha a ser alvitre interno.
O coração mais terno, avesso à subserviência.
Por experiência, o cão mais manso
estraçalhe a dentes as correntes de quem o pensa propriedade.
Ao sopro, ventarolas as árvores, para outras multi-flores.
Assim, há que voar, caminhar e mergulhar para a mítica,
Porém, veraz, arder e urdir no fogo e na luz.
E o poema aqui se reduz na palavra CRÍTICA.
Sim, porque a destinatários díspares,
Vai trajado de impaciência como vértice,
andrajado em decepção como vórtice,
instando àlguns deles que acordem,
implorando a outros que desistam.
Pois que a poluição parece que a tudo atacou neste planeta.
A sons, ares, luzes, terras e águas não lhe basta a vendeta.
Migra aos neurônios, às psiquês, aos ozônios; ô zona!
E avança peremptória também sobre a literatura,
sabe-se lá por que estros!
Mendaz, espalhando agrura, perante o pasmo de uns encontra viço,
é pasto comum a simplórios;
medra através de literatiços, mas gera revolta em alguns.
Absolvição a conservadorismos, e, de um salto, a modernismos, de outro maior,
aos etc. Nunca houve mesmo escopo salutar à palavra, haja vista nela mesma a
constante proposta à transgressão.
Mas a própria natureza sempre tratou de seleção, tangendo à excelência desde
amebas a quadrúpedes e bípedes.
Mas títeres não!
Estatelada no papel, a palavra.
Esta tela dá mel. Palavra!
JAIRO MARTINS – poeta / escritor / revisor de textos
O POETA
Luiz Eduardo caminha
Todo Poeta é sentimento,
Ora abre o coração e rima,
Ora se apaixona e estima,
Ora se aflige num lamento!
Às vezes, é só tristeza,
Noutra se faz alegria,
Numa rima se arrepia,
Noutra, não vê beleza.
Ora angustiado, ele chora,
Ora soturno, ele implora,
Ora em êxtase, ele sorri.
Mas sempre abre o coração,
Deixa pulsar sua emoção,
E, sem mais... se vê partir!
O SILÊNCIO
Malu Mourão
Sei que há algo estranho,
Mas como poderei saber,
Se teu silêncio bisonho
Nada vem me dizer?
Se eu fiz algo errado,
Como poderei saber,
Se você fica aí calado
E nada vem esclarecer?
Dizem que é humano errar.
Perdoar, então, é sublime!
Mas se o castigo é silenciar
Desculpar-me não redime.
Então, vou me calar.
Pois nosso silêncio resume:
Se não podemos perdoar,
Do erro estaríamos incólume?
Ipu, 06/11/2007