Chegamos! Mais um Natal! Mais um Fim de Ano! Ano de alegrias e tristezas, certezas e dúvidas, ano de calotes e quebradeiras, mas chegamos. Agora é hora de celebrarmos o Natal do Senhor, nossa única certeza, nossa grande esperança. O recado parece ser claro: com a crise econômica batendo às portas de todas as nações, as compras compulsivas parece que, desta vez, não serão tão frenéticas. Os Papais Noéis estão com suas roupas escarlates desbotadas.
Quem sabe não é hora de darmos mais atenção para a figura central do Natal. Na internet, como todos os anos, aquele PPS questiona: fazem a festa de meu aniversário, mas sequer se lembram de me convidar. A hora talvez seja esta. Aliás esta é a hora: fazermos do aniversariante, Jesus Cristo, Deus feito homem na Gruta de Belém, o nosso convidado especial. Quem sabe, admitindo a sua presença não tenhamos um 2009 melhor? Cheio de Luz, Paz, Harmonia entre os homens, Amor, Fraternidade.
Ele está lá: pronto para nos abençoar, a estender sua mão para nos amparar, pronto para nos acalentar em seu colo quando as pedras ou o atoleiro do caminho nos dificultar a caminhada. Pronto para participar desta nossa festa. Pronto para confraternizar conosco. Pronto para a sua festa, da qual o mercantilismo O excluiu.
Quiçá saibamos aproveitar sua solidariedade. Quem sabe não entendamos de vez o significado de Emanuel - Deus que se fez entre nós. Para nos salvar. Para dar-nos vida. E vida em abundância.
E não podia ser diferente. Para nos irmanar ao coro da humanidade, o Mural das Letras reúne autores que vêm em seus versos, em sua prosa, celebrar esta data.
Aproveitando o ensejo, desejamos a todos os nossos fiéis e queridos colaboradores e a vocês que, em apenas três anos, nos proporcionaram mais de 700 mil acessos um Santo e Feliz Natal acompanhados do Menino Deus, da Família de Nazaré e sob as bênçãos espirituais de Deus Pai, o Criador do Universo.
Luiz Eduardo Caminha
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Adilvo Mazzini- Dourados - Ms
Minha Manjedoura
Nas ruas, luzes coloridas.
Nas lojas, ofertas de todo jeito.
Nas torres, a estrela guia
Apontando o céu infinito.
Aqui dentro do meu peito
Perguntas tão doridas...
Que é feito, dia após dia,
Da manjedoura tosca e rude
Que acolheu o Menino bendito
Naquela noite fria?
Somente animais poucos
E poucos humildes pastores,
Sem alardes e sem gritos,
Postaram-se reverentes
Ao lado de José e Maria.
Cantaram, após, com os anjos,
Ao Cristo Jesus que nascia...
Nas ruas, luzes coloridas.
Nas lojas, ofertas pra toda gente...
Onde estará, porém, a manjedoura,
Símbolo da paz duradoura,
Que cure todas as feridas
De feridos e rejeitados entes?
No meu coração!
No seu coração também!
Podemos, assim crentes,
Com mãos postas em oração,
Cantar solenemente o Amém!
Neste Natal, faça do seu coração uma humilde manjedoura.
TODA A PAZ E TODA A LUZ QUE BROTA DO AMOR.
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Jairo Martins
Uma Luz
Vir a este mundo
é submergir num mar de ilusões.
Estar neste mundo
é nadar num mar de afãs.
Como é tíbio aqui viver!
Quão dúbio supor certezas!
Que tênue o fio da vida!
Que vácuo sofre a espécie humana!
Quase tédio por aqui passar,
não fosse o AMOR.
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Francisco Garcia - Prof. Garcia
Deus querendo a paz do mundo,
num sentimento imortal,
unindo o céu e a terra
e a humanidade, afinal,
quis que seu filho mais nobre,
nascesse num berço pobre
numa Noite de Natal!!
Queria que a cristandade
acreditasse na Luz,
lembrasse Papai Noel
mas enxergasse na cruz,
que o Rei do nosso Natal
é nosso Cristo Jesus!!!
Um abraço natalino,
Caicó-RN - 13.12.2008.
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Ricardo Brandes
Feliz ano
novo!
Numa rua qualquer
do centro dessa cidade,
alguém teve a idéia
de fazer uma caridade.
Levantou-se um velho homem
dos seus pedacinhos de papelão,
deixando de lado os jornais
que o abrigavam da escuridão.
Ganhou ele algum dinheiro
suficiente para montar a ceia,
e mais três pãezinhos
que o deixaram de barriga cheia.
Continuou ele a caminhar,
pelos últimos instantes de Dezembro,
já quase pisando no tapete vermelho
do pacato mês de Janeiro.
Rezou ele pelo ano novo
aguardando a contagem regressiva.
até que explodiram centenas de foguetes
que vieram anunciar mais um ano de vida...
www.site.pop.com.br/aguia2
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Ivo Gomes de Oliveira
Feliz Natal
(IGdeOL)
Que este Natal
Na verdade
Seja fatal
Para o nascimento
Da felicidade geral
Que a saúde
Mude sem dor
Para melhor
Que a paz
Seja capaz
De permanecer
Em cada ser
Que o equilíbrio
Com o Universo
Seja um verso
De métrica perfeita
Que a harmonia
Seja sentida
No instante vivido
No poema da vida
Que a vivência
Seja uma cadência
De alegrias
De poesias
Que o Cristo
Seja visto
Contigo e com os teus
Comigo e com o meus
Que o Senhor Deus
Neste Natal
Dê-nos a graça
De deixarmos marca
Justa e moral
Do amor fraternal!
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Cármen Neves
Pensamento
Não pensem no Natal apenas
no dia vinte e cinco de dezembro.
Pensem nele
durante o ano inteiro.
Porque Natal é Jesus!
E Ele é sinônimo de:
amor,
paz,
amizade,
esperança
e vida.
Boas Festas!
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Neida Rocha
Feliz Todos os Dias
A espera pela meia noite é angustiante.
Prepara-se a ceia.
Fazem-se simpatias.
Coloca-se a uva no champagne,
a folha de louro na carteira.
Come-se lentilha.
Veste-se branco.
O Ano Novo vai chegar.
O instante passa depressa.
Muda o minuto.
Inicia outro dia,
outro ano.
Pensa-se em todos os detalhes.
Não pode faltar nada.
Tudo é perfeito:
o banquete, as simpatias, as vestes, os foguetes.
E no coração???
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Luiz Eduardo Caminha
Natal
Eu quis escrever Natal.
Num berço, uma gruta,
Um menino,
Emanuel,
Deus Conosco!
Eu quis fazer Natal!
Na calçada, na rua,
Um maltrapilho,
João, José,
Quem sabe?
O Homem desfigurado.
Eu quis entender Natal.
O homem imagem
Semelhança de Deus,
Ali, cheio de chagas,
Ferido
Ultrajado,
Mais parecia o Jesus da Cruz1
Eu quis pensar Natal,
Não ouso, não posso,
A dor, tristeza,
Não me permite,
A dura realidade,
Não deixa,
Que eu veja,
Deus, nos homens.
Ao lado do homem,
Uma criança,
Um cachorro sarnento,
Um brinquedo quebrado.
Suas mãozinhas afagavam,
Aqueles cabelos desgrenhados,
Sua fome balbuciava,
Papai, quero um pão.
Uma lágrima seca,
Marcava o rosto molhado,
Pela chuva da miséria.
Aí eu soube, compreendi,
Havia um Natal a construir.
Saio da pasmaceira,
Ergo os olhos aos céus,
Atravesso a rua,
Em meio a fogos,
Papais Noéis bordados,
A festa rolava numa casa.
Entro, grito,
Gente! Do outro lado da rua,
Eu vi o menino!
Eu vi Jesus!
Um prato, por favor,
Mesmo que seja de migalhas,
Quero entender o Natal!!!
Quero estender o prato,
Enxugar o pranto,
Dar feições àqueles seres,
Pobres, desvalidos,
Que nada têm.
Em meio à noite,
Madrugada alta,
A chuva, enxurrada,
A terra encharcada,
Treme.
Tudo desmorona.
Em poucos minutos, Tudo é igual,
Ninguém tem nada,
Como o homem,
Como a criança,
A lama, misturava,
Os pedaços de móveis,
Aos retalhos daquelas vidas,
Tudo se foi,
Água abaixo.
Todos, então, compreenderam,
Há um Natal a construir!!!
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Maria de Lourdes Scottini Heiden
É
Natal
É Natal!
E eu fico pensando, relembrando...
Aquele bercinho adormecido
Sob a luz da estrela-guia.
Ouço o repicar dos sinos...
Músicas celestiais...
Pessoas que cantam
Brindando o Natal
Através do colorido das ruas.
É Natal!
E eu fico olhando o movimento...
Os milhares de enfeites
Que disputam o espaço
Conturbado do coração humano.
Eu vejo...
Almas inquietas
Querendo o impossível
Consumindo tudo na vã tentativa
De adquirir uma fatia de felicidade.
É Natal!
E o peso dos dois mil anos pesa
Sobre os ombros da humanidade.
Não aceitaram o presente.
Era simples demais.
Não entenderam o recado
Era humilde demais.
Hoje...
Faz-se um silêncio triste.
E o bercinho do mundo
Continua frio e distante.
Até quando?
Era noite
Era noite e uma luz tão mansa
Envolvia a criança que aos poucos nascia.
No berço do mundo...
Nas ruas da vida...
Sem lar, sem abrigo, debaixo da ponte sorria.
Era noite e um luar encantador
Banhava o pequenino adormecido.
No vazio da vida...
Nas ruelas do existir...
Sem amor, sem nada... Tão desvalido!
Era noite e uma suave brisa
Embalava o sono do recém-nascido.
Pobre menino!
Assim tão sozinho!
Envolvido em panos... Laços partidos!
Era noite e uma estrela surgiu.
Guiando os passos do amor ao local.
Vê o menino...
E a mãe tão frágil!
Acolheu mãe e filho... Fez-se Natal!
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Lígia Antunes Leivas
Pelotas, RS
Natal é Papai Noel
Que o Papai Noel,
simpático, alegre,
sempre jovem ancião,
tenha o poder mágico
de neste Natal
te fazer feliz por tanto tempo,
que nem te sobre tempo para contar
todo o tempo que já passou!
FELIZ NATAL ! FELIZ 2009!
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Isnelda Weise
Árvore de Natal
De verde vestida procura
Por mais um Natal - canto e crença
Cobertos de brilho - bonança
Estrela entre tragédia escura.
Bolas com nuança prateada
Após o pranto das águas
Luzes, borboletas mais laços
Abraços em estação mágoa.
Verde eclodir que descobre
Um tempo de luz- esperança
Iluminando-nos com sua promessa
Hoje é Natal... Cristo é nobre
Confirma junto a ela: é criança
A fé que do pó recomeça.
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Marise Ribeiro
Natal Interior
É tão difícil falar do Natal
Quando o coração quer fugir da gente
Sente-se magoado e descontente
Sangrando pela dor de atroz punhal
É tão difícil falar do Natal
Quando a fome tortura a cada dia
E o dinheiro do povo na sangria
Como vazante de água fluvial
É tão difícil falar do Natal
Quando a inveja bate à nossa porta
Cinicamente trai, nos desconforta
Enterra nosso nome em lamaçal
É tão difícil falar do Natal
Com a violência ceifando vidas
Crianças para o tráfico perdidas
Sem projeto sócio-educacional
É tão difícil falar do Natal
Quando mentes frias e calculistas
Com risinhos cruéis e oportunistas
Mostram a verdadeira alma desleal
É tão difícil falar do Natal
Quando também a natureza chora
Muitas vidas arrasta, leva embora
Cobrando o descaso num temporal
É tão difícil falar do Natal
Quando a mentira vomitada ao vento
Atrai abutres tolos ao alimento
Acreditando ser aquela a ideal
É tão difícil falar do Natal
Quando guerras eclodem pelo mundo
Exterminando vidas num segundo
Pela ganância do poder total
É tão difícil falar do Natal
Quando se cria personagens fictícios
Triste pequenez como artifícios
Matando-os depois de forma natural
É tão difícil falar do Natal
Com a corrida fria aos presentes
Propagandas e luzes atraentes
Data de mero apelo comercial
É tão difícil falar do Natal
Quando a sordidez de ervas daninhas
Tenta ocultar palavras comezinhas
Com o desvio do dizer natural
É tão difícil falar do Natal
Quando em nome da falsa religião
Prometem o nirvana e até perdão
Enriquecendo sua conta pessoal
É tão difícil falar do Natal
Quando o covarde tão bem determina
Que se faça o trabalho sujo da esquina
E o parvo rasteja como cobra coral
É tão difícil falar do Natal
Quando a vontade está bem além
Não me reprovem nem me julguem mal
Quem sabe eu consiga no ano que vem!
10/12/08
Natal Brasileiro
Este ano quero mudar a tradição
Propondo um diferente Natal
Sem símbolos estrangeiros por imposição
Desejo uma festa bem nacional.
Nosso Noel será um representante
De cada rincão deste imenso País
Sem deixarmos de fora o imigrante
Que também plantou aqui sua raiz.
Os brinquedos serão belos artesanatos
Manufaturados pelos índios regionais
Nada será sintético, perigoso ou insensato
Às crianças somente produtos naturais.
Em nossa ceia, mesa farta de comidas:
Frutas tropicais saborosas e coloridas
Sucos e doces típicos de cada região
Sem faltar o nosso arroz com feijão.
Nada de neve, pinheiros e “jingle bell”
Muito menos roupa quente e vermelha de Noel
Aqui ao sul do Equador
Só ipês floridos, música popular e muito calor.
Vamos valorizar nossa cultura
Com alegria e irmanados no bem comum
Brindaremos o término de qualquer agrura
Com a felicidade no coração de cada um.
Teremos assim um Natal bem brasileiro
Como merece esta tão sofrida Nação
Esperando um Ano Novo alvissareiro
Que rogaremos numa uníssona oração.
01/12/05
Cenário de Sentimentos
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Célia Lamounier de Araújo
Dia de Natal
Não estou pedindo àquele que tem muito
para dar o seu ao desfavorecido
porque sei que o muito dele
quase sempre foi suado e merecido.
Mas estou pedindo àquele que se equilibrou
para dar aos outros um pouco de atenção,
um pouco de amizade, um pouco de saber ou
dar sempre muito de justiça e compreensão.
Estou pedindo a todos e a você também
para dar neste dia de paz e de bondade
e nos dias todos do ano que já vem
palavras e exemplo de responsabilidade.
E a você, homem privilegiado,
eu peço aquilo que é seu dever:
à luta pela paz entregar-se denodado
numa dádiva inteira de você.
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Sueli do Espírito Santo
É Tempo Agora
Ano
novo, uma nova manhã de vida
que o sol venha com todo seu clarão
despertar toda a gente adormecida
e que sua luz traga espírito de união
Que a mansa chuva do dia fertilize
todos os solos áridos de corações
para que cresça o amor e se realize
fraternidade entre povos e nações
Que todo brilho que há no espaço
estrelas brilhantes a lua cintilante
venhan a largos e grandes passos
nos atingir de forma contagiante
clareando a mente na justa causa
eliminando todos os motivos de guerra
e que os poderosos façam uma pausa
para buscar harmonia para a Terra.
é tempo de mudarmos a nossa história
com nobres atos e atitudes e muita vontade
pelejar sem cansar até alcançar a vitória
o tempo é já, agora, antes que seja tarde
http://www.sue2001.recantodasletras.com.br
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Urda Alice Klueger
Hoje em dia, qualquer supermercado vende doces-de-Natal, em saquinhos de plástico ou bandejinhas, de modo que as donas-de-casa já não precisam mais gastar um precioso domingo de Dezembro para fazê-los.
Na minha infância, porém, fazer doces-de-Natal era um dos rituais do Advento. Eles eram feitos num Domingo, quando toda a família estava em casa e podia ajudar, e gastava-se um dia inteiro na sua confecção.
Eu nunca gostei de acordar cedo, e, assim, quando saía da cama, minha mãe já estava preparando a primeira massa do doce-de-Natal, misturando os ingredientes de uma receita que ainda possuo, antiga receita que, calculo, tenha séculos de existência. Era uma massa amarela, em que ia trigo, ovos, açúcar e outras coisas, e que levedava com sal amoníaco, estranha coisa que se comprava por grama, na venda mais próxima, à qual chamávamos de “salamonico”.
A casa da gente virava de pernas para o ar, no dia de fazer doces-de-Natal, com a mãe da gente a fazer massas e mais massas, o pai da gente a esticar as massas com o rolo de macarrão, e a gente a fazer confusão, cortando as massas esticadas com forminhas de ferro, transformando-a em pinheirinhos, papai-noéis, anjos e estrelas. Cada figura cortada era colocada em formas de fazer cuca, velhas formas enegrecidas pelo tempo e pelo forno, nas quais se passava gordura e se polvilhava com farinha-de-trigo, antes de deitar nelas os docinhos.
Chegava, então, a vez do forno, grande forno de tijolos onde se fazia pão nos tempos normais, nas que naquele dia de confusão ficava lotado de formas e mais formas de doces-de-Natal. Era necessário vigiar-se o forno para que os docinhos não assassem demais, ao mesmo tempo que se continuava fazendo massa, esticando massa, cortando massa, a mãe da gente brigando porque se estava cortando errado a massa, todo mundo ficando nervoso dentro de casa quando a coisa se acelerava com as primeiras formas saindo do forno.
De tarde, vinha a parte melhor: docinhos assados, era tempo de enfeitá-los. Havia uma receita de glacê própria para eles, e punha-se todo o mundo a bater glacê, e nós, crianças, lambíamos mais glacê do que batíamos, e de novo a mãe da gente ficava braba e a gente saia apanhando. Glacê pronto, gente grande, responsável, como minha mãe e meu pai, passavam o glacê cuidadosamente em cada docinho, enquanto que nós, crianças, ficávamos encarregadas de enfeitar os doces com açúcar colorido. Cada cor de açúcar era colocado num tigelinha de pirex, e nós íamos escolhendo as cores e enfeitando os doces. E claro que botávamos tanto açúcar colorido na boca quanto no glacê fresco, ficando com a língua azul, roxa e verde, e antes de acabar a atividade, todos já tínhamos apanhado de novo.
Formas e mais formas de doces enfeitadas voltavam ao forno, para secar o glacê, e lá pelo final da tarde estávamos com um gloriosa coleção de doces-de-Natal prontos. Com um suspiro, minha mãe os guardava em grandes latas que existiam exclusivamente para isso, onde eles se manteriam como novos por muito tempo, e a cada dia comeríamos alguns, e eles durariam até lá por Janeiro ou Fevereiro.
Cansada de se incomodar conosco o dia inteiro, minha mãe nos mandava para o banho e ia fazer o jantar. Continuávamos com as língua roxas, azuis e verdes, e tínhamos, cada um, apanhado diversas vezes naquele dia, mas que dia feliz que tinha sido! Aquele dia de fazer doces-de-Natal era a certeza de que o Natal estava chegando mesmo, de que Papai Noel logo viria, de que a magia chegara definitivamente e estava no ar, acima de nós, esperando pela noite de Natal.
Depois do banho, já com roupas limpas, bem passadas a ferro, dávamos um jeito de nos comunicarmos com os primos da vizinhança – doce-de-Natal era uma coisa que se fazia em quase todas as casas no mesmo dia – e todos eles estavam com as língua coloridas, todo tinham apanhado, e todos estávamos felizes. Então ouvíamos as cigarras cantando nas árvores próximas, e sabíamos o quanto aquele dia fora bom!
Fico com muita pena quando vejo, hoje, os doces-de-Natal prontos, nos supermercados. Perdemos um dia lindo das nossas tradições – as novas gerações já não lambem mais tigelas de glacê, nem apanham mais das mães num dia de Dezembro cheio de cigarras cantando.
Blumenau, 08 de Dezembro de 1997.
Urda Alice Klueger
Organização:
Luiz Eduardo Caminha