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MURAL ESPECIAL DO 3º. Encontro Luso-Brasileiro de Escritores do Portal CEN – 2ª. Edição.


 

 

Segunda Edição trazendo poetas articipantes do 3o. Encontro Luso-Brasileiro de Escritores do Portal CEN.

Gostou desta página? deixe seu recado no nosso livro de visitas.

 

MOMENTO MUSICAL

Ligi@Tomarchio®

Agora, a luz não ofusca seus olhos
abertos para vida outra
semblante sereno de face corada
sente o perfume da existência.

Doce sabor refresca sua alma
alada emoção que sorri
arco-íris envolvente percebe
a passos largos cobre distâncias.

Instante infinito horizonte breve
das notas musicais já conhecidas
liras dedilhadas existem sempre
surrealidade da razão
mora no cume da montanha
testemunha do seu lume.

Jaz sofrimento sob a terra abençoada
colhe as flores sem temor
amor se fez momento musical...

Ligi@Tomarchio®
SP/25/03/2007



OLHOS LAVADOS

Cassiane Schmidt

O amor invadiu minha vida, matou a solidão,
Encheu-me de torpor, embriagou-me com o cálice da perdição.
Acordei na alcova fria que me deixaste,
Das paredes escuras precipitavam-se anjos sem asas,
Riam, choravam,
Do meu tormento zombavam.
O amor velado sem velas,
Levado sem prece, com pressa,
Nos olhos lavados.

Ébria, sigo adiante na estrada da esperança,
Carrego em meus lábios o teu gosto, no peito um desgosto,
De ter amado mais que podia,
De ter calado antes de amanhecer o dia.
Bebi o ópio da papoula que me deste,
Da flor nada restou, estamos cá as duas,
Na intempérie dum tempo agreste.

Nos meus olhos repousam sofridas nossas lembranças,
Meu olhar distante revela que cá não estou,
Mergulhei no abismo de palavras mortas,
As ditas e não ditas,
Ah! Malditas.

Peço:
- Leve para longe a lua, o sol, o mar, as estrelas, os vales,
São eles testemunhos do crime cometido, cenário do amor vivido.
Como hei de esquecer a peça no palco do teatro?
Com o roteiro preso em minhas mãos?
Com o retrato dum tempo,
Que matou meu coração?

Lágrimas deslizam sobre minha face,
Tem seu curso findo pela saliência dos meus lábios,
Sinto o gosto de dor da lágrima,
Da lástima,
Estranho é provar a própria dor, a do amor.
Sentir o gosto do desgosto,
Ainda assim sentir falta do que provou,
Do que provocou este tal de amor...





FACES DO AMOR

Cassiane Schmidt

Percorri por muitos caminhos
Paragens, avenidas, veredas e sertões.
Embriaguei-me dum vinho barato
Na letargia de algumas estações
Mas foi no seu olhar
Que meu coração resolveu aportar

Quase morri de sede diante de fartos lagos
Mas foi no deserto dos seus beijos
Que me vi refém de meus desejos
Mergulhei sem medo nas águas agitadas da paixão
Lançando ao degredo uma senhora, chamada razão.

Estou presa agora na alcova fria da saudade
Sinto arder em meu peito às chamas da inquisição
Lembranças tuas invadem o meu leito
Tiram-me o sono, fazem doer o coração.

Sigo adiante, faço promessa, acendo uma vela,
Vejo-o até no altar de minha capela
Sinto teus braços tocarem minha alma
Esqueço das promessas de te esquecer
Entrego-me novamente a escravidão deste bem querer.

Mergulho no mar doce do teu olhar mudo
Por quantas vezes teu amor foi meu escudo
Não há saída, nem entrada,
Nem meio, nem fim.
Alguém capaz de levar este amor de mim.






A SÓS

Célia Lamounier de Araújo


(no meu livro: Entardecer de Lágrimas - 1978)

De novo a sós,
Sentindo frio
Olhando a solidão
Que se faz ao redor,
Pensando... em nós.

De novo em nós,
Vivendo na incerteza
De um triste adeus,
O desejo de voltar,
Pensando... juntos...
A sós!
 

 

EM VÃO
Célia Lamounier de Araújo
(No meu livro: Entardecer de Lágrimas - 1978)

Sou um deserto onde sonhei chuva
E a chuva é lama no meu coração
Em vão a noite se transforma em dia
Em vão a chuva deixa um arco-íris
Em vão o amor e as alegrias
Meu coração já nada sente.

Eu sonho sempre o que inexiste
E é impossível realizar.
E quanto aos outros sonhos da vida
Deixam vazia. . .
A minha eterna ânsia do olhar.

“Pelicano do amor, dilacerei meu peito
e com meu próprio sangue os meus filhos aleito;
meus filhos: o desejo, a quimera, a esperança.”
Machado de Assis
 

 



EU SEI O QUE É SAUDADE...

Laura Limeira

Quando me falavam que saudade era isso ou aquilo, eu ficava sempre achando que todos descreviam suas saudades com uma boa dose de exagero mas, o tempo foi passando e muita coisa foi acontecendo entre eu e você...

De início, o nosso "grude" era muito gostoso e, o víamos até como algo normal e necessário para mantermos a nossa alegria e, o fulgor daquele sentimento que nos ardia de desejos, na vontade de ficarmos sempre juntos e, esse sentimento nos mantinha assim, nas vinte e quatro horas do dia!

Depois, quando o amor foi se afastando e, como qualquer pessoa que já não vê mais, só o lado interessante da outra, você foi silenciando, se distanciando de mim aos pouquinhos e então, a saudade foi substituindo sua presença nos dias, nas noites, nas madrugadas. Foi chegando de mansinho e, sem pedir licença foi se instalando em mim.

O telefone ficou mudo, a caixa do correio vazia, o sorriso sem graça, a alegria sumida e o desinteresse pela vida veio brutal e visível diante de tudo e de todos.

Também vieram os desentendimentos, as cobranças, a visão crítica de um sobre o outro, os objetivos foram se posicionando em paralelos aos interesses comuns, e as brigas - como não poderia deixar de ser - foram nos afastando, nos desmanchando em excessos, deixando-nos expostos ao desalinho que essas separações provocam na alma.

Sim, eu sei o que é saudade...

Saudade é sofrer com essa dor que estou sentindo agora; é querer você aqui e saber que não há como; é estar sempre triste por viver longe de você.

Saudade? Ah, meu Deus...

Saudade é estar viva com vontade de morrer!





BELEZAS DE BLUMENAU

Eustáquio Braga (Thackyn)

Rodeada de símbolos
Vejo a alegria estampada
No estou dos fogos
Festa de São João
Num canto qualquer do céu
Brilha uma solitária Estrela
Raios de sol que se escondem
Brisa fria que se faz morna
Tu que alimentas plebeus
Não te sabes que és rainha!?
De um reino longínquo viestes
Mas tu não te sabes ao certo donde
Clarins que ressoam bemóis
No sustenido eco da vida entre luas e sóis
Tocam-te harpas e violinos
Enquanto o meu desejo repica entre sinos...
Tu que és a bela da noite
E embeleza a vida em dias
Tu és a flor que perfuma as tardes
Exalando o cheiro da madrugada
Oh perfume sem igual: Dama-do-dia
Exalado cheiro da vida
Que se mistura ao som inaudível da canção
Sem letra e melodia quando chegas
Sobre o leito do Itajaí
Tudo pára e descansa
Música da lembrança
Sol frio repousa manso
Águas que de tão cristalinas
Multiplica o revoar dos pássaros
Que ensaiam coreografias e danças
Poesias, assobios, cantos e rimas.
Ali também as capivaras se banham
Secam-se enquanto olham o espelho d´água
Enquanto quaram ao sol
Para aquecer a sua liberdade
Neste intervalo: um vácuo
No hiato melódico da canção
Somente os pássaros pretos pedem licença
Poética de rolinha que invade sutilmente o espaço
Dá para sentir a respiração fria do rio
A liquidez da umidade do ar que molha a terra
Nada é relativo no absolutismo da poesia concreta
Que extrapola o solo rijo
Cimento que se transforma em leito
Camada de névoa que beija o chão e galho
Cada gota de orvalho se evade do colo da natureza
Suor da terra que brita lágrima
Acima tudo é sol e raio: alvorada e ocaso
Ouro que invade plantação e reproduz
E tu que te escondes debaixo de adornos
Na harmonia da interação das forças da natureza me conduz
Tu que sintetizas cada fala com sorriso
Depois tu te escondes atrás das paragens
Mas nada consegue afastar do pensamento a lembrança
Sorriso sem igual que se põe na cabeceira do rio
Planta fêmea que se confunde com o cio
Cheiro da terra e da água
Que enche a boca e o desejar poético
Raiz da terra que brota em Blumenau





AINDA ENAMORADA

Malu Mourão

A lua com sua ténue luz prateada,
Banha a noite com sutil emoção.
E eu, ainda por ti tão enamorada...
Banho de amor o velho coração.

Fico a lembrar em doce devaneio,
Quando me deste o primeiro beijo.
Em vão eu ocultava o meu anseio,
Mas bem maior era o meu desejo.

E neste beijo o amor ficou selado.
Mas o tempo afoito em dimensão...
Do amor, na lembrança emoldurado,

Ficou somente a doce recordação,
Fazendo parte apenas do passado,
E em seu lugar veio morar a solidão.



 


A MAGIA DAS PALAVRAS...

Ilda Maria Costa Brasil - Porto Alegre - RS - Brasil

Vejo palavras percorrerem caminhos;
ora levadas pelos homens,
ora levadas por diferentes
meios de comunicação.
Algumas são secas, frias e duras;
outras, encantadoras, dóceis e fascinantes.
Se elas fossem segredar histórias
que ouviram ou registraram,
ficariam horas e horas ocupadas.
São tantos os fatos e causos
que o livro teria uma edição infinita.
Como as palavras possuem poderes!
Ora são mágicas; ora, reais.
Às vezes, embora silenciosas,
traduzem significados singulares;
em outras situações, como:
quando verbalizadas oralmente,
correm riscos de serem esquecidas
por muitos e memorizadas por poucos.
Tudo dependerá do vento das emoções.
Se for brisa, gravar-se-ão na memória,
mas, em caso de vendaval,
serão jogadas ao além
e, certamente, perder-se-ão.
Todavia, se as palavras forem escritas,
caso não nos agradarem e convir,
de tempo em tempo, poderemos apagá-las,
mas se forem agradáveis, certamente,
serão relidas e estarão a dar vida
a novos sentimentos e experiências.



 

BELA BLUMENAU

Mário Osny Rosa


É no vale daquele vale
Que vale apena ver.
Antes que o mesmo coalhe
Dele nunca esquecer.

Daquele povo gentil
Do honrado trabalhador.
Que vive momentos mil
Do progresso é o fator.

Na construção de enxaimel
Do seu belo corolário.
Já tem até sabor do bom mel
É um grande relicário.

O vale que vive cercado
A beira daquele rio.
Logo de ambos os lados
Viver ali é um desafio.

São José/SC, 28 de julho de 2008.
www.mario.poetasadvogados.com.br
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CHOUPARIA DOMÉSTICA

Mário Osny Rosa

 

A idéia nasceu em Blumenau
Na terra da Oktoberfest
Logo isso é alles blau
Uma das mais belas festas.

Cerveja a domicilio
Chega com forte impacto.
Quebra já qualquer empecilho
Com esse mais novo fato.

Uma choparia doméstica
Numa reunião de amigos.
Já sem a lei deletérica
Já não haverá mais perigo.

Seria o mais diplomático
De negócios bem sucedidos.
E ficaria bem simpático
Logo todos bem atendidos.

Longe do dito bafômetro
Gastronômico os debates.
Um perigo astronômico
E da lei e seus ataques.

São José/SC, 17 de agosto de 2008.
www.mario.poetasadvogados.com.br
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D E U S

Lairton Trovão de Andrade

Há um Ser que nós não vemos,
que jamais teve um "outrora";
é o Eterno que nós cremos,
pois, há nele o sempre "Agora".

Com poder e majestade,
fez o céu, a terra e o mar.
Sua Infinita Bondade
quis "Adão e Eva" criar.

Este Ser, nós o adoramos
e tem nome de Elohim!
É o Infinito a quem oramos
- Ele faz morada em mim.

É plena Felicidade
que nos faz feliz em ser.
Nele está a eternidade,
nosso futuro a viver.

Pensamento em pensamento
é Deus, um sempre existir.
Ele é amor - abrasamento,
só presente - sem advir.

Pra salvar a humanidade,
mandou-nos seu Filho, o Cristo.
Com extrema caridade,
indicou-nos seu aprisco.

Do universo é Providência,
de tudo - Princípio e Fim;
só por sua onipotência
preserva-se tudo enfim.

Quem, com atos, acredita
há de ser sempre abençoado;
gozará vida bendita,
será bem-aventurado.

Com muita fé e esperança,
dons que não têm os ateus,
selemos nossa confiança
de estarmos sempre com Deus.
24.07.08





JULGAMENTO

Lígia Antunes Leivas

Haverá o tempo de o tempo ter-se ido...
e tu não caberás mais em mim
e eu?... não beberei essas lágrimas.
O amor será sílabas, monossílabos entre nós.

Tantas vezes tem sido ele tão-somente
pulsações escarlates
acorrentadas à tua ausência...

 

 

AMANHÃ
Sunny Lorah


Amanhã será segunda de novo
E eu nem pude conhecer Fernando Pessoa
Porque não deu tempo.

Amanhã será segunda de novo
E eu nem vi amigos hoje
Porque é domingo.

Amanhã será segunda de novo
Pagarei minhas contas, farei boas ações
Porque sempre é assim.

Amanhã será segunda de novo
Vou trocar roupa de cama, cozinhar feijão
Trabalhar com afinco,
Porque é assim todo dia.

Amanhã será segunda diferente,
eu quero... ah, como eu quero
procurar nos jornais, muito, muito,
Um novo lugar pra viver.


Domingo, 10 de agosto, 2008





PEQUENOS GESTOS... GRANDES SENTIMENTOS

Mercêdes Pordeus
Recife/Brasil

Um desejo de bom dia
Rompe o silêncio absoluto
Dá ao semelhante a garantia
De desarmar o interno luto.

Um abraço... Reedita uma história
Transforma uma vida simplória
Dela varre a parte vivida inglória
Para que na solidariedade alcance vitória.

Um toque... Rompe as barreiras
Abre entre os povos as fronteiras
Deixa a paz reinar na vida inteira
Transformando-a em boa sementeira.

Um gesto de carinho... Um afago
Tira do semelhante o gosto amargo
Que a vida possa ter-lhe imposto
Ao seu longo através do desgosto.

Um gesto de bondade... E ternura
Apaga de uma vida um triste cenário
Acorda o irmão com brandura
E torna o mundo mais igualitário.

Pequenos gestos que nos aproximam
Minimizam da vida o sofrimento
Afastam atitudes que nos aniquilam
E desabrocham grandes sentimentos.




PELA SARJETA

Fátima Venutti



Larga vala
Espelha
(sem dó)
A esfinge do ser

À prova
Macula sombras
(bestas disfarçadas)
Dissolve o tempo
Em débeis sementes
Desprende
A alma da esfera
E recria
Discursos vogais

Velhas palavras
Dúbios sentidos
De olhares inchados
De corpos retidos
E falas infamadas

Ao revés
Do meio fio
Uma sombra convence
O amanhecer
Póstumas lembranças
Relíquias escondidas
Embarcam nas bocas-de-lobo
Despedaçam
desaparecem
Ficam os olhares
Perseguindo vazios
Na mente das serpentes
(piscam rubis)

Larga vala
Pensão da escória
Luxúria da derme
Que acolhe e recolhe
Podres vômitos sociais.


 

 

______________

 

Tchello d'Barros

 

eu

por
aqui
com
quem
não

nem



 



MEIA PÁ LAVRA

Tchello d'Barros



Com três paus se faz uma canoa

Com três pessoas se tem uma igreja

Com três palavras se faz um poema



Com dois paus se faz uma cruz

Com duas pessoas se tem ambos

Com duas palavras se faz cruzada



Com um pau se arma a barraca

Com uma pessoa se tem alguém

Com uma palavra se arma matraca



Com meio pau se tem um poste

Com meia pessoa se tem aquém

Com meia palavra basta

 

 


LUA...

Paulo Nunes Junior

Deixa-me entregar-te meus segredos,
Recebe meu coração,
Falar-te os meus sonhos,
Divido contigo meus desejos,
Compartilha comigo tua luz,
Abriga-me quando te recolhes,
Deixa-me completar meu coração com a tua pureza...
Faz-te companheira de minha caminhada em busca do amor,
Seja meu cenário em meio a noites de amor,
Seja minha amiga em noites de dor.
Tua beleza toca-me o coração a alma
Faz-me criança perante teus encantos,
Escravo de tua magia...
Toca-me a pele,
O coração,
Conduz os meus dedos,
Faz-me falar pela alma,
Roça-me lágrimas de saudades,
Tu és minha confidente protetora,
Minha amiga eterna,
Minha amante querida,
Minha musa,
Minha senhora...
Mesmo quando me entrego ao sono,
Sinto-te em minha alma, e
Com seus raios de magia de amor me faz amanhecer
Sobre esplendor de teu gêmeo o astro maior.
Quero agradecer-te minha adorável Lua por tudo,
e com certeza sei que ninguém me tiras...
Pois Deus a criou...
Amo-te!....

 

 

CAMINHANTE

Izabel Pavvezy


Caminhante segui...
Andei pelos rastros do homem,
Subi montanhas de gelo e pedras
A espreita de densos escudos,
A espera das energias cósmicas.

Retratei tesouros...
Busquei preciosidades eternas,
Coragem, ética e luz.
Rendi-me às ciladas no caminho
Icei do fundo do mim, os sinais.

Um referencial, um homem,
Fez-me temperar a alma e o caráter,
Meus traços, minha essência.
Escalonei subidas e descidas,
Deixei flutuar meu espírito no além.

Acenos e orações me detiveram,
Lágrimas e sorrisos de adeus...
Mistérios da vida, incógnitas,
Olhares perdidos, translúcidos
Em meio à ascetas e pagãos.

Remotos desejos me contagiaram...
Amei com ternura e ardor.
De artefatos mágicos cobri-me,
Na luz cálida de ruas estreitas
Onde mente e paixão se entrelaçam.

Que inacessíveis esconderijos
Encerra a terra em suas entranhas?
Que dizem estes enigmas?
Como decifrar estes mistérios,
Emaranhados de redes e precipícios?

Viver em total plenitude
Ou morrer de amor e tesão?
Passar incólume por esta estrada
De luar, poesia e paixão?
A vida é constante desafio...

Jamais conhecer as escarpas,
Os longos percursos, os confins,
Viver plácido meditando?
Ante a natureza exuberante
Decifrando sinais ópticos e neurônios?

Ah! Se vaguei...
Por labirintos me embrenhei.
Viajei com passos ávidos,
Vislumbrei mil cenários...
Amalgamei meu ego e loucura.

Preces escritas o vento leva,
Cânticos ressoam por vielas e ladeiras,
Faço da lida afinada sinfonia.
O orvalho pinga em minhas pupilas,
Fascinada sigo uma nova trilha.

Apaixonei-me obstinadamente...
Ainda me arrancam suspiros,
Poetas, anjos e deuses,
Vou sorvendo em meus lábios úmidos,
A borbulhante alegria de ser viajante.

 

 

SOBRE ONDAS

Ilka Bosse 

 

Sobre ondas...

Segue o vôo das gaivotas

Aos ouvidos...

O murmurar das águas

Aos olhos...

Abre-se a guerra da natureza

Às vezes, indefesa

 

Encantamento confunde-se

E sai em busca do medo

Que nasce entre rochas e o mar

Erguem-se trêmulas mãos em aceno

Debatendo-se na tentativa de voltar

 

Um misto de deslumbre

Acalma desesperadas vozes

Que dançam entre dentes...

Calam-se gritos estridentes

Que voam velozes

 

Asas incansáveis

Cautelosas no pousar

Na alva areia, instáveis

Aterrissando devagar

 

Tímidos pés sustentam-se

Sob castelos edificados

Em instantes, serão levados

Lavados...

Pelas ondas

Esvaem-se os castelos

Sem rastros deixar

Entre rochas e o mar

 

 Autora: Ilka Bosse

Bailarina das Letras

Do Livro: O BAILAR DAS LETRAS

Autoria registrada

>>> Ilka.bosse@terra.com.br <<<

 

 

 

AMANHÃ

Maria de Fátima Martins



Amanhã não serás o mesmo

Terás meu sonho como guia

Terás meu sorriso

Minha alegria

Serei sombra a te perseguir

Te encontrarás nos meus abrigos

Te abrigarás nos meus olhares

Calarás ao ouvir-me

Sorrirás ao olhar-me

Sonharás um sonho novo

Serás outro

Após reconhecer

Que te conhecias tão pouco

Antes de me conhecer tanto

 


 

Organização:

Luiz Eduardo Caminha

dasletras@stmt.com.br

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