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SOBRE NOSSO HOMENAGEADO
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Sr.
Alfredo Benthien,
Nascimento: 06/10/1925
Local: Ouro Verde, hoje Canoinhas.
Pai: Oswald Benthien
Mãe: Mina Benthien
Casado há 52 anos com Tusnelda
Benthien (Dona Tussy, Nascida em
Hansa Hamonia, hoje Ibirama).
Tiveram duas filhas Marili e Roseli,
ambas casadas. Possuem 4 netas:
Daniela, Marina, Flávia e Júlia.
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As agruras da infância
O
Pai, filho de Blumenau, nascido no Fidélis, era
proprietário do Hotel Esperança (depois Casa
Willy Siewert, hoje mil e um). Viúvo, após grave
enfermidade da 1ª. esposa, Sra. Antônia, por
problemas renais, Oswald Benthien casou-se com
Dona Mina, funcionária do próprio Hotel, com
quem teve os filhos Nivaldo, Hildgard e Alfredo.
Além dos irmãos Nivaldo e Hildgard, Alfredo
tinha mais dois irmãos, frutos do primeiro
casamento de seu pai: Evaldo e Erica.
Com
os enormes gastos para tentar salvar a 1ª.
esposa as finanças de Oswald Benthien ficaram
abaladas, o que o fez tentar nova vida em Lages
após vender os dois imóveis que lhe restaram. De
Lages, migraram para Ouro Verde, nome dado ao
município – hoje Canoinhas - em virtude da Erva
Mate que era abundante na região. Ali nasceu
Alfredo Benthien.
Entretanto, não permaneceram em Canoinhas por
muito tempo. De lá mudaram novamente, para Rio
Negro e dali, outra vez, para Hansa Hamburg
(hoje Corupá). Em Corupá Oswald Benthien era
proprietário de um próspero Comércio que vendia
de tudo (Secos, Molhados, armarinhos, etc). Foi
quando estourou a revolução de 30 (Getúlio
Vargas) e seu pai, filho de alemães, perdeu
tudo. Foi uma das vítimas da famigerada Campanha
Nacionalista que se instalara no Brasil sob a
égide de Getúlio Vargas.
“Mudaram-se de novo, o pai com uma mão na frente
e outra atrás”, relata nosso homenageado, “para
Itajaí, aonde foram morar em uma casinha à beira
do mar”. Naquela época os pobres e pescadores
eram os que dispunham do privilégio de morar à
beira mar. As terras na orla não tinham valor
algum.
Não
agüentando com as dificuldades em fazer a vida
naquela cidade, mudaram-se mais uma vez – e aí
em definitivo – para Blumenau aonde, por certo,
ao menos os parentes poderiam ajudar.
De Volta a Blumenau
Chegaram a Blumenau em 1932. Alfredo Benthien
tinha então 7 anos. Vieram pelo rio Itajaí Açu,
a bordo de uma das barcaças que fazia a ligação
de Blumenau com o litoral. Atracaram no Porto de
Blumenau (onde hoje está a Praça. Hercílio Luz e
o Biergarten).
Aqui, com ajuda de alguns, Oswald conseguiu
alugar do Sr. Walter Schmitt, uma loja térrea
defronte a hoje Loja Walter Schmitt, aonde
montou o Café e Bar Benthien. Mas a fatalidade
fez com que o pai viesse a falecer naquele mesmo
ano de 1932. De 1932 a 1934, Frau Benthien, a
Dona Mina, e os filhos tocaram o negócio que o
pai lhes deixara como meio de sobrevivência.
Benthien era uma criança, de 7 até os nove anos
e lembra “a Rua XV já era toda calçada e na
frente do bar faziamos nossas peladas de
futebol”.
O
Bar era bastante freqüentado e com o despejo
sofrido pelos inquilinos de uma loja térrea no
Edifício Garcia (onde hoje está instalada a
Confeitaria Requinte e Sabor) e a aquisição
deste prédio, em leilão, pelo Sr. Willy Siewert,
foi o mesmo alugado à família Benthien que para
lá transferiu seu negócio.
Frau
Benthien e os filhos, Alfredo inclusive, viram o
negócio prosperar e em pouco tempo o Café e Bar
Benthien se tornou famoso na cidade, até que foi
vendido em 1960 para um açougueiro de nome
Helmuth Jensen que manteve o nome até 1962,
quando o Bar foi adquirido por um membro da
família Goulart e teve seu nome mudado para Café
Goulart.
De
1952 a 1957 Alfredo Benthien trabalhou, no
horário comercial, na ACIB. Chegava do trabalho
e ficava cuidando do Bar à noite, de formas a
ajudar os irmãos e a mãe. Foi aí que conviveu
com um grupo de stammtisch que freqüentou o Bar
entre 1940/60, quando o mesmo foi vendido.
Os
membros do grupo – Benthien não sabe dizer
porque – chamavam o ponto cativo, ou a mesa
cativa simplesmente de stamm ou em seu nome
tradicional stammtisch. Ali viveram muitas
aventuras e episódios engraçados.
Na
memória dos stammtische existentes na cidade,
antes de 1950, existem dois registros
bibliográficos deste grupo que se reunia no Café
e Bar Benthien (registrado por Altair Carlos
Pimpão) e de um outro que se reunia na
Confeitaria Socher (registrados por Pimpão e
Edith Kormann). A entrevista de pessoas de nossa
cidade, entretanto, dão conta da existência de
outros 3 stammtische antes de 1950: Um, de
número restrito de pessoas, do qual faziam parte
o Dr. Niemeyer, o Sr. Herbert Muller-Hering e o
Dr. Hercílio da Luz Costa, que últimamente
vinham se reunindo no Restaurante Moinho do
Ataliba; um outro que se reunia na Churascaria
Palmital – do Sr. Adolfo Ern - do qual fazia
parte o Sr. Flávio Rosa (fundador da PRC 4 –
Rádio Clube, do Jornal de Santa Catarina e da TV
Coligadas) e um terceiro que se reunia no bar do
Hotel John, na Itoupava Seca, ex-Altona, do qual
fazia parte o Sr. Küendrich, proprietário e
fundador da Tecelagem Küendrich – TEKA.
Dentre os membros do Stammtisch que se reuniam
no Café e Bar Benthien, Alfredo Benthien nos dá
conta que era um grupo de 6 a 9 pessoas que
todas as noites, depois das 19 horas, ali
sentavam para beber uns tragos e jogar conversa
fora. A bebida mais consumida era a Cerveja Ouro
Pilsen, de Joinville. Mas, com exceção do Sr.
Roberto Hertel todos acompanhavam sua cerveja
com uns goles de alguma bebida forte como Vodka,
conhaque, cachaça ou rabo-de-galo. “Talvez por
isto, todos com exceção do Sr. Hertel, subiram
mais cedo para os céus”, refere Alfredo Benthien.
Eram, na maioria funcionários do Hoepcke e do
Walter Schmitt.
Os
nomes que Alfredo Benthien lembra, como membros
cativos do grupo:
Walter Weidlich,
Roberto Hertel,
Brothersen,
Arthur Rüediger,
Collin – proprietário da fábrica de Molho VICI,
Josef Baum.
José
Maria Flech
Crônica do Vale
Num
dos registros bibliográficos sobre a presença
dos Stammtische em Blumenau, o Jornalista Altair
Carlos Pimpão conta no livro Blumenau, Alles
Blau, coordenado por Horácio Braun, um episódio
protagonizado por um stammtisch que se reunia no
Bar do Benthien, como ficou conhecido aquele
estabelecimento. A história se passou com o Sr.
Walter Weidlich que tendo ou não passado da
conta adormeceu na cadeira. Já era tarde e os
membros do grupo pensaram em pregar uma peça no
personagem.
Com
a ajuda do Sr. Alfredo Benthien, transportaram o
dorminhoco com cadeira e tudo para a entrada do
bar. Foi uma noite completa de sono e, pela
manhã, os transeuntes admiravam-se e
divertiam-se com a cena. Ao despertar, ainda
tonto de sono – e quem sabe de algum efeito
tardio da cerveja – o Sr. Walter Weidlich tomou
o rumo do Centro da cidade. Atrás dele corria
Benthien, tentando convencê-lo a ir para casa
que ficava para o lado oposto da Rua XV de
Novembro.
Outros Negócios
Alfredo Benthien nunca foi homem de ficar
parado. Ainda durante o tempo que cuidava do
Bar, foi proprietário de umaLoja de Móveis que
depois vendeu para dar início a uma atividade de
Serigrafia. Benthien também foi proprietário de
uma Fábrica de carimbos e nos anos 70 a 90 foi
propritário de uma Loja de Auto-Peças chamada
Tem-tem e mais tarde mudada para Auto Sport, em
plena Rua Sete de Setembro.
Benthien tinha uma vocação incomum para a música
e junto de seu irmão Nivaldo Benthien, Nandinho
(ex-jogador do Olímpico) Adamastor Gomes da
Silva e Caubi Campos (também ex-jogador do
Olímpico) formaram um quinteto musical de
tocadores de harmonia (gaita de boca) chamado
“Os Mosqueteiros da Gaita”, que fez sucesso
entre 1942 e 1946.
Quando fez 50 anos Benthien pode sentir quantos
amigos fizera ao longo de sua vida. Um dos que
não esquece é ??? Shüermann, pai de Vilmar,
Vilfredo (o navegador) e Beto Shüermann.
De
estripulias Benthien recorda-se dos Carnavais em
Blumenau, nos clubes (especialmente o América) e
na Rua XV, com os carros enfeitados de
serpentina e soltando confetes. Num destes,
Benthien incorporou a figura de 1º. Rei Momo de
Blumenau.
Hoje
em dia
Aos
81 anos de idade, Alfredo Benthien poderia estar
recostado numa cadeira de aposentado. Mas qual o
que. Durante um período de 5 anos (dos 70 aos 75
anos) Benthien foi uma espécie de ecônomo da
Associação de Moradores de Condomínio City
Figueiras, do qual foi o 5º. Morador. Foi graças
a sua atuação que foi construída a Sede desta
Associação.
Dos
75 anos em diante Benthien surpreende a todos
com uma atividade moderna afeta ao público
jovem. Resolveu aprender a mexer com computador.
Hoje domina Programas sofisticados como Corel
Draw, Photo-Shop e Studio Max 3. Mais, fez disto
uma fonte de renda trabalhando numa oficina de
cartões comerciais e adesivos de geladeira que
ele mesmo confecciona num quarto da casa.
É
cliente assíduo do
www.imaster.com.br “é neste site que eu
aprendo tudo sobre o que quero para trabalhar no
computador e na internet”, refere orgulhoso o
auto-didata cibernético.
Seu
círculo de amigos internautas têm muitos
adeptos, principalmente os genros e as netas.
Mas é com um sobrinho, um dos filhos de Nivaldo
Benthien, com quem mais se comunica via e-mail.
É médico, Neurocirurgião em Curitiba, Dr. Luiz
Antônio Benthien. É por ele que sabe notícias
dos outros dois sobrinhos, Sérgio Nagel Benthien
e Rubens Lisandro Benthien.
Benthien fez, ao longo de sua vida, muitas
amizades. Mostra-nos uma foto com seu amigo
Capilé (Ariano Buerger) quando este era seu
vizinho no City Figueiras. “Mas, como minhas
atividades agora no computador me exigem muito,
não tive mais tempo para uma bocha ou um dominó
com meus amigos”.
“Por
falar nisto, sabes porque o Ariano pegou o
apelido de Capilé? Eles tinham uma Padaria e o
Ariano saia na carrocinha para entregar o pão.
Lá pelas 10 horas eles estavam passando na
Alameda Duque de Caxias. Ali havia um armazém e
o Ariano aproveitava para fazer o seu Früestick:
Umpão com queijo e fiambres e Capilé, que tomava
a gosto, especialmente nos dias de calor. Daí o
apelido”, retrata-nos Benthien rindo de suas
lembranças.
Conversar com Alfredo Benthien é rememorar muito
do passado. É reviver a Blumenau bucólica e
próspera. É perceber que a juventude, o
entusiamo pela vida depende de cada um. Não é a
idade que determina.
Por tudo isto
Alfredo Benthien é nosso primeiro homenageado a
receber o Diploma de Mérito Stammtisch.
Fotos e momentos
do nosso homenageado

Alfredo e Tussy
Benthien - Hoje 52 anos de casados

Blumenau, 1975 -
Alfredo Benthien e o amigo Willian Schuermann

Blumenau, 1975 -
50 anos de Alfredo Benthien - Festança para
amigos

Blumenau, 1975 -
50 anos Alfredo Benthien - Santa já circulava de
mão em mão

Blumenau, 1942-46
- Benthien e Os Mosqueteiros da Gaita -Quinteto
de Sucesso

Rei Momo de
Blumenau fim década de 40

1930, Sr. Oswald
Benthien
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