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              seis eram mulheres: Maria Tereza, Maria Isabel, Maria Francisca, Isabel Maria, Maria da Assunção e Ana Maria de Jesus. Não bastassem suas filhas, veio com o Príncipe Regente, sua mãe Maria I (a louca) e duas tias que também eram Marias.

Portugal era considerado, à época, o império mais católico do mundo. Lá as idéias agnósticas do iluminismo e da Revolução Francesa, não tiveram eco. Os portugueses, por esta profunda ligação com o sacro e sua indubitável fé, eram considerados carolas e atrasados.

Pobre de quem assim pensava, O que o povo português tinha, e muito, era uma convicção inabalável, fruto de sua fé, de que aquele Jesus que nascera do ventre de uma mulher, de uma Maria, era mesmo o Salvador da humanidade, a pedra angular, o Ungido do Senhor que os descendentes de Abrahão rejeitaram, o Prometido dos Profetas.

Não foi por menos que Portugal legou ao Brasil, não apenas uma mesma língua, sobretudo, nos fez herdeiros de uma inquestionável fé em Cristo Jesus, em Deus Pai, no Espírito Santo e naquela virgem menina que, com seu sim, permitiu a realização da Promessa: “E eis que a Virgem conceberá e dará a luz um filho, e ele será chamado Emanuel, que significa Deus Conosco (Isaías7,14).

E assim é no Ceará. A fé, lá uma certeza inconteste, os faz louvar a Deus todos os momentos e não há família que não o faça conferindo a, pelo menos, um de seus filhos, o nome da Co-redentora, Maria de Nazaré. É comum, por lá, as famílias, homens mulheres e crianças, se reunirem para desfiar as contas de um terço. E o fazem não apenas para pedir, para mercadejar com Deus, fazem-no para agradecer, louvar e confirmar sua fé.

Era bem isto que eu imaginava ser aquela profusão de Marias por todos os cantos. E porque não homenagear Jesus, reverenciando sua mãe? Assim eles pensam. Assim eles fazem. Assim é no Ceará. Ou parafraseando o cantor e compositor Raimundo Fagner: “no Ceará é assim!”.

Penso até que poderia extrapolar esta devoção a todo o nordeste. Afinal, não era Maria, a Bonita de Lampião?

              Luiz Eduardo Caminha

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