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P R I M A V E R A

Luiz Eduardo Caminha

 

Final de setembro, mês de outubro, novembro é assim mesmo. Todo o santo ano! Chuvas, às vezes intensas, às vezes ininterruptas, às vezes, entretanto, insuficientes, face aos malefícios provocados pelo homem contra a natureza. Mas, não nos deixemos enganar. Quem quer se programar para o sol, não o faça neste período.

 

É Primavera, a estação das flores, a estação que desperta a natureza, a estação das chuvas. O astro-rei parece perceber que precisa acompanhar toda esta fantástica metamorfose que a natureza proporciona a cada chegada da desta estação. Em meio às chuvas, lá e cá, uns dias ou outros, o céu azul aparece e, com ele, aquele calor gostoso do sol, o piar galanteador dos pássaros no ritual do acasalamento, o brotar das árvores trazendo o verde das folhas novas, as flores que dão cor e alegria aos jardins e ambientes. Parece que tudo nos permite uma espécie de retomada de forças como se as baterias que andavam meio descarregadas recebessem uma carga extra.

 

Tudo parece adquirir novas cores, novas formas. Até o humor rabugento do inverno é substituído pelo colorido sorriso primaveril.

 

Em meio a estes fenômenos seria interessante que pudéssemos fazer uma reflexão. Que instrumento impressionante é este que a cada ano - como se um relógio universal estivesse a cronometrar segundo a segundo - faz despertar a natureza? Que organização fantástica é esta que num repente ordena a todos os animais – é hora de acasalar, procriar, para garantir a preservação das espécies?

 

Que força maravilhosa é esta que tira da terra os minerais necessários à elaboração da seiva e que a orienta: é chegado o momento de subir o tronco, percorrer os ramos, os galhos, até a ponta de cada um deles para nutrir aqueles brotos a fim de tornarem frondosas as nossas árvores!

 

É evidente que poderíamos argumentar que tudo é produto do clima, do ciclo biológico da vida, da própria estrutura do universo, da natureza, etc. Mas, quem tem paciência para observar cada minúsculo movimento dos seres nesta época, quem têm um tempo, menor que seja, para perceber o despertar da mata, escutar um botão ou as asas de uma cigarra se abrindo, quem tem o desejo de prescrutar, de meditar sobre o que acontece com a natureza que nos rodeia, tem que admitir : é tudo organizado demais para ser verdade! Parece que mãos invisíveis vão trabalhando aqui, dando um colorido ali, pintando um tom acolá, de formas que tudo vá acontecendo tal qual numa orquestra onde o maestro, com um simples meneio da batuta, tira dos instrumentos, ou faz com que cada músico o tire, aquela nota necessária e adequada para compor a afinada sinfonia.

 

continua