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O  P E R D Ã O
Luiz Eduardo Caminha

Ao lermos, na Bíblia, o Antigo Testamento surpreende-nos a infinita misericórdia de Deus. Os hebreus, por Ele escolhido como Seu Povo passam, ao longo de todo o tempo que permeia os Livros Sagrados, por contínuos vai e vem, quedas e soerguimentos, idolatria e volta ao convívio com seu Deus, Javeh.

São incontáveis as promessas de Deus para este povo que responde em igual número com desvios do caminho que Ele determinava fosse seguido. Durante todo o tempo, inconformado com os seguidos descaminhos de Seu Povo, Javeh envia-lhes profetas, mensageiros, para não apenas anunciar sua indignação, mas, sobretudo, para chamá-los à realidade, ao cerne de sua mensagem: Eu serei o teu Deus eternamente. É a mim, e não a outros deuses que deveis seguir.

Mas, de nada adiantava. A cada volta ao Caminho, uma nova queda. O mais admirável nesta história prende-se a dois aspectos:

Primeiro a infinita misericórdia de Deus. Não lhe bastava que o Seu Povo retornasse. Era preciso perdoá-lo. E, numa insistência obsessiva Deus os perdoa sempre. Durante todos os inúmeros episódios retratados no Velho Testamento, lá está a figura de um Ser incomensuravelmente misericordioso, lá está a mão estendida, protetora a chamá-los à volta à casa do Pai, a perdoar-lhes os pecados cometidos.

O segundo aspecto reveste-se de uma simplicidade única, algo que denota a humildade com que Deus se apresenta, dando exemplo a seus perdidos seguidores. Este aspecto prende-se ao âmago da mensagem divina: o que Deus queria deste povo? O que lhes exigia? O que lhes impunha como caminho para continuarem a ser os escolhidos? Praticamente nada. Que seguissem a Lei de Moisés? Sim. O Decálogo, conhecidos como os Dez Mandamentos, foi uma fórmula prática que Deus encontrou para traçar-lhes regras que, se seguidas, não os deixaria cair novamente. Mas, no que eles se resumem? No novo Testamento, ao ser questionado por um doutor da lei que queria testá-lo, Jesus Cristo deixa a resposta.

“Mestre, qual é o maior mandamento da lei?” Respondeu Jesus: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito. Este é o maior e o primeiro mandamento. Mas, o segundo, é semelhante a este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Nestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas” (Mateus 22,34-40).

 

continua