O Pão que é Vida...
A Bíblia Sagrada é repleta de mensagens que são verdadeiros
tesouros para quem as medita. Não poderia ser diferente. Ela é o
Livro inspirado por Deus. Uma das passagens mais impressionantes
que agora vos convido a meditar está no Evangelho de João,
Capítulo 6, versículos 22 a 71. Trata-se do discurso sobre o Pão
da Vida. Jesus Cristo se revela por inteiro mostrando os meios
necessários para chegarmos ao Pai. Nele, aliás, está muito clara
a figura, ininteligível para alguns, da Santíssima Trindade, o
Pai, o Filho e o Espírito Santo. Três pessoas em um só Deus. Ah!
Como é difícil compreender este mistério.
Se meditarmos em suas Palavras,
veremos o próprio Filho, Jesus,
intercedendo junto a seu Pai, para que nos cubra com as luzes do
Espírito Santo permitindo que nossas mentes se abram. Duvidas?
Experimente, então! Peguem sua Bíblia – não precisa ficar
envergonhado em fazê-lo – vá para o seu quarto, um canto qualquer da
casa, o banheiro mesmo, e leia calmamente, meditando a cada
frase, a cada passagem. Imagine-se em Cafarnaum, na Sinagoga,
perto do Mar da Galiléia. Deixe a brisa marinha (melhor seria
dizer lacustre, eis que era um lago) afague seu rosto.
Respire o ar que o envolve, vagarosa e profundamente, uma,
duas, três vezes. Feche os olhos e deixe a tela de sua mente se
abrir. Sinta a relva onde uma multidão está sentada, à
espera de um milagre, em busca da Salvação, à espera que aquele
Homem, de feições tão suaves, comece a falar-lhes ao coração.
E Ele começa duro: “Buscais-me, não porque vistes os milagres,
mas porque comestes dos pães e ficastes fartos”.
De fato, no dia anterior, na margem oposta do lago, Jesus tinha
tomado 5 pães e 2 peixes e fizera o milagre da multiplicação dos
pães, onde todos se fartaram e ainda sobraram doze cestos. E Ele
vai além: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que
dura à vida eterna que eu vos darei”.
Ao retrucarem com o maná do deserto, quando Deus Pai saciara a
fome de Israel com o pão descido do céu, Ele os admoestou: “Não
foi Moisés quem deu a seus pais o pão dos céus. Foi meu Pai e é
Ele quem vos dará o verdadeiro pão do céu. E aí, ele confunde a
cabeça da multidão: “Eu sou o Pão da Vida: aquele que vem a mim
não terá fome e o que crê em mim, jamais terá sede... Pois desci
do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele
que me enviou e é esta a vontade de meu Pai: todo aquele que vê
o Filho e nele crê, terá a vida eterna e eu o ressuscitarei”.
Àquelas alturas, confusos, muitos murmuravam, queixavam-se entre
si como era difícil compreender o que ele dizia, o que era este
pão do céu? Ele, impassível, continuou com sua voz cativante: “Eu sou o
Pão da Vida. Vossos pais comeram o maná e morreram. Eu sou o Pão
vivo que desceu do céu. Quem comer deste Pão viverá eternamente.
E o Pão que eu hei de dar é a minha carne para a Salvação do
mundo”.
Deixe-se invadir
pelo mistério e permita que a dúvida penetre sua mente,
como aos que lá estavam: “Como pode nos dar de
comer a própria carne?”.continua |