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Morros pareciam torres de castelos de areia. Ribeirões transformados em caudalosos rios de entulhos, pedaços de móveis, água barrenta de cor escarlate. O sangue da terra misturando-se ao das vítimas dos soterramentos. Não mais um único bairro, mas a cidade, a região inteira sofre a fúria de uma natureza que parece querer vingança. É a maior tragédia da história de Santa Catarina. Os números da catástrofe ampliam-se. Uma calamidade! Os efeitos são inúmeras vezes superiores aos do passado. Para alguns, o Apocalipse começava a sair da letra. O Brasil se solidariza novamente.

Num abrigo a esperança veste-se de criança. De aniversário, sonha uma festinha. Seus pais choram os parentes vitimados. O espectro da morte, foice à mão, ceifa vidas. Parece não haver sobrado pedra sobre pedra. Apesar disso, o povo já pensa o amanhã, a reconstrução. Respira - pois respirar é preciso - a esperança de uma vida nova. Brioso e corajoso povo! Das cinzas, das brumas, fará nova colheita, verá o sol reluzir de novo. Revive-se Jeremias que, apesar das desgraças, mantém sua inabalável fé em Deus na esperança certeza de um futuro melhor Blumenau, a ordem é reconstruir

Não se ouve mais “Hallo Blumenau! Bom dia Brasil! Dezessete dias de folia!”, a música que Helmut Högl celebrizou como um hino da Oktoberfest. No rádio a voz de Ivan Lins: “Começar de novo e contar comigo. Vai valer a pena ter amanhecido”.  A ordem é reconstruir e pelo que conheço dessa gente, isto é uma questão de tempo. Muito pouco tempo! Avante – mais uma vez – Blumenau!

Amor, Paz e Bem, que não custa nada a ninguém

Luiz Eduardo Caminha, 27.11.2008

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