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Construindo a Esperança
No
apagar das luzes de um ano marcado por guerras, desastres
econômicos e naturais, parece restar-nos esperar a Esperança. O
último dos males, o destruidor da Esperança, encarcerado na
Caixa de Pandora, parece ter sido liberado. A lenda grega se
torna realidade e o homem, cuja vida seria marcada
definitivamente pelos diversos males liberados da caixa, está a
mercê de ver destruído o último alento de sua vida terrena, a
Esperança, que alimenta o incontido desejo de um mundo melhor.
Os outros males, resumidos por todas as calamidades e desgraças
que até hoje atormentam os homens, já haviam sido liberados pela
ambiciosa Pandora.
A
lenda não afirma, mas a meu ver, foi o próprio homem que movido
por estes males, tratou de multiplicá-los em meio à humanidade.
Uma outra versão dá conta de que o último dos segredos da Caixa
de Pandora seria, na verdade, uma virtude, a própria Esperança.
Uma vez liberada, o homem passou a ter o pleno conhecimento dos
males liberados e a ter ciência de que não haveria Esperança que
pudesse triunfar sobre eles.
Escrita por Hesíodo no século VIII antes da era cristã, a lenda
cai por terra quando Deus se faz Emanuel (Deus Conosco). O
nascimento de Jesus é, pois, a antítese à própria lenda. Há,
sim, um futuro melhor para a humanidade. Há, novamente, a
Esperança, pautada no mandamento do Amor. Pela lenda, foi
através de uma mulher, Pandora, que os males da humanidade
vieram à Terra, assim como, no Gênesis, pela desobediência de
Eva, o homem foi condenado e expulso do Éden, do Paraíso, e
passou a viver suas penas na Terra. Em Jesus, é através de uma
outra mulher que a Esperança volta a viver entre os homens,
aqueles de Boa Vontade, de coração puro, que amam a Deus acima
de todas as coisas e ao próximo como se fosse a si mesmo.
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