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continuação...

 As traduções expressam o mesmo sentido, são fiéis ao enunciado. Entretanto as duas primeiras respostas de Pedro é que foram traduzidas erroneamente. Pedro responde a Jesus com um vocábulo que não tem, em hipótese alguma, o significado do sentimento que quer o Mestre. Pedro apenas diz: “Senhor, tu sabes que eu gosto de ti”. Repararam na enorme diferença? Cristo passou pregando o AMOR entre os homens como um mandamento tão poderoso como O AMOR A DEUS e, exige de Pedro a amplitude deste amor. Pedro, um homem rude, não capta esta sutileza. Só vem a percebê-la quando o Mestre inverte a pergunta, o que também não foi obedecido no texto grego e português. Pergunta o Cristo, nesta 3ª. vez: Simão, filho de João, tu gostas de mim mais que estes outros”. Aí é que Pedro percebe a troca do verbo que concede à questão um sentimento muito mais amplo. Era como se Cristo apenas quisesse saber se Pedro gostava do Mestre como se gosta de um parente, de uma outra pessoa qualquer. Por isto ele se entristece. Não é muito difícil entender porque a tradição quis ligar esta tripla profissão com a tríplice negação. Nem é de todo impossível perceber que Pedro tenha se lembrado do episódio em que negara o Mestre. Triste, por ser tardo em compreender ele corrige-se em tempo: “Senhor, tu tudo sabes. E sabes que eu te amo”. É esta a resposta que a pedagogia do Mestre quer:AMOR, mais que tudo. Não o amor carnal, erótico. O AMOR de quem é capaz de trocar sua vida pela de um semelhante, exemplo que o Mestre acabara de dar na sua morte de Cruz.

Quando pois estivermos a refletir sobre a nossa condição humana e a outra que nos faz filhos diletos por quem o Pai Celeste, por AMOR a todas as criaturas, entregou seu próprio Filho é preciso que respondamos:

Qual o sentimento que nutrimos por Deus, por Jesus Cristo? Apenas os admitimos e até temos uma grande admiração? Ou somos daqueles que “gostamos” deles? Quem sabe nós somos aqueles que dizem – bem alto ou baixinho – “eu os AMO”. É bom saber que há uma outra lição que nos foi deixada pelo Mestre, além de seu ato de extremo AMOR por nós: “Se alguém disser: “Amo a Deus”, mas odeia seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que não ama seu irmão, a quem vê, é incapaz de amar a Deus, a quem não vê” (1ª. Carta de João 4,20)

São estas pequenas sutilezas linguísticas e das traduções que mudam a essência de toda a mensagem. Também assim o é quando tratamos do termo alma (do latim “anima”). Bem, mas disto eu falo na próxima...


Amor, Paz e Bem que não custa nada a ninguém!

Luiz Eduardo Caminha

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