O livro “Saboreando Crônicas” de Luiz Eduardo Caminha, cai no agrado de escritores reconhecidos. Pelo menos, esta é a opinião do colunista Gervásio Tessaleno Luz, do Jornal de Santa Catarina e do Escritor e Artista Plástico Tchello d’Barros, hoje radicado em Maceió.
Saborosas crônicas
Luiz
Eduardo Caminha e este escriba têm algo em comum. Ele, nascido em Florianópolis,
residiu em Blumenau, e agora voltou a sua terra, com casa nas bandas de Ratones.
Escreve mui bem sobre lá e cá. Eu nunca morei na Ilha, mas toda vez que a
visito, retorno com fontes de inspirada criação. O que talvez explique o
fato:nossas origens vêm de lá, Portugal. Dele, pelo que me conste, totais. Não
creio que possua ascendência alemã. Eu sim, carrego um discreto ar germânico.
O médico, também literato, está lançando um volume de crônicas. Acompanha cada
texto uma receita culinária. E o prato especificado consta do relato.
Possuem gosto maravilhoso todos eles. Na impossibilidade de comentá-los um a um,
por falta de espaço, fiquemos com apenas estes dois:
As tali baga - Um professor de português incumbiu Caminha, inda jovem, de fazer
um trabalho dissertativo de algum recanto da Ilha, descrevendo hábitos,
costumes, curiosidades e o linguajar de seus moradores. A intenção era criar um
acervo de imagens a ser apresentado aos turistas. Em companhia de familiares,
conviveu com pescadores. Numa hora de comes e bebes, um conhecido abriu uma lata
de azeitonas. Surpreso, um nativo exclamou: "Oi, ió ió! As tali baga!" A
curriola quis saber que expressão era aquela.Foram levados até um rancho de
barcos onde se encontrava um barril com as "tali baga" (= as tais bagas). Eram
azeitonas argentinas, perdidas por um navio, vítima de forte tempestade.
Curimatã, tucunaré e pirarucu - Congresso Anual de Colo-proctologia em
Fortaleza, Ceará. O presidente da sociedade, um poeta, surpreendeu os convidados
ao revelar os peixes símbolos do encontro. Curimatã, tucunaré e pirarucu. Todos
contendo em uma sílaba (inicial, medial ou final) a especialidade dos médicos
participantes.
A obra traz exemplos do manezês, termos e expressões típicas dos manezinhos, com
a melhor explicação possível.
Caminha tem a carta na mão. Convence contando casos e causos de Floripa e do
Vale, em estilo simples e delicioso. Saborosas crônicas têm duplo sentido. São
gostosas de ler e os pratos sugeridos - tenham certeza - são daqueles de se
comer rezando.
Gervásio Tessaleno Luz
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Luiz Eduardo Caminha é um homem do Renascimento. Só que atuando em plena contemporaneidade com seus vários talentos, seja cantando, tocando, pintando, escrevendo, gourmetiando ou ainda organizando encontros, sejam literários, gastronômicos ou culturais. Mas a tônica é sempre a mesma, a aproximação das pessoas em torno da amizade, como por exemplo o grande sucesso que é o mega evento Stammtische, de Blumenau/SC.
Bem, eu já conhecia a produção poética do rapaz, e quando, aqui em Maceió, abro seu recente livro Saboreando Crônicas, fiquei um pouco apreensivo com esse título tão singular, mas bastou ler a primeira crônica e a ficha caiu na hora. Trata-se de uma obra das mais saborosas, nos dois sentidos, pois não bastasse o fato de cada crônica vir acompanhada de uma receita gastronômica, o autor tempera suas contações de causos e histórias com uma linguagem que é praticamente o autor falando, conversando, coisa rara nos cronistas contemporâneos. Quem conhece o Caminha pessoalmente vai confirmar isso. Manuel Bandeira já dizia que o Brasil é o único país onde as pessoas escrevem de uma forma diferente da que falam. Taí um livro pra andar um pouco na contramão dessa afirmação.
Quanto a leitura do livro, talvez caiba uma metáfora culinária: sabe aquele almoço onde a gente já se alimentou o suficiente mas não consegue parar de comer porque a comida está muito saborosa? Pois é, assim é o Saboreando Crônicas. Havia me planejado pra ler uma crônica por dia, mas quem disse que a gente consegue parar de ler? É que o autor, com sua linguagem de bate-papo entre amigos, nos transporta para as historietas de uma forma que a gente se sente envolvido pelos causos e personagens, muitos deles hilários, e mal termina uma crônica, já se quer saber da próxima, como se fosse num rodízio de pizza ou churrasco.
É possivel que o livro seja recebido como uma coletânea de crônicas sobre causos, sobre culinária ou mesmo de humor, já que é impossível não rir sozinho ao ler as presepadas dos personagens do Caminha. Mesmo na escrita o autor consegue traduzir os sotaques de manezinhos de Floripa, dos alemães da germânica Blumenau, e até mesmo o inconfundível e musical sotaque de nossos irmãos nordestinos. Mas digo que esse trabalho vai além. É um livro de Crônicas no sentido mais amplo do termo, pois trata de costumes, hábitos e de vivências de uma época e de um lugar, de vários lugares. Nas entrelinhas dos fatos percebemos o modo de viver não apenas de alguns grupos de cidades catarinenses, mas também do Nordeste, onde esse escritor e agitador cultural é figurinha fácil, dadas as suas andanças e confessa paixão por várias cidades desse lado do país.
Saboreando Crônicas é um livro para se gostar e degustar. É ainda uma obra que surge como um acréscimo de qualidade para a literatura contemporânea de Santa Catarina.
Tchello d'Barros.

O que: Lançamento / Noite de Autógrafos
Título: Saboreando Crônicas
Autor: Luiz Eduardo Caminha
Onde: Espaço Cultural Elfi Eggert – Fundação Cultural de Blumenau
Rua 15 de Novembro, 161 (Antiga Prefeitura de Blumenau)
Quando: 16 de Outubro de 2008 – 19:30 horas