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Meu candidato foi eleito
Foi com
grande interesse que Viriato acompanhou a apuração das urnas
nas últimas eleições. Para ele, era como se seu time do
coração estivesse numa final de campeonato. Pelo rádio,
jornal ou televisão acompanhou de perto a evolução dos
números. Foram momentos de muita emoção.
A
tristeza ficou por conta do seu candidato a prefeito de
Blumenau, que amargou uma derrota não esperada. Porém nem
tudo foram espinhos. Seu escolhido para vereador, este sim,
trouxe-lhe a alegria da vitória. Foi surpreendente. Jamais
havia imaginado que aquele cara fosse realmente se eleger.
Mas enfim, valeu a aposta.
Tudo
começou com um largo sorriso e um efusivo aperto de mão que
o mesmo lhe deu ao se cruzarem na rua. Ambos moram no mesmo
bairro e possuem o hábito de caminhar.
- E aí
meu amigo, você já tem em quem votar para vereador? -
perguntou o então candidato.
- Ainda
não! É tão difícil escolher um nome entre tantos... -
respondeu Viriato, de forma bastante sincera.
- Não
seja por isso. Vou lhe dar um nome do qual jamais vai se
arrepender.
- Quem?
– perguntou Viriato, fingindo ingenuidade.
- Eu
mesmo. Estou concorrendo pelo meu segundo mandato e muito
tenho feito na câmara.
- Estou
entendendo! – falou sem ter a mínima noção do que a tal
pessoa tinha feito.
- Além
do mais, somos vizinhos e me parece que o nosso bairro
precisa de melhorias urgentes, não acha? Quem melhor do que
eu para zelar pelos nossos interesses?
- Sim
concordo – falou Viriato meio desconcertado por não ter a
mínima idéia do que o seu interlocutor havia feito de
concreto no mandato anterior.
O papo
não evoluiu muito. Por alegar diversos compromissos, a
simpática figura pediu desculpas e seguiu em frente. Não sem
antes deixar aquela boa impressão.
Outras
vezes se cruzaram e o mesmo ar amistoso só fez consolidar em
Viriato a certeza de que aquele era o candidato ideal.
Certeza tão firme, que o levou a tentar convencer sua mulher
a fazer o mesmo.
Agora,
era só alegria. Encarou a vitória do candidato como a
vitória do seu time. Havia de certa forma se empenhado e
torcido para isso. Assim, pode curtir com entusiasmo, quando
o mesmo desfilou em carro aberto pelas ruas do bairro,
acenando para todos e esboçando aquele sorriso cativante.
Que pessoa! Que simpatia!
Entretanto alguns dias depois, Viriato pode constatar que o
seu candidato simplesmente sumiu do mapa. Nunca mais o viu
caminhando pelas ruas do bairro, nem ao menos dentro do
próprio carro o pode ver. Os vidros agora por demais
escuros, impediam que se tivesse qualquer idéia de quem
estava no seu interior.
- Mas é
um pouco caso! – falou ele indignado se dirigindo à sua
mulher, que estava a par dos seus contatos anteriores.
- É uma
questão de coerência – completou ela.
-
Coerência, como assim?
-
Quando os votantes escolhem os votados pela simpatia
apresentada na campanha, esta simpatia só precisa durar
exatamente o tempo da campanha.
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Geraldo
Simas
Silva
Saiba mais de Geraldo Simas Silva:
http://www.menteativa.com.br
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