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Zilda Filomeno Machado

Os tempos eram outros. Menos bicudos que os atuais. Tempos em que ao homem cabia a função de mantenedor da família. À mulher cabia a nobre função de genitora e, educadora dos filhos e gestora da casa. Vale dizer, a função destinada àquela jovem judia de Nazaré, Mirian (ou Maria para portugueses e brasileiros), de ser Mãe. Com todas as complexas conatações que a palavra pode ter.

Os tempos eram também mais calmos, de violência beirando a zero. Tempos em que se visitavam os presos nas penitenciárias para escolhe-los dos Programas de Recuperação Social, para executarem trabalhos comunitários. Tempos em que outros presos eram artesãos nas diversas oficinas da Penitenciária Estadual. E outros havia ainda que eram “hóspedes” da Colônia Agrícola, na região de Canasvieiras / Cachoeira do Bom Jesus. Tempos em que os crimes de morte eram raríssimos e os nossos morros eram ocupados apenas por um bom número de trabalhadores que, diariamente, vinham exercer suas atividades laborais na cidade.

Eram tempos em que o consumo restringia-se ao necessário e o luxo era privilégio de uns poucos. Tempos em que todos os que casavam queriam casas, e quem queria casa, queira criança e quem queria criança, queria jardim, quem queria jardim, queria flor. Tempo em que o Amor transbordava nas músicas, nos movimentos sociais do mundo inteiro e, sobretudo, nas casas dos florianopolitanos, blumenauenses, de todos os catarinenses.

O tempo desta nossa personagem vai ainda mais longe. Tempo em que a Ponte Hercílio Luz sequer existia e as catraias faziam a ligação ilha-continente, uma das linhas, inclusive, pertencente a seu pai, ligando São José ao Centro de Florianópolis (até bem pouco tempo, Nossa Senhora do Desterro).

Tempo em que os Filomeno, fixados na Praia Comprida, deram nome ao local, homenageando uma Santa que lembrava-lhes o nome da velha Itália, Santa Filomena.

Era o tempo da Florianópolis e da São José pertencentes ao rol de Vilas, mas que não passavam de pequenos vilarejos perdidos ao sul da costa deste imenso país continente chamado Brasil.

 Tempo de saudade, de doces lembranças, embora duas guerras, lá na distante Europa tenham assombrado o mundo.

Nascimento: 29 de agosto de 19l8.

Cidade: São José

Estado: Santa Catarina

Nacionalidade: Brasileira e Italiana.

Formaçã: Normalista, no Colégio Normal

Filiação :  José Filomeno (natural da Itália – Morano/Calábria)

                 Thereza Bunn Filomeno (natural de São José)

Casada com Humberto Machado

 

 Seu pai, José Filomeno, era comerciante na cidade de São José. Proprietário de duas companhias que deixaram marcas na região:

Filomeno e Cia (Fábrica de café Indiano; Armazém de secos e molhados) e da Empresa de Transporte Marítimo de carga e pessoas São José/Florianópolis.

Foi Vice-Prefeito e Prefeito de São José.

Presidente da Junta Comercial do Estado e

Promotor de Justiça

Na Arte e Cultura marcou sua passagem ao inatalar o 1º Cinema de Santa Catarina, na Praça de São José, o Cine Café York (cinema mudo).

Do namoro com um jovem de numerosa família florianopolitana, Humberto Machado, veio o casamento.

Humberto Machado era Funcionário Publico Federal e Comerciante.

Sócio do Machado e Cia Comércio e Representações Ltda. e Nilo Machado e Cia

Esteve também a frente do Departamento de Transportes Obras e Vias Públicas de Florianópolis na gestão do Prefeito Osvaldo dos Passos Machado (seu irmão), do General Paulo Eugenio Weber Vieira da Rosa (General Rosinha) e de Acácio Garibaldi Santiago.

Foi membro ativo do Figueirense Futebol Clube, exerceu a Presidência do Clube de l955 a l96l, sendo também membro de seu Conselho.

Vice Presidente da Federação Catarinense de Futebol na gestão de Osni Mello, tendo, inclusive, respondido pela Presidência desta entidade. Era membro da Irmandade Nosso Senhor Jesus do Passos (Hospital de Caridade).

 

Fiel à função de genitora que lhe era destinada, cumpriu-a até a plenitude. Foram nove (9) filhos;

Marilza Machado Goulart

João José Machado

Marilene Filomeno Machado Ribeiro

Maria da Graça Machado Wagner

Maria Tereza Filomeno Machado Busch

Carlos Humberto Filomeno Machado

Roberto Filomeno Machado

Rogério Filomeno Machado

Antonio Carlos Filomeno Machado

Desta numerosa prole, o tempo lhe premiou com uma verdadeira comunidade:

8 genros e noras

23 netos

10 bisnetos

15 agregados 

Num impressionante número de 65 pessoas 

A par disto, assumiu com incomum competência a função de matriarca da família, o que de certa forma desempenhou com razoável facilidade dado à sua descendência italiana. Era sua a última (ou quase última) a voz de comando na família. Ao marido reservava apenas aquelas ocasiões em que sua raríssima fragilidade não lhe permitia resolver. 

Foi de tal forma sua dedicada atenção de mãe que acabou por viciar alguns dos filhos. Era comum fazer um prato diferente, de acordo com as exigências mais africotadas de alguns. Vai daí que, um deles, pelo menos, tornou-se um voraz comilão de carne de frango, preferencialmente o peito “porque os dentes, quando ainda menino, eram muito frágeis, tadinho!”. Coisas de mãe. Coisas de mulher zelosa. 

Em 29 de Agosto de 2008 completou 90 anos de existência e muita saúde.

Por tudo isto, e por muito mais, recebe nossa homenagem:  ver

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