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Entrevista do Mês:

Ernesto Gazziero

e sua receita de Polenta Brustollata

 

 

1. Nome Completo e data de nascimento.
R:Ernesto Gazziero Filho- 22/11/1948
 

2. Nome dos Pais
R:Ernesto Gazziero e Theóphila Pisa Gazziero 

 

3. Local de nascimento
R: Blumenau, no H S I

Gazziero preparando sua receita.

4. Onde viveu sua infância.
R: Os primeiros 6 anos em Itajaí (não se fazia cesárea lá), por isto

nasci,assim como meu irmão, Dionísio, em Blumenau. Lembranças dos amigos de então, do lugar, da Igreja, do padre Vandelino (feroz), do Balneário de raras casas. Dos 06 aos 10 anos moramos em Rio do Sul (South River – Ohio –SC.) terra muito amada e na qual, mesmo não mais morando, ali passei os melhores tempos de minha infância e juventude, com meus amigos desta fase da vida, João Zuza Jr.(João Rosar) e Lilo Gottardi. Lembranças das viagens de trem até Itajai, da casa de meus avós maternos na Barra do Trombudo, viagens a pé até Rio do Sul, caçadas com fundas, enchentes.

Depois, 1 ano em Joinville (de excelentes lembranças), estágio para finalmente Curitiba, para onde meu pai nos levou para que pudéssemos estudar e ser alguém um dia! Não sei se estudei o suficiente mas, sai de lá Médico, meu irmão Agrônomo e minha irmã ficou lá, Odontóloga...

 

5.Qual a sua Profissão? Qual (is) Especialiade(s) você exerce?
R: médico formado pela U F Pr em 1972. Endocrinologia, Metabologia e Diabetes como primeira especialidade, depois Medicina do Trabalho, mais recentemente Nutrologia e finalmente Medicina Estética&Prevenção do Envelhecimento(especialidade e mestrado).

Hoje faço Pós Graduação em Medicina Preventiva de Doenças do Envelhecimento

 

6. Quando e como começou a se interessar pela Cozinha?
R: Não bem na cozinha, mas como assador de picanhas, que aprendi com meu pai, além da costela de sal grosso em 45min. Depois, fui começando a olhar, sempre com a observação dos amigos para o “não vai estragar o prato”, ajudando alguns no Locomotiva, mas tudo sempre sem grandes entusiasmo 

7. Qual o tipo de Cozinha que mais preza: Brasileira? Francesa? Alemã? Italiana? Internacional? Etc.
R: Talvez pelo hábito de família(italianos de pai e mãe) de comer de tudo, até por necessidade, gosto de todas. Naturalmente a italiana me atrai mais, não pela origem, mas também por lá ter começado realmente a desvendar os caminhos da cozinha, além de me fascinar a cozinha mediterrânea, com muito óleo, queijo, ovo, pasta, peixes, frutos do mar, etc, tudo ao contrario do que se orientava aqui(em 1993). Mas todas tem excelentes idéias nutricionais e do prazer da boa mesa (feijoada, “boeuf poivre”, “schlachplate” ,”arrosto di mosarela di buffala”, sushi, sashimi, arroz de chopsuey, pastel de polaco(pieroghi).É muito bom comer bem!!!

8. Momento Especial: Faça referência a uma (s) saudade (s) que você gostaria de relatar.
R:Do meu herói, naturalmente, meu pai. Era Fera!! Saiu do Banhado Grande, então município de Cruzeiro, hoje Joaçaba,conseguiu fazer o primário e tinha uma letra muito melhor que a minha!!! Lutou muito, enfrentou de tudo, foi Madeireiro (no tempo em que tínhamos um mar de araucárias brasilienses nos estados do sul), viajei muito com ele nas estradas de lama de então- uma semana para ir de Curitiba a Francisco Beltrão e voltar. Conseguiu nos instruir(claro que quem nos educou e aturou foi a mama,hoje com 74anos). Quando morreu foi que compreendi a morte, a perda e senti a ausência de seu espírito alegre e brincalhão. Saudade grande e boa!!

9. Você foi um dos responsáveis pela recuperação da Unimed Blumenau. A par disto, exerceu uma série de atividades na Cooperativa em diversos níveis. Foi também o responsável pela implantação da Unicred. - fale-nos a respeito.
R: A história é longa...Foram 18 anos da minha vida e de minha família em busca da utopia cooperativista... Iniciei na Unimed Blumenau (onde fui reeleito por 4 vezes e por 9 anos presidente),como unanimidade(!!!) e tivemos sorte de termos escolhido o Arnoldo César Feller para nosso Gerente. Ele sabia de cooperativismo. O que não sabia, aprendemos com a Unimed Joinville (Ivo Ferreira-Ondyr Macuco – Jose’Carlos). Mas o principal para a recuperação Unimed Blumenau foi que os médicos cooperados compreenderam que teriam que trabalhar muito, dando o melhor e DE GRAÇA, para pagarem as contas!.1ano e 7 meses sem ver a cor do dinheiro. Mas este sacrifício construiu o cimento que criou a Fortaleza e Exemplo nacional de Empresa Cooperativa, a Unimed Blumenau. Foi a criatividade do trio Koelbel, Zillig, Ernesto, sob a batuta do Feller, que forjou e deu princípios a esta Unimed. Desde o inicio fomos exemplo, primeiro pelo trabalho longo e grátis dos médicos ( todo o Brasil soube disto) depois pelo saudoso plano especial, e até hoje os dirigentes e cooperados da Unimed Blumenau colhem os frutos do que foi plantado então. Depois fui para a Federação, que presidi por 8 anos. Ela havia sido fundada em 1982, mas realmente deslanchou e se instalou, como um verdadeiro império por toda Santa Catarina, na minha gestão. Dela surgiu a idéia da Unicred, que nos apressamos em fazer a primeira de estado aqui em Blumenau, Depois veio a Unimed Mercosul, depois -aqui em Blumenau de novo- a Cooperativa de Usuários Usimed, depois a Unisanta – depois o Hospital Dia* (muito polêmico, mas o dinheiro saiu da Unicred, então sob minha presidência). Antes de tudo, quando ainda presidente da Unimed Blumenau, fui um dos fundadores da Seguradora Unimed. Para coroar minha carreira, fui convidado para substituir o Castilho (1997) na Presidência da Unimed do Brasil. Fiquei muito honrado com a escolha, mas nesta altura eu já traçava meus planos para ser apenas médico, até porque, as manobras do governo apontavam para uma futura descaracterização do cooperativismo, o que hoje é real. Hoje somos uma cooperativa apenas no nome, por culpa do governo. Ele engessou as cooperativas e as transformou em empresas corporativas, ou corporações ou... Não queria estar no pelo dos dirigentes atuais: Não podem criar!!

Sobre Unimed, tem muito mais,tudo em matéria que dá uns dois livros, guardadinhos para a epóca certa!
 

* NOTA DA EDITORIA: O Hospital Dia foi fundado na gestão do Dr. Wálmore Pereira de Siqueira Filho, então Presidente da Unimed Blumenau, tendo à frente do EMPREENDIMENTO OS Drs. Luiz Eduardo Caminha e Sérgio Mendonça. A fonte de financiamento para o Hospital Dia e S.O.S. Unimed foi a Unicred, cujo Presidente era o Dr. Ernesto Gazziero, nosso entrevistado.

10. Recentemente você fez especialização médica na Itália. Fale-nos sobre esta experiência.

R:Na época nossa moeda era paritaria... Excelente na verdade; reciclei minha medicina, aprendi a aprender com o Cliente, a permiti-lo participar, interagir e principalmente, que, com o devido respeito, sou um “operário” do seu organismo. Sem a participação do Cliente o tratamento não anda!!! Aprendi que a estética é inerente ao ser humano, ao animal, a todo tipo de beleza e que principalmente, se ao te olhares no espelho de manhã e gostares do que vês, teu dia será muito bom!! Aprendi muito!! Mas principalmente o que eu já fazia, desde o inicio de minha vida como endocrinologista, que eu tratava sempre de Prevenção de Doenças do Envelhecimento, com o diabético. Ah, também aprendi a falar,examinar e a escrever naquela que é uma língua muito bella, l’italiano.

Na verdade me interessei ali, muito mais pela cozinha por que assim com tínhamos aulas de medicina, endócrino, dermatologia, vascular, psiquiatria, psiconeuroendocrinoimunologia, estética, termalismo, etc,tínhamos aulas de gastronomia(Ciência da alimentação), com o Prof. Del Tomma, E comecei a me meter na cozinha!!
 

11. Estas idas à Itália incrementaram de alguma forma o seu Know-how em cozinha?
R: Não acho que tenha know-how. Me acho um curioso, que de repente decide fazer algo. Minha mulher e meus filhos são muito melhores do que eu. Na Itália aproveitei a oportunidade e aprendi com prazer o prazer da boa mesa.
 

12. Durante algum tempo você foi uma espécis de Consultor do Programa do Gustavo Siqueira na TV Galega. Conte-nos esta experiência por trás das câmeras e sua repercussão na cidade.

R: Foi muito bom. Para o ego (tinha saído da Unimed, onde era “il capo di tutti i capi’’), mas principalmente porque me permitiu passar a compartilhar com a coletividade um pouco do que aprendera na Itália. Me lembro que comer macarrão era mal visto e comer ovo era pecado quando comecei a falar a favor deles, com moderação. Posso dizer que tive um grande retorno em forma de credibilidade. Além disto, era um programa alegre, o Gustavo descontraído e genial e eu fui junto! Chegavam até a me pedir autógrafo!!! Pena que acabou!!!

13. Você também gosta de escrever. Alguma vez já se aventurou nesta área? 

Como disse antes, tenho algumas coisas escritas sobre cooperativismo e muita coisa sobre alimentação. Mas ainda não me aventurei.

14. Qual o livro que está lendo?

Terminei agora “os herdeiros de Nero” e estou na segunda pagina do “Médico de Homens e de Almas”. Se fosse para recomendar, o “Ócio Criativo”. 

15. Você freqüenta algum stammtisch, confraria ou patota? Fale-nos sobre o grupo. (OPCIONAL)

Locomotiva, há 30 anos. Se encaixa na definição de stammtisch, mas não foi criado como tal. O tempo (são só 30anos) deve lapidá-lo!

15. Qual o nome do Prato que você vai ensinar para o deleite de nossos leitores internautas?
 
R: Polenta Brustollata
 

17. Recado Final.
R:Caminha: Trata de melhorar logo! Tua cura depende de ti. Teus médicos te ajudam e te orientam para iluminar teus caminhos, mas a tua mente tem o poder. Use-o e viva!! È un’onore questa intervista” Grazie mille,

Uma abraço e obrigado, Ernesto.