O SUMIÇO DO NOME
                   Luiz Eduardo Caminha

 

   Não há dúvida que contribuiu para o sumiço desta cultura, o movimento nacionalista deflagrado, a partir de 1935, pelo o governo  tendo, como alvo preferencial, as colônias alemãs do sul do Brasil. Esta xenófoba campanha abafou as expressões públicas de germanicidade.  Deixou-se de falar o alemão em público; diminuíram as atividades dos clubes; as Sociedades de Atiradores (Schützenverein) tiveram seus nomes nacionalizados ou foram fechadas, a educação passou a ser feita em língua portuguesa e  era vergonhoso se declarar de origem alemã.
    Desta forma, termo e tradição desapareceram do coloquial comum dos blumenauenses e o "jeito de ser" dos stammtische acabou sucumbindo. Mais que isso, para disfarçar e fugir do aparato policial, desenvolveu-se o hábito de associar à reunião  de um stammtisch  uma atividade sócio-esportiva, como o futebol, a bocha, o bolão, entre outras, o que acabou por transformá-los em grupos ou patotas destinados a estas atividades. Mas, o que faziam, de fato, nada mais era  que perpetuar aquela tradição.
    O hábito de se reunir continuou como  traço cultural do blumenauense nestes grupos, entre os freqüentadores de sauna, de um mesmo bar, nos clubes de jipeiros, ou mesmo nos grupos de  amigos, que a cada final de tarde ou a cada "früestück", se sentavam  para um bate-papo. O que se esqueceu, foi chamar de stammtisch estas reuniões, algumas com regras, livros de ata, álbum de fotos, etc, outras sem qualquer formalidade. Deixou-se de ir ao meu stammtisch e passou-se a frequentar a minha patota, o meu grupo de  bocha ou bolão, a turma do cafézinho do bar Pingüim, do Marreta ou outro que o valha.
 

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