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Dr. Blumenau integridade, honestidade e tenacidade
A
leitura de seus livros, relatórios e de suas cartas - tanto
para seu sócio como para amigos e parentes - permite notar
algumas características marcantes do caráter de Hermann
Blumenau.
Uma
das que salta aos olhos é a honestidade: em momento algum
procurou esconder de quem quer que fosse os seus negócios,
quanto lhe custaram as terras, quanto recebeu do Governo
Brasileiro, a área da colônia adquirida por ele e por seu
sócio Hackradt e as outras requeridas junto à Província de
Santa Catarina. (1)
Sua
vida era um livro aberto. Muitos dos detalhes, nos dias de
hoje, certamente ficariam entre quatro paredes como, por
exemplo, o lucro obtido nos negócios, os prejuízos, quanto
seria possível auferir se contasse com operários brancos ou
escravos negros, etc. (2)
Detalhista, era incapaz de omitir o valor de qualquer
transação e, mesmo quando tinha que emprestar dinheiro aos
imigrantes ou aconselhá-los sobre investimentos na colônia,
fazia questão de não apenas registrar em seus livros
administrativos, como publicá-los. (3) Aliás, publicações
minuciosas de relatórios eram o que não faltaram no espólio
literário do Dr. Blumenau.(4)
A
outra era sua integridade moral. Religioso e honesto,
Blumenau dizia e escrevia abertamente que aproveitadores,
malandros, golpistas, ladrões pequenos ou grandes, ateus,
jamais seriam aceitos em sua colônia. E podia certamente
fazê-lo já que seu empreendimento era totalmente particular,
até ser assumido pelo Império em 1860. (5)
Não
é para menos que o Imperador D. Pedro II lhe dedicava tanta
confiança, o mesmo acontecendo com o Senador Visconde de
Taunay. O crédito que lhe era dado era de tal envergadura
que, mesmo sendo um estrangeiro e mesmo tendo dificuldades
financeiras motivadas sem dúvida por seu arrojado projeto de
colonização, o Imperador ao assumir a Colônia, deixou-o como
administrador de tudo. Inclusive do dinheiro que àquelas
alturas o Brasil emprestara aos cofres da própria Colônia.
(6)
Mas,
sem dúvida, o traço mais marcante desta personalidade foi a
sua tenacidade. Seu irrevogável desejo de fazer desta
colônia uma nova pátria, fé-lo contra todas as dificuldades.
É de sua própria lavra a notícia das dificuldades que
passaram: “ Nós todos éramos solteiros e não tínhamos
governo regular nas lides familiares. Os nossos produtos não
tinham preços. Era, enfim, uma verdadeira “vida de
cachorro”. A coisa ia tão mal que eu mesmo tinha a impressão
que o meu estabelecimento não teria futuro. Isto custava-me
muitas noites de insônia.”
E
vai mais além como se escrevesse um testemunho para a nossa
gente, para o futuro: “Devido aos poucos recursos que eu
tinha, era obrigado a fazer, apenas, as despesas mais
necessárias e não podia ser empregado. Fiz traçados de novos
caminhos (nas matas e nas terras), marquei derrubadas,
comprei, vendi e distribui víveres, tudo eu sozinho tendo
muito pouco tempo para pensar noutras cousas. Bem amarga e
ingrata é a tarefa de colonizar”. (7)
Hermann Blumenau era um teimoso idealista. Mesmo com a
oposição do pai, veio para estas terras e com seu suor foi
um exemplo a ser seguido. E, certamente, era este o seu
maior segredo. Os outros precisavam ver, e às vezes
envergonhar-se, com a sua perspicácia, o seu próprio suor
jorrado no dia-a-dia. Isto o transformava num espelho e
talvez este tenha sido o maior legado que deixou para os
descendentes dos imigrantes que aqui permaneceram
construindo e fazendo crescer este belo quinhão incrustado
nas matas que circundavam o mambembe e serpenteante Rio
Itajaí-Açu. (8)
Amor, Paz e Bem que não custa nada a ninguém
Luiz Eduardo Caminha
Referências
Bibliográficas:
1 –
BLUMENAU, Hermann - A colônia Alemã Blumenau na província de
Santa Catarina no Sul do Brasil – edição bilíngüe - Editora
Cultura em Movimento; Instituto Blumenau 150 anos, Blumenau
2002.
2 -
Richter, Klaus – As raízes de Blumenau, 1847-1850 In
Blumenau em cadernos, Tomo XLVII, n. 01/02 – Janeiro /
Fevereiro – 2006 – Editora Cultura em Movimento –
Fundação Cultural de Blumenau, 2001????
3 -
Blumenau, Hermann – Carta aos pais e parentes. In:
Blumenau em Cadernos, Tomo XXXIX, nº.6, Junho 1998, pg.
21-22 - Editora Cultura em Movimento – Fundação Cultural de
Blumenau, Blumenau, SC.
4-
SILVA, José Ferreira da, História de Blumenau, Fundação Casa
Dr. Blumenau, 2a. ed., 1988, Blumenau.
5 -
BLUMENAU, Hermann – Sul do Brasil em suas referências à
emigração e colonização alemã – 1ª. edição em alemão gótico
sob título “Südbrasilien in seinen Beziehungen zu deutscher
Auswanderung und Kolonosation, Rudolstadt, 1850 In Um
Alemão nos Trópicos, Editora Cultura em Movimento :
Instituto Blumenau 150 anos, Blumenau, 1999 – Tradução Curt
Willy Hennings.
6 -
FOUQUET, Carlos – “O imigrante alemão em seus descendentes
no Brasil, 1808 – 1824 - 1974”; tradução de Guido F.J. Pabst
do original alemão ”Derdeutsche Einwanderer und seine
Nochkommen in Brasilien” – Editores Instituto Hans Staden de
Ciências, Letras e Intercâmbio Cultural Brasileiro-Alemão;
São Paulo, copyright, 1974.
7 –
Silva, José Ferreira – Nos 175 anos de Blumenau, Homenagem
de Blumenau em Cadernos ao autor In: Revista
Blumenau em Cadernos, Tomo XVI, nº.9 -
Editora
Cultura em Movimento; Arquivo Histórico José Ferreira da
Silva, Setembro/1975.
8 -
BLUMENAU, Hermann – Guia de Instruções aos emigrantes para a
Província de Santa Catarina no sul do Brasil – 1ª. edição em
alemão gótico: “Leitende Anveisunger fur Auswanderer nach
der Provinz Sta. Catharina in Südbrasilien”, Rudolstadt,
1850 - Tradução SCHÜNKE, Annemarie Fouquet In: Um
Alemão nos Trópicos, Editora Cultura em Movimento :
Instituto Blumenau 150 anos, Blumenau, 1999.
9 -
BLUMENAU, Dr. Hermann - Relatório da Colônia Blumenau sobre
o ano de 1874 In BLUMENAU EM CADERNOS, Tomo XL № 06 –
Junho 1999 Editora Cultura em Movimento – Fundação Cultural
de Blumenau, Blumenau, 1999
10 -
BLUMENAU, Dr. Hermann - Relatório da Colônia Blumenau sobre
o ano de 1874 In BLUMENAU EM CADERNOS, Tomo XL № 07 –
Julho 1999 Editora Cultura em Movimento – Fundação Cultural
de Blumenau, Blumenau, 1999.
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