O que é isso?

 

Quem Somos?

Do Leitor

Agende-se

Cadastre seu Grupo

Blog

 

Mural Virtual Natal das Letras

novembro.dezembro 2007


 

 

"com o que vem lento a girar c.a.t.a.t.e.m.p.o"

 

 

Gostou desta página? deixe seu recado no nosso livro de visitas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PLATAFORMA DE NATAL
Jairo Martins


Uma árvore enfeitada

Muitas luzes coloridas

Eis de novo a alvorada

Este bálsamo nas vidas



Dia ou noite festejados

No melhor das intenções

Já se ouvem os dobrados

Dos alegres carrilhões



Cantam alto as cigarras

Natureza que abre alas

Está chegando um Senhor



São depostas cimitarras

Cessam os tiros e as balas

Só dispara o Amor




..........



de humanos e deuses
Terezinha Manczak


I

o sangue verte
aragens
vertigens
plasma e memória
dos tempos

timbrados papéis
calendários
vaivém dos ventos
tempestades
silêncios

carne impressa
em ventania
lentidão
ruídos e
cordames podres

ossos e hóstias
repartem o corpo
nervos estilhaços
construção
contemplação e ócio

II

inda não é hora
de acordar os deuses
cá na terra
comemos o barro dos dias
pecamos
orgásticos e pobres
caminhamos
para o nada


não sabemos prover
o vazio das lacunas
cegamos o sol
com a beleza pragmática

de maneira
inverossímel
suburbana e tática
agonizamos
sob o tédio das heranças
e a mesmice prática

III


tudo é vão, tudo é via,
por sobre os muros ,
a laje inerte das precariedades
ousamos silenciar
quando o grito é tudo
somos fracos e míopes
num país de surdos.

..........




O que tens feito?!
Delasnieve Daspet

o menino bate na janela do carro...
fecho correndo o vidro;
tenho medo deste pequeno ser...
abre o sinal,
e o menino volta correndo para a calçada,
senta no meio fio,
olhar de fome e de frio...

espera outro sinal,
quem sabe a sorte não lhe sorri e ele ganha
um lanche para mitigar a dor que sente
de tanta fome?!...

poderia ser meu filho ou teu...
Na nossa américa existem milhões
de crianças que vivem nas ruas


O carro encosta no meio fio,
uma esqualida criança se aproxima,
poderia ser minha filha ou tua...
Quantas se prostituem para viver?

E esse velho olhando o nada,
o vazio a sua frente,
o rosto cheio de lágrimas de saudades de
tempos felizes...

um velho abandonado que ninguém vem ver...
poderia ser meu pai ou o teu,
condenado à solidão!

.... não vemos a chaga que nos apodrece!
Na verdade não são os nossos filhos,
nossas irmas, mães, pais e avós que
jazem abandonados?

E me vens falar em direitos e perdas...
tu, algoz de tantas vidas,
que não respeitas o cadinho de cada um,
o que tens feito?!
 

 

..........

 

 

Era noite
Maria de Lourdes Scottini Heiden

Era noite e uma luz tão mansa
Envolvia a criança que aos poucos nascia.
No berço do mundo...
Nas ruas da vida...
Sem lar, sem abrigo, debaixo da ponte sorria.

Era noite e um luar encantador
Banhava o pequenino adormecido.
No vazio da vida...
Nas ruelas do existir...
Sem amor, sem nada... Tão desvalido!

Era noite e uma suave brisa
Embalava o sono do recém-nascido.
Pobre menino!
Assim tão sozinho!
Envolvido em panos... Laços partidos!

Era noite e uma estrela surgiu.
Guiando os passos do amor ao local.
Vê o menino...
E a mãe tão frágil!
Acolheu mãe e filho... Fez-se Natal!


 

..........

 

 


ENTÃO EU PEÇO...

PELA MINHA SIMPLICIDADE

E PELO VENTO QUE ME SUSSURA...

SUSPIROS DE AMORES DE ALÉM MAR...

E AGRADEÇO

A CINTILANTE BRISA DA MANHÃ

E AO TEMPO QUE ME PERMITE

EXISTIR NESSE MOMENTO!

PEÇO QUE EU NUNCA LAMENTE

O QUE PODIA TER

E QUE SE PERDEU

PELOS CAMINHOS ERRADOS.

PEÇO QUE MEU SONHO

NÃO SE DESVANEÇA

EM MEIO À POEIRA DO TEMPO...

E AGRADEÇO

O SOM ALEGRE NAS CERCANIAS,

AS TOADAS E MELODIAS

DAS ALEGRES FOLIAS DA MINHA VIDA.

Izabel Pavesi

................................................................


OS MALABARISTAS

Maria Clara Segobia


CAI A NOITE

CARROS PASSAM COM SEUS

FARÓIS LIGADOS.

AS PESSOAS APRESSAM OS PASSOS

SINAL FECHA !

PARO NA CALÇADA

AO LADO , DUAS CRIANÇAS .

OBSERVO SEUS PASSOS .

RECOLHEM DA GRAMA ÚMIDA ,

UM DISCO DE LATA


EM FRENTE AOS CARROS PARADOS ,

NO ASFALTO , DÃO INÍCIO AO ESPETÁCULO.

DE JANELA EM JANELA DOS CARROS,

PEDEM UNS TROCADOS .


O SINAL ABRE !

ELES FICAM ALI , NA CALÇADA ,

PARADOS ..

ESPERANDO NOVAMENTE

O SINAL FECHAR


NÃO HÁ APLAUSOS , HOLOFOTES ,

NEM UM PEDIDO DE AUTÓGRAFO

ALI ELES FICAM ,

ESPERAM ..

 

..........

 

 



Mudança

® Rubens da Cunha

Fraco. O amor me faz fraco, eu gritava. Manifesto de vento. Estrume. Eu era um homem que desacreditava falácias românticas, um homem que celibatou-se porque não suportaria sucumbir a um sentimento. Era um homem avesso, tenso, coberto de mesuras e mentiras. Enquanto outros casavam-se, traíam, retraíam, tinham filhos e ex-esposas, eu esquivo, eu lapide sobre qualquer possibilidade amorosa. Isto eu era. As artimanhas. Esqueci-me das artimanhas, das teias orvalhadas, dos atavismos sanguíneos da paixão. Em certo dia, recebi de volta um olhar, um canto de boca vermelho, um todo corpo feito de cama e palavra. Eu sou agora um pasto de madrugada e gozo. Um vasto adeus à fraqueza.

 

 




Quintais

Cláudia F Pacce


Coisa de lembrar.

O café mormaçando os óculos,

jaboticabeira pintada de fruta e pardal.

O pato da Índia, modorrento, desarma o pescoço.

Pão e pensamento mergulhados no café.

No horizonte do alcanço

Entre rede e beiral

O balanço

E a lua, pendurada no varal.


esse poema foi o segundo colocado no Concurso Nacional de Poemas Carlos Drummond de Andrade, 1998, Muzambinho, MG
Grata pela oportunidade,
Cláudia F Pacce

 

Organização:

 Terezinha Manczak  

mural@stmt.com.br

 volta