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Vânia Moreira Diniz
A internet chegou aqui pelo sul do Brasil em 1997, creio,
trazendo consigo uma coisa chamada MIRC, que se a gente
trocar em miúdos, é algo como o Orkut de hoje. Sei que o
MIRC me fez duas coisas muito boas: me encorajou a passar a
escrever em espanhol (penso que escrevia coisas tipo assim:
“Mim homem branco”, etc.) (não melhorei grandes coisas desde
então) e me deu um namorado cibernético, o basco Felipe, com
quem conversava durante horas aos domingos e com quem
trocava mensagens diárias via correio eletrônico. Felipe
chegou a vir à minha cidade de Blumenau me visitar, no ano
2.000, e entre o namoro ou a amizade, rolou só a amizade.
Ele acabou se casando, mesmo, com uma vizinha sua de
pueblito, lá da Espanha, e os dois já têm dois filhinhos,
Lier e Vera, nascida há poucas semanas..
Mas ter uma coisa maravilhosa assim dentro de casa como a
Internet não significava só ter um namorado virtual – num
instantinho estavam acontecendo as demais amizades,
principalmente as literárias, e não lembro como foi que um
dia adentrou á minha telinha aquela maravilhosa Vânia
Moreira Diniz, que no princípio eu só sabia que morava em
Brasília, e que fora criada no Rio de Janeiro, dentro de uma
família de humanistas, e era humanista sua atividade em
Brasília, envolvida com comunidades carentes e outras coisas
mais.
Lá naqueles primórdios da Internet a gente ficava toda boba
quando alguém nos publicava na sua página, e Vânia, de cara,
simpatizou com os meus textos e passou a publicá-los, o que
me encheu de honra e de alegria, e tal se deve ter dado já
lá por 1999, pois recém Vânia me disse que agora seu Portal
(www.vaniadiniz.pro.br) está atingindo os dez anos!
Não é brincadeira manter no ar, ininterruptamente, um portal
literário durante DEZ anos – em tal meio tempo Vânia
enfrentou diversas coisas, como estresses explícitos
(pudera!), ou dores como da perda da própria mãe, como
também alegrias, como quando criou uma revista direcionada
ao mundo dos professores, onde tentei ajuda-la mandando
textos que falavam de História e de Geografia aprendidas
durante minhas pesquisas e viagens, publicações em papel,
como “A ciganinha”e outras, e quantas outras honras e
alegrias!
Bem no começo, trocávamos cartas, aprendendo a nos conhecer
melhor – a partir de um certo momento, já não havia tempo
para as cartas, e a gente foi empurrando a vida conforme a
falta de tempo nos permitia.
Há coisas em Vânia, no entanto, que nunca poderei esquecer,
como quando ela descobriu o telefone do meu refúgio e me
ligou, em novembro passado, em plena Catástrofe das Águas
que assolaram a minha região, colocando todo o seu carinho e
a sua solidariedade à minha disposição, além do destaque que
deu às meras cartas que escrevera aos amigos contando do que
passávamos, quando foi possível estar, de novo, em contato
com a Internet.
Ah! Vânia, minha querida, irmã distante, lá do centro do
Brasil, o que te dizer neste momento em que o teu portal já
está fechando a década? Parabéns é tão pouquinho, e queria
te dizer tanto! Só me resta desejar que esta década se
multiplique por outras, e quando a Internet já for coisa do
passado, estejas aí, firme, pronta para continuar teu portal
(que a gente não sabe como se chamará então) no novo (ou
novos) sistemas de comunicação que surgirão
Em outros tempos, seríamos consideradas velhas para tais
atividades, mas hoje, quem é que nos segura? Quem pode
segurar alguém como Vânia Moreira Diniz?
Pouso da Poesia, 02 de julho de 2009.
Urda Alice Klueger
Escritora
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