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PASCHOAL, O BOM
(Obs.:
Este texto foi escrito em 2003, quando do falecimento de
Paschoal Apóstolo Pítsica, presidente da Academia
Catarinense de Letras.)
Meu convívio com Paschoal
Apóstolo Pítsica foi sempre meio de longe, já que vivo eu cá
no meu Vale, e vivia Paschoal na doçura dessa Ilha onde se
dão tão bem os descendentes dos gregos que de outras ilhas
vieram um dia.
Mas foi sempre bom o meu
convívio com ele: ele era conselheiro, era amigo, era o
prestimoso presidente com quem eu sempre podia contar, era o
chefe que se multiplicava para que alguma necessidade ou
desejo meu sempre fosse atendido com grande presteza. Foi no
tempo da sua administração que entrei na ACL,
e ele queria saber do meu gosto, de quem queria eu a
trazer-me para dentro da insigne Academia. Disse-lhe que
queria que fosse o Flávio Jose Cardoso e o Silveira de
Souza, e isto já era na tarde da solenidade da minha posse,
e ele não titubeou: por telefone, em instantes, resolvia as
coisas para que a minha vontade fosse feita. E pela
prestimosidade dele, tenho a honra de ter entrado na ACL de
braços dados com o Flávio e o Silveirinha, companheiros de
alguns antigos bares e umas poucas aventuras, no tempo em
que éramos mais jovens e resistíamos melhor ao álcool.
Queixa nenhuma teria eu a
fazer do “meu presidente”, que era como lhe chamava. O meu
presidente me servia chá importado na sua casa, me
emprestava livros que ninguém mais tinha, me dava conselhos.
Era um grande homem, nascido para liderar mesmo uma turma
complexa como é a nossa, e o fazia com um prazer que só o
dignificava.
Na sua companhia adentrei
a alguns recintos sagrados do Brasil, como a Academia
Brasileira de Letras e o fantástico Instituto Histórico e
Geográfico Brasileiro, que por causa dele abriu suas portas
secretas, onde entrei morta de curiosidade, e acabei vendo e
vivenciando livros, objetos e atmosfera que nunca pensara
vivenciar.
Tinha uma importância
grande na minha vida, o “meu presidente”, claro que tinha! E
então imaginem o baque que foi receber a notícia de que ele
partira, assim tão cedo, assim com uma esposa ainda tão moça
e com filhos que mal tinham acabado de crescer! Estava
inconsolável quando deixei meu Vale para vir a esta Ilha lhe
desejar boa viagem para o outro lado. Fico pensando, aqui,
que agora ele pode ver suas ilhas amadas, a daqui e a de
seus ancestrais, e que reúna a todas no seu amor, e que de
lá, da sua posição privilegiada, tenha um amor maior do que
o humano para envolver, também, a nós, da sua gente,
principalmente aos familiares queridos.
Boa viagem, meu querido
Paschoal! A sua marca ficou aqui neste Vale de Lágrimas
muito bem marcada, sem dúvida, principalmente pelo coração.
Há de haver um lugar cheio de gregos e brasileiros, lá para
cima, onde está havendo uma grande festa porque você chegou!
Blumenau, 02 de Agosto de 2003.
Urda Alice Klueger
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