Blumenau Convention & Visitors Bureau

Fundação Catarinense de Cultura

Instituto Cultural Brasil Alemanha (ICBA)

Tempo

Deutsche Welle

Outros Links

     

O que é isso?

 

Quem Somos?

Do Leitor

Agende-se

Cadastre seu Grupo

Blog

  Blumenau,    

 

 

 

Não esqueça de acessar nosso livro de visitas e deixar sua opinião!

 

                                  

PETER LUND


O nome dele, mesmo, era Peter Wilhelm Lund, e nasceu na longínqua e gelada Dinamarca, um século e meio antes da descoberta dos antibióticos. Parecem dados desconexos, mas não são. Explico: Peter Lund vinha de uma família que tinha o que então se chamava de “pulmão fraco”, e para se garantir contra uma provável tuberculose, coisa fatal naqueles tempos, ele tratou de, logo que pode, tomar o rumo dos trópicos, e veio bater bem cá no nosso Brasil, mais especificamente no Rio de Janeiro. Estava-se em 1825 quando ele chegou aqui a primeira vez, jovem de 24 anos, mas já renomado e competente cientista.
Peter Lund nascera cientista, e nada havia no mundo que não lhe despertasse o interesse de estudioso. Ficou uns poucos primeiros anos no Brasil, na cidade de Niterói, e aproveitou o tempo de que então dispunha para estudar, selecionar, catalogar e organizar amostras de uma coisa que acho que nem antes nem depois alguém deve ter se lembrado de fazer: os matinhos e capins anônimos que crescem nas beiras das casas e das estradas, aqueles matinhos que a gente trata logo de capinar de um jardim quando aparecem. Foi quase um diletantismo de cientista de “pulmão fraco”, mas o fato é que hoje, lá na Dinamarca, tudo se sabe sobre essa flora que consideramos anônima, para a qual não damos a mínima.
Por algum tempo ele voltou à Europa e fez muitas coisas científicas por lá, mas o trópico tinha-o fascinado tanto, que ele acabou voltando para o Brasil para o resto da vida. Nessa segunda vez, ele veio com sérios propósitos científicos, e logo depois que chegou, juntou-se a outros cientistas e saíram eles pelo interior do Brasil, a estudar meticulosamente a nossa flora e fauna. Deram uma grande volta: do Rio de Janeiro primeiro foram para São Paulo, e depois para o Mato Grosso e Goiás, e acabaram chegando a Minas, de onde o nosso herói nunca mais sairia.
Foi ele quem descobriu o Homem de Lagoa Santa, e vocês talvez estejam a se perguntar: “O que é que é isso?”. Explico: há uma cidade, em Minas Gerais, que se chama Lagoa Santa, e foi lá que Peter Lund andou descobrindo muitos fósseis de animais, inclusive de gente pré-histórica.
Anos atrás eu já andei por aquela região, e visitei a soberba Gruta de Maquiné, daquelas grutas que a gente costuma ver em documentários de geografia, cheias de estalactites e estalagmites – só mais tarde, porém, por causa de Peter Lund, é que fiquei sabendo que toda aquela região é cheia de grutas, tipo um grande queijo cheio de buracos. E Peter Lund passou a pesquisar as muitas grutas, e começou a achar muitos esqueletos de animais que, positivamente, estavam extintos, como uns cavalões que ninguém sabia que tinham vivido na América, e outros bichos. Mas aí a coisa complicou: ele começou a achar ossos de gente, também, e lá pelos cálculos dele, era gente que tinha vivido ali fazia muitos milênios antes, o que entrava em completa oposição à Bíblia, livro naquele tempo considerado científico, e que dizia que o mundo fora criado fazia uns parcos 6.000 anos.
Meu espaço, aqui, está quase acabando, e não vou poder falar mais muito de Peter Lund. Mas posso contar que foi ele o Pai, ou Iniciador da Arqueologia Brasileira, ciência que naquele tempo era nova no mundo, e que hoje me encanta e me fascina. Peter Lund também ficou fascinado, tanto é que nunca mais saiu dali. Viveu em Lagoa Santa até idade avançada e está enterrado lá. Por décadas, o rapaz de pulmão fraco pesquisou meticulosamente todo aquele mundo fossilizado, e descobriu coisas que o mundo nunca sonhara saber sobre seu próprio passado.
De um certo momento em diante, porém, Peter Lund passa a enfrentar grave problema de consciência: as coisas que descobre contradizem a Bíblia, e ele entra em lutas teológicas consigo mesmo, e acaba parando as pesquisas por medo de pôr em perigo a sua alma de cristão. Que pena, não? Mas não há que condená-lo: quase dois séculos depois, em alguns estados dos Estados Unidos, ainda há leis proibindo que se fale sobre a Teoria da Evolução nas escolas. Para o seu tempo, com toda a certeza, Peter Lund foi um cientista extremamente ousado. Eu gostaria demais de tê-lo conhecido!

Blumenau, 02 de maio de 2003.

Urda Alice Klueger

 Comente

 

 

volta

 

 

Gostou desta página? Então deixe seu recado no nosso livro de visitas! Assinar...


espaço dedicado a exposição das obras dos nosso colegas autores.

 

 

 

Stammtisch na História

Conheça a história da tradição em Blumenau

e no mundo.

 

Receitas Maravilhosas

da Culinária Germânica, regional e internacional

 

Clique para ver!