Berro D´água - De como a Praça Dr. Blumenau virou local de banho público!
Por Luiz Eduardo Caminha


Dia de Encontro é assim. Cada grupo se prepara com antecedência. Função prá um, encomenda prá outro, e-mail prá todos e por aí vai. No PHD (Proprietários de Harley Davidson), Chopmotorrad e Associação dos Itapiranguenses que, em todas as edições, se fazem presentes na Praça Dr. Blumenau, não podia ser diferente. Pois para o Chico (prafotolito) coube a função de “driblador de dificuldades” ou seja, "descascador de pepinos".

Nesta 14ª. edição tudo começou na semana anterior ao 18 de Novembro, data marcada para acontecer a festa, mas só se concretizou no dia 25, já que as chuvas adiaram o Encontro por uma semana.

E lá o Chico, soldado cumpridor de suas funções, se desandou a cumprí-las, com antecedência prévia de uma semana. Latões para defumar as tilápias, bombona para lavar louça, petiscos para provocar a sede, eram apenas alguns dos itens que o Chico tinha que providenciar. Querendo dar o máximo de si, como faz à frente do maior Stammtisch das Américas, o PHD, Chico pensou em surpreender os quase 200 confrades, dos três grupos, que ali se misturam para prosear, cantar, rir e matar a sede com um bom chope Eisenbahn. Queriam lavar a louça? Ia surpreendê-los com um aparato técnico de primeira.

Lembrou que tinha visto uma torneira na praça. Foi conferir. Na mosca! Lá estava ela! Por trás da distinta, que se encontra no meio de um totem de pedra, estava o registro. “Tudo em riba”!, pensou Chico, “vou fazer uma surpresa prá turma!”

Saiu pelo comércio, comprou 10 metros de mangueira reforçada, uma conexão em “T”, um engate rápido e mais uma torneira de plástico. Pronto! Haveríamos de ter água no local onde quisessem os responsáveis pela lavação e limpeza da praça.

Sábado, 25, seis da madruga, lá estava o Chico a construir sua engenhoca: um duto transportador de água. E aí, as dificuldades começaram! O registro que fechava a água estava com a rosca espanada. Um amigo seu, “expert” em encanamentos e mangueiras – não confundam, por favor! – colocou o “T” entre a mangueira e o cano que saia do totem. Tudo resolvido! Agora era só acoplar o engate rápido com a mangueirona, em cuja ponta oposta já estava rosqueada a torneira de plástico. Ela serviria de controle para a saída da água. O grupo abusou também! Nada de bombona. Uma cuba de inox foi providenciada. Coisa de primeiro mundo. Maior conforto.

E dá-lhe festa! Tudo - tudinho mesmo - funcionou a contento. Fim da festa, hora de retirar a mangueira. Aquele amigo “expert” já tinha se evadido do local e o próprio Chico, depois do qüinquagésimo caneco de chope, assumiu o desmonte. Desenroscou o conjunto torneira e “T”, tapou o cano com uma das mãos e desenroscou o “T” – para isto teve que se curvar em direção ao totem de forma a aproximar a mão livre daquela que tentava tapar o cano. Todo o cuidado era pouco, para não deixar correr muita aguaria fora. Até aí tudo bem! Agora era enroscar a torneira e... ufa!!! Tomar outro chope!!! Mas foi aí que a coisa pegou! Ao tentar enroscar a torneira no cano uma quantidade enorme de água começou a jorrar como uma cachoeira. Por mais que tentasse, nada acontecia. A danada da torneira não encaixava. Parecia mais grossa que o cano. Seria efeito do chope? “ Não pode ser!”, pensou Chico. Tentava, tentava e... Nada! A água parecia vinda de um chafariz, lembrava as cataratas do Iguaçú. Tenta, se molha, mais água! Vem alguém socorrer, sai todo enxarcado e...nada de novo! Tenta novamente, puxa, empurra, enrosca, desenrosca! Será prá direita ou prá esquerda – aquelas alturas já não tinha certeza. Um enrosco! Mais água, mais banho...nada! Foi um Deus nos acuda, água prá todo o lado. Um trabalho danado, devidamente registrado pelas câmaras presentes.

Com muito custo, água que chegou a escorrer por dentro do tradicional traje bávaro e serviu para refrescar as partes íntimas, finalmente, Chico conseguiu. Foi um banho. Risos por todos os lados e Chico, molhado feito pinto na chuva, do topete até os pés.

Só no dia seguinte, ao matar a sede com mais um pouco d´água, desta vez bebida num copo, foi que Chico percebeu a mancada: Devia, antes, ter aberto a torneira. Lógico! Assim, a água fluiria em seu curso normal, sairia pela torneira e ninguém tomaria um banho. Culpa de quem? Do chope! Da Eisenbahn!

Claro!

Ou seria escuro?


Bem, com tudo isto, ainda sobrou tempo para mais um chope e uns petiscos de Canchita, um prato peruano que o próprio Chico descreve:

A culinária do Peru tem pratos fantásticos. Se você der uma olhada em Projetos e Viagens - IV Encuentro Internacional de Cusco - 2006 no nosso site dos PHDs, tem fotos de pratos fantásticos http://www.phd-sc.com.br

Fui recebido em um restaurante pelos Peruanos em que o cardápio tinha 17 itens. Serviram os 17 pratos, só pra conhecermos a culinária deles, o restaurante se chama Porta Cerrada em Lima.

Mas vamos ao que interresa, a CANCHITA. Nada mais é que milho cultivado em altitudes superiores a 2000m, assim quando você o coloca na panela e leva ao fogo lento com um mínimo de azeite ele não explode como o nosso, simplesmente incha e se torna macio. Agregamos, quase no final, uns pedaços daquela lingüiça ardida, picante fininha, me fugiu o nome e por fim colocamos sal e esperamos esfriar para servir como petisco. É muito gostoso. Tanto que, todos os meses, amigos peruanos que voam pela Lan Peru me trazem um pacote de Canchita e outras iguarias. Tudo isso graças às belas amizades forjadas, diria até, no maior Stammtisch da América do Sul, o de PHDs (Proprietários de Harlei Davidson).


Veja a seqüência de fotos do banho do Chico em Plena Praça Dr. Blumenau. E da CANCHITA, claro! De lamber os beiços!

 

Chico da Prafotolito lidando com a torneira

Agora tudo certo e de banho tomado ...

Chico, depois do banho, com Ingo, Rogerio e adjuvantes. Mais um chopinho!

CANCHITA - especialidade peruana

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