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Coluna do Caminha


Idealizador e Responsável pelo site Stammtisch Confrarias e Patotas http://www.stmt.com.br

 

Membro da Comissão Organizadora dos Encontros de Stammtisch (Strassenfest mit Stammtischtreffen) desde a sua 1ª. Edição em 26/08/2000.

 

caminha@stmt.com.br

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07.09.2010

 

Medo? Já senti isto antes!

Estou com medo! Medo do Estado opressor, bisbilhoteiro, que não respeita direitos do cidadão. Medo do estado que tem dono ou que um grupelho acha que é seu dono. Já senti isto antes, é verdade. Em 1967, aos dezesseis anos, quando tomei consciência do que vinha acontecendo com meu país, o Brasil. Depois, quando compareci à frente de Policiais Federais, porque um censor idiota cunhou de subversivas quatro marchinhas que compus para um Festival de Carnaval. Quando das notícias de alguém preso – ou sumido – pois falara contra o governo ou fora taxado de subversivo. Quando os militares davam porrada nos manifestantes defronte ao Palácio ou invadiam os diretórios acadêmicos. Quando o Vladimir Herzog foi assassinado. Quando o deputado Paulo Stuart Wright sumiu. Quando nossas lideranças foram deportadas.
Quando fomos sitiados, em 1978, pelo exército com seus urutus, na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, em razão de uma greve de médicos residentes ou quando um araponga da Federal me fotografou num pronunciamento do mesmo movimento. Quando ele me ameaçou com a chula afirmação: “Toma cuidado! Tá tudo registrado aqui!”. Quando um inocente era perseguido por algo que não fizera, só porque denunciado por um puxa-saco que não lhe gostava. Quando um vizinho dedo-duro, governista de carteirinha, vivia bisbilhotando, escutando o que falávamos, só para denunciar.

Conflito ideológico

As teses do Estado paranóico pregavam: “se é contra, é comunista”. Não se podia falar, escrever, emitir opinião, fazer manifestação (às vezes, até pensar era proibido). As correspondências eram violadas pelo Estado aparelhado por governistas de carteirinha a mando dos militares. Bisbilhotavam sua vida. O sigilo do cidadão era uma pia de água benta; todos colocavam a mão. Pior ainda, se o bisbilhotado era de oposição, do velho MDB, escudo dos opositores. Governo e governistas de carteirinha tudo podiam. Prender. Bater. Torturar. Época do medo. Do terror ideológico. Da repressão à consciência. Não havia a tecnologia de hoje. Nem internet. Telefone era luxo. Mas Governo e os partidários de carteirinha diziam saber de tudo. Não! Ninguém era criminoso. Ninguém tinha nada a esconder! Mas eles diziam que sim e pronto. Você estava frito, fichado, taxado de subversivo.
Havia, por certo, teses contrárias, as antíteses, buscadas clandestinamente (era proibido publicá-las ou lê-las) nas doutrinações de Marx, Engels, Trotsky, do “esperto e pragmático” Gramsci. Mesmo quem não mergulhava em alguma ideologia, enxergava. Os de bom senso chegavma fácil à síntese: o que o Estado fazia não estava certo. Tolhiam as liberdades, Demoliam a democracia. A questão era ideológica, mas havia o medo do Estado Totalitário. Uma espécie de estadofobia. Medo dos partidários de carteirinha.

O que existe hoje?

Hoje não está muito diferente. A tecnologia facilita a vida dos arapongas do Estado e dos filiados de carteirinhas. É fácil saber o que se fala, pensa ou exprime. Podem controlar telefones, blogs, e-mails, sua conta numa rede social, conta bancária, declaração de imposto de renda. Controlam o que quiserem. Bisbilhotam privacidades. Por isso, estou, de novo, com medo. Não que tenha algo a esconder. Sou um cidadão comum. Respeito meus deveres. Mas se eles quiserem, fabricam alguma coisa contra. Sim, tenho medo! Na época tínhamos o vigor, a coragem da juventude. Hoje, beirando os 60, não temos o mesmo destemor. Sonhávamos que nada se repetiria. Por isso corríamos riscos. Não merecíamos viver aquilo de novo! Qual nada!
O pesadelo se repete. Dados sigilosos são violados. Aí está, de novo, o Estado controlador e, pior, os caras de carteirinhas, os bisbilhoteiros, agora com outras cores partidárias.

Continua o medo!

Com a invasão dos dados de Verônica Serra, de Eduardo Jorge e outros do PSDB fica clara a manipulação dos caras de carteirinha contra quem se opõe a um governo que se imiscuiu com o mando partidário. E lá se vão, no rol, cidadãos comuns. Lembram do Francenildo? Onde ele anda? Anas Marias, Gregórios, Linas, pouco importa. Cidadãos de bem, ministros do supremo, juízes, desembargadores. Basta fazer algo que atinja o governo e lá vem o partido e seus filiados de carteirinha bisbilhotar. Amanhã, seremos eu, você, todos os que eles quiserem. E mentem. Sem um pingo de vergonha na cara. “Eu nada sei!” “Têm que punir”! “Nada temos com isto”! Como não sabem? Aonde estão os punidos? Têm a ver, sim. São os únicos responsáveis. Erram, mas não assumem. São protegidos. Estão acima da lei, da constituição, da democracia. Covardes! Hipócritas! Têm que explicar, sim.

O que há por trás

Tá na cara que praticam estes atos em virtude da eleição. Parece mais uma das peças de campanha. Não é muita coincidência que os bisbilhotados sejam opositores ao governo? Acaso é crime ser de oposição? Fazem porque querem perpetuar os partidários de carteirinha no poder? Ou não? Alguns afirmam, na cara de pau, que “isto nada tem a ver com a candidatura oficial! Ah, é? Me engana, que eu gosto! Se não tivesse, porque só bisbilhotaram pessoas da oposição? Confundem partido e Estado. Pra eles é tudo a mesma coisa. Sentem-se proprietários do Estado. Repetem o que os militares faziam com quem era contra. Daí, coitados de nós! Se fazem por estes motivos pérfidos, muito pior farão quando estiverem lá. Ou se ficarem por lá. Por isso merecemos uma explicação. Se podem isto, se não há punição, tudo podem. É aí que estão os meus medos. Medo de decisões que só favoreçam um lado, porque quem decide está cooptado. Medo de que pacatos e honrados cidadãos, trabalhadores, sejam sacrificados por uma raça de desocupados, de vadios, só porque detém uma carteirinha. A ideologia foi para o saco. O que vale são os interesses do partido e seus filiados. O problema é que, por causa de uma campanha, abrem um precedente contra os seus cidadãos. O Estado a serviço de partidos, de filiados de carteirinha. Há uma desconfiança geral. Estamos sujeitos a ser, também, bisbilhotados.

Era isso que queriam?

Era isso que os camaradas, os companheiros, queriam? Se era, fomos enganados. Não passamos de massa de manobra, peões do vergonhoso tablado do jogo do Poder, onde o que interessa, parece, é o cofre público, a vaca leiteira de um bando marginal.
Pode ser que este desabafo de nada sirva. Poderão rotulá-lo (aliás, rotular é o que mais sabem fazer) de “coisa de serristas”. Os militares faziam assim, com outro rótulo: “coisa de comunistas”. É hora de expurgar meus medos. Nem que seja para que gerações futuras, os nossos filhos e netos, não caiam de novo nesta esparrela de “oportunistas” que se fingem ideólogos, “pais e mães dos pobres”.

Triste fim

Um Estado que se coloca acima de todos, só se mantém pela força, pelo controle das pessoas, a perseguição, a tortura, a marginalidade. Pelo calar de bocas e consciências. Bisbilhotar é coisa de bandido. É autoritarismo. É totalitarismo. Ditadura de partido disfarçada de democracia. Aconteceu no Brasil do regime militar, aconteceu na União Soviética, acontece em Cuba, na China, na Venezuela, na Bolívia e no Irã... Não deixem acontecer no meu, no nosso Brasil, de novo!

E daí?

O Brasil está melhor? Sim! Sem dúvidas! Fruto de políticas estabelecidas há 18 anos e seguidas fielmente por quatro períodos sucessivos de governos. Isto nunca houve antes. Vivas aos governantes! Mas, isto não dá o direito, a quem quer que seja, a qualquer governante, a qualquer partido, aos filiados de carteirinha de se adonar do Estado para bisbilhotar seu povo por puro interesse eleitoral.

Maquiavel

A tese, que dizem ser do pensador italiano, “os fins justificam os meios”, muito utilizada pelos caras de carteirinha para explicar seus atos é de uma prepotência inconcebível. Algo como “para conseguir o que quero, não interessa as armas que utilizo”. Mas, como o que vale neste meio sórdido da política são os interesses de uns em detrimento do sacrifício da coletividade, até que se encaixa. Para mim, ainda valem os princípios éticos. Os fins, só justificam os meios se, soberanamente, a ética se impõe. Mas, cá entre nós, não esperemos ética vinda de bisbilhoteiros a mando de ideologias partidárias cujos pregadores não passam de oportunistas e espertalhões.

No que vai dar

Penso que em nada! O povo não quer ver (ou não consegue) o mal que isto pode trazer. Vão culpar a Aldeída, uma inocente útil. Vão expulsar um ou outro anônimo cidadão. E acham que está resolvido. Vão dizer: “fizemos justiça! Não admitimos isto!” Mas o crime está feito. E vai continuar. Alguém duvida? Quem lê 1948 de George Orwell, que mostra o controle do Estado, de seu “Big Brother” sobre o povo, que nem namorar pode, pode sentir o que é um Estado à mercê de um partido, de seus filiados de carteirinha, onde apenas uns apaniguados mamam nas tetas engordadas pelo povo trabalhador.


Resgate Histórico

A competição de serradores de lenha (Holzhacker), uma tradição trazida para Blumenau pelos primeiros imigrantes era um dos atrativos das Schützenfest (Festas de Tiro) dos tempos coloniais.



Blumenau, Rua 15 de Novembro (Würststrasse)
Século XIX.


 

No podium

Blumenau. Que em 02 de Setembro celebrou 160 anos de existência.

Na guilhotina

Ao afiliados de carteirinha que se acham no direito de subjugar o Brasil às suas vontades e aos mandos de seu partido.


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