Breve História da Cerveja

Acredita-se que a cerveja tenha sido a primeira bebida alcoólica desenvolvida pelo homem.
Traduz-se numa variedade de bebida alcoólica produzidas pela fermentação do amido contido em grãos ou fontes vegetais. Em termos históricos, a cerveja era já conhecida pelos sumérios, egípcios e mesopotâmios, desde pelo menos 6 000 a.C. Como os ingredientes usados para fazer cerveja diferem conforme o local, as características (tipo, sabor e cor) variam amplamente.

A Cerveja é a segunda bebida mais consumida no mundo, perdendo apenas para o chá e, talvez mais do que qualquer outra, incorporou-se à cultura do Brasil, cruzando todas as regiões do país e todas as classes sociais. Mas a maioria dos brasileiros desconhece a enorme variedade de tipos de cerveja que o mundo vem cultivando desde a mais remota antiguidade.

Sua origem ainda é incerta mas, de tempos em tempos, são encontradas mais provas que jogam esta questão cada vez mais fundo na história da humanidade. Nesta corrida para trás, o vinho e a cerveja disputam a primazia, sendo, com toda a certeza as duas bebidas alcoólicas mais antigas da humanidade.
Praticamente qualquer açúcar ou alimento que contenha amido pode, naturalmente, sofrer fermentação. Assim, bebidas semelhantes à cerveja foram inventadas de forma independente em diversas sociedades em redor do mundo. Na Mesopotâmia, a mais antiga evidência referente à cerveja está numa tabuinha sumeriana com cerca de 6000 anos de idade, na qual se vêem pessoas tomando uma bebida através de juncos de uma tigela comunitária. A cerveja também é mencionada na Epopeia de Gilgamesh. Um poema sumeriano de 3900 anos, homenageando a deusa dos cervejeiros, Ninkasi, contém a mais antiga receita que sobreviveu, descrevendo a produção de cerveja de cevada utilizando pão.
A cerveja tornou-se vital para todas as civilizações produtoras de grãos da antiguidade clássica, especialmente no Egipto e na Mesopotâmia. O Código Babilônico de Hamurabi dispunha que os taverneiros que diluíssem ou sobretaxassem a cerveja deveriam ser supliciados.
A cerveja teve alguma importância na vida dos primeiros romanos, mas durante a República Romana, o vinho destronou a cerveja como a bebida alcoólica preferida, passando esta última a ser considerada uma bebida própria de bárbaros. Tácito, em seus dias, escreveu depreciativamente acerca da cerveja preparada pelos povos germânicos.
Contudo, nada disto conseguiu desbancar a popularização desta preciosa bebida no mundo inteiro.
Não há dúvidas, entretanto, que as facilidades do processo de fermentação e a falta de normas que estabelecessem critérios de qualidade para a produção de cervejas, embora tenham contribuido para o aparecimento de inúmeros tipos desta bebida, também contribuiram para a queda de sua qualidade, notadamente na idade média.

Tal era a situação que o Duque Guilherme IV da Baviera, em 23 de Abril de 1516 instituiu a Reinheitsgebot, a chamada “Lei da Pureza da Cerveja”.
A partir desta Lei, considerada a mais antiga norma alimentar da humanidade, pelo menos na região da Baviera, toda a cerveja deveria ser fabricada apenas com os seguintes ingredientes: Água, Malte de Cevada e Lúpulo (a levedura de cerveja não era conhecida à época).
Não demorou muito tempo para que todos os povos de origem germânica e os outros paízes produtores de cerveja adotassem a Lei da Pureza.

Ingredientes


Em geral, as cervejas são feitas com água, cevada maltada e lúpulo, fermentados por levedura. Entretanto, a adição de outros condimentos ou fontes de açúcar não é incomum.
Como é composta principalmente por água, a origem dessa água e as suas características têm um efeito importante na qualidade da cerveja, influenciando, por exemplo, o seu sabor. Muitos estilos de cerveja foram influenciados ou até mesmo determinados pelas características da água da região.

Dentre os maltes, o de cevada é o mais freqüente e largamente usado devido ao seu alto conteúdo de enzimas, mas outros cereais maltados ou não maltados são igualmente usados, inclusive:
trigo; arroz; milho; aveia; centeio.

 


O Lúpulo


A introdução do Lúpulo foi relativamente recente na sua composição. Acredita-se que tenha sido introduzido apenas há umas poucas centenas de anos atrás. Esse cereal, não maltado, acrescenta um gosto amargo que equilibra a doçura do malte e possui um efeito antibiótico moderado que favorece a atividade da levedura de cerveja em relação a organismos menos desejados durante a fermentação. As leveduras, nesse processo, metabolizam os açúcares extraídos dos cereais, produzindo muitos compostos, incluindo o álcool e dióxido de carbono. Dezenas de estirpes de fermentos naturais ou cultivados são usados pelos cervejeiros, sendo, de um modo geral, sortidos por três gêneros: ale ou ultra-fermentada, lager ou de baixa fermentação, e leveduras selvagens.
A maior parte das cervejas, até tempos relativamente recentes, eram do tipo que agora chamamos de ales. As lagers foram descobertas por acidente no século XVI, quando a cerveja era estocada em frias cavernas por longos períodos; desde então elas ultrapassaram largamente as cervejas tipo ale em volume. A LAGER é, há muito tempo, a cerveja mais consumida no Brasil e , de meados da última década do século passado (por volta dos anos 1990), com o aparecimento das Micro-Cervejarias, os brasileiros passaram a saborear outros tipos de cerveja. Uma das Micros que mais contribuiu para isto é a Cervejaria Südbrack, fabricante das Cervejas Eisenbahn, que hoje dispõem de 11 (onze) tipos diferentes da bebida.
O uso de lúpulo para dar o gosto amargo e preservar é uma invenção medieval. O lúpulo é cultivado na França desde o século IX. O mais antigo escrito remanescente a registrar o uso do lúpulo na cerveja data de 1067 pela Abadessa Hildegarda de Bingen: "Se alguém pretender fazer cerveja da aveia, deve prepará-la com lúpulo." No século XV, na Inglaterra, a fermentação sem lúpulo podia dar origem a uma bebida tipo ale - o uso do lúpulo torná-la-ia uma cerveja. A cerveja com lúpulo era importada para a Inglaterra (a partir dos Países Baixos) desde cerca de 1400. O lúpulo passou a ser cultivado na ilha a partir de 1428. A Companhia dos Fabricantes de Cerveja de Londres foi tão longe que especificou "nenhum lúpulo, ervas, ou outra coisa semelhante será colocada dentro de nenhuma ale ou bebida alcoólica enquanto a ale estiver sendo feita - mas somente água, malte e uma levedura".
Contudo, por volta do século XVI, "ale" veio a referir-se a a qualquer cerveja forte, e todas as ales e cervejas continham lúpulo.
As cervejas costumam ter entre 4 a 5% de teor alcoólico, ainda que este possa variar consideravelmente conforme o estilo e o cervejeiro.
 

Tipos de cerveja
 

Há muitos tipos diferentes de cerveja. Uma descrição detalhada dos estilos de cerveja pode ser encontrada no website da Beer Judge Certification Program (Programa de Licenciamento dos Avaliadores de Cerveja).
 

Lager
As lagers (cervejas claras) são, provavelmente, o tipo mais comum de cerveja consumida. Elas são originárias da Europa Central/Alemanha. Seu nome deriva da palavra germânica "lagern" (armazenar). De baixa fermentação, são tradicionalmente armazenadas em baixa temperatura por semanas ou meses, clareando, amadurecendo e ganhando maior quantidade de dióxido de carbono. Atualmente, com o aperfeiçoamento do controle de fermentação, muitas cervejarias de lagers usam períodos consideravelmente menores para armazenamento a frio (de 1 a 3 semanas). Se bem que existam muitos estilos de lagers, a maioria delas é clara na cor, com alto teor de gás carbônico, de sabor moderadamente amargo e conteúdo alcoólico entre 3-6% por amostra. Os estilos de lager incluem:
Bock; Helles; Dry beer; Export; Märzen (feita somente para a Oktoberfest de Munique); Pilsener; Schwarzbier
 

Ale
Inclui cervejas ultra-fermentadas, especialmente populares na Grã-Bretanha e Irlanda, incluindo as meio-amargas, amargas, ale clara, cerveja preta (porter) e cerveja forte (stout). As cervejas ultra-fermentadas tendem a ser mais saborosas, incluindo uma variedade de sabores de cereais e sabores de fermentação; são também de baixo teor de gás carbônico, fermentadas e servidas idealmente numa temperatura mais quente do que as lagers. Diferenças de estilo entre cervejas ultra-fermentadas são muito mais variadas do que aquelas encontradas entre as cervejas de baixa fermentação e muitos estilos são difíceis de categorizar. A cerveja comum da Califórnia, por exemplo, é produzida usando o fermento para lagers em temperaturas para ales. As cervejas à base de trigo são geralmente produzidas usando um fermento para ales e então armazenadas, às vezes, com um fermento para lagers. A cerveja Lambic é produzida com fermentos selvagens e bactérias, nativos da região do vale do rio Zenne (Pajottenland), perto de Bruxelas. Ale verdadeira é um termo para as cervejas produzidas usando metódos tradicionais e sem pasteurização.
 

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Fontes: Wikipédia
Cervejaria Südbrack
Programa Stammtisch;
Arquivo Luiz Eduardo Caminha