
HOMENAGEM
MURAL
VIRTUAL
DAS
LETRAS AO
MÊS
DAS MÃES
|
Mãe:
Seiva, raiz e flor
Palavra-gesto
Seio cálido de amor.
Flor trazendo em si o botão
Raiz terra de tenra vida
Seiva vertente do coração.
Palavra, grito e clamor
Gesto do Filho de Deus
Felicidade e dor.
Jairo Martins
Mães da
periferia
Venho em nome das mães oprimidas
paridas nos leitos das ruas
nuas de tudo
Peço em nome das mães desnutridas
famintas, nas filas da vida
fortes, contudo
Choro em nome das mães esquecidas
doídas nas noites de lua
velando inocentes
Falo em nome das mães concebidas
precoces, sem rumo, sem nome
e filhos doentes
Rezo em nome das mães desvalidas
sem terra, sem teto, nem pão
nas celas, no frio, na guerra
Rogo em nome das mães, Mãe querida
Maria, Rainha, Amiga
Paz para os filhos da Terra
Terezinha Manczak
|
|
Gostou
desta página? deixe seu recado no nosso livro de visitas.
E
L A
Lairton Trovão de Andrade
Quando num espelho simplesmente olho
E contemplo um fruto de tão linda vargem,
Penso na Senhora que há tempo eu adoro,
De quem gostaria de ver a imagem.
A minha jovem, coração filial,
Com saudade tanta muitas vezes sente
Os teus leves passos – andar maternal,
Que se aproximava do meu leito quente.
Vinhas de manhã, ó minha mãe querida,
Com a saudação de um maternal sorrir.
Talvez, era ledo sonho desta vida,
– O teu testemunho certo do porvir.
Passaram-se verdes e inocentes anos,
Alcancei, então, a nona primavera;
De ti me acerquei e te contei meus planos
E feri o amor que teu coração gera.
Morreram os meses que no nada estão,
Aos amados vindo... acheguei-me a ti,
Sentido inclinei-me... osculei-te a mão,
Beijei tua face e... chorando parti.
No despontar mesmo desta meiga aurora,
Sem levar em conta esta separação,
Lês em mim com alma que festiva chora:
"Mãe, sou coronária do teu coração".
Agora compreendo porque muito me amas
– Porque sou semente do teu próprio ser;
Como a luz do Sol de calorosas chamas,
A mim aquecias com o teu viver.
O filho que tens, com especial carinho,
Beijando tua fronte que tão longe mora,
Vem pedir-te a terna bênção, bem baixinho,
Deixando-te, ó mãe, na eternidade agora.
O compasso da espera
Jorge Linhaça
Sentes no ventre a vida formada
semente lenta a se expandir
teu corpo novas formas a adquirir
a te tornar mais bela e aventurada
Tantos sonhos, tantas alegrias
alguns medos, tantos cuidados
a espera dos meses passados
até chegar afinal o grande dia
Um vagido anuncia a chegada
do ser gerado em tuas entranhas
as dores sentidas jazem antanhas
o choro te cobre a face emocionada
São tantas experiências divinas
da alegria extrema à preocupação
lide da mãe , mulher coração
que com teu amor tanto nos ensinas
São noites insones, mal dormidas
são fraldas trocadas, mamadas
e nessa tua tarefa abençoada
vais dando amparo a uma nova vida
Os filhos crescem num instante
escola , trabalho, namoro, casamento
Ah se pudesses agarrar o momento
em que estavam em teu ventre gestante.
Mas a vida segue o caminho
os netos logo aqui estarão
para reviveres parte da emoção
que tiveste com os teus filhos
A ti mãe, a minha homenagem,
a ti que representas o amor
que sobrepujas toda a dor
no teu destino de mulher coragem
SER MAE ?
Diva Pavesi - (representante da REBRA em Paris)
Nem todas as mulheres nasceram para se dar ou doar.
Dar e se doar, uma complexa ação transcendental.
MAE! Padecer no paraíso, ou somente AMAR!
Sem jamais pedir de volta o carinho e gestos do Alem MAR
MAE! Palavra sonora e plena de LUZ e SABEDORIA
Como nos velhos tempos, em seu ventre se irradia,
As doces canções de NINAR
MAE! Cântico dos Cânticos
Sabor, prazer, ir e vir, no embalo dos seus braços,
Uma flor colher no final da tarde, dos seus encantadores
abraços,
MAE! OBRIGADA!
Eu te amo por toda a eternidade, com a força do seu AMOR!
MAE! Amor e LIBERDADE
CORAÇÃO DE MULHER
Tchello d'Barros
Mulher Mulher Mulher
Na jornada da História
Teus pés pisaram o pó
Pegadas de pura luz
E teus braços de Mulher
No exercício da ternura
Construíram a escultura
Sublime de um coração
E tuas mãos de Mulher
Colheram flores de afeto
E ainda que delicadas
Souberam usar espadas
E teus punhos de Mulher
Guerreira Joana d'Arc
Foste Anita Garibaldi
Heroína de dois mundos
E o teu ventre de Mulher
Deste a luz aos teus filhos
Deste anjos à este mundo
Gerastes também heróis
E os teus seios Mulher
Tuas duas luas nuas
Em que tu amamentastes
Filhos e o filho de Deus
E teus lábios de Mulher
Rosa de pétalas rubras
De teus lábios brotaram
Cantos poemas amores
E teus olhos de Mulher
Janelas de tua luz
Íris luzente de estrelas
Doce onda do oceano
E teu coração de Mulher
Guarda os dias de menina
Tear do linho que tece
Os fios de teus sentimentos
E teu peito de Mulher
Pulsa uma flor que se abre
Exala o néctar dos sonhos
Perfumes de vida e Amor
www.tchello.art.br
MAMÃE, EU TE AMO!
Laura Limeira
Que foi feito de ti, meu querubim?
Onde será que passeia a tua mente?
Quem será que tu reconheces em mim?
Ai, como é triste vê-la assim tão carente...
Estás abatida, tristonha, tão distante...
Tua saúde mais agrava-se, à cada dia
Em ti, somente a solidão é aparente
E já me sinto órfã em tua companhia...
Quero-te de volta, mamãe querida, por favor!
Preciso tanto de ti, somente Deus sabe quanto!
E desde que em te habitou o Mal de Alzheimer
Que vivo sufocada em doloroso pranto...
És a luz dos meus dias, a direção da minha vida
O ponto de referência da minha razão e emoção
És o todo e o tudo do meu sonho mais sonhado
Um tesouro guardado dentro do meu coração!
Laura Limeira
Recife/PE/Brasil
Estrelas e peixinhos de Natal
Terezinha Manczak
Bem de manhãzinha, ainda de pijama, agarrei minha boneca
pelas pernas de pano e saí para brincar na rua.
Atravessei correndo o pátio de casa, fugindo de uma mamãe
gansa, gorda e barulhenta, que tomava sol com sua ninhada de
filhotes recém nascidos. Era dezembro e eu já tinha feito
aniversário.
Entrei na casa de Dona Maria , que não tinha filhos, mas
gostava muito de crianças. Conversava muito comigo e sempre
oferecia-me uns bolinhos de chuva branquinhos de tanto
açúcar.
O que sua mãe está fazendo? Perguntou - me ela.
Respondi que minha mãe ainda estava pintando o guarda-louças
da cozinha. Não gostava de ficar por perto, pois meu cabelo
já estava todo verde , cheio de pingos de tinta. Era filha
única, tinha três anos, e ainda mamãe me amamentava.
Perguntou - me também, o que eu iria ganhar no Natal.
Respondi que não sabia. Mas que iria pedir ao Papai Noel uma
calça de brim e uma sombrinha, pois , afinal, eu já era
quase uma mocinha.
Ela sorriu e deu-me um conselho.
Despedi-me dela e dei uma volta bem grande ao voltar para
casa, evitando a velha gansa, que uma vez já tinha me
derrubado, bicado minhas costas e me feito chorar muito.
Entrei na cozinha, o armário reluzia ao sol que entrava pela
janela, e um cheiro bom de tinta fresca enchia o ar daquela
manhã inesquecível.
Mamãe, ainda muito jovem, tinha um sorriso lindo, longos
cabelos negros encaracolados e um jeito gostoso de me
ensinar a sonhar.
Ela desceu da cadeira que usava como escada, e me disse:
Vamos deixar a casa bem bonita , a vovó Rosa virá passar o
Natal conosco. E então faremos aqueles biscoitos de Natal
que você adora!
Você me ajuda a cortar?
Nem ouvi direito o que ela dizia. Falei rapidamente, achando
a coisa mais natural do mundo. Mãe, a Dona Maria disse, que
eu já sou uma mocinha. E que é para eu parar de mamar...
Tudo bem, respondeu Dona Aládia, rindo e fechando a lata de
tinta.
À noite, despedi-me dela e fui direto para o quarto. Papai
pôs - me na cama, afirmando que eu estava cada dia mais
crescida e mais pesada para ser levada ao colo.
Naquela noite, foi difícil conciliarmos o sono, mas nós duas
cumprimos o trato. Tomei litros de um chá feito de hortelã e
no dia seguinte ninguém mais tocou no assunto.
O compasso da espera
Jorge Linhaça
Sentes no ventre a vida formada
semente lenta a se expandir
teu corpo novas formas a adquirir
a te tornar mais bela e aventurada
Tantos sonhos, tantas alegrias
alguns medos, tantos cuidados
a espera dos meses passados
até chegar afinal o grande dia
Um vagido anuncia a chegada
do ser gerado em tuas entranhas
as dores sentidas jazem antanhas
o choro te cobre a face emocionada
São tantas experiências divinas
da alegria extrema à preocupação
lide da mãe , mulher coração
que com teu amor tanto nos ensinas
São noites insones, mal dormidas
são fraldas trocadas, mamadas
e nessa tua tarefa abençoada
vais dando amparo a uma nova vida
Os filhos crescem num instante
escola , trabalho, namoro, casamento
Ah se pudesses agarrar o momento
em que estavam em teu ventre gestante.
Mas a vida segue o caminho
os netos logo aqui estarão
para reviveres parte da emoção
que tiveste com os teus filhos
A ti mãe, a minha homenagem,
a ti que representas o amor
que sobrepujas toda a dor
no teu destino de mulher coragem
Mãe
Augusta Schimidt
Mãe,
Inspiração e ternura
Luz dos olhos de Deus
Criatura abençoada
Eleita pelo Criador
Para gerar a semente do amor
Mãe,
Cujo nome em verso e prosa é magia
Que tem no coração a esperança,
Você é tal qual uma flor
Que desabrocha ao amanhecer
E exala o suave perfume do amor
Mãe,
Que tem o brilho das estrelas no olhar,
Que diz palavras sabias ao educar,
Que tem a força nos braços para proteger,
Que tira as pedras do caminho,
Que consola com carinho...
Você...
Que quando entrelaça as mãos em oração
Pedindo a paz e a união
É a bem – aventurada entre todas as mulheres
Porque através de seu ventre
Permitiu que seus filhos realizassem na sua história
O mistério da criação.
Campinas/24/04/06
http://geocities.yahoo.com.br/coletaneadosaber_05
M ã e
Maria da Luz - REBRA
Quantas vezes te ignorei
Pois no meu quarto sozinho
Eu queria ficar sonhando.
Então, sufocando o teu carinho,
Tu te retiravas, mãe.
Quantas vezes tu choraste
Com saudade deste menino
Que por um sonho tão pequenino,
Não esteve junto de ti.
Agora, é teu filho que chora.
Vem me enxugar as lágrimas, mãe!
Se podes me ouvir, vem!
Hoje, te quero perto de mim.
Ouve meu peito arfando em dores,
Vendo que em teu jardim,
Morreram todas as flores
Sentindo a tua falta.
Agora, minha voz ecoa no espaço:
Vem, mãe, quero te dar um abraço!
Tua sabedoria quero sentir
Desanuviando esta cabeça oca.
Vem limpar do meu coração a mágoa
Por tudo que não conquistei.
Mãe, um conselho teu quero agora.
Deixa-me ouvir tua voz cansada!
Ah, mãe! Mesmo aí, no infinito
Sei que ouvirás o grito
Deste filho que chora.
Florianópolis, 6/5/2007
COMPLEMENTARIDADE
Por ROSANE MAGALY MARTINS
YIN BUSCA O COMPLEMENTO YANG
POSITIVO POLARIZA E REPULSA O NEGATIVO
PRÁTICA CONTRAPÕE-SE À SENSIBILIDADE
UMA ACERTIVIDADE INDECISA
UM DESEJO DESAFETADO
UMA LÁGRIMA, DOIS SORRISOS
UM ORGASMO E O CARINHO
O PARTO E A DOR
FRUTIFICADOS
FICO NUM CANTO
À ESPREITA!
FALAM DE AMOR
ENQUANTO EMUDEÇO.
INGRESSO EM MEUS MEDOS
ASSEGURO-ME DE INCERTEZAS
DESAPEGO-ME DE TI
APREENDO-ME MULHER!
Luiz Eduardo Caminha
Os sinos dobram,
Todos em conjunto,
O som enche o ar de magia.
Os anjos cantam,
Um coro de louvores,
Tudo parece poesia.
O sol brilha,
Aquece-nos a alma,
O coração transborda.
A natureza desperta,
A sinfonia da passarada,
Tudo é harmonia.
A lua, à noite estrelada,
Empresta seu brilho, empalidece,
Algo lhe é mais brilhante.
Deus admira-se,
A criação lhe impõe uma dúvida:
Por quê Eu também não?
Tudo isto é pouco,
Infinitamente ínfimo,
Tudo é quase nada!
E eu, simples mortal que a tenho,
Por mais que tente,
Sequer consigo,
Fazer-lhe um verso,
Recitar-lhe um poema,
Descreve-la, quiçá!
Sou um poeta frustrado,
Não encontro as rimas,
Meu verso se perde!
O que me resta afinal?
Apenas dizer, admitir,
Num sussurro envergonhado:
Mesmo que eu queira,
Compara-la ao belo,
Descrever o indescritível,
Mesmo que componha,
Fraseados poéticos,
Nada! Absolutamente nada,
Consigo fazer significar
Tudo o que sinto,
Tudo o que a ela pareça.
Sim, sou um incapaz!
Resta-me um consolo,
Que minha pena escreva:
Ela é única, sem sinônimos,
Até Deus quis ter uma!
Ela é, simplesmente, Mãe!!!
Uma grande sala, um lar,
móveis antigos, usados,
toalhas de crochê
-mãe
Ilha segura em mar aberto.
O oceano jorrando das janelas,
persianas em eternas danças,
sol escancarado.
Eu desenhava, sentindo o cheiro da maresia
e do macarrão feito em casa.
E a felicidade morava
comigo...
Ela continua lá, entre seus segredos e bordados, mas
estou
longe, no meu pequeno
barco
remando, remando, fingindo
que também sou ilha.
SONETO À MULHER
Isnelda Weise
Março se aproxima e a natureza
Enfeita o olhar da mestra e musa
Mulher também mãe que não recusa
Ser mão mendicante na pobreza.
Traz em seu regaço a ironia
De mulher mandante e de megera
Na luta é afinco, fé durante a espera
E mártir na ausência e na agonia.
Em manhãs de março é fêmea-planta
Sonha à luz do sol que tinge sua tez
E unta sua pele com aroma ardente.
Nas noites febris: mulher, mãe e santa
Há sabor de fruto na palidez
Que anuncia o rito da mulher-amante.
© Lou de Olivier -
És aquela que gera
Que, por meses, espera,
Por toda uma vida...
És parte
De um ser que te parte
E te une ao Universo...
Que alguns cantam em versos
Entre tantos que nem sonham contigo...
És amada
E, por vezes, incompreendida
Entre todas, a mais querida...
És Santa, na condição humana
No altar de quem te ama...
És de tudo, um pouco
E tanto e demais
Num exercício de humildade...
És mãe, pela eternidade...
CLAUDIA PACCE
REPRESENTANTE DA REBRA NA NOVA ZELANDIA
O risco terroso desenha a montanha, afina e se curva pra
dentro de mim. Mourão, arado, enxó, enxadão. A estrada que
leva a gente de volta; seo José guiando a charrete, cavalo
dourado-marrom de brilhoso suor.
Não se vê, mas se escuta... longíngüo, o apito dum trem.
Sinal de cautela, cancela abaixada,
espera-um-pouco-já-vaaaaiiiiiiiii...
Há tempos ou mais, não atinava voltar, não pra ver a mãe só
querendo dormir. A mesma mangueira acolhe a sombrar,
agora copada até quase o chão. Capim rosa chá ondulando a
memória demais: eu no galho mais alto possível
desafiando a queda e a lei. E lá em baixo os conselhos da
mãe
"olha o tombo! a dor de barriga! Manga verde vai lhe fazer
muito mal." Tinha ela a razão, tinha eu aventura nas veias,
narinas entregues aos cheiros que nunca mais. Agora as
mangas sabem insosas, esteticamente bitelas e belas dosagens
de pura agrotoxicação.
Quantos cuidados de minha então jovem mãe!
Mas hoje é tristeza que dói porque dói, nem deu tempo dela
saber dos carinhos contidos aqui nas pontas das mãos.
Recosto no tronco, sol brilhando no frio, espicha-preguiça
intentando esquecer. Quem sabe nesses entretantos o tempo
dissona que volto só por voltar, revisitando a infância em
amparos demais.
Lembrar colo quentin de avó Maristória:
" vó, que bicho que é esse aí bem no chão ?"
"Hmm...é um belo dum sapo! à noite lhe conto
a história do príncipe que virou sapo!"
Mas à noite contava a do sapo que virou príncipe!
Com ela aprendi a não rejeitar a inspiração. Só de encostar
a cabeça em seus fartos seios, temores medosos ficavam tão
travesseiros.
Maria quitanda, mexendo panelas de ferro; fubá, cambuquira
em verde fervor . Agora é outra hora, é medo do
desconhecido,
ficar sem vó Maria mineira, sem mãe e sem pai,
acabou não tem mais?
Vai mãe, pergunta pra vó como é que ela vê esse lado de
lá...
A estrada prossegue na curva solene, de índio, cavalo,
carroça, escravidão, imigrantes, negos,
caboclos como os da prosa do Rosa, o Guimarães das Gerais.
Cadê a estação e seus trens pitando fumaças, fagulhas
furando os guarda-pós. Mexericas lotando jacás ? Quem vai
comprar?
Aonde o futrico pra troca ?
Aonde cautelas de espera-um-pouco-já-vaaiii ???
Ah vida... a morte é esse trem sem cancelas ?
Organização:
Terezinha Manczak
mural@stmt.com.br
|