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Mural Virtual Das Letras

maio/junho 2007


 

HOMENAGEM

MURAL VIRTUAL

DAS LETRAS AO

MÊS DAS MÃES

 

 

 

Mãe:



Seiva, raiz e flor

Palavra-gesto

Seio cálido de amor.



Flor trazendo em si o botão

Raiz terra de tenra vida

Seiva vertente do coração.



Palavra, grito e clamor

Gesto do Filho de Deus

Felicidade e dor.


Jairo Martins

 

 

 

 

 

Mães da periferia


Venho em nome das mães oprimidas

paridas nos leitos das ruas

nuas de tudo



Peço em nome das mães desnutridas

famintas, nas filas da vida

fortes, contudo



Choro em nome das mães esquecidas

doídas nas noites de lua

velando inocentes



Falo em nome das mães concebidas

precoces, sem rumo, sem nome

e filhos doentes



Rezo em nome das mães desvalidas

sem terra, sem teto, nem pão

nas celas, no frio, na guerra



Rogo em nome das mães, Mãe querida

Maria, Rainha, Amiga

Paz para os filhos da Terra


Terezinha Manczak

 






 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 E L A

Lairton Trovão de Andrade



Quando num espelho simplesmente olho

E contemplo um fruto de tão linda vargem,

Penso na Senhora que há tempo eu adoro,

De quem gostaria de ver a imagem.



A minha jovem, coração filial,

Com saudade tanta muitas vezes sente

Os teus leves passos – andar maternal,

Que se aproximava do meu leito quente.



Vinhas de manhã, ó minha mãe querida,

Com a saudação de um maternal sorrir.

Talvez, era ledo sonho desta vida,

– O teu testemunho certo do porvir.



Passaram-se verdes e inocentes anos,

Alcancei, então, a nona primavera;

De ti me acerquei e te contei meus planos

E feri o amor que teu coração gera.



Morreram os meses que no nada estão,

Aos amados vindo... acheguei-me a ti,

Sentido inclinei-me... osculei-te a mão,

Beijei tua face e... chorando parti.



No despontar mesmo desta meiga aurora,

Sem levar em conta esta separação,

Lês em mim com alma que festiva chora:

"Mãe, sou coronária do teu coração".



Agora compreendo porque muito me amas

– Porque sou semente do teu próprio ser;

Como a luz do Sol de calorosas chamas,

A mim aquecias com o teu viver.



O filho que tens, com especial carinho,

Beijando tua fronte que tão longe mora,

Vem pedir-te a terna bênção, bem baixinho,

Deixando-te, ó mãe, na eternidade agora.











O compasso da espera


Jorge Linhaça

Sentes no ventre a vida formada
semente lenta a se expandir
teu corpo novas formas a adquirir
a te tornar mais bela e aventurada

Tantos sonhos, tantas alegrias
alguns medos, tantos cuidados
a espera dos meses passados
até chegar afinal o grande dia

Um vagido anuncia a chegada
do ser gerado em tuas entranhas
as dores sentidas jazem antanhas
o choro te cobre a face emocionada

São tantas experiências divinas
da alegria extrema à preocupação
lide da mãe , mulher coração
que com teu amor tanto nos ensinas

São noites insones, mal dormidas
são fraldas trocadas, mamadas
e nessa tua tarefa abençoada
vais dando amparo a uma nova vida

Os filhos crescem num instante
escola , trabalho, namoro, casamento
Ah se pudesses agarrar o momento
em que estavam em teu ventre gestante.

Mas a vida segue o caminho
os netos logo aqui estarão
para reviveres parte da emoção
que tiveste com os teus filhos

A ti mãe, a minha homenagem,
a ti que representas o amor
que sobrepujas toda a dor
no teu destino de mulher coragem
 

 

 

 




SER MAE ?


Diva Pavesi - (representante da REBRA em Paris)

Nem todas as mulheres nasceram para se dar ou doar.
Dar e se doar, uma complexa ação transcendental.
MAE! Padecer no paraíso, ou somente AMAR!
Sem jamais pedir de volta o carinho e gestos do Alem MAR
MAE! Palavra sonora e plena de LUZ e SABEDORIA
Como nos velhos tempos, em seu ventre se irradia,
As doces canções de NINAR
MAE! Cântico dos Cânticos
Sabor, prazer, ir e vir, no embalo dos seus braços,
Uma flor colher no final da tarde, dos seus encantadores abraços,
MAE! OBRIGADA!
Eu te amo por toda a eternidade, com a força do seu AMOR!
MAE! Amor e LIBERDADE











CORAÇÃO DE MULHER

 

Tchello d'Barros


Mulher Mulher Mulher
Na jornada da História
Teus pés pisaram o pó
Pegadas de pura luz

E teus braços de Mulher
No exercício da ternura
Construíram a escultura
Sublime de um coração

E tuas mãos de Mulher
Colheram flores de afeto
E ainda que delicadas
Souberam usar espadas

E teus punhos de Mulher
Guerreira Joana d'Arc
Foste Anita Garibaldi
Heroína de dois mundos

E o teu ventre de Mulher
Deste a luz aos teus filhos
Deste anjos à este mundo
Gerastes também heróis

E os teus seios Mulher
Tuas duas luas nuas
Em que tu amamentastes
Filhos e o filho de Deus

E teus lábios de Mulher
Rosa de pétalas rubras
De teus lábios brotaram
Cantos poemas amores

E teus olhos de Mulher
Janelas de tua luz
Íris luzente de estrelas
Doce onda do oceano

E teu coração de Mulher
Guarda os dias de menina
Tear do linho que tece
Os fios de teus sentimentos

E teu peito de Mulher
Pulsa uma flor que se abre
Exala o néctar dos sonhos
Perfumes de vida e Amor

www.tchello.art.br
 

 

 

 

 



MAMÃE, EU TE AMO!

Laura Limeira


Que foi feito de ti, meu querubim?
Onde será que passeia a tua mente?
Quem será que tu reconheces em mim?
Ai, como é triste vê-la assim tão carente...


Estás abatida, tristonha, tão distante...
Tua saúde mais agrava-se, à cada dia
Em ti, somente a solidão é aparente
E já me sinto órfã em tua companhia...


Quero-te de volta, mamãe querida, por favor!
Preciso tanto de ti, somente Deus sabe quanto!
E desde que em te habitou o Mal de Alzheimer
Que vivo sufocada em doloroso pranto...


És a luz dos meus dias, a direção da minha vida
O ponto de referência da minha razão e emoção
És o todo e o tudo do meu sonho mais sonhado
Um tesouro guardado dentro do meu coração!


Laura Limeira
Recife/PE/Brasil


 

 

 

 



Estrelas e peixinhos de Natal

 

Terezinha Manczak


Bem de manhãzinha, ainda de pijama, agarrei minha boneca pelas pernas de pano e saí para brincar na rua.

Atravessei correndo o pátio de casa, fugindo de uma mamãe gansa, gorda e barulhenta, que tomava sol com sua ninhada de filhotes recém nascidos. Era dezembro e eu já tinha feito aniversário.

Entrei na casa de Dona Maria , que não tinha filhos, mas gostava muito de crianças. Conversava muito comigo e sempre oferecia-me uns bolinhos de chuva branquinhos de tanto açúcar.

O que sua mãe está fazendo? Perguntou - me ela.

Respondi que minha mãe ainda estava pintando o guarda-louças da cozinha. Não gostava de ficar por perto, pois meu cabelo já estava todo verde , cheio de pingos de tinta. Era filha única, tinha três anos, e ainda mamãe me amamentava.

Perguntou - me também, o que eu iria ganhar no Natal. Respondi que não sabia. Mas que iria pedir ao Papai Noel uma calça de brim e uma sombrinha, pois , afinal, eu já era quase uma mocinha.

Ela sorriu e deu-me um conselho.

Despedi-me dela e dei uma volta bem grande ao voltar para casa, evitando a velha gansa, que uma vez já tinha me derrubado, bicado minhas costas e me feito chorar muito.

Entrei na cozinha, o armário reluzia ao sol que entrava pela janela, e um cheiro bom de tinta fresca enchia o ar daquela manhã inesquecível.

Mamãe, ainda muito jovem, tinha um sorriso lindo, longos cabelos negros encaracolados e um jeito gostoso de me ensinar a sonhar.

Ela desceu da cadeira que usava como escada, e me disse:

Vamos deixar a casa bem bonita , a vovó Rosa virá passar o Natal conosco. E então faremos aqueles biscoitos de Natal que você adora!

Você me ajuda a cortar?

Nem ouvi direito o que ela dizia. Falei rapidamente, achando a coisa mais natural do mundo. Mãe, a Dona Maria disse, que eu já sou uma mocinha. E que é para eu parar de mamar...

Tudo bem, respondeu Dona Aládia, rindo e fechando a lata de tinta.

À noite, despedi-me dela e fui direto para o quarto. Papai pôs - me na cama, afirmando que eu estava cada dia mais crescida e mais pesada para ser levada ao colo.

Naquela noite, foi difícil conciliarmos o sono, mas nós duas cumprimos o trato. Tomei litros de um chá feito de hortelã e no dia seguinte ninguém mais tocou no assunto.

 

 

 



O compasso da espera


Jorge Linhaça

Sentes no ventre a vida formada
semente lenta a se expandir
teu corpo novas formas a adquirir
a te tornar mais bela e aventurada

Tantos sonhos, tantas alegrias
alguns medos, tantos cuidados
a espera dos meses passados
até chegar afinal o grande dia

Um vagido anuncia a chegada
do ser gerado em tuas entranhas
as dores sentidas jazem antanhas
o choro te cobre a face emocionada

São tantas experiências divinas
da alegria extrema à preocupação
lide da mãe , mulher coração
que com teu amor tanto nos ensinas

São noites insones, mal dormidas
são fraldas trocadas, mamadas
e nessa tua tarefa abençoada
vais dando amparo a uma nova vida

Os filhos crescem num instante
escola , trabalho, namoro, casamento
Ah se pudesses agarrar o momento
em que estavam em teu ventre gestante.

Mas a vida segue o caminho
os netos logo aqui estarão
para reviveres parte da emoção
que tiveste com os teus filhos

A ti mãe, a minha homenagem,
a ti que representas o amor
que sobrepujas toda a dor
no teu destino de mulher coragem
 

 

 


Mãe

Augusta Schimidt



Mãe,

Inspiração e ternura

Luz dos olhos de Deus

Criatura abençoada

Eleita pelo Criador

Para gerar a semente do amor



Mãe,

Cujo nome em verso e prosa é magia

Que tem no coração a esperança,

Você é tal qual uma flor

Que desabrocha ao amanhecer

E exala o suave perfume do amor



Mãe,

Que tem o brilho das estrelas no olhar,

Que diz palavras sabias ao educar,

Que tem a força nos braços para proteger,

Que tira as pedras do caminho,

Que consola com carinho...



Você...

Que quando entrelaça as mãos em oração

Pedindo a paz e a união

É a bem – aventurada entre todas as mulheres

Porque através de seu ventre

Permitiu que seus filhos realizassem na sua história

O mistério da criação.



Campinas/24/04/06

http://geocities.yahoo.com.br/coletaneadosaber_05





M ã e


Maria da Luz - REBRA


Quantas vezes te ignorei
Pois no meu quarto sozinho
Eu queria ficar sonhando.
Então, sufocando o teu carinho,
Tu te retiravas, mãe.

Quantas vezes tu choraste
Com saudade deste menino
Que por um sonho tão pequenino,
Não esteve junto de ti.
Agora, é teu filho que chora.
Vem me enxugar as lágrimas, mãe!

Se podes me ouvir, vem!
Hoje, te quero perto de mim.
Ouve meu peito arfando em dores,
Vendo que em teu jardim,
Morreram todas as flores
Sentindo a tua falta.

Agora, minha voz ecoa no espaço:
Vem, mãe, quero te dar um abraço!
Tua sabedoria quero sentir
Desanuviando esta cabeça oca.
Vem limpar do meu coração a mágoa
Por tudo que não conquistei.

Mãe, um conselho teu quero agora.
Deixa-me ouvir tua voz cansada!
Ah, mãe! Mesmo aí, no infinito
Sei que ouvirás o grito
Deste filho que chora.

Florianópolis, 6/5/2007






COMPLEMENTARIDADE

Por ROSANE MAGALY MARTINS



YIN BUSCA O COMPLEMENTO YANG

POSITIVO POLARIZA E REPULSA O NEGATIVO

PRÁTICA CONTRAPÕE-SE À SENSIBILIDADE

UMA ACERTIVIDADE INDECISA

UM DESEJO DESAFETADO

UMA LÁGRIMA, DOIS SORRISOS

UM ORGASMO E O CARINHO

O PARTO E A DOR

FRUTIFICADOS




FICO NUM CANTO

À ESPREITA!

FALAM DE AMOR

ENQUANTO EMUDEÇO.



INGRESSO EM MEUS MEDOS

ASSEGURO-ME DE INCERTEZAS

DESAPEGO-ME DE TI



APREENDO-ME MULHER!






 

 

Um poeta frustrado

(Homenagem às mães)

 

Luiz Eduardo Caminha

Os sinos dobram,
Todos em conjunto,
O som enche o ar de magia.

Os anjos cantam,
Um coro de louvores,
Tudo parece poesia.

O sol brilha,
Aquece-nos a alma,
O coração transborda.

A natureza desperta,
A sinfonia da passarada,
Tudo é harmonia.

A lua, à noite estrelada,
Empresta seu brilho, empalidece,
Algo lhe é mais brilhante.

Deus admira-se,
A criação lhe impõe uma dúvida:
Por quê Eu também não?

Tudo isto é pouco,
Infinitamente ínfimo,
Tudo é quase nada!

E eu, simples mortal que a tenho,
Por mais que tente,
Sequer consigo,

Fazer-lhe um verso,
Recitar-lhe um poema,
Descreve-la, quiçá!

Sou um poeta frustrado,
Não encontro as rimas,
Meu verso se perde!

O que me resta afinal?
Apenas dizer, admitir,
Num sussurro envergonhado:

Mesmo que eu queira,
Compara-la ao belo,
Descrever o indescritível,

Mesmo que componha,
Fraseados poéticos,
Nada! Absolutamente nada,

Consigo fazer significar
Tudo o que sinto,
Tudo o que a ela pareça.

Sim, sou um incapaz!
Resta-me um consolo,
Que minha pena escreva:

Ela é única, sem sinônimos,
Até Deus quis ter uma!
Ela é, simplesmente, Mãe!!!
 

 

 





MÃE

Sonia Sales



Uma grande sala, um lar,

móveis antigos, usados,

toalhas de crochê

-mãe


Ilha segura em mar aberto.


O oceano jorrando das janelas,

persianas em eternas danças,

sol escancarado.

Eu desenhava, sentindo o cheiro da maresia

e do macarrão feito em casa.



E a felicidade morava

comigo...


Ela continua lá, entre seus segredos e bordados, mas

estou

longe, no meu pequeno

barco

remando, remando, fingindo

que também sou ilha.





 

 

 

 

 

 

SONETO À MULHER

Isnelda Weise


Março se aproxima e a natureza
Enfeita o olhar da mestra e musa
Mulher também mãe que não recusa
Ser mão mendicante na pobreza.

Traz em seu regaço a ironia
De mulher mandante e de megera
Na luta é afinco, fé durante a espera
E mártir na ausência e na agonia.

Em manhãs de março é fêmea-planta
Sonha à luz do sol que tinge sua tez
E unta sua pele com aroma ardente.

Nas noites febris: mulher, mãe e santa
Há sabor de fruto na palidez
Que anuncia o rito da mulher-amante.



 

 

 


Mãe...

 

© Lou de Olivier -

És aquela que gera
Que, por meses, espera,
Por toda uma vida...

És parte
De um ser que te parte
E te une ao Universo...
Que alguns cantam em versos
Entre tantos que nem sonham contigo...

És amada
E, por vezes, incompreendida
Entre todas, a mais querida...
És Santa, na condição humana
No altar de quem te ama...

És de tudo, um pouco
E tanto e demais
Num exercício de humildade...
És mãe, pela eternidade...



 

 


CLAUDIA PACCE

REPRESENTANTE DA REBRA NA NOVA ZELANDIA


O risco terroso desenha a montanha, afina e se curva pra dentro de mim. Mourão, arado, enxó, enxadão. A estrada que leva a gente de volta; seo José guiando a charrete, cavalo dourado-marrom de brilhoso suor.

Não se vê, mas se escuta... longíngüo, o apito dum trem. Sinal de cautela, cancela abaixada, espera-um-pouco-já-vaaaaiiiiiiiii...

Há tempos ou mais, não atinava voltar, não pra ver a mãe só querendo dormir. A mesma mangueira acolhe a sombrar,

agora copada até quase o chão. Capim rosa chá ondulando a memória demais: eu no galho mais alto possível

desafiando a queda e a lei. E lá em baixo os conselhos da mãe

"olha o tombo! a dor de barriga! Manga verde vai lhe fazer muito mal." Tinha ela a razão, tinha eu aventura nas veias, narinas entregues aos cheiros que nunca mais. Agora as mangas sabem insosas, esteticamente bitelas e belas dosagens de pura agrotoxicação.

Quantos cuidados de minha então jovem mãe!

Mas hoje é tristeza que dói porque dói, nem deu tempo dela saber dos carinhos contidos aqui nas pontas das mãos.

Recosto no tronco, sol brilhando no frio, espicha-preguiça intentando esquecer. Quem sabe nesses entretantos o tempo dissona que volto só por voltar, revisitando a infância em amparos demais.

Lembrar colo quentin de avó Maristória:

" vó, que bicho que é esse aí bem no chão ?"

"Hmm...é um belo dum sapo! à noite lhe conto

a história do príncipe que virou sapo!"

Mas à noite contava a do sapo que virou príncipe!

Com ela aprendi a não rejeitar a inspiração. Só de encostar a cabeça em seus fartos seios, temores medosos ficavam tão travesseiros.

Maria quitanda, mexendo panelas de ferro; fubá, cambuquira em verde fervor . Agora é outra hora, é medo do desconhecido,

ficar sem vó Maria mineira, sem mãe e sem pai,

acabou não tem mais?

Vai mãe, pergunta pra vó como é que ela vê esse lado de lá...
A estrada prossegue na curva solene, de índio, cavalo, carroça, escravidão, imigrantes, negos,

caboclos como os da prosa do Rosa, o Guimarães das Gerais.

Cadê a estação e seus trens pitando fumaças, fagulhas furando os guarda-pós. Mexericas lotando jacás ? Quem vai comprar?

Aonde o futrico pra troca ?

Aonde cautelas de espera-um-pouco-já-vaaiii ???

Ah vida... a morte é esse trem sem cancelas ?




 

Organização:

 Terezinha Manczak  

mural@stmt.com.br

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